quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

Derrota de Caiado: MARTELO BATIDO, A PONTA VIRADA E DANIEL ABANDONADO

O que era tratado nos bastidores como composição praticamente selada virou pó em questão de dias. O PL bateu o martelo. Wilder Morais é pré-candidato ao governo de Goiás. Não é hipótese. Não é pressão tática. Não é balão de ensaio. É decisão política respaldada por Flávio Bolsonaro e pelo presidente nacional do partido, Valdemar Costa Neto.


E quando o martelo bate, alguém fica com a ponta virada.


Até semanas atrás, o cenário ventilado nos corredores do poder apontava para uma engenharia eleitoral que envolveria Wilder como vice de Daniel Vilela, com o PL orbitando o projeto governista. O próprio governador Ronaldo Caiado teria tratado o assunto como caminho construído. Houve reunião, houve visita ao Palácio das Esmeraldas, houve sinalização de entendimento.


Mas a política nacional atravessou o acordo regional.


Flávio Bolsonaro reconheceu que não conseguiu sustentar o arranjo que vinha sendo tratado como fechado para 2026 em Goiás. A decisão partidária passou por cima da construção local. Wilder virou nome orgânico, candidatura própria, projeto independente.


Isso muda tudo.


Porque se o PL não compõe, ele confronta.


E nesse novo tabuleiro, Daniel Vilela é quem mais sente o impacto. A candidatura própria de Wilder esvazia o discurso de unidade e quebra a expectativa de palanque ampliado. A direita que poderia marchar compacta agora se fragmenta em polos distintos de poder.


Nos bastidores, circula a frase atribuída ao governador: “vocês vão sentir o peso da minha caneta”. Interlocutores relatam que a expressão teria sido usada em momento de irritação diante da negativa de composição.


Institucionalmente, a “caneta” é instrumento legítimo de governo: nomeações, exonerações, articulações, reorganização de espaços políticos. Não há qualquer fato concreto que indique uso irregular de poder. Mas, em ambiente eleitoral, o simbolismo da frase é inevitável.


Quando a política vira confronto, cada gesto vira mensagem.


O PL deixou claro que não será linha auxiliar. Wilder não é vice. É cabeça de chapa.


E Daniel, que contava com a engenharia de aliança para consolidar musculatura eleitoral, agora entra num campo mais estreito, mais competitivo e mais imprevisível.


O martelo foi batido em Brasília.


A ponta virou em Goiás.


E 2026 deixou de ser construção consensual para virar disputa aberta dentro da própria direita.


A pergunta não é mais se haverá racha.


O racha já está posto.


A pergunta agora é quem sai maior dessa ruptura — e quem pode acabar soterrado por ela.







quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

TERREMOTO POLÍTICO EM GOIÁS: MARCONI PERILLO NO UNIÃO BRASIL?

A política goiana pode estar diante de um novo abalo sísmico.


Após Wilder Morais provocar um furacão ao anunciar Ana Paula Rezende como vice — retirando a filha de Iris do MDB e levando-a para o PL — os bastidores voltaram a ferver. Agora, os rumores giram em torno de um movimento ainda mais sensível: a possível saída de Marconi Perillo do PSDB para se filiar ao União Brasil.


Até o momento, não há confirmação oficial. Mas interlocutores em Brasília e Goiânia apontam que conversas estariam ocorrendo em nível nacional.


Se a filiação se concretizar, o impacto político seria imediato.


Caiado deixou recentemente o União Brasil para se filiar ao PSD, numa estratégia que mira projeção nacional e reorganização partidária. A eventual chegada de Marconi ao União Brasil transformaria o partido — que já foi a base de Caiado — em um novo polo competitivo no Estado.


E isso muda tudo.


Um Marconi no União Brasil:


  • reativa estruturas municipais históricas
  • reorganiza prefeitos e lideranças regionais
  • fragmenta o eleitorado de centro-direita
  • e cria tensão direta no campo de Daniel Vilela



Não seria apenas troca de legenda. Seria reposicionamento estratégico de guerra eleitoral.


A política não é feita apenas de ideologia. É feita de estrutura, fundo eleitoral, tempo de TV e capacidade de mobilização.


Se confirmada, essa movimentação pode representar a maior reconfiguração do tabuleiro goiano desde a chegada de Caiado ao governo.


Por enquanto, é rumor.


Mas na política, quando o rumor ganha densidade nacional, ele costuma anteceder o anúncio.


A pergunta agora não é apenas se Marconi muda de partido.


A pergunta é: quem está preparado para o impacto?



DINHEIRO NÃO TEM DIGITAL — MAS DEIXA RASTRO

RELATOS APONTAM POSSÍVEL MECANISMO PARALELO ENVOLVENDO CONTRATOS ESTADUAIS EM GOIÁS

Nos corredores do poder, o comentário já não é sussurro — é alerta.

Documentos e informações preliminares recebidos por esta coluna indicam a possível existência de um mecanismo informal de centralização financeira envolvendo empresas que mantêm contratos com o Governo de Goiás, por meio da Goinfra.

Segundo relatos obtidos sob reserva, construtoras que atuam em obras públicas estariam realizando repasses mensais a uma empresa do setor que funcionaria como ponto de convergência desses valores. As cifras mencionadas, caso confirmadas, alcançariam patamar expressivo.

É preciso ser técnico: até o momento, não há decisão judicial nem conclusão oficial de órgão de controle que confirme irregularidade. O que existe são indícios, documentos preliminares e convergência de relatos que levantam questionamentos graves.

O elemento mais sensível da apuração não é apenas a eventual centralização de recursos privados entre empresas contratadas pelo Estado. O ponto que exige esclarecimento institucional é a suposta destinação desses valores.

Fontes ouvidas afirmam que parte desses recursos poderia estar sendo utilizada para financiar serviços de comunicação e produção de conteúdo de natureza favorável à gestão pública, fora dos canais formais de contratação institucional.

Se confirmado, o cenário levantaria discussões sérias sobre:

– transparência administrativa

– eventual desvio de finalidade

– compatibilidade com os princípios constitucionais da legalidade e moralidade (art. 37 da CF)

– e possível contorno aos mecanismos oficiais de contratação de publicidade

Importante frisar: não se questiona aqui o exercício legítimo da comunicação institucional nem a liberdade de imprensa. O que se questiona é a eventual existência de um fluxo financeiro paralelo sem transparência pública.

Diante da gravidade das informações, esta coluna encaminhará pedidos formais de esclarecimento:

– à Goinfra

– às empresas mencionadas nos documentos recebidos

– e aos órgãos de controle competentes


Caso as informações não correspondam à realidade, o espaço permanece aberto para manifestação oficial.


Em um Estado Democrático de Direito, quem age dentro da legalidade não teme luz.

O que fragiliza instituições não é a investigação — é a opacidade.


Se houver equívoco, que se esclareça.

Se houver irregularidade, que se apure.


O silêncio, neste caso, apenas amplia as pergunta.


EUA NA SOMBRA DA OPERAÇÃO: A INTELIGÊNCIA AMERICANA POR TRÁS DA MORTE DE “EL MENCHO”

Sem tropas no gatilho, mas com dados no radar, Washington teve papel estratégico na caçada que terminou com a eliminação do líder do CJNG


A morte de Nemesio Oseguera Cervantes, o “El Mencho”, não foi apenas o desfecho de uma operação militar mexicana. Foi também o resultado de um jogo silencioso de inteligência internacional, no qual os Estados Unidos atuaram nos bastidores — sem soldados em campo, mas com tecnologia, informação e pressão geopolítica.


Oficialmente, o governo mexicano sustenta que a operação foi conduzida integralmente por suas forças federais. E foi. Exército, Guarda Nacional e inteligência mexicana executaram a ação em território nacional. Porém, reduzir o episódio a uma operação exclusivamente doméstica ignora um elemento central: o fluxo de inteligência fornecido por agências norte-americanas.


Nos últimos anos, Washington ampliou significativamente a cooperação com o México no combate aos cartéis. A criação de forças-tarefa conjuntas, como grupos interagências voltados ao rastreamento de redes financeiras, comunicações criptografadas e movimentações logísticas do narcotráfico, não foi mera formalidade diplomática. Foi estratégia.


Fontes internacionais apontam que informações compartilhadas por estruturas de inteligência dos EUA — incluindo monitoramento eletrônico, análise de satélites e cruzamento de dados financeiros — foram determinantes para localizar o líder do CJNG. Não houve “boots on the ground” americanos, mas houve olhos no céu e dados nas telas.


E aqui entra o componente político.


A política de segurança dos EUA endureceu progressivamente contra os cartéis mexicanos, especialmente após decisões de classificar determinadas organizações como ameaças terroristas. Esse enquadramento ampliou ferramentas jurídicas e operacionais de inteligência. Na prática, abriu caminho para cooperação mais agressiva e compartilhamento ampliado de dados estratégicos.


Não se trata de intervenção militar direta — algo que seria explosivo diplomaticamente. Trata-se de influência operacional indireta.


O México executou.

Os Estados Unidos mapearam.

A operação foi mexicana.

A inteligência teve DNA binacional.


Há ainda uma dimensão geopolítica pouco discutida: o impacto simbólico da eliminação de um dos narcotraficantes mais poderosos do hemisfério ocorre em um momento de forte debate sobre segurança na fronteira, tráfico de fentanil e pressões internas nos EUA. A morte de “El Mencho” serve também como mensagem política.


Mas é preciso cautela: cooperação não significa submissão, e apoio de inteligência não equivale a comando estrangeiro da operação. Até o momento, não há evidências de que forças americanas tenham participado diretamente da ação armada. O que há são indícios consistentes de colaboração técnica estratégica.


A pergunta relevante não é se os EUA apertaram o gatilho.

A pergunta é: sem o aparato tecnológico e informacional norte-americano, o desfecho teria sido o mesmo — e no mesmo tempo?


A resposta pode nunca ser oficialmente detalhada. Mas na guerra moderna contra o narcotráfico, quem controla a informação controla o resultado.


terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

NOTA DA POLÍCIA CIENTÍFICA ENCERRA ESPECULAÇÕES E DESMONTA NARRATIVA DE “REVIRAVOLTA” NO CASO ITUMBIARA

A tragédia de Itumbiara virou terreno fértil para especulação. Nas últimas horas, vídeos passaram a circular na internet afirmando que uma suposta “análise da perícia” indicaria reviravolta no caso — insinuando que Thales Machado não teria matado os próprios filhos, que teria morrido antes das crianças ou até que poderia ter sido assassinado.

A narrativa é forte. Mas não encontra respaldo técnico.

A Polícia Científica de Goiás publicou nota oficial de esclarecimento afirmando que todas as perícias criminais e médico-legais foram concluídas na mesma semana do fato, restando apenas a formalização final do laudo de local de crime. E foi categórica: não há fato novo nem elemento técnico que indique qualquer reviravolta, especialmente quanto à autoria do crime.

Isso é o ponto central.

Quando a instituição responsável pela análise técnica dos vestígios afirma que não há mudança na conclusão pericial, ela está, na prática, desmentindo boatos que vêm sendo impulsionados por vídeos sensacionalistas e cortes fora de contexto.

A perícia é técnica. Não trabalha com narrativa. Trabalha com vestígio, cronologia, balística, exame cadavérico, dinâmica de cena. Se houvesse qualquer indício material que alterasse a conclusão inicial, isso constaria nos laudos. E a própria Polícia Científica não teria emitido uma nota tão objetiva.

É preciso deixar claro: a nota não é uma opinião. É um posicionamento institucional baseado em trabalho pericial já concluído. Ao afirmar que não há “reviravoltas”, a Polícia Científica delimita o campo técnico e afasta interpretações que não encontram amparo nos autos.

A internet, porém, opera em outra lógica. O algoritmo recompensa o impacto, não a precisão. Vídeos que prometem “verdades ocultas” ou “versões escondidas” ganham tração. Mas impacto não é prova.

A nota da Polícia Científica cumpre exatamente esse papel: restabelecer o eixo técnico diante do ruído informacional. Não se trata de blindagem política, mas de contenção de desinformação.

O caso é trágico demais para virar palco de teorias sem base pericial. A dor das famílias não pode ser combustível para especulação.

Quando um órgão técnico fala de forma direta e institucional, o mínimo que se espera é responsabilidade na interpretação.


Entre boato viral e laudo pericial, a diferença não é ideológica. É técnica.