segunda-feira, 31 de agosto de 2026

ENDIVIDADA, COMPLEM ENTREGA OPERAÇÃO DE LÁCTEOS À PIRACANJUBA

 

REESTRUTURAÇÃO | Com R$ 290,2 milhões em empréstimos e financiamentos registrados no balanço de 2025, cooperativa anuncia parceria que coloca industrialização e comercialização dos produtos Compleite sob responsabilidade do Grupo Piracanjuba. Cerca de 200 trabalhadores serão incorporados pela empresa.

A Complem anunciou uma profunda mudança em sua operação. O Grupo Piracanjuba passará a ser responsável pelas atividades industriais do laticínio da cooperativa, incluindo a industrialização e a comercialização dos produtos da marca Compleite.

Oficialmente, a Complem afirma que não está vendendo sua indústria nem qualquer ativo. Define a operação como uma “parceria estratégica”, destinada a aumentar eficiência, escala e competitividade.

Na prática, entretanto, uma atividade central do negócio muda de mãos.

A Complem continuará responsável pela captação do leite, assistência técnica, relacionamento com os cooperados e outros segmentos, como nutrição animal. Já a operação industrial e comercial dos lácteos ficará com a Piracanjuba.

A mudança acontece em um momento de forte endividamento.

O balanço de 2025 revelou R$ 290,2 milhões em empréstimos e financiamentos, dos quais aproximadamente R$ 187 milhões estavam classificados no curto prazo. Somente os juros desses empréstimos consumiram R$ 33,67 milhões no exercício.

As sobras líquidas foram de R$ 12,19 milhões. Ou seja: a Complem gastou com juros quase três vezes o valor das sobras registradas no ano.

Outro detalhe chama atenção. Segundo a própria cooperativa, as discussões com a Piracanjuba começaram ainda em 2025, mesmo exercício retratado pelo balanço.

A reestruturação alcança também os trabalhadores. Aproximadamente 200 funcionários ligados à operação de lácteos serão incorporados pelo Grupo Piracanjuba. A Complem sustenta que os postos de trabalho serão preservados.

A marca Compleite também continuará existindo.

A operação ainda depende da aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Até uma decisão definitiva, Complem e Piracanjuba continuarão atuando de maneira independente.

A parceria representa, portanto, uma mudança de dimensão histórica: depois de construir sua trajetória a partir do leite durante 48 anos, a Complem preserva patrimônio, marca e relacionamento com os produtores, mas entrega a um grande grupo privado a execução de sua operação industrial de lácteos.

A parceria com a Piracanjuba pode até representar uma solução para o futuro. Mas ela não apaga a pergunta sobre o passado: como a Complem chegou ao fundo do poço?




PREFEITO DE GRANITO É ACUSADO PELA EX-ESPOSA DE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA; CASO É INVESTIGADO PELA POLÍCIA

GRAVE DENÚNCIA | Raíla Miranda afirma que foi agredida dentro de casa diante do filho de 7 anos e relata violência física, emocional e patrimonial. George de Sidney deixou o PT após o partido abrir procedimento ético-disciplinar. Prefeito diz que responderá às acusações “pelas vias legais” e pede que não haja condenação antecipada.

Uma grave denúncia envolvendo o prefeito de Granito, no Sertão de Pernambuco, ganhou repercussão nacional nesta segunda-feira (31).

A ex-primeira-dama Raíla Miranda afirmou ter sido vítima de violência doméstica e aponta o prefeito George de Sidney como responsável pelas agressões. Segundo o relato dela, o episódio teria ocorrido há pouco mais de 20 dias, dentro da residência da família, diante do filho de apenas 7 anos. 

Raíla divulgou um vídeo nas redes sociais e também apresentou imagens que, segundo a imprensa pernambucana, mostram marcas de agressões no rosto e na parte posterior da cabeça. Ela afirma ter sofrido violência física, emocional e patrimonial e diz que decidiu tornar o caso público depois de vencer o medo das consequências de denunciar uma pessoa em posição de poder. 

Em seu relato, Raíla afirma que a violência teria ocorrido após comunicar que não queria mais continuar o relacionamento. Ela declarou que, naquele momento, sua preocupação era sobreviver e proteger o filho.

POLÍCIA INVESTIGA

O caso já ultrapassou a esfera das redes sociais. Segundo o Diario de Pernambuco, diligências foram iniciadas e a investigação está sob a coordenação da Delegacia de Granito, que deverá apurar as circunstâncias e eventual responsabilidade criminal. 

Há publicações locais que utilizam a expressão “tentativa de feminicídio” para definir a acusação. Até o momento, porém, nas fontes oficiais e jornalísticas consultadas, não foi encontrada confirmação de que a Polícia Civil tenha formalmente enquadrado o caso nesse crime. Por isso, jornalisticamente, o mais seguro é tratar a tentativa de feminicídio como acusação atribuída a Raíla, e não como conclusão da investigação. 

PT ABRE PROCESSO — E PREFEITO DEIXA O PARTIDO

A repercussão provocou também uma crise política.

O Diretório Estadual do PT de Pernambuco informou que preparava, em regime de urgência, um processo ético-disciplinar contra George de Sidney diante da gravidade das denúncias. Antes da conclusão do procedimento, entretanto, o prefeito apresentou pedido de desfiliação. 

Em nota, o partido repudiou qualquer forma de violência contra a mulher, manifestou solidariedade a Raíla e defendeu rápida apuração, além de medidas para proteção da mulher e da criança envolvidas no episódio. 

George havia sido eleito prefeito de Granito pelo PT em 2024 com 3.591 votos, equivalentes a 59,96% dos votos válidos. Seu nome completo é George Washington Pereira Alencar. 

Raíla, por sua vez, ocupava cargo de secretária municipal de Cultura, Turismo e Lazer na administração de Granito, conforme registros do próprio Portal da Transparência da prefeitura. 

O QUE DIZ O PREFEITO

George de Sidney divulgou nota afirmando que as acusações serão tratadas exclusivamente pelas vias legais.

O prefeito sustenta que tem direito ao contraditório e à ampla defesa e afirma estar comprometido com a verdade e com a Justiça. Também disse que pretende buscar judicialmente a preservação da convivência com o filho. 

Em um dos trechos mais importantes da manifestação, George argumenta que a investigação deverá esclarecer se os mecanismos de proteção contra a violência doméstica estão sendo usados corretamente e menciona eventual disputa patrimonial e questões relacionadas à convivência familiar. 

Ele não apresentou, nas fontes consultadas, uma versão detalhada sobre como teriam ocorrido os fatos narrados por Raíla, mas afirmou que apresentará provas no processo.


JOGADOR DO VILA NOVA É ALVO DE OPERAÇÃO E INVESTIGADO POR SUSPEITA DE LIGAÇÃO COM TRÁFICO DE DROGAS E ARMAS

OPERAÇÃO A TROPA | Hayner teve a residência e o armário pessoal no CT do Vila Nova alvos de busca e apreensão nesta segunda-feira (31). Polícia investiga possível envolvimento do lateral com organização criminosa ligada ao tráfico interestadual de drogas e armas. Jogador nega participação em atividades ilícitas.

O lateral-direito Hayner Willian Monjardim Cordeiro, do Vila Nova, está entre os jogadores investigados pela Polícia Civil do Espírito Santo na Operação A Tropa, deflagrada nesta segunda-feira (31) contra uma organização criminosa suspeita de atuar no tráfico de drogas e armas. 

Os policiais cumpriram mandados de busca e apreensão na residência do atleta e também no Centro de Treinamento Vila do Tigre, em Goiânia. No CT, segundo o clube, a diligência ficou restrita ao armário pessoal de Hayner.

A investigação ganhou força a partir de um celular apreendido após uma tentativa de homicídio ocorrida em 2024, em Serra, no Espírito Santo. Com autorização judicial, o conteúdo do aparelho foi analisado.

Segundo apuração do UOL, teriam sido encontradas conversas entre jogadores e integrantes do grupo investigado, além de registros de transferências bancárias e Pix. A investigação identificou ainda supostas negociações envolvendo drogas e armas. 

A operação mobilizou cerca de 100 policiais civis, 38 viaturas e dois helicópteros, com cumprimento de 15 mandados de busca e apreensão e quatro de prisão em diferentes estados. Hayner, entretanto, não foi preso

Além do jogador do Vila Nova, o atacante David Corrêa, do Vasco, também é investigado e foi alvo de buscas. 

HAYNER NEGA ENVOLVIMENTO

Em nota, o Vila Nova informou que Hayner nega qualquer participação em atividades ilícitas. Segundo relato do próprio jogador ao clube, sua inclusão na investigação poderia estar relacionada à amizade de infância com um dos investigados por tráfico de drogas, que teria crescido na mesma comunidade que o atleta no Espírito Santo. 

O Vila informou ainda que Hayner colaborou integralmente com as autoridades e permanece exercendo normalmente suas atividades profissionais.

O caso exige uma ressalva fundamental: Hayner é investigado e foi alvo de busca e apreensão, mas isso não significa que tenha sido considerado culpado ou formalmente acusado pelos crimes apurados. O inquérito segue sob investigação para determinar se existiu, de fato, alguma relação ilícita entre o jogador e o grupo criminoso.

Agora, o material recolhido nas buscas e as mensagens já identificadas poderão ser decisivos para esclarecer até onde vai a relação de Hayner com os investigados e se essa ligação ultrapassou os limites de uma amizade de infância.


​FESTA 800: INGRESSO CANCELADO DEIXA INFLUENCIADORA DO LADO DE FORA — E VENDEDOR DIZ QUE ESTORNO RESOLVEU


DIREITO DO CONSUMIDOR | Influenciadora goiana Lara afirma que ingresso comprado de Lucas não funcionou na entrada da Festa 800 e que precisou adquirir outra entrada. Vendedor admite que o ingresso “não entrou”, mas sustenta que devolveu R$ 1 mil no mesmo dia. Caso levanta discussão sobre responsabilidade na relação de consumo.

A influenciadora digital goiana Lara relatou nas redes sociais uma situação que teria transformado sua chegada à Festa 800 em horas de transtorno.

Segundo Lara, ela comprou antecipadamente de Lucas, apontado por ela como vendedor do ingresso, uma entrada para o evento. Ao chegar à festa, porém, descobriu que o ingresso havia sido cancelado e não conseguiu entrar.

A influenciadora afirma que tentou solucionar o problema durante horas e que, diante da impossibilidade de utilizar o ingresso adquirido, precisou comprar outro ingresso para conseguir acessar o evento.

Lucas apresentou sua versão e reconheceu um ponto central da história.

“Realmente o ingresso não entrou, mas o dinheiro dela foi estornado”, afirmou. Segundo ele, o estorno de R$ 1 mil teria ocorrido no mesmo dia. Lucas também alegou que estava dentro da festa e sem sinal de telefone, motivo pelo qual não teria conseguido responder Lara anteriormente.

Em sua manifestação, o vendedor ainda fez comentários pessoais sobre a influenciadora, afirmando que ela estaria “precisando de um marido” e que teria querido que ele pagasse despesas com “unha e cabelo”.

Mas a discussão não termina necessariamente com o estorno.

Quando caracterizada uma relação de consumo, o Código de Defesa do Consumidor estabelece, no artigo 20, alternativas para o consumidor diante de serviço inadequado, entre elas a restituição imediata da quantia paga, sem prejuízo de eventuais perdas e danos. O artigo 35 também prevê alternativas diante do descumprimento da oferta, inclusive restituição da quantia antecipada, atualizada, além de perdas e danos.

Na prática, a questão é objetiva: quem compra um ingresso não o adquire para posteriormente receber o dinheiro de volta. Compra para entrar no evento.

Se Lara comprovar que, em razão do problema com o primeiro ingresso, precisou desembolsar outro valor para conseguir participar da Festa 800, esse gasto poderá integrar eventual discussão sobre ressarcimento dos prejuízos sofridos.

A aplicação direta do CDC ao vendedor, entretanto, depende da natureza da atividade exercida por ele — especialmente de se tratar de comercialização profissional ou habitual de ingressos. Mesmo fora de uma relação de consumo, o episódio ainda pode envolver responsabilidade civil decorrente da negociação.

Assim, duas questões permanecem centrais: por que o ingresso vendido a Lara foi cancelado e quem deve responder pelos prejuízos provocados?

O estorno devolve o preço do ingresso. Mas não necessariamente apaga tudo o que aconteceu depois que ele deixou de funcionar.


​WIND BANNERS TOMAM GOIÂNIA — MAS QUEM ESTÁ FISCALIZANDO?

PROPAGANDA ELEITORAL | Candidatos espalham estruturas pelas principais vias da capital, mas legislação exige mobilidade e retirada diária. Justiça Eleitoral tem poder de polícia, fiscais podem promover diligências e remoção, e denúncias podem ser feitas pelo Pardal. A pergunta nas ruas é outra: a fiscalização está conseguindo acompanhar a multiplicação das peças?

Os wind banners viraram uma das principais armas das campanhas eleitorais em Goiânia.

Estão em avenidas, cruzamentos e pontos de grande circulação. O problema começa quando aquilo que deveria ser propaganda móvel passa a permanecer no mesmo lugar depois do horário permitido.

A legislação eleitoral permite bandeiras ao longo das vias públicas desde que sejam móveis e não prejudiquem o trânsito de pessoas e veículos. E estabelece objetivamente o que significa mobilidade: colocação às 6h e retirada às 22h

Portanto, deixar a estrutura instalada durante a madrugada pode descaracterizar a condição que permite sua presença naquele espaço.

QUEM FISCALIZA?

Em Goiás, o poder de polícia sobre propaganda eleitoral é exercido por juízes eleitorais designados pelo TRE-GO. O próprio Tribunal publicou portaria específica para definir o exercício desse poder nas eleições de 2026. 

Também podem ser designados fiscais de propaganda eleitoral. Cabe a eles realizar diligências, produzir termos de constatação e, quando houver autorização ou determinação judicial, promover a remoção da propaganda irregular. A Justiça Eleitoral pode ainda contar com órgãos públicos locais e, se necessário, força policial para executar uma retirada. 

E QUEM MULTA?

Aqui existe uma diferença importante.

O juiz que atua no poder de polícia pode determinar providências para cessar a irregularidade, mas não simplesmente aplicar multa naquele procedimento de fiscalização. Quando a conduta puder gerar penalidade, o Ministério Público deve ser comunicado para as medidas cabíveis, e a sanção pecuniária depende do procedimento jurisdicional apropriado. 

Em determinadas hipóteses de propaganda irregular em bens públicos ou de uso comum, a legislação prevê notificação para retirada/restauração em 48 horas e multa entre R$ 2 mil e R$ 8 mil em representação eleitoral. 

E existe um risco adicional para campanhas que exageram no tamanho ou na disposição dos wind banners: o TSE registra precedente em que wind banner de grandes dimensões foi considerado equivalente visualmente a outdoor. Para propaganda eleitoral mediante outdoor, a legislação prevê retirada imediata e multa de R$ 5 mil a R$ 15 mil

A PERGUNTA QUE FALTA RESPONDER EM GOIÂNIA

É justamente aqui que eu aprofundaria sua investigação.

Não afirmaria ainda que “a fiscalização está falhando” como fato consumado. Transformaria isso na pergunta da reportagem e buscaria os números oficiais:

Quantos fiscais de propaganda estão efetivamente nas ruas de Goiânia? Quantas irregularidades envolvendo wind banners já foram constatadas? Quantas determinações de retirada foram expedidas? Quantos equipamentos foram apreendidos? E quantas representações ou comunicações ao Ministério Público resultaram dessas fiscalizações?

Desde 16 de agosto, o Pardal Móvel está oficialmente disponível para denúncias de propaganda irregular nas eleições de 2026, encaminhando os relatos aos TREs e juízos eleitorais.  O TRE-GO também divulgou o mecanismo novamente em 28 de agosto. 


AUGUSTO CURY DISPARA, CHEGA A 11% E ASSUME TERCEIRO LUGAR NA CORRIDA PRESIDENCIAL

ELEIÇÕES 2026 | Escritor aparece com mais que o dobro das intenções de voto de Ronaldo Caiado no cenário sem Pablo Marçal e começa a se distanciar do bloco dos candidatos que tentam romper a polarização entre Lula e Flávio Bolsonaro.

Augusto Cury deixou de ser apenas uma candidatura alternativa para se transformar em um nome que começa a pesar na disputa pela Presidência da República.

Na pesquisa BTG/Nexus, Cury alcançou 11% das intenções de voto e assumiu isoladamente a terceira colocação no cenário sem Pablo Marçal.

Lula lidera com 39%, seguido por Flávio Bolsonaro, com 33%. Depois aparece Cury, com 11%.

A distância para os demais chama atenção.

Ronaldo Caiado tem 5%, menos da metade do índice alcançado pelo escritor. Renan Santos aparece com 3%, enquanto Romeu Zema e Samara Martins registram 1% cada.

A presença de Pablo Marçal praticamente não altera a força de Cury.

Nesse cenário, Lula aparece com 37%, Flávio Bolsonaro com 31% e Augusto Cury permanece com os mesmos 11%. Caiado chega a 6%, enquanto Marçal e Renan Santos têm 3% cada.

O dado político é relevante: Cury começa a abrir uma espécie de terceira faixa na eleição.

Ainda está distante dos dois líderes, mas já construiu vantagem considerável sobre os demais candidatos que disputam espaço fora da polarização.

E existe outro componente importante: o crescimento aconteceu rapidamente. Cury aparecia com apenas 2% na rodada anterior do BTG/Nexus, divulgada em 24 de agosto. Agora chegou a 11%.

É um salto de nove pontos percentuais em aproximadamente uma semana.

Se essa trajetória será mantida pelas próximas pesquisas ainda precisa ser observado. Mas o retrato atual já produz um fato político impossível de ignorar:

Augusto Cury entrou nos dois dígitos, deixou Caiado, Zema e Renan Santos para trás e, neste momento, ocupa sozinho o terceiro lugar na corrida pelo Palácio do Planalto.


​COMPLEM PAGA R$ 33,7 MILHÕES EM JUROS — QUASE TRÊS VEZES AS SOBRAS DE 2025


CONTA PESADA | Cooperativa registrou R$ 12,19 milhões em sobras líquidas no ano, enquanto somente os juros de empréstimos consumiram R$ 33,67 milhões. Parecer recomenda alongamento de R$ 187 milhões em dívidas bancárias de curto prazo para reduzir juros e “pressões de liquidez imediata”.

A comparação é contundente: para cada R$ 1,00 de sobra líquida registrada pela Complem em 2025, aproximadamente R$ 2,76 foram gastos somente com juros de empréstimos.

Os números constam do Relatório e Parecer Técnico Econômico-Financeiro referente ao exercício de 2025 e colocam o peso do endividamento bancário no centro da discussão sobre as contas da cooperativa.

A Complem alcançou faturamento bruto de R$ 1,007 bilhão, crescimento de 19,72% sobre 2024. Apesar da receita bilionária, encerrou o exercício com R$ 12,19 milhões em sobras líquidas antes das destinações.

Do outro lado da conta, apenas os juros dos empréstimos atingiram R$ 33,67 milhões. Considerando todas as despesas financeiras, o montante chegou a R$ 44,93 milhões.

O próprio parecer reconhece que a estrutura do passivo exige atenção. Dos R$ 322,13 milhões em obrigações de curto prazo, R$ 187,07 milhões correspondem a empréstimos e financiamentos bancários.

A recomendação para 2026 é explícita: alongar o passivo bancário, transferindo parcelas desses R$ 187 milhões para linhas de longo prazo, justamente para reduzir despesas com juros e, nas palavras do documento, “pressões de liquidez imediata”.

Outro dado ajuda a explicar a dependência do crédito. A Complem leva, em média, 90 dias para receber, mantém produtos em estoque por 54 dias e paga fornecedores em 47 dias. O resultado é um ciclo de caixa de 97 dias, classificado no relatório como “gargalo operacional” e financiado por dívida bancária de curto prazo.

A cooperativa possui ainda R$ 253,18 milhões em contas a receber e R$ 130,58 milhões em estoques. Quando os estoques são retirados do cálculo, a liquidez, apresentada em 1,48, cai para 1,08.

Há mais um ponto que merece esclarecimento. O parecer informa que o resultado líquido foi complementado por R$ 50,79 milhões em créditos e compensações fiscais, relacionados a PIS/Cofins e ao incentivo ProGoiás. O impacto efetivo desses créditos na formação das sobras precisa ser detalhado para que se possa dimensionar o desempenho exclusivamente operacional.

O relatório conclui que a Complem apresenta situação econômico-financeira sólida e recomenda a aprovação das contas. Isso não elimina, porém, a questão central revelada pelos próprios números:

uma cooperativa que faturou mais de R$ 1 bilhão terminou 2025 pagando R$ 33,67 milhões apenas em juros — quase três vezes os R$ 12,19 milhões que registrou em sobras líquidas.

É uma conta que merece ser explicada aos cooperados.