quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

Alerta de Fraude na Comurg: Licitação direcionada de 50 Milhões Para as Empresas do Cartel da Prime, Link e Neo

Da “emergência” ao edital sob medida: o rastro da Prime, Neo e Link nos contratos de combustível de Goiânia

COMURG insiste em licitação questionada enquanto histórico recente expõe um modelo que se repete

A insistência da Companhia de Urbanização de Goiânia (COMURG) em levar adiante uma licitação de R$ 50 milhões para gerenciamento de abastecimento de combustíveis, mesmo após alerta formal do Tribunal de Contas dos Municípios de Goiás (TCM-GO), não ocorre no vácuo. Ela se insere em um histórico recente de contratações problemáticas, já denunciadas por este blog, que revelam um padrão preocupante na política de combustível da Prefeitura de Goiânia.

Em 2024, sob o pretexto de emergência, a Prefeitura ignorou uma licitação regular em andamento e firmou um contrato de R$ 35,2 milhões com a empresa Neo Consultoria, apontada em denúncias como empresa satélite do grupo Prime. À época, o município alegou risco de desabastecimento, mas não convocou as empresas remanescentes do certame, nem demonstrou de forma convincente a impossibilidade de solução dentro do próprio processo licitatório.


Agora, no novo episódio envolvendo a COMURG, o enredo muda de forma — mas não de essência.


O Pregão Eletrônico nº 050/2025, atualmente sob análise do TCM, foi formalmente questionado por conter exigências técnicas restritivas, com destaque para a Prova de Conceito, que exige soluções avançadas antes mesmo da contratação. O Tribunal admitiu a denúncia, reconheceu plausibilidade jurídica e apontou indícios de direcionamento.


Ainda assim, a COMURG decidiu seguir com a licitação, amparando-se em um parecer de procurador do próprio Tribunal de Contas, favorável à continuidade do certame. O parecer causou estranheza no meio jurídico por seu efeito prático: esvaziar a cautela do órgão de controle justamente em um contrato de alto valor e impacto financeiro.


O conselheiro Humberto Aidar, relator do processo, ainda não se manifestou publicamente sobre esse novo movimento. Enquanto isso, a licitação segue avançando.


O que chama atenção é que, mais uma vez, o desenho do edital aponta naturalmente para um grupo restrito de empresas que dominam esse mercado específico: Prime, Link e Neo. As mesmas empresas — ou seus entornos empresariais — que já aparecem em contratos emergenciais, licitações anuladas e modelos de contratação reiteradamente questionados.


Não se trata de afirmar vencedores antecipadamente. Trata-se de observar um padrão de repetição:

– contratos milionários;

– modelos altamente técnicos;

– justificativas de urgência ou complexidade;

– e um conjunto quase fixo de empresas aptas a atender às exigências.


No caso da COMURG, o risco ao erário não está apenas no volume financeiro — embora R$ 50 milhões em 12 meses por si só já imponham escrutínio máximo. Está no modelo de contratação, que permite preços sistematicamente elevados, difíceis de auditar e protegidos por uma retórica técnica que afasta o controle social.


A experiência recente da Prefeitura de Goiânia mostra que, quando a emergência é usada como atalho, a exceção vira regra. Agora, quando a licitação é formalmente questionada, a regra parece ser empurrada até o limite, mesmo sob alerta do Tribunal.


Formalmente, as decisões passam por secretarias e estatais. Politicamente, o fio condutor é único. Em contratos dessa magnitude, não há coincidências inocentes — apenas escolhas.


A pergunta que se impõe não é se os modelos são legais no papel.

É por que, repetidamente, eles conduzem às mesmas empresas.


O histórico existe. As denúncias estão documentadas.

E o padrão, mais uma vez, se apresenta.


Licitação com dia, hora e destino conhecidos



Diferentemente de processos administrativos ainda em fase preliminar, o Pregão Eletrônico nº 050/2025 da COMURG tem data e hora marcadas para acontecer: 21 de janeiro de 2026, às 9h30, na plataforma eletrônica da BLL Compras. Trata-se de um contrato estimado em R$ 50 milhões, cuja realização segue confirmada apesar de questionamentos formais, alerta do Tribunal de Contas e de um histórico recente de contratações controversas no mesmo setor  .


Nos bastidores do mercado de gerenciamento de combustíveis, a leitura é praticamente unânime: o edital foi desenhado para caber em poucas mãos. As exigências técnicas, a formatação da Prova de Conceito, a escala operacional exigida e o histórico de atuação prévia nesse tipo de contrato afunilam o certame para um grupo específico de empresas.


Entre elas, aparecem novamente Prime, Link e Neo — empresas que já foram alvo de uma série de reportagens investigativas deste blog, nas quais se apontam vínculos operacionais, atuação coordenada em contratos públicos e domínio reiterado desse mercado, formando o que especialistas e denúncias qualificam como um cartel funcional no setor de gerenciamento de frotas e combustíveis.


Não se trata de mera coincidência. O próprio edital prevê mecanismos de verificação de vínculos societários e de grupo econômico, reconhecendo implicitamente que esse risco existe  . Ainda assim, o desenho técnico do certame continua favorecendo exatamente as empresas que já dispõem da estrutura, da tecnologia e da capilaridade exigidas — porque ajudaram a consolidar esse modelo ao longo dos anos.


Na prática, a licitação ocorre com destino previsível, ainda que formalmente aberta. É o tipo de processo em que a concorrência existe no papel, mas o resultado já é antecipado pelo próprio formato do edital. Quando uma licitação milionária nasce com data, hora e perfil de vencedor conhecidos pelo mercado, o problema deixa de ser apenas administrativo. Passa a ser político e institucional.


Nesse contexto, a insistência da COMURG em manter o certame, mesmo após alerta do Tribunal de Contas e diante de um histórico de contratos emergenciais suspeitos envolvendo as mesmas empresas, reforça a percepção de que não se trata de um erro pontual, mas de um método.


A pergunta que permanece não é se a licitação vai acontecer.

Ela já vai acontecer.


A pergunta real é por que, mais uma vez, ela parece acontecer para os mesmos de sempre.

Anote aí, a Licitação na COMURG que lesa o erário público é direcionada para o Cartel da Prime, Link e 

Isso não é acaso. É método.

O combustível da COMURG virou ouro: R$ 50 milhões, um edital sob suspeita e a Prefeitura que finge não ver

COMURG, combustível caro e silêncio conveniente: quando a Prefeitura de Goiânia prefere não explicar

A Companhia de Urbanização de Goiânia (COMURG) está prestes a movimentar mais de R$ 50 milhões em apenas 12 meses com um contrato de gerenciamento do abastecimento de combustíveis. Não é um detalhe administrativo. É uma escolha política. E, como toda escolha política que envolve muito dinheiro público, ela exige explicações. O problema é que, até agora, o que se vê é pressa para contratar e resistência para esclarecer.


O Pregão Eletrônico nº 050/2025, alvo do Processo nº 183/2026 no Tribunal de Contas dos Municípios de Goiás (TCM-GO), já não é apenas um edital contestado. É um símbolo de como a administração municipal parece confortável em operar num modelo caro, concentrado e blindado por tecnicismos, enquanto empurra as perguntas incômodas para debaixo do tapete.


O Tribunal de Contas fez o que lhe cabia: admitiu a denúncia, reconheceu plausibilidade jurídica e apontou, preto no branco, indícios de direcionamento, exigências desproporcionais e possível violação aos princípios da Lei das Estatais. Isso não é retórica de oposição. É linguagem técnica de órgão de controle.



O modelo que “funciona” — para quem?



A COMURG consome cerca de 300 mil litros de combustível por mês. Em contratos dessa magnitude, ninguém precisa roubar um centavo de forma escancarada para causar prejuízo. Basta um modelo mal desenhado — ou bem desenhado demais — que aceite preços sistematicamente no topo da média.


Um desvio contínuo de 10%, perfeitamente camuflado dentro de parâmetros “de mercado”, representa 30 mil litros por mês pagos a mais. Dependendo da diferença por litro, isso significa algo próximo de R$ 150 mil por mês. Em um ano, R$ 1,8 milhão evaporando sem barulho, sem escândalo, sem manchete.


E a pergunta que ecoa nos corredores da Prefeitura é simples e constrangedora:

por que insistir em um modelo mais caro, mais rígido e com pior atendimento?



Quando a técnica vira escudo



O discurso oficial é o de sempre: “é técnico”, “é moderno”, “é seguro”. Curiosamente, esse mesmo discurso aparece em quase todo contrato público problemático dos últimos anos. A técnica vira escudo, não instrumento. Serve para afastar concorrentes, justificar exigências excessivas e, principalmente, inibir questionamentos.


A chamada Prova de Conceito, um dos pontos centrais da denúncia admitida pelo TCM, funciona como filtro sofisticado: exige customizações complexas antes mesmo da contratação. Em bom português, só passa quem já está pronto — ou quem já conhece o caminho das pedras.


O Tribunal enxergou isso. Não por acaso, delimitou expressamente a apuração de indícios de direcionamento. Quem insiste em tratar isso como “normalidade administrativa” ou não leu o processo ou finge não ter lido.



Quem manda, afinal?



Formalmente, a decisão passa pelo presidente da COMURG, o coronel Kleber. Mas ninguém em sã consciência acredita que um contrato dessa dimensão seja decidido em isolamento. Em Goiânia, como em qualquer grande prefeitura, decisões estratégicas não nascem em mesas solitárias.


A pergunta que incomoda não é se houve ordem.

É de onde veio a ordem.


Foi uma escolha exclusiva da COMURG?

Foi orientação do núcleo político da Prefeitura?

Houve diálogo prévio com interessados no modelo?


O silêncio diante dessas perguntas é ensurdecedor — e revelador.



O alerta foi dado. Agora é escolha política.



O Tribunal de Contas já acendeu a luz amarela. Disse, com todas as letras, que se confirmadas as irregularidades, o dano ao erário pode ser expressivo. A partir daqui, insistir nesse modelo sem explicações públicas não é mais erro técnico. É decisão política consciente.


Em Goiânia, o combustível da COMURG não é apenas diesel, gasolina ou etanol.

É dinheiro público queimando devagar, protegido por editais complexos e pela velha aposta de que a população não vai acompanhar.


O problema é que alguém está acompanhando.

E agora, oficialmente.


terça-feira, 20 de janeiro de 2026

Operação Sofisma: o uso político do Estado para destruir reputações no governo Caiado


Quando a manchete vira sentença — e o arquivamento vira rodapé


Operação Sofisma: seis anos depois, o Estado admite a falta de provas e expõe o dano irreparável causado pela condenação midiática


Em 23 de janeiro de 2020, a manchete foi dura, ruidosa e definitiva. A Polícia Civil de Goiás deflagrava a chamada Operação Sofisma e, em poucas horas, uma lista de nomes passou a ocupar o lugar de culpados oficiais da opinião pública.


Blogs, sites e pessoas físicas foram apresentados como peças centrais de um suposto esquema de corrupção, fraude, direcionamento de verbas e manipulação política da comunicação do Governo de Goiás, envolvendo contratos de publicidade institucional realizados entre 2015 e 2017.


A narrativa era simples — e devastadora:

havia crime, havia esquema, havia culpados.


Seis anos depois, o mesmo Estado que alimentou essa narrativa arquivou o inquérito por absoluta falta de provas.

Sem indiciamentos.

Sem autoria.

Sem materialidade.

Sem crime comprovado.


E o silêncio, agora, é ensurdecedor.



A operação que virou espetáculo


À época, reportagens como a publicada em vários veículos de comunicação, como O Popular, Jornal Opção e por Cloves Reges Maia, na editoria Direito e Justiça, não economizaram palavras nem adjetivos. Falava-se em “fraudes”, “esquema de corrupção”, “disseminação de factoides” e “verbas vultosas”.


Os alvos foram nominalmente expostos:

Cristiano Livramento da Silva (Goiás 24 Horas),

Cleuber Carlos do Nascimento,

Eni Isabel de Aquino Alves,

Luiz Gama,

além de ex-servidores públicos.


O texto não fazia ressalvas. Não falava em “suspeita” com a prudência que o Estado de Direito exige. O tom era acusatório, definitivo, condenatório. O julgamento já havia sido feito — sem contraditório, sem sentença, sem prova.


A operação virou manchete.

Os investigados viraram personagens de um enredo criminal que jamais se confirmou.



O que o Estado admite agora — nos autos


O inquérito policial nº 052/2019, instaurado por portaria e conduzido pela Delegacia Estadual de Repressão a Crimes Contra a Administração Pública (DERCAP), investigava suposto crime de peculato (art. 312 do Código Penal).


O relatório final, assinado pelo delegado Pedro Y. B. Trajano (matrícula 11.300), é explícito ao desmontar, ponto a ponto, a narrativa construída em 2020:

Nenhum investigado foi indiciado

Não foi possível comprovar autoria

Não foi possível comprovar materialidade

Não houve rastreamento financeiro eficaz

Diligências essenciais não foram realizadas a tempo

O decurso excessivo do tempo inviabilizou a produção de provas


O próprio relatório reconhece que, após anos de inércia estatal, bancos, operadoras telefônicas e sistemas de dados já não possuíam informações, tornando a investigação tecnicamente inviável.


Resultado: arquivamento.


A defesa sempre sustentou exatamente isso: tratava-se de uma investigação política, desprovida de lastro probatório, baseada muito mais em narrativa do que em fatos concretos.


O tempo deu razão à defesa.

Mas o tempo não devolve reputações.



Quando a defesa falou — e a mídia escolheu não escutar


No próprio dia da deflagração da Operação Sofisma, os investigados falaram. E falaram com clareza.


Em entrevista ao Sagres Online, Cleuber Carlos reconheceu o direito do Estado investigar, colocou-se à disposição e afirmou que provaria sua inocência. Mais do que isso, denunciou o que hoje se confirma nos autos:


“Estão promovendo uma ação contra alguém que sabem ser inocente.”


Cleuber falou em perseguição política, em vingança pessoal e deixou claro que não faria confronto institucional, mas que o processo estava contaminado desde a origem.


Seis anos depois, o arquivamento não apenas confirma a ausência de provas — confirma que a investigação não se sustentou nem tecnicamente, nem juridicamente.



Cristiano Livramento fez a pergunta que ninguém respondeu


O jornalista Cristiano Livramento da Silva, proprietário do Goiás 24 Horas, também falou publicamente. Explicou, em detalhes, como funcionava a contratação de publicidade institucional:

contrato firmado com agência

tabela de preços

certidões regulares

veiculação dentro da normalidade do mercado


E fez a pergunta central, que jamais foi respondida:


“Qual a irregularidade haveria nisso?”


Cristiano denunciou abuso de autoridade e perseguição política. Disse que provaria sua inocência.


Ele provou.

Não em coletiva.

Não em editorial.


Mas no silêncio constrangedor do arquivamento.



A imprensa ouviu — mas não escutou


As defesas falaram desde o primeiro dia. Não houve fuga, silêncio ou negativa genérica. Houve explicações, argumentos e denúncia de motivação política.


A imprensa, porém, fez sua escolha editorial:

deu palco à acusação

relativizou a defesa

transformou investigação em condenação simbólica


Hoje, com o inquérito encerrado sem provas, fica evidente que não se tratava de corrupção comprovada, mas de uma investigação que jamais conseguiu sustentar aquilo que prometeu nas manchetes.



A Operação Sofisma nasceu política — e isso nunca foi segredo


A Operação Sofisma foi deflagrada nos primeiros dias do governo de Ronaldo Caiado, logo após sua posse.


Não foi coincidência.

Foi método.


Iniciava-se ali uma ofensiva sistemática contra o legado do ex-governador Marconi Perillo, com o objetivo claro de criminalizar politicamente sua gestão e sustentar, a qualquer custo, uma narrativa de ruptura baseada em suspeitas que nunca se confirmaram.


A Sofisma foi uma das primeiras engrenagens desse processo.



Fernando Krebs e a criminalização da crítica


Um personagem central dessa engrenagem foi o promotor Fernando Krebs.


Fernando Krebs já havia atuado de forma reiterada contra Marconi Perillo durante seus mandatos. Na Operação Sofisma, sua atuação extrapolou o campo político e avançou sobre a imprensa independente.


Cristiano Livramento e Cleuber Carlos tornaram-se alvos diretos:

como investigados em procedimento criminal

como réus em ações propostas pelo promotor

e, posteriormente, como alvos de ações pessoais quando passaram a denunciá-lo publicamente


O mesmo promotor que imputava crimes, quando confrontado pela crítica jornalística, passou a se dizer vítima.


A crítica virou crime.

O contraditório virou punição.

A denúncia virou ofensa.



O que restou aos investigados


Restou o dano:

reputações manchadas

nomes eternamente indexados a “operações”

prejuízos profissionais e pessoais

e nenhum espaço proporcional para reparação


O arquivamento não vira manchete.

A inocência não gera cliques.

A correção não viraliza.



Opinião — sem rodeios


A Operação Sofisma não fracassou apenas como investigação. Ela fracassou como exemplo de justiça responsável e expôs um problema ainda maior: o uso político do sistema de justiça com apoio de parte da imprensa.


Em 2020, os investigados disseram que eram vítimas de perseguição política.

Em 2026, o Estado arquivou por falta absoluta de provas.


A história não absolveu apenas pessoas.

Ela condenou a pressa, o sensacionalismo e a covardia de não reconhecer o erro.


A Operação Sofisma terminou nos arquivos.

Mas o que ela revelou sobre perseguição institucional com verniz legal não pode — e não deve — ser arquivado.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

Omissão Oficial: Senador Canedo Lava as Mãos Diante do Abandono Animal

A Secretaria de Bem-Estar Animal de Senador Canedo, por meio de sua titular, Isabela Lauria, encaminhou manifestação contestando a matéria publicada por este blog. Abaixo, a nota é rebatida ponto a ponto, com base em fatos, não em retórica.

“Cleuber, tudo bem? Como vai? Olha, acho que sua matéria faltou retratar a completa verdade.”


👉 Resposta:A matéria retrata a verdade factual observável: cinco filhotes abandonados, três órgãos públicos acionados e nenhuma resposta institucional de acolhimento emergencial.

Até o momento, nenhum fato narrado foi desmentido. O que se vê na nota é discordância sobre a interpretação política, não contestação dos acontecimentos.


“Você foi orientado quanto ao site de adoção, os animais poderiam ter sido vermifugados, incluídos no site, disponibilizados para adoção.”


👉 Resposta:

Site de adoção não é resposta emergencial.

Cadastro digital não mata fome, não protege do frio, não garante sobrevivência imediata. A matéria trata de abandono em zona rural, com filhotes incapazes de sobrevivência autônoma. Nenhuma plataforma virtual substitui ação estatal no momento crítico.



“Não quis, inclusive com as imagens e áudios internos daqui.”


👉 Resposta:

O jornalismo não se submete a registros internos do Executivo como condição para noticiar fatos públicos.

A matéria se baseia em fatos presenciais, imagens do local do abandono e interações diretas com agentes públicos.

Áudios “internos” não anulam omissão institucional externa.


“Saiu dizendo que faria uma matéria e quando foi questionado se já visitou um abrigo, disse não ter tempo.”


👉 Resposta:

Visitar abrigo não é requisito para denunciar inexistência de política pública.

O ponto central não é avaliar abrigo alheio, mas constatar que Senador Canedo não possui qualquer estrutura de acolhimento emergencial, fato confirmado pela própria Secretaria.


“Apenas optou por fazer uma matéria cheia de viés político, sem qualquer fundamento científico.”


👉 Resposta:

Toda política pública é, por definição, política.

Questionar decisões administrativas não exige validação científica, mas análise institucional.

A matéria não refuta ciência; questiona gestão. Ciência não substitui dever constitucional do Estado de agir diante de situação concreta.


“O que eu te digo não é opinião, é ciência. ABRIGO NÃO FUNCIONA.”


👉 Resposta:

A matéria não defendeu abrigo permanente como política única.

O debate é sobre acolhimento provisório, triagem emergencial e encaminhamento.

Usar um argumento científico geral para justificar ausência total de resposta emergencial é distorção conceitual.


“Abrigos viram depósito de animais, estimulam o abandono.”


👉 Resposta:

Generalização não exonera o Município de resposta imediata em caso emergencial.

Entre o “abrigo eterno” e o “nada”, existe gestão intermediária — que não existe em Senador Canedo.


“Se um desses filhotes entrar em um abrigo, a chance dele sair é quase nula.”


👉 Resposta:

A chance de sair de um abrigo pode ser debatida.

A chance de sobreviver sem qualquer acolhimento é praticamente zero.

Os gestores precisam escolher entre agir imperfeitamente ou não agir — hoje escolhe não agir.


“As cidades que optam pelo recolhimento de animais têm 40% mais taxas de abandono.”


👉 Resposta:

A afirmação não foi acompanhada de estudo, fonte técnica ou dado verificável.

Mesmo que verdadeira, não elimina a obrigação de resposta emergencial em casos concretos já existentes.



“A política de controle populacional precisa de aliados.”


👉 Resposta:

O jornalismo não é aliado nem adversário da gestão.

É fiscal.

Controle populacional é necessário, mas não é política integral de proteção animal.


“Mais uma pessoa chegou com 8 filhotes, resgatou, deu lar temporário…”


👉 Resposta:

Esse relato confirma exatamente o problema apontado:

👉 o Município depende da boa vontade individual do cidadão, não de política pública estruturada.

Estado que terceiriza dever constitucional ao voluntarismo fracassou como gestor.


“Já parou pra pensar como é limpar baia de 60 animais?”


👉 Resposta:

Gestão pública não pode se basear em sacrifício pessoal para justificar ausência de política.

Se a estrutura não comporta, o dever do gestor é criar soluções, não transferir o problema ao cidadão.


“Sou médica veterinária… não se refuta ciência com opinião.”


👉 Resposta:

Ninguém refutou ciência.

O que se questiona é o uso da ciência como escudo para a omissão administrativa.

Profissão técnica não elimina responsabilidade política de quem ocupa cargo público.


Conclusão da Redação


A nota da Secretaria não desmente os fatos, apenas tenta justificar a inexistência de política pública com argumentos técnicos deslocados do problema real.


O ponto permanece intacto:

👉 Senador Canedo não possui política de acolhimento emergencial de animais abandonados

👉 E transfere integralmente a responsabilidade ao cidadão


Isso não é ciência.

É opção política.


E opção política pode — e deve — ser questionada