quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

TERREMOTO POLÍTICO EM GOIÁS: MARCONI PERILLO NO UNIÃO BRASIL?

A política goiana pode estar diante de um novo abalo sísmico.


Após Wilder Morais provocar um furacão ao anunciar Ana Paula Rezende como vice — retirando a filha de Iris do MDB e levando-a para o PL — os bastidores voltaram a ferver. Agora, os rumores giram em torno de um movimento ainda mais sensível: a possível saída de Marconi Perillo do PSDB para se filiar ao União Brasil.


Até o momento, não há confirmação oficial. Mas interlocutores em Brasília e Goiânia apontam que conversas estariam ocorrendo em nível nacional.


Se a filiação se concretizar, o impacto político seria imediato.


Caiado deixou recentemente o União Brasil para se filiar ao PSD, numa estratégia que mira projeção nacional e reorganização partidária. A eventual chegada de Marconi ao União Brasil transformaria o partido — que já foi a base de Caiado — em um novo polo competitivo no Estado.


E isso muda tudo.


Um Marconi no União Brasil:


  • reativa estruturas municipais históricas
  • reorganiza prefeitos e lideranças regionais
  • fragmenta o eleitorado de centro-direita
  • e cria tensão direta no campo de Daniel Vilela



Não seria apenas troca de legenda. Seria reposicionamento estratégico de guerra eleitoral.


A política não é feita apenas de ideologia. É feita de estrutura, fundo eleitoral, tempo de TV e capacidade de mobilização.


Se confirmada, essa movimentação pode representar a maior reconfiguração do tabuleiro goiano desde a chegada de Caiado ao governo.


Por enquanto, é rumor.


Mas na política, quando o rumor ganha densidade nacional, ele costuma anteceder o anúncio.


A pergunta agora não é apenas se Marconi muda de partido.


A pergunta é: quem está preparado para o impacto?



DINHEIRO NÃO TEM DIGITAL — MAS DEIXA RASTRO

RELATOS APONTAM POSSÍVEL MECANISMO PARALELO ENVOLVENDO CONTRATOS ESTADUAIS EM GOIÁS

Nos corredores do poder, o comentário já não é sussurro — é alerta.

Documentos e informações preliminares recebidos por esta coluna indicam a possível existência de um mecanismo informal de centralização financeira envolvendo empresas que mantêm contratos com o Governo de Goiás, por meio da Goinfra.

Segundo relatos obtidos sob reserva, construtoras que atuam em obras públicas estariam realizando repasses mensais a uma empresa do setor que funcionaria como ponto de convergência desses valores. As cifras mencionadas, caso confirmadas, alcançariam patamar expressivo.

É preciso ser técnico: até o momento, não há decisão judicial nem conclusão oficial de órgão de controle que confirme irregularidade. O que existe são indícios, documentos preliminares e convergência de relatos que levantam questionamentos graves.

O elemento mais sensível da apuração não é apenas a eventual centralização de recursos privados entre empresas contratadas pelo Estado. O ponto que exige esclarecimento institucional é a suposta destinação desses valores.

Fontes ouvidas afirmam que parte desses recursos poderia estar sendo utilizada para financiar serviços de comunicação e produção de conteúdo de natureza favorável à gestão pública, fora dos canais formais de contratação institucional.

Se confirmado, o cenário levantaria discussões sérias sobre:

– transparência administrativa

– eventual desvio de finalidade

– compatibilidade com os princípios constitucionais da legalidade e moralidade (art. 37 da CF)

– e possível contorno aos mecanismos oficiais de contratação de publicidade

Importante frisar: não se questiona aqui o exercício legítimo da comunicação institucional nem a liberdade de imprensa. O que se questiona é a eventual existência de um fluxo financeiro paralelo sem transparência pública.

Diante da gravidade das informações, esta coluna encaminhará pedidos formais de esclarecimento:

– à Goinfra

– às empresas mencionadas nos documentos recebidos

– e aos órgãos de controle competentes


Caso as informações não correspondam à realidade, o espaço permanece aberto para manifestação oficial.


Em um Estado Democrático de Direito, quem age dentro da legalidade não teme luz.

O que fragiliza instituições não é a investigação — é a opacidade.


Se houver equívoco, que se esclareça.

Se houver irregularidade, que se apure.


O silêncio, neste caso, apenas amplia as pergunta.


EUA NA SOMBRA DA OPERAÇÃO: A INTELIGÊNCIA AMERICANA POR TRÁS DA MORTE DE “EL MENCHO”

Sem tropas no gatilho, mas com dados no radar, Washington teve papel estratégico na caçada que terminou com a eliminação do líder do CJNG


A morte de Nemesio Oseguera Cervantes, o “El Mencho”, não foi apenas o desfecho de uma operação militar mexicana. Foi também o resultado de um jogo silencioso de inteligência internacional, no qual os Estados Unidos atuaram nos bastidores — sem soldados em campo, mas com tecnologia, informação e pressão geopolítica.


Oficialmente, o governo mexicano sustenta que a operação foi conduzida integralmente por suas forças federais. E foi. Exército, Guarda Nacional e inteligência mexicana executaram a ação em território nacional. Porém, reduzir o episódio a uma operação exclusivamente doméstica ignora um elemento central: o fluxo de inteligência fornecido por agências norte-americanas.


Nos últimos anos, Washington ampliou significativamente a cooperação com o México no combate aos cartéis. A criação de forças-tarefa conjuntas, como grupos interagências voltados ao rastreamento de redes financeiras, comunicações criptografadas e movimentações logísticas do narcotráfico, não foi mera formalidade diplomática. Foi estratégia.


Fontes internacionais apontam que informações compartilhadas por estruturas de inteligência dos EUA — incluindo monitoramento eletrônico, análise de satélites e cruzamento de dados financeiros — foram determinantes para localizar o líder do CJNG. Não houve “boots on the ground” americanos, mas houve olhos no céu e dados nas telas.


E aqui entra o componente político.


A política de segurança dos EUA endureceu progressivamente contra os cartéis mexicanos, especialmente após decisões de classificar determinadas organizações como ameaças terroristas. Esse enquadramento ampliou ferramentas jurídicas e operacionais de inteligência. Na prática, abriu caminho para cooperação mais agressiva e compartilhamento ampliado de dados estratégicos.


Não se trata de intervenção militar direta — algo que seria explosivo diplomaticamente. Trata-se de influência operacional indireta.


O México executou.

Os Estados Unidos mapearam.

A operação foi mexicana.

A inteligência teve DNA binacional.


Há ainda uma dimensão geopolítica pouco discutida: o impacto simbólico da eliminação de um dos narcotraficantes mais poderosos do hemisfério ocorre em um momento de forte debate sobre segurança na fronteira, tráfico de fentanil e pressões internas nos EUA. A morte de “El Mencho” serve também como mensagem política.


Mas é preciso cautela: cooperação não significa submissão, e apoio de inteligência não equivale a comando estrangeiro da operação. Até o momento, não há evidências de que forças americanas tenham participado diretamente da ação armada. O que há são indícios consistentes de colaboração técnica estratégica.


A pergunta relevante não é se os EUA apertaram o gatilho.

A pergunta é: sem o aparato tecnológico e informacional norte-americano, o desfecho teria sido o mesmo — e no mesmo tempo?


A resposta pode nunca ser oficialmente detalhada. Mas na guerra moderna contra o narcotráfico, quem controla a informação controla o resultado.


terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

NOTA DA POLÍCIA CIENTÍFICA ENCERRA ESPECULAÇÕES E DESMONTA NARRATIVA DE “REVIRAVOLTA” NO CASO ITUMBIARA

A tragédia de Itumbiara virou terreno fértil para especulação. Nas últimas horas, vídeos passaram a circular na internet afirmando que uma suposta “análise da perícia” indicaria reviravolta no caso — insinuando que Thales Machado não teria matado os próprios filhos, que teria morrido antes das crianças ou até que poderia ter sido assassinado.

A narrativa é forte. Mas não encontra respaldo técnico.

A Polícia Científica de Goiás publicou nota oficial de esclarecimento afirmando que todas as perícias criminais e médico-legais foram concluídas na mesma semana do fato, restando apenas a formalização final do laudo de local de crime. E foi categórica: não há fato novo nem elemento técnico que indique qualquer reviravolta, especialmente quanto à autoria do crime.

Isso é o ponto central.

Quando a instituição responsável pela análise técnica dos vestígios afirma que não há mudança na conclusão pericial, ela está, na prática, desmentindo boatos que vêm sendo impulsionados por vídeos sensacionalistas e cortes fora de contexto.

A perícia é técnica. Não trabalha com narrativa. Trabalha com vestígio, cronologia, balística, exame cadavérico, dinâmica de cena. Se houvesse qualquer indício material que alterasse a conclusão inicial, isso constaria nos laudos. E a própria Polícia Científica não teria emitido uma nota tão objetiva.

É preciso deixar claro: a nota não é uma opinião. É um posicionamento institucional baseado em trabalho pericial já concluído. Ao afirmar que não há “reviravoltas”, a Polícia Científica delimita o campo técnico e afasta interpretações que não encontram amparo nos autos.

A internet, porém, opera em outra lógica. O algoritmo recompensa o impacto, não a precisão. Vídeos que prometem “verdades ocultas” ou “versões escondidas” ganham tração. Mas impacto não é prova.

A nota da Polícia Científica cumpre exatamente esse papel: restabelecer o eixo técnico diante do ruído informacional. Não se trata de blindagem política, mas de contenção de desinformação.

O caso é trágico demais para virar palco de teorias sem base pericial. A dor das famílias não pode ser combustível para especulação.

Quando um órgão técnico fala de forma direta e institucional, o mínimo que se espera é responsabilidade na interpretação.


Entre boato viral e laudo pericial, a diferença não é ideológica. É técnica.


DEFENSORIA PROCESSA GLOBO, CNN, RECORD E SBT POR DIVULGAR VÍDEO DE SARAH

A tragédia de Itumbiara não terminou com os disparos. Ela atravessou o noticiário, invadiu as redes sociais e, agora, desembarca no Judiciário. A Defensoria Pública do Estado de Goiás ajuizou ação contra Globo, CNN Brasil, Record e SBT pela divulgação de vídeos que mostrariam Sarah em São Paulo, beijando um homem e andando de mãos dadas com ele — imagens que teriam sido produzidas por detetive particular contratado por Thales Machado antes do crime que tirou a vida dos próprios filhos e, em seguida, a sua.


O crime é fato. A autoria é incontestável. O que está em debate não é a dinâmica da tragédia, mas a narrativa construída depois dela. A Defensoria sustenta que a exibição dessas imagens — de natureza privada — teria contribuído para uma onda de ataques virtuais contra a mãe das crianças, deslocando o foco da responsabilidade penal do autor para a conduta íntima de quem não praticou o delito.


É aqui que o debate deixa de ser emocional e passa a ser jurídico.


A Constituição assegura liberdade de imprensa. Mas assegura também a inviolabilidade da honra, da imagem e da vida privada. O mesmo texto constitucional que protege o direito de informar impõe limites quando direitos da personalidade entram em colisão. A linha que separa interesse público de exploração emocional não é subjetiva; ela é jurídica. E quando ultrapassada, pode gerar responsabilidade civil.


A ação não fala em censura. Não fala em crime. Fala em possível abuso do direito de informar. Porque a pergunta central permanece sem resposta objetiva: qual era o interesse público direto e indispensável na divulgação de um vídeo íntimo, dias antes da tragédia, quando o fato central era um duplo homicídio seguido de suicídio?


Quando a narrativa sai do campo criminal e entra na esfera moral, cria-se um ambiente perigoso. A televisão amplia. O algoritmo potencializa. E a opinião pública, muitas vezes, sentencia antes que qualquer juiz o faça. Se o Judiciário entender que houve extrapolação, as consequências podem incluir indenização por danos morais, retirada definitiva do conteúdo e retratação pública.


O caso de Itumbiara pode se transformar em um precedente relevante sobre os limites editoriais em tragédias de grande repercussão. A imprensa é indispensável à democracia. Mas não é imune a controle quando há alegação de violação de direitos fundamentais.


No fim, o que está em jogo não é apenas um processo. É o limite entre informar e explorar. Entre noticiar e induzir percepção. Entre liberdade e responsabilidade.


Porque tragédias já produzem dor suficiente por si mesmas. O que se discute agora é se a narrativa pública ampliou essa dor — e, se ampliou, quem deve responder por isso.


segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

PÊNALTI, VAR E HIPOCRISIA: A DISPUTA QUE COMEÇA ANTES DA BOLA ROLAR

O futebol goiano vive mais um capítulo previsível da sua própria hipocrisia institucional. Quando a decisão da arbitragem favorece, o silêncio impera. Quando prejudica, nasce a tese da conspiração.

No duelo envolvendo a Anapolina, a reclamação é clara: pênalti não marcado, Goiás beneficiado. Se fosse o contrário, alguém acredita que o Goiás estaria em silêncio? Evidentemente não. O discurso seria outro. A narrativa seria de “erro grave”, “pressão externa”, “falta de respeito com a camisa”.

No clássico entre Atlético e Vila Nova, a história se repetiu. Penalidade reclamada, decisão mantida, VAR silencioso. O Vila reage, aponta dedo, questiona federação, fala em prejuízo.

Mas aqui está o ponto que ninguém quer encarar: isso não é sobre justiça esportiva. É sobre correlação de forças.

Ao longo dos anos, os grandes clubes goianos aprenderam que campeonato não se disputa apenas nas quatro linhas. Existe o jogo político. Existe a pressão institucional. Existe o bastidor. E todos — absolutamente todos — já souberam jogar esse jogo quando lhes foi conveniente.

Durante muito tempo, o Goiás soube transitar nesse ambiente com habilidade. Depois, o Atlético consolidou força administrativa e institucional. O Vila Nova, historicamente com menos influência nos bastidores, quase sempre reclamou de desvantagem estrutural.

Agora o Vila grita. E o grito é compreensível. Mas não é um grito inocente. É o grito de quem está aprendendo a disputar o mesmo território de poder.

A verdade incômoda é simples: não há mocinhos nessa narrativa.

Quando a balança pende a favor, é “interpretação”.

Quando pende contra, é “escândalo”.

Quando se perde a queda de braço política, vira “arbitragem tendenciosa”.

O problema do Campeonato Goiano não é apenas técnico. É cultural. É institucional. É estrutural.

Enquanto os clubes continuarem investindo energia em medir força fora de campo, o roteiro será sempre o mesmo: polêmica no domingo, nota oficial na segunda, indignação estratégica na terça e memória curta na quarta.

No fundo, ninguém quer um campeonato neutro. Querem um campeonato onde sua influência pese mais.

E o torcedor, que acredita que o jogo começa no apito inicial, raramente percebe que ele começa muito antes — nas salas fechadas, nos corredores, nas conversas reservadas.


No  Campeonato Goiano, a indignação não nasce do erro.

Nasce de quem perdeu o controle do bastidor.