A Secretaria de Bem-Estar Animal de Senador Canedo, por meio de sua titular, Isabela Lauria, encaminhou manifestação contestando a matéria publicada por este blog. Abaixo, a nota é rebatida ponto a ponto, com base em fatos, não em retórica.
“Cleuber, tudo bem? Como vai? Olha, acho que sua matéria faltou retratar a completa verdade.”
👉 Resposta:A matéria retrata a verdade factual observável: cinco filhotes abandonados, três órgãos públicos acionados e nenhuma resposta institucional de acolhimento emergencial.
Até o momento, nenhum fato narrado foi desmentido. O que se vê na nota é discordância sobre a interpretação política, não contestação dos acontecimentos.
“Você foi orientado quanto ao site de adoção, os animais poderiam ter sido vermifugados, incluídos no site, disponibilizados para adoção.”
👉 Resposta:
Site de adoção não é resposta emergencial.
Cadastro digital não mata fome, não protege do frio, não garante sobrevivência imediata. A matéria trata de abandono em zona rural, com filhotes incapazes de sobrevivência autônoma. Nenhuma plataforma virtual substitui ação estatal no momento crítico.
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“Não quis, inclusive com as imagens e áudios internos daqui.”
👉 Resposta:
O jornalismo não se submete a registros internos do Executivo como condição para noticiar fatos públicos.
A matéria se baseia em fatos presenciais, imagens do local do abandono e interações diretas com agentes públicos.
Áudios “internos” não anulam omissão institucional externa.
“Saiu dizendo que faria uma matéria e quando foi questionado se já visitou um abrigo, disse não ter tempo.”
👉 Resposta:
Visitar abrigo não é requisito para denunciar inexistência de política pública.
O ponto central não é avaliar abrigo alheio, mas constatar que Senador Canedo não possui qualquer estrutura de acolhimento emergencial, fato confirmado pela própria Secretaria.
“Apenas optou por fazer uma matéria cheia de viés político, sem qualquer fundamento científico.”
👉 Resposta:
Toda política pública é, por definição, política.
Questionar decisões administrativas não exige validação científica, mas análise institucional.
A matéria não refuta ciência; questiona gestão. Ciência não substitui dever constitucional do Estado de agir diante de situação concreta.
“O que eu te digo não é opinião, é ciência. ABRIGO NÃO FUNCIONA.”
👉 Resposta:
A matéria não defendeu abrigo permanente como política única.
O debate é sobre acolhimento provisório, triagem emergencial e encaminhamento.
Usar um argumento científico geral para justificar ausência total de resposta emergencial é distorção conceitual.
“Abrigos viram depósito de animais, estimulam o abandono.”
👉 Resposta:
Generalização não exonera o Município de resposta imediata em caso emergencial.
Entre o “abrigo eterno” e o “nada”, existe gestão intermediária — que não existe em Senador Canedo.
“Se um desses filhotes entrar em um abrigo, a chance dele sair é quase nula.”
👉 Resposta:
A chance de sair de um abrigo pode ser debatida.
A chance de sobreviver sem qualquer acolhimento é praticamente zero.
Os gestores precisam escolher entre agir imperfeitamente ou não agir — hoje escolhe não agir.
“As cidades que optam pelo recolhimento de animais têm 40% mais taxas de abandono.”
👉 Resposta:
A afirmação não foi acompanhada de estudo, fonte técnica ou dado verificável.
Mesmo que verdadeira, não elimina a obrigação de resposta emergencial em casos concretos já existentes.
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“A política de controle populacional precisa de aliados.”
👉 Resposta:
O jornalismo não é aliado nem adversário da gestão.
É fiscal.
Controle populacional é necessário, mas não é política integral de proteção animal.
“Mais uma pessoa chegou com 8 filhotes, resgatou, deu lar temporário…”
👉 Resposta:
Esse relato confirma exatamente o problema apontado:
👉 o Município depende da boa vontade individual do cidadão, não de política pública estruturada.
Estado que terceiriza dever constitucional ao voluntarismo fracassou como gestor.
“Já parou pra pensar como é limpar baia de 60 animais?”
👉 Resposta:
Gestão pública não pode se basear em sacrifício pessoal para justificar ausência de política.
Se a estrutura não comporta, o dever do gestor é criar soluções, não transferir o problema ao cidadão.
“Sou médica veterinária… não se refuta ciência com opinião.”
👉 Resposta:
Ninguém refutou ciência.
O que se questiona é o uso da ciência como escudo para a omissão administrativa.
Profissão técnica não elimina responsabilidade política de quem ocupa cargo público.
Conclusão da Redação
A nota da Secretaria não desmente os fatos, apenas tenta justificar a inexistência de política pública com argumentos técnicos deslocados do problema real.
O ponto permanece intacto:
👉 Senador Canedo não possui política de acolhimento emergencial de animais abandonados
👉 E transfere integralmente a responsabilidade ao cidadão
Isso não é ciência.
É opção política.
E opção política pode — e deve — ser questionada

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