Goiás lidera alta de feminicídios no Brasil com aumento de 113% em 2026
Estado contabilizou 47 mulheres assassinadas no primeiro semestre, contra 22 no mesmo período de 2025. Enquanto o Brasil registra queda de 2,5%, Goiás segue na contramão e acende alerta sobre a escalada da violência de gênero.
Os números são alarmantes e colocam Goiás no centro de uma das maiores preocupações da segurança pública brasileira. O estado registrou 47 feminicídios entre janeiro e junho de 2026, contra 22 casos no mesmo período de 2025, um crescimento de 113,6%, o maior aumento percentual do país.
O dado integra o Monitoramento Nacional da Violência contra a Mulher, elaborado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública em conjunto com o Ministério das Mulheres, com base nas informações do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp).
O cenário é ainda mais preocupante porque ocorre na contramão da tendência nacional. Enquanto Goiás mais que dobrou o número de vítimas, o Brasil registrou queda de 2,5% nos feminicídios no primeiro semestre de 2026, passando de 760 para 741 casos.
Os sinais de agravamento já apareciam desde o início do ano. Apenas entre janeiro e março, Goiás contabilizou 29 feminicídios, contra 18 registrados no primeiro trimestre de 2025, alta de 61%.
O avanço dos assassinatos de mulheres também reforça um problema que já vinha sendo identificado pela própria Secretaria de Segurança Pública de Goiás. O Plano Estadual de Segurança Pública para o Combate à Violência contra a Mulher 2026–2035 mostra que o feminicídio consumado cresceu de 44 casos em 2020 para 59 em 2025, enquanto as tentativas passaram de 129 para 213 no mesmo período, evidenciando uma tendência de agravamento da violência letal contra mulheres.
Diante do crescimento dos casos, o Governo de Goiás aprovou neste ano uma lei que determina que agressores possam ser obrigados a custear equipamentos de monitoramento eletrônico utilizados em situações determinadas pela Justiça. Além disso, o Estado lançou novas ações de prevenção, como a plataforma de inteligência artificial Sentinela Violeta e a ampliação da Operação Mulheres, voltada ao cumprimento de mandados, fiscalização de medidas protetivas e atendimento às vítimas.
Apesar das iniciativas, os números mostram que o desafio permanece. Especialistas apontam que o enfrentamento ao feminicídio exige mais do que endurecimento das penas. A prevenção depende da identificação precoce dos ciclos de violência, da efetividade das medidas protetivas, da atuação integrada das instituições e da mudança de padrões culturais que alimentam a violência de gênero.
O crescimento de 113% nos feminicídios coloca Goiás diante de um desafio urgente: transformar estatísticas em políticas públicas capazes de impedir que novas mulheres entrem para essa contagem. Porque, por trás de cada número, existe uma vida interrompida e uma família marcada para sempre.


