O movimento em torno de Izaura Cardoso não é simbólico. É matemático. E, politicamente, explosivo.
O senador Vanderlan Cardoso quer disputar a reeleição ao Senado em 2026. Está hoje no Partido Social Democrático (PSD) — o mesmo partido para o qual migrou o governador Ronaldo Caiado, que já declarou apoio ao seu vice, Daniel Vilela, para a sucessão estadual.
Até aqui, o desenho parecia simples:
Caiado → Daniel Vilela
PSD → palanque unificado
PL → fora da majoritária
Só que entra uma variável que bagunça tudo.
🔹 A peça chamada Izaura
Izaura é esposa de Vanderlan, mas também é suplente do senador Wilder Morais, eleito pelo Partido Liberal (PL).
Se Wilder disputar o governo de Goiás e vencer, a consequência é automática:
👉 Izaura assume o Senado da República.
Não é hipótese política. É regra constitucional.
🔹 O dilema de Vanderlan
Aqui está o ponto central do imbróglio:
Vanderlan não pode apoiar Daniel Vilela sem, ao mesmo tempo, agir contra a própria esposa.
Para que Izaura vire senadora, Wilder precisa ser eleito governador.
E para que Wilder seja eleito, precisa do apoio do PL e de suas lideranças.
Ou seja:
– Vanderlan quer se reeleger senador
– Está num partido que apoia Daniel Vilela
– Mas sua esposa só vira senadora se Wilder vencer o governo
👉 Não existe neutralidade possível.
🔹 Por que o argumento do PL cai
Caiado e o deputado Gustavo Gayer sustentam que o PL não pode lançar candidato ao governo porque “perderia um senador” com Wilder fora da disputa ao Senado.
Esse argumento desmorona se Izaura:
1️⃣ Retornar ao PL
2️⃣ Assumir compromisso público com a direita
3️⃣ Garantir alinhamento ideológico no Senado
Com Wilder no governo, Izaura no Senado e Gayer também disputando o Senado, o PL não perde espaço — amplia.
🔹 Resumo cru do jogo
Vanderlan está preso a uma equação que ele não controla mais.
Para a esposa virar senadora, ele precisa da vitória de Wilder.
E se precisa da vitória de Wilder, não pode trabalhar contra ele.
A movimentação de Izaura implode o discurso de conveniência usado para empurrar o PL para fora da disputa majoritária em Goiás e escancara uma verdade incômoda:
👉 o problema nunca foi o Senado — foi o controle do palanque.
📌 Quando a política vira matemática, a ideologia costuma aparecer depois.
👉 Análise completa no Blog do Cleuber Carlos
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