sexta-feira, 22 de maio de 2026

Relatos apontam falta de medicamentos e crise silenciosa na saúde pública de Morrinhos

Relatos de pacientes e servidores expõem cenário alarmante na saúde pública de Morrinhos

Enquanto as redes sociais oficiais da Prefeitura de Morrinhos exibem vídeos institucionais, campanhas positivas e uma narrativa de normalidade administrativa, relatos enviados ao Blog do Cleuber Carlos por pacientes e servidores públicos da área da saúde descrevem um ambiente completamente diferente nos bastidores do sistema municipal.

As denúncias recebidas pela reportagem apontam para falta de insumos, atraso na entrega de materiais descartáveis essenciais, escassez de suplementos alimentares e um clima interno de revolta entre profissionais da própria rede pública.

As fontes pediram sigilo absoluto por medo de perseguição administrativa.

Um dos relatos mais graves recebidos pelo blog descreve dificuldades envolvendo materiais utilizados em alimentação enteral — procedimento utilizado em pacientes que dependem de sonda para alimentação diretamente no estômago.

Segundo a denúncia, recipientes descartáveis destinados ao armazenamento de água e suplementos deveriam ser substituídos a cada 24 horas por questões sanitárias. No entanto, conforme o relato, os materiais teriam demorado semanas para chegar.

A denúncia afirma ainda que pacientes teriam sido obrigados a reutilizar recipientes por vários dias consecutivos, inclusive com odor forte causado pelo acúmulo de resíduos alimentares.

“O que ninguém conta nas mídias sociais da prefeitura… tá difícil”, desabafa uma das mensagens recebidas pela reportagem.

O cenário descrito é extremamente delicado porque envolve diretamente risco sanitário, dignidade do paciente e segurança no atendimento de pessoas vulneráveis.

Outro trecho recebido pelo blog revela o nível de desgaste interno dentro da própria estrutura pública.

Segundo uma fonte ligada ao serviço público municipal:

“Esse mandato está sendo o pior de se trabalhar porque as pessoas que entraram lá não têm empatia para o próximo.”

A mesma fonte afirma que existe crescente insatisfação entre servidores da saúde e profissionais ligados ao atendimento hospitalar, descrevendo um ambiente de pressão, desmotivação e descrença administrativa.

As denúncias também mencionam falta de medicamentos e dificuldades de acesso a itens considerados básicos para continuidade do tratamento de determinados pacientes.

O mais devastador politicamente talvez nem seja apenas a denúncia em si, mas o contraste exposto entre a narrativa institucional apresentada nas redes sociais oficiais e os relatos humanos que emergem dos bastidores da própria rede pública.

Porque quando o problema deixa de ser apenas burocrático e passa a envolver alimentação enteral, materiais descartáveis, medicamentos e pacientes vulneráveis, o debate sai do campo político e entra diretamente no campo da saúde pública e da dignidade humana.

O Blog do Cleuber Carlos ressalta que os relatos recebidos representam denúncias encaminhadas por fontes que pedem preservação de identidade. A reportagem busca agora aprofundar a apuração documental dos fatos, incluindo:

  • cronologia de fornecimento de insumos;
  • contratos de aquisição;
  • eventual desabastecimento;
  • protocolos sanitários;
  • notas de entrega;
  • posicionamento oficial da Prefeitura de Morrinhos.

Caso os relatos sejam confirmados documentalmente, Morrinhos poderá enfrentar não apenas desgaste político, mas uma grave crise institucional na área da saúde pública.


quinta-feira, 21 de maio de 2026

PACTO OCULTO NA COMURG: OPERAÇÃO EXPÕE SUSPEITA DE ESQUEMA MILIONÁRIO COM ACORDOS TRABALHISTAS FALSOS

A Polícia Civil de Goiás deflagrou, nesta quinta-feira (21), a Operação Pacto Oculto, que mira um suposto esquema de corrupção instalado dentro da Comurg, envolvendo servidores dos setores jurídico e de protocolo da companhia. 

Segundo a investigação, entre 2022 e 2024, processos administrativos teriam sido manipulados para liberar indenizações trabalhistas sem a documentação necessária, sem autorização regular e em velocidade incompatível com a rotina normal da administração pública. 
O mecanismo investigado era simples e devastador: funcionários apresentavam pedidos de revisão salarial sob alegação de desvio de função; os processos avançavam de forma acelerada; e servidores suspeitos garantiam a liberação dos valores mediante cobrança de propina que poderia chegar a 60% do montante bruto recebido pelo trabalhador. 

A operação cumpre 55 mandados judiciais, incluindo buscas, prisões temporárias, afastamentos de funções e bloqueio de bens. O prejuízo apurado chega a R$ 13 milhões, com bloqueio inicial de R$ 3,5 milhões dos investigados. 

O caso atinge diretamente a credibilidade da Comurg e expõe uma engrenagem que, segundo a apuração, teria transformado processos administrativos em instrumento de saque ao dinheiro público. 

Mais grave do que a fraude em si é o método: o uso da própria estrutura interna da companhia para dar aparência de legalidade a pagamentos suspeitos. Quando o protocolo e o jurídico deixam de ser barreiras de controle e passam a ser, em tese, atalhos para o desvio, o problema deixa de ser apenas criminal — passa a ser institucional. 

Os investigados poderão responder por peculato, falsidade ideológica, associação criminosa e lavagem de dinheiro. 

A Operação Pacto Oculto não revela apenas um rombo milionário. Revela a suspeita de que, por dentro da máquina pública, havia gente tratando dinheiro da Comurg como se fosse caixa clandestino de acordo trabalhista fraudulento.

quarta-feira, 20 de maio de 2026

TRE-GO SUSPENDE RETOTALIZAÇÃO DOS VOTOS EM ACREÚNA


A política de Acreúna sofreu um novo terremoto institucional nesta terça-feira (20). Em decisão liminar assinada pela presidente do TRE-GO, desembargadora Elizabeth Maria da Silva, o Tribunal Regional Eleitoral de Goiás determinou a suspensão imediata da retotalização dos votos que ocorreria às 14 horas desta quarta-feira, interrompendo temporariamente os efeitos políticos da AIJE que atingiu o grupo investigado no município.

A decisão tem impacto direto sobre a composição da Câmara Municipal, da Mesa Diretora e sobre toda a reconfiguração política que já estava em curso nos bastidores.

Na prática, o TRE-GO apertou o freio de emergência.

O tribunal reconheceu que executar imediatamente a retotalização antes da conclusão dos recursos poderia gerar insegurança jurídica e efeitos potencialmente irreversíveis. O trecho mais contundente da decisão deixa isso cristalino:

“DEFIRO o pedido liminar formulado e determino a suspensão da retotalização dos votos até a publicação do acórdão a ser proferido por esta Corte no julgamento dos segundos embargos de declaração opostos.”

A decisão revela algo ainda mais profundo: o caso está longe de estar encerrado dentro do próprio TRE-GO.

Os autos mencionam:

  • recursos especiais pendentes;
  • agravo interno;
  • segundos embargos de declaração;
  • além de alegações extremamente graves levantadas pela defesa.

Entre elas, aparecem nos recursos questionamentos sobre:

  • suposto uso de inteligência artificial na construção da decisão judicial;
  • alegações de prejulgamento;
  • violação ao artigo 489 do CPC;
  • supressão da palavra de advogado durante sessão;
  • e questionamentos constitucionais envolvendo resolução do TSE.

É importante destacar: a presidente do TRE-GO não reconheceu essas alegações como verdadeiras. Contudo, o simples fato de a Corte suspender a execução imediata da retotalização mostra que o tribunal enxergou risco jurídico suficiente para evitar uma ruptura institucional antes da conclusão completa do julgamento.

E isso muda tudo.

Porque, politicamente, Acreúna já caminhava para uma alteração abrupta no poder local. Havia expectativa de mudança imediata no cenário legislativo e nos cargos da Mesa Diretora. Agora, o tabuleiro foi congelado.

Nos bastidores, a leitura é clara:
o TRE-GO preferiu preservar a estabilidade institucional a permitir uma mudança imediata que poderia ser revertida dias depois.

A decisão também desmonta o discurso de “caso encerrado” que já vinha sendo vendido politicamente por setores interessados na execução imediata da sentença.

Não está encerrado.

Muito pelo contrário.

O próprio TRE-GO acaba de admitir, na prática, que o caso ainda possui controvérsias jurídicas relevantes o suficiente para justificar a suspensão dos efeitos mais explosivos da decisão.

A guerra judicial de Acreúna continua. E agora entrou em uma nova fase: a da disputa direta dentro do próprio tribunal.


domingo, 17 de maio de 2026

ARBITRAGEM TIRA NEYMAR DE CAMPO EM SUBSTITUIÇÃO APONTADA COMO ERRO DE DIREITO

 O futebol brasileiro conseguiu produzir mais um capítulo inacreditável da crise de credibilidade da arbitragem nacional. E desta vez não se trata de interpretação de lance, impedimento milimétrico ou discussão subjetiva de VAR. O que aconteceu envolvendo Neymar escancara algo ainda mais grave: possível erro de direito na aplicação da própria regra da substituição.

As imagens exibidas pela  CazéTV praticamente desmontam a narrativa de “mero erro operacional”. A placa de substituição indicava claramente a saída do jogador número 31. Não do camisa 10. Não de Neymar.

Mesmo assim, o atleta que acabou retirado da partida foi justamente Neymar.

E é aqui que o episódio deixa de ser apenas constrangedor e passa a entrar em território explosivo juridicamente.

Pela Regra 3 da IFAB, a substituição precisa obedecer procedimento formal: identificação correta do atleta que sai e do atleta que entra. Quando a arbitragem oficializa uma troca envolvendo jogador diferente daquele indicado formalmente na placa, o debate deixa de ser interpretação e passa a atingir a própria validade do ato arbitral.

Traduzindo em português claro: se o atleta oficialmente indicado para sair era o número 31, como a arbitragem consumou a retirada definitiva do número 10?

Não existe “interpretação” possível para número de camisa.

Ou a arbitragem aplicou corretamente a regra, ou não aplicou.

E se não aplicou, abre-se discussão séria sobre erro de direito — justamente uma das raríssimas hipóteses que permitem questionamento formal sobre a regularidade da partida perante a Justiça Desportiva.

O mais impressionante é que Neymar ainda tentou alertar sobre o erro. Revoltado, mostrou a papeleta da substituição e indicou que o jogador anunciado era outro. Mesmo assim, a arbitragem manteve a decisão.

O resultado foi uma cena grotesca:
o jogador retirado não era o oficialmente indicado na substituição. O episódio destrói o discurso recorrente de que “o protocolo foi seguido”. Não foi.


Se a placa apontava o camisa 31 e quem saiu definitivamente foi o camisa 10, houve falha objetiva no cumprimento da regra.

E isso é devastador para a credibilidade da arbitragem brasileira.

Porque não se trata mais de lance interpretativo.
Não se trata de opinião.
Não se trata de VAR.

Trata-se de algo elementar:
ler corretamente o número do jogador que seria substituído.

Se nem isso o futebol brasileiro consegue garantir com segurança, a pergunta inevitável passa a ser outra:

o que exatamente virou a arbitragem nacional?


quarta-feira, 13 de maio de 2026

KASSAB AFIRMA QUE TARCÍSIO SERIA UM CANDIDATO MELHOR DO QUE CAIADO

A declaração do presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, sobre Ronaldo Caiado provocou forte repercussão política — mas o contexto completo da entrevista mostra um cenário mais complexo do que simplesmente um “abandono” do governador goiano dentro do partido.

Durante entrevista ao programa Frente a Frente, parceria entre Folha de S.Paulo e UOL, Kassab afirmou que Tarcísio de Freitas seria um candidato “melhor que o Caiado” para disputar a Presidência da República em 2026. A frase surgiu quando o dirigente do PSD comentava sua frustração com a decisão de Tarcísio de permanecer focado na reeleição em São Paulo em vez de entrar na corrida presidencial.

Politicamente, a fala teve impacto imediato porque expôs uma percepção que já circula nos bastidores de Brasília: a de que Tarcísio hoje possui maior densidade eleitoral nacional dentro do campo conservador.

Mas a entrevista também trouxe um ponto ignorado por parte da repercussão política. O próprio Kassab afirmou que Caiado continua sendo o nome do PSD para 2026 e declarou acreditar que o governador goiano “pode ganhar a eleição”. Em outro trecho, classificou Caiado como um nome de “equilíbrio” e “pacificação”.

Ainda assim, o episódio deixa evidente uma dificuldade que o governador de Goiás enfrenta há meses: transformar sua força regional em protagonismo nacional consolidado.

Caiado possui discurso forte, experiência administrativa e trânsito no agronegócio, mas ainda encontra obstáculos para romper a bolha regional e se posicionar como consenso nacional da direita. E quando o próprio presidente do partido demonstra publicamente preferência por outro nome, isso inevitavelmente gera desgaste político.


Na prática, a entrevista não representou um rompimento interno no PSD. Mas revelou, de maneira bastante transparente, que parte importante da cúpula partidária enxerga em Tarcísio um candidato hoje eleitoralmente mais competitivo para enfrentar a disputa presidencial de 2026.


sexta-feira, 8 de maio de 2026

A SELEÇÃO PERDEU OS CRAQUES — E SOBROU UM SÓ: NEYMAR

Eu não falo aqui como torcedor. Eu falo como profissional. São quase 40 anos de microfone. Três Copas do Mundo no currículo — 1994, 1998 e 2002. Eu estive lá dentro. Eu vi de perto o que era a seleção brasileira quando ela tinha craques de verdade.

Em 94, o Brasil tinha Romário e Bebeto decidindo, Dunga liderando, Tafarel garantindo. Era uma seleção com identidade.

Em 98, colocamos em campo alguns dos melhores jogadores do mundo. Perdemos a final, sim — num episódio até hoje mal explicado envolvendo Ronaldo Nazário — mas jogamos futebol para ser respeitados como a melhor seleção do planeta.

Em 2002, então, era um absurdo técnico. Rivaldo, Ronaldinho Gaúcho, Ronaldo Nazário, Cafu, Roberto Carlos… e ainda tinha Kaká surgindo. Aquilo era seleção. Agora me diga: depois de 2002… quem veio?

Mais de 20 anos se passaram — e só surgiu um jogador acima da média. Um. Neymar.

A seleção brasileira deixou de ser um conjunto de craques para se tornar um time dependente de um único nome. E aí está a grande injustiça. Porque o Neymar carrega uma responsabilidade que, historicamente, nunca foi individual. Sempre foi coletiva.

Quem foi o parceiro de nível mundial que o Neymar teve na seleção nesses últimos anos? Nenhum.

Ele joga praticamente sozinho no topo técnico de uma geração inteira. Agora fazem o quê? Cobram dele como se fosse possível resolver tudo sozinho. Coloca o Neymar naquela seleção de 2002.

Ele seria melhor do mundo cinco, seis vezes. Sem discussão. Mas na seleção atual… ele virou o único.

E agora tentam tirá-lo da Copa? Com justificativas que não são futebolísticas? História extracampo, desgaste, narrativa…Isso não é futebol. Isso é política. Política pura. Porque, por bola, por desempenho, por talento — não existe uma pessoa em sã consciência que justifique deixar o Neymar fora de uma Copa do Mundo. E eu digo isso com propriedade.

Porque eu vi o que é a seleção brasileira de verdade. E sei exatamente o que representa um craque quando ele existe.


GOIÁS ASSISTE À ESCALADA DE UMA GUERRA POLÍTICA QUE SAIU DA ALEGO E CHEGOU AOS QUARTÉIS

O que começou como embate político dentro da Assembleia Legislativa de Goiás agora assume contornos muito mais graves — e perigosos.

A crise envolvendo os deputados Major Araújo e Amauri Ribeiro, ambos do PL, ultrapassou o limite do confronto parlamentar e passou a contaminar ambientes ligados à segurança pública, elevando a tensão nos bastidores políticos e policiais do Estado.

O nível do confronto já não é mais apenas político.

Virou pessoal, emocional e institucional.

Nos últimos dias, o tom subiu drasticamente. Acusações públicas, provocações, ataques verbais e discursos inflamados passaram a dominar redes sociais, bastidores da ALEGO e grupos ligados às forças de segurança.

Mas a situação ganhou dimensão ainda mais preocupante com a entrada de Alexandre Compleite, irmão de Amauri Ribeiro, no centro da crise.

O vídeo divulgado nas redes sociais com xingamentos, violência verbal, desafio público e tom de ameaça contra Major Araújo joga gasolina em um ambiente que já estava inflamado.

E o problema deixa de ser apenas eleitoral.

Quando confrontos políticos começam a migrar da tribuna para linguagem de intimidação, enfrentamento pessoal e discurso de rua, Goiás deixa de assistir apenas uma disputa entre parlamentares e passa a enxergar sinais claros de deterioração institucional.

O ambiente político goiano vive hoje uma radicalização que mistura vaidade, polarização, ego, força e exposição pública permanente.

E o mais grave:
o conflito agora já não está restrito aos corredores da Assembleia.

Ele começa a ecoar nos quartéis, nas redes, nos grupos políticos e no próprio ambiente da segurança pública.

Isso não fortalece a direita.
Não fortalece a política.
E muito menos fortalece Goiás.


COMISSÃO PROCESSANTE, MÉDICOS SEM RECEBER E RISCO DE COLAPSO NA SAÚDE COLOCAM GESTÃO JERONYMO SIQUEIRA NO MAIOR NÍVEL DE CRISE EM SÃO MIGUEL DO ARAGUAIA

A crise política e administrativa enfrentada pelo prefeito Jeronymo Siqueira atingiu um nível sem precedentes em São Miguel do Araguaia. O que antes era tratado apenas como desgaste político agora avança para um cenário institucional grave, envolvendo investigação formal na Câmara Municipal, ameaça de paralisação médica, possível colapso na saúde pública e pressão inevitável sobre o Ministério Público. A sessão da Câmara desta semana deixou isso claro.

Dos 11 vereadores do município, 9 votaram favoravelmente à abertura de uma Comissão Processante contra o prefeito. Apenas a vereadora Sula votou contra. O presidente da Câmara não participou da votação. Politicamente, o resultado é devastador.

Uma comissão processante aprovada por 9 votos demonstra que a crise deixou de ser discurso isolado de oposição e passou a representar ruptura dentro da própria sustentação política da administração municipal.

A comissão vai investigar contratos firmados pela prefeitura com a empresa TEMA, responsável pelo recapeamento urbano da cidade. O ponto central das denúncias envolve pagamentos realizados pela prefeitura mesmo diante de reclamações generalizadas sobre a precariedade das ruas e da permanência de buracos em diversos pontos do município.

A situação ganhou contornos ainda mais delicados porque o próprio Ministério Público já teria provocado judicialmente o município para adoção de providências relacionadas às condições das vias públicas.

Mas se o problema do asfalto gera desgaste político, a situação da saúde pública coloca a administração em risco institucional muito maior.

Médicos que atuam no município estariam há quatro meses sem receber pagamentos. A Organização Social responsável pela operacionalização dos serviços também estaria sem receber da prefeitura. Diante do cenário, profissionais da saúde discutem uma possível paralisação dos atendimentos.

E é exatamente nesse ponto que a crise deixa o campo exclusivamente político e entra no campo jurídico, administrativo e até potencialmente judicial.


A interrupção de serviços médicos em município de atendimento regionalizado pode gerar consequências extremamente graves para a população. Pacientes sem atendimento, risco de desassistência em urgência e emergência, suspensão de consultas, dificuldades em fornecimento de medicamentos, aumento de transferências hospitalares e sobrecarga de municípios vizinhos passam a integrar um cenário possível caso a paralisação seja confirmada. A legislação brasileira trata a saúde pública como serviço essencial.


E exatamente por isso, diante de ameaça concreta de interrupção dos serviços, o Ministério Público tende a atuar de forma imediata.

As providências possíveis incluem abertura de procedimento investigatório, instauração de inquérito civil público, pedido judicial de bloqueio de verbas municipais, requisição emergencial de documentos financeiros da prefeitura, auditoria em contratos da saúde, responsabilização por eventual improbidade administrativa e até ações cautelares para garantir continuidade mínima dos atendimentos médicos.

Dependendo do avanço da crise, o Ministério Público também poderá pedir à Justiça medidas urgentes para obrigar o município a regularizar os pagamentos, sob pena de multa diária, bloqueio de contas públicas e responsabilização pessoal de gestores.

E existe um fator politicamente explosivo nesse cenário: saúde pública costuma ser uma das áreas de maior rigor de atuação judicial e ministerial quando há risco coletivo à população.

Se ficar demonstrado que havia recursos disponíveis e, ainda assim, os pagamentos não foram realizados, o caso pode avançar para investigações sobre gestão financeira, aplicação de recursos públicos e eventual responsabilidade administrativa dos agentes envolvidos.

No campo político, a situação também se agrava rapidamente para Jeronymo Siqueira.

Um prefeito investigado por comissão processante, enfrentando ameaça de paralisação médica, pressão do Ministério Público e desgaste crescente na Câmara passa a administrar sob ambiente de instabilidade permanente.

E o problema não é apenas jurídico. É institucional.

Quando médicos começam a discutir suspensão de atendimento por falta de pagamento, o desgaste deixa de ser debate político e passa a atingir diretamente a vida da população.

O que está em jogo agora não é apenas a imagem da gestão municipal.

É a capacidade da prefeitura de manter funcionando os serviços básicos de uma cidade inteira.