sábado, 31 de outubro de 2026

ESCÂNDALO MILIONÁRIO: FAMÍLIA ACUSA EMPRESÁRIO DE VENDER FAZENDA DE 5,8 MIL HECTARES COM ASSINATURAS FALSAS; JUSTIÇA DETERMINA MEDIDA PARA IMPEDIR NOVA VENDA

Negociação de R$ 35,5 milhões, procuração contestada por quatro herdeiros e reconhecimento de dívida de R$ 41 milhões colocam empresário e holding do agronegócio no centro de uma disputa judicial em Mato Grosso. Propriedades oferecidas como garantia também teriam sido transferidas a terceiros.

Uma denúncia envolvendo uma propriedade rural de aproximadamente 5.800 hectares, negociações milionárias e suspeitas de falsificação de documentos está sendo discutida na Justiça de São Paulo e de Mato Grosso.

No centro da controvérsia está o empresário Matheus Furia Buzetti, ligado à Trust Agro Company Holding, acusado pela família Spinola Cunha de negociar a Fazenda Camila, localizada em Pontal do Araguaia (MT), utilizando uma procuração que os herdeiros afirmam jamais ter assinado.

O caso envolve uma venda de R$ 35,5 milhões, uma dívida posteriormente reconhecida de R$ 41 milhões e questionamentos sobre a transferência de propriedades rurais oferecidas como garantia de pagamento.

A gravidade das alegações levou a disputa ao Judiciário, que, segundo informações publicadas pela imprensa regional, determinou uma medida cautelar destinada a impedir novas negociações envolvendo a fazenda.

NEGÓCIO COMEÇOU COM VENDA DE METADE DA FAZENDA POR R$ 15 MILHÕES

A origem da disputa remonta a outubro de 2020, quando a família Spinola Cunha firmou compromisso de venda de metade da Fazenda Camila por R$ 15 milhões.

A negociação envolvia uma empresa então denominada M2W Properties, vinculada a Matheus Furia Buzetti.

Segundo os herdeiros, o pagamento contratado nunca foi integralmente realizado.

Entretanto, aproximadamente cinco meses depois, a Trust Agro teria negociado a propriedade inteira com um casal de Barra do Garças, em Mato Grosso, por R$ 35,5 milhões.

A situação levanta uma questão central: como uma empresa que havia negociado apenas metade de uma propriedade, sem quitar integralmente o negócio original, conseguiu participar da venda da fazenda inteira?

A resposta depende da validade dos documentos utilizados para formalizar a transação.

PROCURAÇÃO CONTESTADA E QUATRO ASSINATURAS SOB SUSPEITA

A escritura definitiva da venda foi lavrada em maio de 2021.

Para concretizar a operação, teria sido utilizada uma procuração supostamente assinada pelos quatro herdeiros em um cartório localizado no interior de Minas Gerais.

A família afirma que jamais assinou o documento.

Um laudo grafotécnico particular, contratado pelos proprietários, teria concluído que nenhuma das quatro assinaturas examinadas era autêntica.

Há ainda uma inconsistência relatada na documentação: o nome de uma das proprietárias, Gorete, teria sido registrado incorretamente como “Goerete”.

Outro aspecto que merece esclarecimento é a sequência dos atos cartorários, uma vez que a procuração teria sido formalizada no mesmo dia da escritura, em localidades separadas por centenas de quilômetros.

Essas circunstâncias reforçam a necessidade de investigação sobre a origem da procuração, a identificação dos signatários e os procedimentos adotados pelos cartórios.

É importante destacar que o laudo mencionado foi contratado pela família e que a alegada falsificação ainda depende de confirmação definitiva pelas autoridades competentes.

FAMÍLIA DESCOBRIU A VENDA QUASE QUATRO ANOS DEPOIS

Segundo as informações divulgadas, os herdeiros somente descobriram a negociação em abril de 2025.

A descoberta ocorreu quase quatro anos depois da lavratura da escritura.

Diante da situação, a família registrou boletim de ocorrência e iniciou medidas judiciais para tentar recuperar a propriedade.

O caso também passou a ser investigado na esfera criminal em São Paulo.

A controvérsia ultrapassa uma simples discussão contratual, pois envolve a autenticidade de documentos públicos e particulares utilizados para transferir direitos sobre uma propriedade rural de grande extensão.

EMPRESA RECONHECEU DÍVIDA DE R$ 41 MILHÕES

Outro episódio chama atenção.

Em julho de 2025, após a descoberta da negociação contestada, a Trust Agro teria reconhecido, por escritura pública, uma dívida de R$ 41 milhões com a família.

Para garantir o pagamento, foram oferecidas três fazendas localizadas no município de Comodoro, em Mato Grosso.

Entretanto, segundo os herdeiros, nenhuma parcela foi quitada.

A situação se agravou quando registros imobiliários indicaram que, em fevereiro de 2026, as propriedades oferecidas como garantia haviam sido vendidas ou transferidas em pagamento a terceiros ligados à cidade de Jales, em São Paulo.

A operação levanta novos questionamentos.

Qual era a situação jurídica das fazendas no momento em que foram oferecidas como garantia? As transferências posteriores respeitaram os direitos dos credores? Os compradores tinham conhecimento das obrigações assumidas anteriormente?

Essas questões deverão ser esclarecidas por meio da análise das matrículas imobiliárias, escrituras e decisões judiciais.

PAI DO EMPRESÁRIO TAMBÉM APARECE EM NEGOCIAÇÕES

O nome de Benedito Aparecido Buzetti, pai de Matheus Furia Buzetti, aparece relacionado à aquisição de duas das propriedades posteriormente oferecidas como garantia.

Segundo as reportagens, Benedito atuou como procurador do filho em operações imobiliárias realizadas em 2025.

Conhecido pela atuação no mercado de imóveis rurais, Benedito possui histórico empresarial ligado ao agronegócio.

Sua participação documental nessas negociações não significa, por si só, envolvimento em qualquer irregularidade.

Entretanto, a sequência de operações envolvendo familiares, empresas e propriedades de alto valor torna relevante o exame dos instrumentos de representação e das transferências patrimoniais.

JUSTIÇA DETERMINA MEDIDA CAUTELAR SOBRE A FAZENDA

A família Spinola Cunha ingressou com ações judiciais para questionar os negócios realizados.

Uma delas tramita na 6ª Vara Cível de São José do Rio Preto, sob o número 4038836-84.2026.8.26.0576.

Outra tramita na 8ª Vara Federal Cível de Mato Grosso, sob o número 1043019-30.2026.4.01.3600.

Na ação paulista, os herdeiros buscam a rescisão do contrato original, indenização e medidas de proteção patrimonial.

Na Justiça Federal, pretendem anular a venda e questionar hipotecas constituídas sobre a fazenda em favor da Caixa Econômica Federal e do Bradesco.

Conforme noticiado, em 19 de outubro de 2026, o juiz Sergio Martins Barbatto Junior, da 6ª Vara Cível de São José do Rio Preto, determinou medida cautelar sobre as matrículas da Fazenda Camila para evitar novas alienações.

A decisão representa uma providência de proteção patrimonial durante a tramitação do processo, sem constituir julgamento definitivo sobre a ocorrência de fraude.

EMPRESA TAMBÉM ENFRENTA OUTRAS DISPUTAS JUDICIAIS

A Trust Agro Company Holding e Matheus Furia Buzetti aparecem em outros processos judiciais envolvendo obrigações financeiras e negociações imobiliárias.

Consultas a registros processuais públicos também identificam ações de cobrança, execuções e litígios contratuais.

Entre os casos noticiados está uma execução promovida pelo Bradesco, na qual a instituição financeira questiona operações patrimoniais que considera potencialmente prejudiciais à satisfação de créditos.

A existência dessas ações não comprova irregularidades nos negócios discutidos, mas demonstra que a situação patrimonial e contratual das empresas merece acompanhamento.

O QUE AINDA PRECISA SER ESCLARECIDO

A investigação sobre a Fazenda Camila apresenta pontos que exigem respostas documentadas.

O primeiro é a autenticidade da procuração utilizada na venda.

O segundo envolve a responsabilidade dos participantes na elaboração, conferência e utilização dos documentos.

O terceiro diz respeito à destinação dos recursos da negociação de R$ 35,5 milhões.

O quarto está relacionado ao reconhecimento da dívida de R$ 41 milhões e à efetividade das garantias oferecidas.

Por último, é necessário esclarecer como foram constituídas as hipotecas bancárias e se houve observância das exigências legais para utilização do imóvel como garantia.

As respostas poderão definir não apenas o destino da Fazenda Camila, mas também eventuais responsabilidades civis e criminais.

UM ALERTA SOBRE A SEGURANÇA DAS TRANSAÇÕES RURAIS

O episódio expõe os riscos que podem surgir quando negócios imobiliários milionários dependem de procurações cuja autenticidade é posteriormente contestada.

No mercado de terras, escrituras, matrículas, registros e instrumentos de representação constituem a base da segurança jurídica.

Quando a validade desses documentos é questionada, as consequências podem atingir proprietários, compradores, empresas e instituições financeiras.

Uma propriedade de 5.800 hectares, uma venda de R$ 35,5 milhões, quatro assinaturas contestadas e uma dívida reconhecida de R$ 41 milhões formam o conjunto de fatos e alegações que a Justiça terá de examinar.

Até o momento, não há informação confirmada de condenação criminal dos envolvidos nesse episódio.

As reportagens consultadas informavam que os réus ainda não haviam apresentado defesa nos processos mencionados. O Blog do Cleuber Carlos ressalta que todos os citados têm direito ao contraditório e à ampla defesa.

O caso permanece sob disputa judicial, e a apuração deverá avançar sobre a documentação cartorária, as operações bancárias e o histórico das transferências imobiliárias.

DENÚNCIA: BLOG DO CLEUBER CARLOS RECEBE INFORMAÇÕES SOBRE SUPOSTA ARTICULAÇÃO POLÍTICA PARA ATACAR JORNALISTA APÓS REVELAÇÕES QUE ATINGEM O MDB EM GOIÁS

Informações recebidas pela reportagem apontam possível mobilização de veículos de comunicação e prefeitos para tentar descredibilizar o jornalista Cleuber Carlos. Suspeita surge em meio ao avanço dos questionamentos do Ministério Público Eleitoral sobre a filiação de Carol do Hamilton Filho, deputada estadual eleita com 109.002 votos.

O Blog do Cleuber Carlos recebeu informações sobre uma suposta articulação política destinada a promover ataques à credibilidade do jornalista Cleuber Carlos e de seu veículo de comunicação, após a publicação de uma série de reportagens investigativas envolvendo a situação eleitoral de Carol do Hamilton Filho, do MDB.

Segundo os relatos encaminhados ao blog, integrantes da base política governista estariam discutindo uma estratégia para mobilizar veículos de comunicação alinhados a administrações públicas, inclusive aqueles que recebem recursos de publicidade institucional, com o objetivo de desacreditar as denúncias publicadas.

As informações mencionam a participação de prefeitos e interlocutores políticos nessa possível mobilização.

A reportagem ressalta que a existência de uma determinação formal para atacar o jornalista ainda não foi comprovada documentalmente. As informações recebidas estão sendo tratadas como denúncia a ser investigada.

ENCONTROS NO PALÁCIO DAS ESMERALDAS ENTRAM NO CENTRO DOS QUESTIONAMENTOS

A denúncia surge durante o período em que o presidente da Assembleia Legislativa, Bruno Peixoto, exerce interinamente o Governo de Goiás, em razão do afastamento temporário do governador Daniel Vilela.

A programação divulgada pela imprensa inclui encontros políticos e compromissos no Palácio das Esmeraldas.

Uma das informações recebidas pelo blog menciona uma reunião com prefeitos, supostamente realizada na sexta-feira, 30 de outubro, durante a qual teria sido discutida uma estratégia de reação às reportagens.

Até o momento, entretanto, não foi possível confirmar a realização desse encontro específico, sua lista de participantes ou a discussão da suposta estratégia. A programação pública conhecida não comprova que o assunto tenha sido tratado no Palácio.

CASO CAROL DO HAMILTON FILHO ESTÁ NO CENTRO DA CONTROVÉRSIA

A possível ofensiva ocorre em meio à repercussão das investigações jornalísticas sobre a filiação partidária de Carol do Hamilton Filho.

Eleita com 109.002 votos, Carol tornou-se a deputada estadual mais votada de Goiás nas eleições de 2026.

O Blog do Cleuber Carlos publicou documentos e informações sobre questionamentos envolvendo a comprovação de sua filiação ao MDB dentro do prazo exigido pela legislação eleitoral.

A gravidade da controvérsia foi reforçada por parecer do Ministério Público Eleitoral, assinado em 22 de outubro, que apontou indícios de possíveis irregularidades documentais e solicitou investigação pela Polícia Federal.

O Ministério Público questionou atas partidárias, documentos apresentados para comprovar a filiação e alterações em publicações jornalísticas utilizadas no processo.

O registro de candidatura de Carol foi deferido pelo Tribunal Regional Eleitoral de Goiás, mas a discussão sobre a filiação permanece judicializada. Os indícios apontados pelo Ministério Público não equivalem à comprovação definitiva de fraude.

O MDB, por sua vez, sustenta a regularidade da filiação.

MDB PODE ENFRENTAR CONSEQUÊNCIAS NA COMPOSIÇÃO DA ASSEMBLEIA

O caso ultrapassa a situação individual da deputada eleita.

Uma eventual decisão judicial definitiva que comprometa a validade de sua candidatura poderá produzir consequências sobre a distribuição das cadeiras na Assembleia Legislativa de Goiás.

Simulações eleitorais realizadas pelo Blog do Cleuber Carlos levantaram a hipótese de alteração de até duas vagas atualmente atribuídas ao MDB, dependendo dos efeitos jurídicos de uma eventual decisão e do recálculo dos votos.

Trata-se de um cenário hipotético, e não de uma perda de mandatos já determinada pela Justiça Eleitoral.

É nesse contexto de repercussão política que surgem as informações sobre uma possível tentativa de descredibilização do jornalista responsável pelas reportagens.

PUBLICIDADE PÚBLICA NÃO PODE SER INSTRUMENTO DE PERSEGUIÇÃO

Um dos aspectos mais preocupantes da denúncia envolve a possível utilização de veículos de comunicação que mantêm contratos de publicidade com prefeituras ou outros órgãos públicos.

Receber publicidade institucional não constitui irregularidade. O problema surgiria caso recursos públicos fossem utilizados, direta ou indiretamente, para financiar ataques pessoais ou campanhas de intimidação contra profissionais da imprensa.

Se comprovada, uma articulação dessa natureza exigiria apuração sobre eventual desvio de finalidade, abuso de poder e uso indevido da estrutura pública.

O dinheiro do contribuinte deve financiar comunicação institucional legítima, jamais perseguição a jornalistas.

JORNALISMO NÃO PODE SER SILENCIADO POR INTERESSES POLÍTICOS

O Blog do Cleuber Carlos reafirma que suas reportagens sobre o caso Carol do Hamilton Filho estão fundamentadas em documentos, manifestações do Ministério Público Eleitoral e decisões judiciais.

O veículo não reivindica imunidade à crítica. Questionamentos, contestações e pedidos de correção fazem parte do debate público e do exercício democrático da liberdade de expressão.

Entretanto, existe uma diferença fundamental entre contestar uma reportagem com documentos e argumentos e organizar uma campanha de ataques pessoais para intimidar o profissional responsável pela investigação.

A Constituição Federal assegura a liberdade de expressão e de informação jornalística, protegendo a atividade da imprensa contra mecanismos de censura e intimidação.

O Blog do Cleuber Carlos não deixará de publicar documentos, investigar contratos públicos, acompanhar processos eleitorais ou fiscalizar autoridades em razão de possíveis pressões políticas.

A DENÚNCIA EXIGE ESCLARECIMENTOS

Diante das informações recebidas, há questões que precisam ser esclarecidas:

  • Houve reunião de prefeitos no Palácio das Esmeraldas em 30 de outubro para discutir a repercussão das reportagens?
  • Alguma autoridade ou liderança partidária recomendou a utilização de veículos de comunicação para atacar o jornalista Cleuber Carlos?
  • Foram realizados contatos com empresas de comunicação que recebem publicidade de órgãos públicos?
  • Houve promessa, condicionamento ou utilização de recursos públicos para estimular ataques à credibilidade do blog?

As perguntas não representam conclusões antecipadas. São pontos que deverão ser objeto de apuração e sobre os quais os citados têm direito de se manifestar.

NOSSA RESPOSTA SERÁ COM DOCUMENTOS, INVESTIGAÇÃO E JORNALISMO

O Blog do Cleuber Carlos continuará acompanhando o processo de filiação partidária de Carol do Hamilton Filho e as consequências jurídicas que eventualmente possam decorrer das decisões da Justiça Eleitoral.

Também buscará identificar se existe fundamento concreto para as informações recebidas sobre a suposta articulação contra o veículo.

O jornalista Cleuber Carlos não está acima da crítica. Mas nenhum jornalista deve ser transformado em alvo de uma campanha financiada ou estimulada pelo poder público simplesmente porque suas reportagens contrariam interesses políticos.

A resposta do Blog do Cleuber Carlos a qualquer tentativa de intimidação será continuar investigando, documentando e publicando.

Porque o papel da imprensa não é proteger governos, partidos ou autoridades. É fiscalizar o poder e informar a sociedade.

Blog do Cleuber Carlos — Jornalismo independente.


sexta-feira, 30 de outubro de 2026

BOMBA: CAROL DO AMILTON FILHO ADMITE AUSÊNCIA DE FILIAÇÃO NO SISTEMA OFICIAL E COLOCA RESPONSABILIDADE NO MDB; MINISTÉRIO PÚBLICO APONTA INDÍCIOS DE FRAUDE

Deputada estadual eleita reconhece que seu nome não estava regularmente registrado na Justiça Eleitoral e atribui a situação a uma falha do próprio partido. Entretanto, o Ministério Público questiona a existência de provas confiáveis de que a filiação tenha ocorrido dentro do prazo legal e pede investigação da Polícia Federal.

Uma declaração de Carol do amilton Filho, deputada estadual eleita pelo MDB, coloca novamente sob questionamento a regularidade de sua candidatura à Assembleia Legislativa de Goiás.

Ao atribuir a uma falha administrativa do próprio partido a ausência de seu nome no sistema oficial de filiações da Justiça Eleitoral, Carol reconhece um fato central da controvérsia: sua filiação não estava regularmente registrada no sistema FILIA dentro do prazo exigido para disputar as eleições de 2026.

A explicação, apresentada pela própria candidata no processo judicial e reproduzida pelo Anápolis Diário, levanta uma pergunta decisiva: se Carol realmente estava filiada ao MDB desde 17 de novembro de 2025, onde estão as provas independentes capazes de confirmar essa condição?

A resposta tornou-se ainda mais importante depois que o Ministério Público Eleitoral identificou indícios de falsidade material e ideológica em documentos utilizados para sustentar a alegada filiação.

NÃO BASTA CULPAR O PARTIDO

A legislação eleitoral estabelece que a filiação partidária deve ocorrer pelo menos seis meses antes da eleição. Em 2026, o prazo terminou em 4 de abril.

Carol afirma que assinou sua ficha em novembro de 2025, mas que o MDB de Anápolis não realizou o lançamento no sistema da Justiça Eleitoral.

O diretório municipal confirmou sua versão.

Entretanto, o reconhecimento do partido não encerra a discussão.

A Súmula nº 20 do Tribunal Superior Eleitoral admite a comprovação da filiação por outros elementos, mas impede que documentos produzidos unilateralmente e sem fé pública sejam considerados suficientes por si mesmos.

É exatamente nesse ponto que a justificativa apresentada por Carol encontra seu maior obstáculo.

MINISTÉRIO PÚBLICO NÃO ENCONTROU A ATA DA SUPOSTA FILIAÇÃO

Em parecer assinado em 22 de outubro, o promotor eleitoral Lucas Danilo Vaz Costa Júnior informou que não encontrou, no livro original de atas do MDB de Anápolis, o registro da reunião de novembro de 2025 na qual Carol afirma ter formalizado sua filiação.

Também não foram apresentados, segundo o Ministério Público, elementos independentes suficientes para confirmar a realização daquela reunião.

A situação se agravou com a análise de outra ata, datada de setembro de 2026.

O promotor identificou uma página colada no livro original, diferenças de formatação, sinais de possível substituição de folhas e ausência da assinatura do presidente municipal do MDB.

O documento estava assinado pelo tesoureiro Vanderley Cezario de Lima, que também aparece em outros documentos utilizados para sustentar a filiação.

Para o Ministério Público, essas circunstâncias constituem indícios de possível fraude documental.

REPORTAGENS ALTERADAS ENTRARAM COMO PROVAS

Outro ponto especialmente grave envolve publicações jornalísticas apresentadas para demonstrar que Carol já participava das atividades do MDB antes da eleição.

Segundo o parecer, uma reportagem relacionada a uma solenidade realizada em março de 2025 foi apresentada com referência a março de 2026.

A Promotoria também identificou que a página havia sido modificada em 29 de setembro de 2026, três dias após a morte do deputado Amilton Filho.

Outra publicação, originalmente datada de maio, teria recebido alterações em 6 de outubro, dois dias depois da eleição e na véspera do julgamento do registro de candidatura.

O Ministério Público questiona se essas modificações foram utilizadas para produzir uma aparência de comprovação anterior do vínculo partidário.

A autoria e a finalidade das alterações, entretanto, ainda dependem de apuração.

UMA LIMINAR NÃO É COMPROVAÇÃO DEFINITIVA

Em 22 de outubro, o Tribunal Regional Eleitoral de Goiás manteve o registro da candidatura de Carol, considerando a existência de uma decisão liminar que reconhecia provisoriamente sua filiação ao MDB.

Mas existe uma diferença fundamental entre manter uma candidatura com base em uma decisão provisória e reconhecer definitivamente que todos os requisitos legais foram cumpridos.

A liminar não encerrou o processo de filiação, no qual o Ministério Público pede justamente sua revogação.

O promotor também solicitou a exclusão do registro provisório no FILIA e a remessa dos autos à Polícia Federal para investigação de possíveis crimes eleitorais.

A PERGUNTA QUE A JUSTIÇA PRECISA RESPONDER

A controvérsia não se resume mais a uma simples falha de cadastro.

A própria versão de Carol confirma que seu nome não estava regularmente lançado no sistema oficial no prazo legal. Isso, isoladamente, não constitui confissão de ausência de filiação, mas torna indispensável demonstrar que o vínculo partidário realmente existia antes de 4 de abril.

O problema é que justamente os documentos apresentados para comprovar essa condição passaram a ser questionados pelo Ministério Público.

Se a filiação não for definitivamente reconhecida, a situação poderá repercutir sobre a candidatura e a validade dos votos recebidos, conforme as decisões judiciais e os recursos cabíveis.

A pergunta central é inevitável: Carol do Hamilton Filho efetivamente se filiou ao MDB dentro do prazo legal ou sua candidatura foi sustentada por documentos incapazes de comprovar essa condição?

O Ministério Público já apresentou sua conclusão: considera insuficientes as provas e aponta fortes indícios de falsidade documental.

Cabe agora à Justiça Eleitoral decidir.

Até uma decisão definitiva, Carol permanece amparada pelas decisões judiciais vigentes, e as suspeitas não constituem prova conclusiva de fraude ou responsabilidade criminal.

O Blog do Cleuber Carlos continuará acompanhando o processo, porque a autenticidade dos documentos apresentados à Justiça Eleitoral e o cumprimento das condições de elegibilidade são questões de interesse público que exigem esclarecimento.