quarta-feira, 12 de agosto de 2026

NOVA PESQUISA ELEITORAL OUVIU 3,2 MIL ELEITORES EM GOIÁS E SERÁ DIVULGADA NESTE DOMINGO

ELEIÇÕES 2026 | Levantamento registrado na Justiça Eleitoral sob o número GO-03123/2026 mede a intenção de voto dos goianos para governador e senador. Pesquisa ouviu 3.200 eleitores em diferentes regiões do Estado e tem divulgação prevista para 16 de agosto.

Uma nova pesquisa eleitoral promete apresentar neste domingo (16) um retrato atualizado da disputa pelo Governo de Goiás e pelo Senado.

Registrado na Justiça Eleitoral sob o número GO-03123/2026, o levantamento chama atenção pelo tamanho da amostra: 3.200 eleitores goianos foram consultados.

A pesquisa foi realizada pela EXATA.GO Pesquisa Ltda. e abrange eleitores de diferentes regiões do Estado. De acordo com o registro apresentado à Justiça Eleitoral, o trabalho de campo ocorreu entre os dias 10 e 15 de agosto.

Com a coleta concluída, o levantamento agora aguarda a data prevista no registro para que seus resultados possam ser tornados públicos: domingo, 16 de agosto.

A pesquisa mede a intenção de voto para dois dos principais cargos em disputa nas eleições deste ano: governador de Goiás e senador.

A amostra foi estruturada considerando características do eleitorado como sexo, idade, escolaridade, renda e distribuição geográfica, buscando representar o conjunto dos eleitores goianos com 16 anos ou mais.

Segundo o registro, o levantamento possui nível de confiança de 95% e margem de erro estimada em aproximadamente 1,7 ponto percentual para mais ou para menos.

O número de entrevistados é um dos aspectos que chamam atenção. Com 3,2 mil eleitores consultados, a pesquisa deverá oferecer um novo parâmetro para avaliar o cenário eleitoral goiano em um momento de intensificação da disputa de 2026.

O levantamento está registrado desde 10 de agosto e cumpre as exigências previstas pela legislação eleitoral para divulgação de pesquisas.

Agora, a expectativa fica para os números.

No próximo domingo, Goiás conhecerá o resultado das 3.200 entrevistas e terá uma nova fotografia da corrida pelo Palácio das Esmeraldas e das vagas em disputa para o Senado.


VÍDEO COLOCA EM XEQUE VERSÃO DE CONFRONTO: QUATRO HOMENS SÃO MORTOS A TIROS LOGO APÓS AMAROK CHEGAR A RESIDÊNCIA EM FORMOSA

CHACINA EM FORMOSA | Imagens que circulam nas redes sociais mostram a caminhonete chegando ao endereço e os disparos começando praticamente de imediato. Ao menos três pessoas aparecem na área externa da residência durante a ação. Sequência levanta dúvidas sobre a versão inicial de uma suposta troca de tiros.

Um vídeo que registra a morte de quatro homens na tarde desta terça-feira (11), no Setor Parque Lago, em Formosa, pode mudar completamente a compreensão sobre o que aconteceu no local.

As primeiras informações divulgadas apontavam que as vítimas teriam ido até uma residência cobrar uma suposta dívida de um policial militar da reserva ou do filho dele. Durante a cobrança, um dos homens estaria armado e teria começado uma troca de tiros.

As imagens, entretanto, levantam questionamentos sobre essa narrativa.

No vídeo que circula nas redes sociais, a Volkswagen Amarok utilizada pelas vítimas chega ao endereço e praticamente não tem tempo de estacionar. Logo após o veículo parar, começam os disparos.

A gravação mostra pessoas posicionadas na área externa da residência e uma intensa sequência de tiros contra a caminhonete. Pelas imagens, ao menos três pessoas aparecem envolvidas na ação do lado de fora do imóvel.

O registro não permite afirmar, por si só, quem efetuou cada disparo ou se algum dos ocupantes da Amarok chegou a atirar. Entretanto, na sequência inicial visível, não é possível identificar claramente uma troca simultânea de tiros.

Isso coloca uma pergunta no centro da investigação: houve realmente confronto ou os quatro homens foram surpreendidos por pessoas que já estavam armadas e posicionadas no local?

Depois da sequência principal, o vídeo ainda registra disparos isolados. A origem, a finalidade e quem efetuou esses tiros deverão ser esclarecidos pela perícia. Qualquer hipótese de alteração da cena ou simulação de confronto, sem elementos periciais, seria prematura.

Entre os mortos está Gustavo Fernandes Graças, ex-secretário municipal de São João d’Aliança. Também foram identificados Gustavo Aurélio, André Ferreira e um quarto homem conhecido como “Nego”.

Outra informação aumenta o peso do caso. Apurações publicadas pela imprensa apontam que três pessoas estariam sendo investigadas pelas mortes: o policial militar da reserva, o filho dele e um terceiro homem.

Agora, câmeras de segurança, perícia balística, posição dos estojos, trajetória dos projéteis, armas eventualmente apreendidas e exames residuográficos poderão ser decisivos para reconstruir os segundos que antecederam as quatro mortes.

O vídeo não encerra a investigação.

Mas coloca sob suspeita uma expressão utilizada desde as primeiras horas do caso: “troca de tiros”.

Se as imagens mostram que os ocupantes da Amarok foram recebidos a bala praticamente no instante em que chegaram, caberá à investigação explicar quem atirou primeiro, quantas armas foram utilizadas e por que três pessoas aparentemente já estavam posicionadas e armadas quando a caminhonete chegou.

O Blog do Cleuber Carlos acompanha o caso.


terça-feira, 11 de agosto de 2026

NOTA DE R$ 3,5 MILHÕES: MULHER DIZ QUE VENDEU CASA, APARTAMENTO, CARRO E JOIAS PARA ENTREGAR DINHEIRO A EDSON FERREIRA SENA

 NOTA DE R$ 3,5 MILHÕES: MULHER DIZ QUE VENDEU CASA, APARTAMENTO, CARRO E JOIAS PARA ENTREGAR DINHEIRO A EDSON FERREIRA SENA

EXCLUSIVO | Documentos obtidos pelo Blog do Cleuber Carlos revelam uma história que envolve relacionamento amoroso, milhões de reais, venda de patrimônio, empréstimos bancários, supostos agiotas e uma promissória de R$ 3,5 milhões. Edineia dos Santos Rosa procurou a Delegacia da Mulher e acusa o ex-companheiro de tê-la levado a uma verdadeira ruína financeira.

Uma nota promissória de R$ 3,5 milhões pode ser a ponta de um caso muito maior.

Documentos obtidos pelo Blog do Cleuber Carlos mostram que Edineia dos Santos Rosa acusa o ex-companheiro Edson Ferreira Sena de ter recebido sucessivas quantias em dinheiro durante o relacionamento dos dois, iniciado em julho de 2024.

O que teria começado com um pedido de apenas R$ 5 mil, segundo ela, terminou com venda de imóveis, carro, joias, empréstimos bancários e uma dívida milionária.

A história chegou à polícia.

Em 2 de junho de 2026, Edineia procurou a Delegacia Estadual de Atendimento Especializado à Mulher, em Goiânia. No registro policial aparecem ocorrências classificadas inicialmente como estelionato, violência psicológica contra a mulher e injúria.

ELA DIZ QUE VENDEU O PATRIMÔNIO

O relato apresentado posteriormente à Defensoria Pública impressiona pelos valores e pela quantidade de bens envolvidos.

Edineia afirma que vendeu um apartamento, uma casa em Aparecida de Goiânia e o próprio carro.

Não parou aí.

Segundo ela, também foram vendidos aproximadamente R$ 25 mil em joias, além da conversão de US$ 1,9 mil em espécie.

Quando os recursos começaram a acabar, a mulher relata ter recorrido a empréstimos no Bradesco e Nubank, familiares, terceiros e até agiotas.

A versão apresentada à Defensoria é de que o dinheiro obtido com a venda dos bens entrava inicialmente na conta dela e depois era transferido para Edson a pedido dele.

“HOMEM DE ELEVADO PODER AQUISITIVO”

Outro detalhe chama atenção.

Edineia afirma que Edson se apresentava como um homem de “elevado poder aquisitivo”, proprietário de vários imóveis e dono de expressivo patrimônio.

Mas, segundo a mulher, a realidade que descobriu posteriormente seria diferente.

Ela sustenta que imóveis apresentados como pertencentes a Edson seriam, na verdade, alugados.

A revelação teria ocorrido quando o relacionamento já estava cercado por cobranças financeiras.

SURGE A PROMISSÓRIA MILIONÁRIA

Quando familiares de Edineia teriam descoberto o tamanho do problema e interferido na situação, surgiu um documento que muda completamente o peso da história.

Uma nota promissória de R$ 3.500.000.

O título apresentado ao Blog estabelece vencimento em 24 de fevereiro de 2026 e traz Edson Ferreira Sena como emitente.

Mais importante: no termo produzido durante o atendimento da Defensoria Pública, consta que a promissória teria sido entregue “como forma de reconhecimento da dívida contraída”.

Ou seja: não estamos falando apenas da palavra de uma ex-companheira contra a de outra pessoa. Existe um título de R$ 3,5 milhões apresentado por ela como documento da dívida — embora a origem, exigibilidade e circunstâncias do débito possam ser discutidas judicialmente.

E TEM MAIS: POLÍCIA ENCONTROU REGISTRO ANTERIOR

Um trecho do documento da Defensoria acrescenta outro ingrediente à história.

Durante consulta aos sistemas policiais, teria sido localizado registro anterior envolvendo Edson Ferreira Sena em contexto semelhante, relacionado a outra mulher.

O documento chega a indicar o número do registro: RAI 43616825.

O Blog ainda busca o conteúdo integral dessa ocorrência para descobrir o que aconteceu, quem denunciou e qual foi o desfecho.

DE R$ 5 MIL PARA R$ 3,5 MILHÕES

É justamente a evolução financeira narrada pela mulher que chama atenção.

O primeiro pedido teria sido de R$ 5 mil.

Depois vieram novas solicitações.

Depois, valores maiores.

Depois, segundo ela, venda de apartamento, casa, carro e joias.

Depois, empréstimos.

E, no final dessa sequência, aparece uma promissória de R$ 3,5 milhões.

Agora a pergunta que precisa ser respondida é: para onde foi todo esse dinheiro?

O Blog do Cleuber Carlos começou a cruzar o nome de Edson Ferreira Sena com empresas, processos judiciais, movimentações societárias e contratos públicos para tentar reconstruir essa trajetória financeira.

As acusações de estelionato, violência psicológica e injúria são decorrentes da versão apresentada pela denunciante e não representam condenação de Edson Ferreira Sena. Ele deve ser considerado inocente até eventual decisão judicial definitiva.

O espaço está aberto para que Edson apresente sua versão e os documentos que entender necessários.

Esta investigação continua.


R$ 273 MILHÕES, PRISÕES E FRAUDES: O QUE A JUSTIÇA REVELOU SOBRE A CÉSAR SISTEMAS EM GOIÁS

BOMBA DOS R$ 273 MILHÕES: CÉSAR SISTEMAS É APONTADA COMO CENTRO DE SUPOSTO ESQUEMA QUE TERIA FRAUDADO LICITAÇÕES EM GOIÁS

OPERAÇÃO SIMULATIO | Decisão judicial revela que R$ 273,2 milhões foram empenhados em favor da César Sistemas Construtivos entre 2015 e 2025. Investigação aponta empresas ligadas, cotações supostamente fictícias, mensagens de WhatsApp, transferências milionárias e sobrepreços de até 59,26%. Três integrantes do núcleo empresarial tiveram prisão preventiva decretada e quatro agentes públicos foram afastados.

O que inicialmente apareceu como uma investigação de R$ 14,8 milhões pode esconder uma engrenagem financeira de proporções muito maiores.

Uma decisão de 149 páginas do 1º Juízo das Garantias de Goiânia, obtida e analisada pelo Blog do Cleuber Carlos, revela que nada menos que R$ 273.232.774,05 foram empenhados em favor da César Sistemas Construtivos Ltda. entre 2015 e 2025.

Desse montante, segundo dados do sistema Forseti, do Tribunal de Contas dos Municípios, R$ 88.361.192,04 foram efetivamente liquidados.

A César é apontada na investigação do Grupo de Atuação Especial do Patrimônio Público (GAEPP), do Ministério Público de Goiás, como a principal beneficiária de uma suposta organização estruturada para fraudar licitações e contratações públicas envolvendo módulos habitáveis em Goiás.

1. A dimensão financeira é muito maior do que os R$ 14 milhões

Um dos números mais importantes do processo aparece logo no início.

Segundo levantamento realizado a partir do sistema Forseti, do Tribunal de Contas dos Municípios, entre 2015 e 2025 foram registrados:

R$ 273.232.774,05 em empenhos em favor da César Sistemas Construtivos Ltda.

Desse montante:

R$ 88.361.192,04 teriam sido efetivamente liquidados.

Portanto, os R$ 14.851.240,31 mencionados como potencial prejuízo ao erário não representam o volume total de negócios da empresa nem necessariamente o dano global de toda sua atuação. Esse valor corresponde ao recorte das contratações analisadas nesta investigação, principalmente entre 2022 e 2025. A própria decisão ressalva que o levantamento não abrange a integralidade dos contratos da empresa. 

Esse é, jornalisticamente, um dos pontos mais fortes do processo.


2. O núcleo central apontado pelo MP

A decisão judicial descreve uma divisão de funções bastante clara.

Mário César de Paiva

É apontado como sócio-administrador da César Sistemas Construtivos Ltda. e, na narrativa investigativa, como líder da organização.

Segundo a decisão, seria ele quem comandaria o núcleo empresarial e os demais integrantes.

O MP sustenta ainda haver fortes indícios de que Mário César seja sócio oculto da DSI Containers e Equipamentos Ltda.

A ligação estaria apoiada em elementos como:

  • funcionamento da DSI ligado à estrutura da César;
  • compartilhamento de funcionários;
  • relações empresariais;
  • movimentações bancárias;
  • ligação com Paulo Fernandes Marçal Filho.

A decisão descreve expressamente a hierarquia investigada da seguinte maneira: Mário César lideraria o esquema; Glauco seria o elo operacional com agentes públicos; e Paulo Marçal desempenharia função representativa e comercial. 

Processo César transportes.pdf

Glauco Rezende Ribeiro

É provavelmente uma das personagens mais importantes para compreender como a suposta fraude funcionava na prática.

É descrito como funcionário de confiança de Mário César e como elo entre o núcleo empresarial e os servidores públicos.

O material obtido a partir do celular da servidora Rosaine Aparecida Silva Oliveira, em Itumbiara, mostrou, segundo a investigação, que Glauco:

  • mantinha contato direto com servidoras;
  • fornecia orçamentos;
  • indicava empresas para a formação das cotações;
  • encaminhava documentos via WhatsApp;
  • orientava providências administrativas;
  • fornecia modelos de documentos;
  • atuava inclusive para corrigir posteriormente irregularidades detectadas pelo Controle Interno.

A decisão considera o ambiente digital elemento central da operacionalização do esquema. 

Processo César transportes.pdf

Paulo Fernandes Marçal Filho

É apresentado como personagem de dupla importância.

Era engenheiro mecânico da César Sistemas desde 8 de maio de 2013 e ocupava posição de confiança na empresa.

Ao mesmo tempo, aparece como sócio-administrador da DSI Containers e Equipamentos.

Apesar disso, representava a própria César em procedimentos públicos.

Dois exemplos são expressamente citados:

Contrato nº 136/2022 — Goinfra: Paulo assinou representando a César Sistemas.

Pregão nº 013/2024 — Goianira: atuou como representante legal da César e chegou a oferecer lances.

Para o MP, isso reforça a tese de que César e DSI não seriam concorrentes independentes. 

Processo César transportes.pdf


3. As três prisões preventivas

A Justiça decretou prisão preventiva de:

Mário César de Paiva
Glauco Rezende Ribeiro
Paulo Fernandes Marçal Filho

A magistrada considerou presentes os requisitos para a prisão preventiva, mencionando, entre outros fatores:

  • gravidade concreta;
  • preservação da ordem pública;
  • preservação da ordem econômica;
  • conveniência da instrução;
  • risco de interferência nas provas;
  • influência sobre agentes públicos;
  • possibilidade de destruição de documentos ou intimidação de testemunhas.

O Juízo destacou especificamente os contatos de Glauco com servidores municipais e o poder de representação empresarial exercido por Paulo Marçal. 


4. Os quatro agentes públicos afastados

A decisão determinou medida cautelar de afastamento em relação a:

Silvana Fernandes Matos Macedo
Carla de Deus Lima Lemes
Noé Raimundo de Araújo
Rogério Silva Urzeda

O pedido do GAEPP previa inicialmente 90 dias de afastamento

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Carla de Deus Lima Lemes — Itaberaí

Era secretária municipal de Educação de Itaberaí.

Segundo a investigação, teria participado da estruturação da Concorrência Pública nº 006/2023, com exigências consideradas restritivas à competição.

Entre elas estaria a exigência de que o licitante fosse fabricante dos módulos.

O MP atribui a ela, em tese, conduta relacionada ao artigo 337-F do Código Penal — frustração ou fraude ao caráter competitivo da licitação. 

Rogério Silva Urzeda — Abadia de Goiás

Era secretário municipal de Infraestrutura de Abadia de Goiás.

O processo aponta indícios relacionados:

  • ao superdimensionamento da demanda;
  • à inclusão de cláusulas direcionadoras;
  • e a valores muito superiores à capacidade econômico-financeira do município.

A suspeita apresentada pelo MP é particularmente relevante: o registro de preços teria sido dimensionado para permitir posteriormente que outros municípios aderissem à ata como “caronas”.

A imputação cautelar também é ligada ao art. 337-F. 

Processo César transportes.pdf

Noé Raimundo de Araújo — Goianésia

Era secretário municipal de Educação de Goianésia.

A decisão afirma que as diligências indicaram que ele teria:

admitido, possibilitado ou dado causa

à contratação direta da César Sistemas, mediante prévio alinhamento com representantes da empresa.

O resultado foi o Contrato nº 015/2025.

O Juízo reproduz a conclusão investigativa de que o procedimento teria sido “meramente aparente”, sem conteúdo administrativo efetivo suficiente para justificar a contratação. 

Processo César transportes.pdf

Silvana Fernandes Matos Macedo — Itumbiara

Era secretária municipal de Educação de Itumbiara.

A investigação associa sua atuação aos procedimentos relacionados às aquisições de módulos habitáveis do município.

Ela figura entre os quatro gestores para os quais o GAEPP sustentou existir risco decorrente da permanência no cargo, razão pela qual foi determinada a cautelar de afastamento. 

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5. A rede empresarial descrita pelo MP

A César Sistemas Construtivos Ltda. seria o núcleo beneficiário das contratações.

Ao redor dela aparecem cinco empresas consideradas pelo GAEPP integrantes do mesmo grupo econômico ou parceiras utilizadas na suposta engrenagem.

DSI Containers e Equipamentos Ltda.

CNPJ 28.119.062/0001-36.

Administrador: Paulo Fernandes Marçal Filho.

Segundo a investigação:

  • funcionava ligada às instalações da César;
  • utilizava funcionários da César;
  • compartilhava estrutura;
  • mantinha intensa movimentação financeira com a César.

Foram identificadas 79 transações financeiras entre César e DSI, entre setembro de 2020 e outubro de 2023.

Valor total:

R$ 6.321.290,38.

Esse é um dos principais elementos utilizados pelo MP para sustentar a existência de unidade econômica e operacional. 

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Prestaloc Indústria de Containers Ltda.

CNPJ 17.627.148/0001-53.

Registrada em nome de Antônio de Sousa Júnior.

Ele havia sido gerente de logística da César entre 2009 e 2011.

O processo registra ainda uma circunstância considerada suspeita: a partir de 2020 a empresa declarou não possuir empregados, apesar de apresentar movimentação financeira de aproximadamente:

R$ 665.156,43

entre agosto de 2020 e setembro de 2023.

Segundo o MP, a Prestaloc atuava com containers, mas não possuía estrutura compatível com a fabricação de determinados módulos habitáveis sobre os quais apresentava propostas. 

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Engeseg Estrutural Ltda.

CNPJ 10.424.514/0001-28.

Administrador citado:

Erick Cézar Marques de Almeida.

A investigação encontrou transferências periódicas da Engeseg para a César entre outubro de 2020 e abril de 2022.

Segundo depoimento de ex-funcionário, existiria relação próxima entre as empresas.

Embora a Engeseg atuasse com estruturas metálicas, o MP afirma que não atuava especificamente na produção dos módulos habitáveis, mas apresentou orçamentos utilizados em diversas cotações públicas. 

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Fleximedical Soluções em Saúde Ltda.

CNPJ 07.384.026/0001-20.

Administrador mencionado na decisão:

Silvio Roberto Perla.

Segundo os depoimentos, atuava como parceira da César no setor hospitalar e revendia produtos fabricados pela empresa.

Apesar disso, apresentou propostas em processos de Rio Verde e Itumbiara como se estivesse compondo pesquisa independente de preços.

Existe ainda um elemento bancário particularmente forte.

R$ 50 mil após contrato de Itumbiara

Em 17 de março de 2023, a César Sistemas transferiu:

R$ 50.000

para a Fleximedical.

A transferência aconteceu 15 dias depois da formalização do Contrato nº 024/2023 de Itumbiara.

A Fleximedical havia fornecido justamente uma das cotações utilizadas para justificar a contratação.

O MP considera a transferência uma possível contrapartida financeira pela colaboração na contratação. Isso ainda é uma inferência investigativa, não uma conclusão criminal definitiva. 

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DS Containers Ltda.

CNPJ 47.787.894/0001-75.

Administrador citado:

Douglas dos Santos Siena.

A empresa aparece em mapas de cotação e, segundo a descrição da divisão de funções constante da decisão, Douglas participaria da elaboração de cotações consideradas fictícias. 

Processo César transportes.pdf


6. Como o suposto esquema funcionaria

A investigação descreve essencialmente cinco etapas.

1. Formação artificial do preço

Empresas ligadas à César apresentariam propostas que seriam utilizadas como se fossem cotações independentes.

2. Mapa de cotação

Essas propostas passariam a justificar administrativamente determinado valor de mercado.

3. Edital direcionado

Especificações técnicas restritivas seriam introduzidas nos editais.

A decisão cita até a utilização de terminologia própria da César, como:

“Ambientes de Rápida Implantação — ARI”.

4. César vence ou surge adesão a ata

Depois de formada uma ata de registro de preços, outras prefeituras poderiam aderir a ela.

5. Contratação por preço superior ao paradigma

Os estudos técnicos do MP apontaram sobrepreços que, nos casos examinados, variaram entre:

31,9% e 59,26%. 

Processo César transportes.pdf


7. ITUMBIARA — um dos casos mais documentados

Contrato nº 016/2022

Valor:

R$ 1.202.000

O município aderiu a uma ata originária do Pregão nº 047/2021 de Rio Verde.

Um primeiro mapa de cotação continha orçamento da própria empresa que seria contratada.

Depois que o Controle Interno identificou o problema, ocorreu algo particularmente relevante.

Foi produzido novo mapa de cotação depois da assinatura do contrato.

Passaram a constar propostas de:

  • DSI;
  • Prestaloc;
  • Engeseg.

Segundo o espelhamento do celular de Rosaine, Glauco teria fornecido as empresas e os orçamentos.

Em mensagem de 9 de fevereiro de 2022, Rosaine tratava da necessidade de obter outro orçamento com a mesma data dos anteriores.

Em 11 de fevereiro, Glauco comunicou que havia enviado o documento via WhatsApp para Katiene Franco Lopes Pinto.

A Engeseg teria apresentado uma proposta com data retroativa.

Sobrepreço:

59,26%.

Dano estimado:

R$ 387.369. 

Processo César transportes.pdf

Esse episódio é possivelmente uma das evidências documentais mais fortes de manipulação da fase interna.


8. Pregão nº 069/2022 — Itumbiara

Objeto:

implantação de 59 salas de aula.

Três empresas participaram.

As concorrentes apresentaram recursos apontando irregularidades e o próprio município acabou anulando a licitação.

Depois da anulação, entretanto, Itumbiara optou por aderir a outra ata — justamente uma em que a César Sistemas era vencedora.

Para justificar a vantajosidade, apareceram cotações de:

  • DSI;
  • Fleximedical;
  • Engeseg.

Segundo o MP, os documentos também chegaram por intermédio de Glauco.


9. Contrato nº 024/2023 — Itumbiara

Valor:

R$ 3.960.833,50.

Foram usadas novamente cotações atribuídas a:

  • DSI;
  • Fleximedical;
  • Engeseg.

O espelhamento do telefone de Rosaine indicou que Glauco forneceu as propostas.

Sobrepreço:

43,8%.

Possível dano:

R$ 1.121.733.

E é justamente quinze dias depois desse contrato que aparece a transferência de R$ 50 mil da César para a Fleximedical

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10. GOINFRA — Contrato nº 136/2022

A Agência Goiana de Infraestrutura e Transportes aderiu à ata de Rio Verde.

Valor original:

R$ 2.788.628,80.

Depois houve aditivo de:

R$ 673.422,40.

Valor final:

R$ 3.462.051,20.

Segundo a investigação, as especificações foram substancialmente alteradas sem nova pesquisa prévia de preços.

Sobrepreço apontado:

51,3%.

Possível dano:

R$ 1.176.263.

As cotações usadas para sustentar a contratação incluíam Prestaloc e Engeseg. 

Processo César transportes.pdf


11. RIO VERDE — a ata que espalhou contratos pelo Estado

O Pregão Eletrônico nº 047/2021, de Rio Verde, ocupa posição central.

O MP aponta que sua fase interna recebeu propostas de Prestaloc e Engeseg.

A investigação afirma que as especificações técnicas eram restritivas e favoreceriam a César.

Depois que a empresa venceu, a ata passou a ser utilizada para adesões de vários entes.

São mencionados:

Uruaçu
Inhumas
Luziânia
Goianésia
Rio Quente
Itumbiara
Goinfra

O estudo técnico citado na decisão encontrou no preço registrado:

54,5% de sobrepreço.

Possível prejuízo relacionado às adesões analisadas:

R$ 8.356.472. 

Processo César transportes.pdf

Aqui aparece ainda Leandro Vinícius Carmo dos Santos, servidor apontado como responsável pela obtenção de cotações em Rio Verde.

Segundo a imputação reproduzida na decisão, teria solicitado/inserido orçamentos provenientes de empresas vinculadas ao grupo investigado na formação da pesquisa de preços. 

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12. ITABERAÍ

A investigação examinou aquisição de módulos para a rede municipal.

Valor adjudicado indicado em um dos procedimentos:

R$ 1.525.660.

Sobrepreço:

42,2%.

Possível dano:

R$ 453.123.

O procedimento contou com apenas duas licitantes, segundo a decisão, depois da inclusão de especificações consideradas restritivas.

Carla de Deus Lima Lemes aparece diretamente associada à investigação local.


13. GOIANIRA

Pregão Eletrônico nº 013/2024.

Valor adjudicado à César:

R$ 6.529.200.

Sobrepreço:

41,4%.

Possível dano:

R$ 1.918.436.

Participaram quatro licitantes.

Paulo Fernandes Marçal Filho representou a César e apresentou lances.

As cotações da fase interna incluíram empresas que o MP relaciona ao grupo:

Engeseg e DS Containers.


14. ABADIA DE GOIÁS

Concorrência nº 001/2025.

O processo registra um elemento particularmente expressivo:

apenas uma empresa participou da sessão — a César Sistemas.

Valor:

R$ 13.533.245,50.

Sobrepreço:

31,9%.

Possível dano:

R$ 3.277.640.

As cotações haviam sido atribuídas à Engeseg e DS Containers.

A investigação sustenta que as exigências do edital eram tão específicas que, na prática, restringiam drasticamente a competição.

Posteriormente, Goianésia aderiu à ata resultante desse procedimento. 

Processo César transportes.pdf


15. GOIANÉSIA

Contrato nº 015/2025.

O ponto central não é apenas a adesão.

A decisão afirma existir indício de prévio alinhamento entre Noé Raimundo de Araújo e representantes da César Sistemas.

O procedimento de pesquisa de preços teria funcionado apenas formalmente, sem efetiva competição ou pesquisa substancial.

Isso transforma Goianésia em outra frente importante para aprofundamento jornalístico. 

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16. Servidores e pessoas que aparecem como peças probatórias

Além dos presos e afastados, o documento menciona diversas pessoas.

Rosaine Aparecida Silva Oliveira

Servidora de Itumbiara.

Seu telefone foi entregue voluntariamente para espelhamento.

As mensagens recuperadas tornaram-se uma das principais fontes de comprovação da relação entre servidores e Glauco.

Katiene Franco Lopes Pinto

Aparece em mensagem na qual Glauco informa ter enviado orçamento via WhatsApp.

Dione José de Araújo

Prefeito de Itumbiara à época do Contrato nº 016/2022.

O contrato de R$ 1,202 milhão foi firmado pelo município representado por ele e pela César representada por Fernando Aquino de Oliveira.

A mera assinatura ou menção no documento, entretanto, não significa que o processo atribua a todos os signatários participação criminosa. É importante fazer essa distinção em matéria jornalística.

Adriano Soares da Costa Brito

Ex-engenheiro mecânico da César.

Prestou depoimento importante sobre:

  • relação César/DSI;
  • Paulo Marçal;
  • compartilhamento de estrutura;
  • negócios envolvendo containers;
  • relação César/Engeseg;
  • relação César/Fleximedical.

Mateus Fernandes Carvalho

Ex-colaborador da César.

Confirmou, segundo a decisão, a parceria comercial César/Fleximedical.

Antônio de Sousa Júnior

Administrador da Prestaloc e ex-gerente de logística da César.

Erick Cézar Marques de Almeida

Sócio/administrador da Engeseg e responsável por propostas utilizadas nas cotações.

Douglas dos Santos Siena

Administrador da DS Containers.

O processo o coloca dentro da divisão funcional relacionada à elaboração de mapas de cotação.

Silvio Roberto Perla

Apontado como dirigente da Fleximedical.

Fernando Aquino de Oliveira

Aparece como representante da César em contrato de Itumbiara.


17. As provas são de várias naturezas

O processo não está baseado apenas em “suspeitas de preço alto”.

Existem pelo menos seis linhas de evidência descritas na decisão:

  1. documentação das licitações;
  2. comparação técnica de preços;
  3. mensagens de WhatsApp;
  4. dados bancários;
  5. depoimentos de ex-funcionários e servidores;
  6. diligências físicas nas empresas e análise de suas estruturas.

Além disso, o GAEPP pediu e a decisão analisou medidas de:

  • busca e apreensão;
  • quebra de sigilo telefônico;
  • quebra de sigilo telemático;
  • interceptações;
  • quebra de sigilo bancário;
  • quebra fiscal;
  • compartilhamento de provas. 

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Foram determinados mandados de busca em residências, empresas e órgãos públicos, visando recolher computadores, celulares, contratos, notas fiscais, HDs, pen drives e outros dispositivos.


18. O dado bancário de R$ 6,3 milhões merece atenção especial

As 79 operações entre César e DSI, totalizando mais de:

R$ 6,321 milhões

são particularmente importantes porque uma das teses do MP depende justamente de demonstrar que empresas apresentadas como fontes distintas de preços não seriam economicamente independentes.

Somadas a:

  • mesmo ambiente operacional;
  • uso de empregados da César;
  • Paulo Marçal ligado às duas estruturas;
  • utilização da DSI em mapas de cotação;

essas transferências constituem uma das linhas mais consistentes do raciocínio investigativo. 

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19. O potencial prejuízo mínimo

A própria decisão sintetiza:

R$ 14.851.240,31

em potencial prejuízo ao erário.

O cálculo envolve o recorte investigado em:

Rio Verde
Itumbiara
Itaberaí
Goianira
Abadia de Goiás

e adesões realizadas por:

Uruaçu
Inhumas
Luziânia
Goianésia
Rio Quente.

Por isso, chamar os R$ 14,85 milhões de “valor total do esquema” seria tecnicamente incorreto.

O correto é:

prejuízo mínimo estimado no recorte analisado pela investigação.

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20. O que considero as sete maiores revelações do processo

Depois de cruzar os diferentes capítulos, estas são as descobertas com maior peso jornalístico:

Primeira: a César acumulou R$ 273,2 milhões em empenhos entre 2015 e 2025, muito além dos R$ 14,8 milhões de dano atualmente apurado.

Segunda: empresas utilizadas para compor pesquisas de preços possuíam relações empresariais, pessoais ou financeiras com a beneficiária dos contratos.

Terceira: foram identificadas 79 transferências César–DSI, somando R$ 6,32 milhões.

Quarta: em Itumbiara, um novo mapa de cotação teria sido produzido depois de o contrato já estar assinado, inclusive com proposta retrodatada.

Quinta: mensagens recuperadas mostram Glauco fornecendo cotações e orientando servidores na preparação da documentação.

Sexta: a César transferiu R$ 50 mil à Fleximedical 15 dias após um contrato em que a Fleximedical havia participado justamente da pesquisa de preços.

Sétima: o MP não descreve casos isolados; descreve um método replicado em vários municípios, no qual uma ata de registro de preços poderia servir de plataforma para sucessivas adesões.


21. A hipótese investigativa central

A leitura integral permite enxergar algo que a nota pública da operação não explica suficientemente.

A tese do GAEPP é que o verdadeiro produto da suposta organização não era simplesmente a fabricação de salas modulares.

Seria uma engrenagem de contratação pública:

empresa principal → empresas de cotação → pesquisa de preços → edital direcionado → ata → adesões → contratação → sobrepreço.

Se essa tese for comprovada ao final da ação penal, trata-se de uma estrutura com capacidade de reprodução em escala estadual, porque uma única licitação originária poderia alimentar diversas contratações posteriores por adesão.

E isso explica por que o processo menciona simultaneamente ordem pública, ordem econômica, influência sobre servidores e risco à instrução para justificar as medidas mais severas contra o núcleo empresarial.