RÁDIO TROPICAL VOLTA AO CENTRO DE DENÚNCIA ELEITORAL EM CALDAS NOVAS; MPE RECEBE GRAVAÇÕES DE ATAQUES A ADVERSÁRIOS
RÁDIO TROPICAL ATACA MAGAL E MAGDA, ADVERSÁRIOS DO GRUPO DE KLEBER MARRA, E É DENUNCIADA AO MPE
ELEIÇÕES 2026 | Nova denúncia encaminhada ao Ministério Público Eleitoral reúne gravações de ataques contra Evandro Magal e Magda Mofatto e pede investigação sobre eventual continuidade de uma dinâmica que já é objeto de apuração judicial desde as eleições de 2024. Depoimento prestado naquele processo revela relação comercial envolvendo empresa ligada a comunicador e agência responsável pela intermediação de mídia da Prefeitura.
A atuação de programa veiculado pela Rádio Tropical voltou ao centro de uma denúncia eleitoral em Caldas Novas. Desta vez, gravações de programas transmitidos durante as eleições de 2026 foram encaminhadas ao Ministério Público Eleitoral diante da reiteração de ataques contra Evandro Magal, candidato a deputado estadual e ex-prefeito de Caldas Novas por quatro mandatos, e Magda Mofatto, deputada federal e candidata à reeleição.
Os dois são adversários políticos do grupo do atual prefeito, Kleber Marra.
O episódio ganha relevância porque não começa em 2026. Tramita uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) referente às eleições municipais de 2024, ainda pendente de julgamento, na qual se apura possível abuso dos meios de comunicação social e eventual utilização de estrutura de mídia em benefício do grupo político municipal.
DEPOIMENTO REVELA CONTRATO E VALOR
Um depoimento produzido na instrução daquele processo acrescenta um elemento importante à nova apuração.
Ao ser questionado, o comunicador esclareceu que possuía uma empresa com contrato com a Casa Brasil, relacionada à intermediação de mídia:
“Eu tenho uma empresa, eu tenho uma empresa que tem contrato com a Casa Brasil, só pra ficar claro, pra não ficar como se eu tivesse omitindo alguma informação.”
Questionado especificamente se, em 2024, recebia mídias da Prefeitura através da Casa Brasil, respondeu:
“Doutor, eu tenho que olhar os contratos, mas no ano de 2024, pode ser que a gente tenha recebido e parado de receber no período de eleição, porque é vedado pela legislação eleitoral.”
Na sequência veio uma pergunta objetiva:
“O senhor recebeu o valor de R$ 7 mil por mês?”
A resposta foi:
“Se eu não me engano, o contrato é esse valor.”
O depoimento não demonstra, por si só, que os ataques veiculados em 2026 estejam sendo pagos com recursos públicos. Mas estabelece um elemento concreto que pode ser confrontado com os fatos atuais: a existência declarada de relação comercial envolvendo empresa ligada ao comunicador, a Casa Brasil e mídia proveniente da Prefeitura em 2024.
E EM 2026, QUEM ESTÁ PAGANDO?
É justamente essa uma das questões que a nova denúncia pretende esclarecer.
Diante da continuidade dos ataques durante a campanha eleitoral, foram entregues ao Ministério Público novas gravações e informações para que seja verificado se aquela relação comercial permaneceu ou foi retomada e se existem atualmente pagamentos provenientes da Prefeitura, ainda que intermediados por agência de publicidade, destinados ao veículo, programa ou empresa relacionada ao comunicador.
A apuração precisa distinguir duas situações completamente diferentes.
A crítica jornalística e a manifestação de opinião são protegidas constitucionalmente. Outra questão seria a eventual utilização de estrutura de comunicação financiada direta ou indiretamente com recursos públicos para atacar sistematicamente adversários do grupo político que administra o município.
Essa segunda hipótese ainda precisa ser comprovada.
Por isso, a nova denúncia busca confrontar as gravações de 2026 com contratos, pagamentos e provas já produzidas judicialmente na investigação referente às eleições de 2024.
Se houver correspondência entre os fatos, caberá ao Ministério Público Eleitoral avaliar se está diante de episódios independentes ou da possível continuidade de uma dinâmica atravessando dois processos eleitorais consecutivos.
Agora, uma pergunta objetiva passa a ocupar o centro da apuração:
se os ataques continuam em 2026, quem está pagando a conta?


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