segunda-feira, 5 de outubro de 2026

MAYCLLYN CARREIRO VENDEU O SONHO DE DEPUTADO PARA MORRINHOS E COLHEU DECEPÇÃO NAS URNAS

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ELEIÇÕES 2026 | Prefeito transformou a candidatura de Leandro Ventura em um dos principais projetos políticos de seu grupo e alimentou a expectativa de devolver a Morrinhos uma cadeira na Assembleia Legislativa. As urnas, porém, produziram outro resultado: Ventura recebeu 12.483 votos, terminou apenas em 8º lugar dentro do NOVO e ficou como suplente. O partido elegeu dois deputados.

Durante meses, o prefeito Maycllyn Carreiro ajudou a construir em Morrinhos uma narrativa política ambiciosa: a cidade poderia voltar a ter um representante diretamente identificado com o município na Assembleia Legislativa de Goiás. O nome escolhido para materializar esse projeto foi o então presidente da Câmara Municipal, Leandro Ventura. A campanha ganhou corpo, apoios foram reunidos e a possibilidade de eleição passou a ser apresentada ao eleitorado como um projeto viável. Em agosto, uma publicação chegou a tratar Maycllyn como estando “a um passo” de realizar o sonho do morrinhense de voltar a ter representação própria na Alego. 

As urnas deste domingo, 4 de outubro, entretanto, colocaram os números diante do discurso. Leandro Ventura recebeu 12.483 votos e não foi eleito deputado estadual. Na classificação geral de Goiás, terminou na 89ª posição e ficou como suplente. Dentro do próprio NOVO, partido pelo qual disputou a eleição com o número 30333, terminou somente na oitava colocação. 

O resultado ganha dimensão política justamente porque a candidatura não surgiu como uma aventura individual de Ventura. Ela foi incorporada ao projeto do grupo de Maycllyn. Ainda em março, quando anunciou sua pré-candidatura, Leandro recebeu apoio público do prefeito, que declarou que caminharia com ele para que Morrinhos voltasse a ter um representante na Assembleia. Meses depois, o projeto continuava sendo tratado publicamente como uma tentativa de devolver ao município uma cadeira própria no Legislativo estadual. 

Maycllyn, portanto, colocou seu próprio capital político nessa candidatura. E é exatamente por isso que o resultado não pode ser interpretado apenas como uma derrota pessoal de Leandro Ventura. As urnas também mediram a capacidade do grupo do prefeito de transformar influência municipal em votos numa disputa estadual.

O contraste fica ainda mais evidente quando se observa a nominata do NOVO. O partido conquistou duas cadeiras na Assembleia Legislativa, com 209.236 votos no conjunto da chapa. Foram eleitos Dr. Amarildo, com 43.130 votos, e Neto Karfan, com 18.628. Depois deles vieram Nayara Barcelos, com 16.423; Misael, 16.268; Brenda Gontijo, 15.471; Welton Lemos, 14.961; Waltinho, 13.067; e somente então Leandro Ventura, com 12.483 votos. 


OS OITO MAIS VOTADOS DO NOVO:

1. Dr. Amarildo — 43.130 votos — ELEITO

2. Neto Karfan — 18.628 votos — ELEITO

3. Nayara Barcelos — 16.423 votos

4. Misael — 16.268 votos

5. Brenda Gontijo — 15.471 votos

6. Welton Lemos — 14.961 votos

7. Waltinho — 13.067 votos

8. Leandro Ventura — 12.483 votos



A classificação dos oito primeiros do NOVO deixa clara a distância entre a expectativa construída e a CONTA POLÍTICA QUE JÁ ERA CONHECIDA

O resultado também recupera uma discussão que o Blog do Cleuber Carlos havia levantado ainda durante a campanha. Em setembro, este blog publicou uma análise sobre a nominata do NOVO e chamou atenção justamente para a dificuldade que Ventura encontraria dentro do próprio partido. A reportagem apontava concorrentes com bases eleitorais consolidadas em cidades maiores ou votação distribuída pelo Estado e questionava a matemática política do projeto conduzido pelo grupo de Maycllyn. 

A conta agora está encerrada pelas urnas.

Leandro precisava não apenas conseguir uma votação expressiva em Morrinhos. Precisava competir internamente com candidatos espalhados por diferentes regiões de Goiás. O NOVO efetivamente alcançou as duas cadeiras que estavam no horizonte das análises eleitorais, mas Ventura ficou distante delas. Entre ele e Neto Karfan, segundo colocado da legenda e eleito, houve uma diferença de 6.145 votos. E quatro outros candidatos ficaram entre os dois.

Isso muda substancialmente a leitura da derrota. Não faltou vaga ao partido. As vagas existiram. O problema é que Leandro não conseguiu chegar a uma delas.

DE 1.575 VOTOS PARA VEREADOR AO PROJETO ESTADUAL

Leandro Ventura não era um nome sem capital eleitoral em Morrinhos. Pelo contrário. Em 2024, havia sido o vereador mais votado da cidade, conquistando 1.575 votos. Natural de Morrinhos, chegou à presidência da Câmara e construiu proximidade política com a administração municipal. Sua candidatura estadual procurou transformar essa liderança local em uma votação regional e estadual. 

O salto numérico existiu: de 1.575 votos numa eleição municipal para 12.483 numa disputa estadual. Mas eleições proporcionais não são decididas apenas pela comparação com o desempenho anterior do próprio candidato. É preciso olhar para a votação dos concorrentes da legenda. E foi justamente aí que o projeto encontrou seu limite.

Ventura terminou atrás de sete companheiros de partido.

A campanha havia arrecadado recursos privados e estruturado mobilização, veículos e publicidade. Dados parciais da prestação de contas, ainda durante o período eleitoral, mostravam gastos contratados superiores a R$ 150 mil.  O resultado, porém, não foi suficiente para colocá-lo entre os dois nomes que transformaram os votos do NOVO em mandato.

MAYCLLYN VENDEU UM SONHO. AS URNAS ENTREGARAM OUTRA REALIDADE

É aqui que está o principal componente político do resultado.

Toda campanha tem direito de apresentar ao eleitor sua expectativa de vitória. O problema político surge quando uma possibilidade eleitoral é transformada em sensação de conquista praticamente ao alcance das mãos. Em Morrinhos, o discurso em torno da candidatura de Ventura foi além da apresentação de um candidato: trabalhou com um sentimento legítimo da população, o desejo de voltar a possuir um deputado diretamente ligado à cidade.

Maycllyn abraçou esse sentimento e colocou seu grupo para trabalhar pelo projeto.

Não conseguiu concretizá-lo.

O prefeito havia chegado ao comando do município com força política e passou a apostar na candidatura de um aliado para ampliar sua influência até a Assembleia Legislativa. O resultado de domingo estabelece, portanto, um primeiro parâmetro eleitoral importante para esse projeto de expansão: 12.483 votos, oitavo lugar no partido e suplência.

Isso não apaga a votação conquistada por Leandro nem encerra sua trajetória política. Ele continua sendo uma liderança local, foi o vereador mais votado de Morrinhos em 2024 e conseguiu ultrapassar 12 mil votos numa eleição estadual.  Mas é necessário separar o desempenho pessoal do candidato da expectativa política construída em torno de sua eleição.

E, sob esse aspecto, o resultado é objetivo: Morrinhos não conquistou a cadeira que Maycllyn Carreiro e seu grupo apresentaram durante a campanha como um projeto possível para a cidade.

A política tem uma característica implacável: durante a campanha cabem projeções, discursos, mobilizações e expectativas. Depois da abertura das urnas, sobra a matemática.

E a matemática de 2026 mostrou que o NOVO conseguiu exatamente duas cadeiras, mas havia sete candidatos da legenda à frente de Leandro Ventura.

Maycllyn Carreiro vendeu o sonho de devolver a Morrinhos um deputado estadual. Mobilizou seu grupo, apostou seu capital político e transformou Leandro Ventura em uma das principais vitrines eleitorais de sua administração.

O sonho chegou às urnas. A cadeira, não.


AB GARFILM: HÁ 35 ANOS, TECNOLOGIA EM PELÍCULAS TRANSFORMA AMBIENTES E PROTEGE VEÍCULOS EM GOIÂNIA

TECNOLOGIA E PROTEÇÃO | Empresa atua desde 1991 com películas residenciais, comerciais e automotivas, oferecendo soluções que combinam conforto térmico, proteção, privacidade e estética. Autorizada 3M, a AB Garfilm está localizada no Setor Oeste, em Goiânia.

Quando se fala em películas para vidros, o mercado há muito deixou de se resumir ao tradicional insulfilm automotivo. Tecnologia, eficiência térmica, proteção e arquitetura passaram a fazer parte de um segmento cada vez mais especializado. Em Goiânia, a AB Garfilm construiu sua trajetória acompanhando justamente essa evolução.

Atuando desde 1991, a empresa chega a 35 anos de mercado oferecendo soluções para residências, empresas e veículos. Entre os serviços estão películas automotivas, residenciais e comerciais, além de películas inteligentes e aplicações voltadas a projetos arquitetônicos.

Um dos diferenciais apresentados pela AB Garfilm é trabalhar como empresa autorizada 3M para películas de vidros, agregando ao serviço produtos desenvolvidos para diferentes necessidades e níveis de desempenho.

No segmento residencial e arquitetônico, as películas podem contribuir para redução da incidência de calor e luminosidade, maior conforto dos ambientes, privacidade e proteção de interiores, além de permitir soluções que preservam a proposta estética dos imóveis. Em escritórios e estabelecimentos comerciais, a empresa também trabalha com película jateada, utilizada para proporcionar privacidade e personalização de divisórias e superfícies de vidro.

Já no setor automotivo, a proposta reúne conforto, proteção e acabamento, com aplicação profissional de películas em veículos.

A atuação da AB Garfilm mostra como um produto antes associado principalmente ao escurecimento dos vidros passou a integrar projetos de arquitetura, conforto térmico e proteção solar.

Com três décadas e meia de experiência, a empresa mantém sua operação em Goiânia, na Avenida Assis Chateaubriand, nº 1661, Setor Oeste, próximo à região do Parque Zoológico.

AB Garfilm: experiência construída desde 1991 e tecnologia aplicada aos vidros de casas, empresas e veículos.


SAI CAROL, ENTRA CARLÃO? INDEFERIMENTO DA MAIS VOTADA PODE MUDAR NOME DA BANCADA DO MDB NA ALEGO

ELEIÇÕES 2026 | Carol do Amiltinho recebeu 109.002 votos, mas sua situação jurídica pode produzir uma consequência direta na composição da Assembleia Legislativa. Se a Justiça Eleitoral indeferir seu registro por ausência da filiação partidária exigida para a candidatura, Carol fica fora da cadeira, mas seus votos podem permanecer com o MDB. Nesse cenário, Carlão da Fox, que recebeu 30.514 votos, aparece como o primeiro nome da legenda fora da lista dos sete eleitos. 

A bomba envolvendo a candidatura de Carol do Amiltinho ganhou agora um segundo capítulo. A candidata substituiu Amilton Filho poucos dias antes da eleição, foi às urnas com o pedido de registro ainda não apreciado e terminou como a campeã de votos para deputado estadual em Goiás, com impressionantes 109.002 votos. 

A questão está na filiação partidária. Se a Justiça Eleitoral concluir pela ausência dessa condição e indeferir o registro, Carol não poderá ser diplomada. Mas isso não significa, automaticamente, que o MDB perderá os votos recebidos por ela.

A legislação eleitoral estabelece uma diferença fundamental para candidatos cujo registro ainda não havia sido apreciado no dia da votação. Nesses casos, os votos são inicialmente considerados válidos e, se houver posterior indeferimento ou cancelamento do registro, são contabilizados para a legenda pela qual o candidato concorreu. É exatamente o que estabelece o artigo 20, §2º, da Resolução TSE nº 23.677. 

Na prática, isso pode produzir uma situação eleitoral peculiar: Carol sai, mas os 109.002 votos permanecem com o MDB.

O partido conquistou sete das 41 cadeiras da Assembleia Legislativa. Foram considerados eleitos Carol do Amiltinho, Issy Quinan, Lineu Olimpio, Dr. George Morais, Cairo Salim, Charles Bento e Paulo Cezar Martins. 

Logo depois aparece Carlão da Fox, com 30.514 votos, classificado como suplente. Na sequência está Pábio Mossoró, com 28.212 votos, também suplente. 

Assim, mantidas as sete vagas do MDB e afastada apenas Carol da relação de candidatos aptos, Carlão da Fox é, pelos resultados atualmente disponíveis, o primeiro nome da fila para ocupar a cadeira, desde que seu registro e os demais requisitos eleitorais estejam regulares.

Não se trata de realizar outra eleição nem de abrir as urnas para uma nova contagem. A eventual decisão judicial produziria os ajustes jurídicos e de totalização determinados pela Justiça Eleitoral.

O caso, portanto, ganhou uma dimensão que ultrapassa Carol. São 109.002 votos capazes de continuar produzindo efeito para o MDB mesmo que a candidata que os recebeu seja impedida de assumir.

E, nesse cenário, a cadeira muda de dono.

Sai Carol. O primeiro da fila é Carlão da Fox.

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BOMBA! NA ELEIÇÃO EM GOIÁS, CANDIDATA A DEPUTADA ESTADUAL MAIS VOTADA DO ESTADO NÃO ESTÁ FILIADA AO MDB

​ELEIÇÕES 2026 | Carol do Amiltinho recebeu 109.002 votos e terminou como campeã de votos para a Assembleia Legislativa. Certidão de Filiação Partidária emitida pelo TSE nesta segunda-feira (5), um dia após a eleição, informa que Ana Caroline Guimarães de Oliveira não está filiada a partido político

A eleição que produziu a maior votação para deputado estadual em Goiás pode estar diante de um capítulo jurídico tão grande quanto o resultado produzido pelas urnas. Carol do Amiltinho, escolhida pelo MDB para substituir o marido, o deputado estadual Amilton Filho, morto em um acidente poucos dias antes da eleição, recebeu neste domingo 109.002 votos e terminou a disputa como a candidata mais votada entre todos os concorrentes às 41 cadeiras da Assembleia Legislativa. A totalização registra 100% das seções apuradas e coloca Carol em primeiro lugar, com 3% dos votos válidos. 

O que parecia ser, até então, uma história marcada pela tragédia familiar, pela substituição às vésperas da eleição e por uma votação extraordinária ganhou nesta segunda-feira um componente explosivo. Certidão de Filiação Partidária do Tribunal Superior Eleitoral, emitida às 13h46 do dia 5 de outubro e obtida pelo Blog do Cleuber Carlos, afirma textualmente que, após consulta ao Sistema de Filiação Partidária — FILIA, Ana Caroline Guimarães de Oliveira “NÃO ESTÁ FILIADO A PARTIDO POLÍTICO”.

Não se trata de um questionamento surgido somente depois da abertura das urnas. A situação da filiação de Carol já havia provocado controvérsia antes da eleição. Em 30 de setembro, reportagem do Diário de Goiás revelou que o próprio FILIA apontava que a substituta de Amilton não estava filiada a nenhuma legenda. Na ocasião, o presidente estadual do MDB, Haroldo Naves, apresentou versão diferente: afirmou que Carol estaria filiada desde novembro de 2025 e que uma decisão judicial teria reconhecido e regularizado essa filiação. 

A questão, portanto, é muito mais profunda do que uma divergência cadastral aparentemente burocrática. Para disputar uma eleição, a filiação partidária é uma das condições constitucionais de elegibilidade. E a substituição de um candidato falecido, embora tenha regras excepcionais quanto ao momento em que pode ocorrer, não elimina automaticamente as demais condições que precisam ser preenchidas pelo substituto.

O Ministério Público Eleitoral chegou a emitir parecer favorável ao registro de Carol. Mas existe um detalhe fundamental: a manifestação não representava o julgamento definitivo do registro. Reportagens publicadas antes da eleição registraram que a análise da filiação ainda dependeria da verificação pela Justiça Eleitoral, enquanto a palavra final sobre o registro caberia ao TRE de Goiás. 

É justamente aí que a situação se torna ainda mais delicada.

Carol foi às urnas enquanto seu pedido de registro aparecia como “PENDENTE DE JULGAMENTO” nas bases que reproduzem os dados oficiais do TSE.  Os votos foram recebidos e contabilizados. E foram muitos. 109.002. Nenhum outro candidato a deputado estadual em Goiás recebeu votação maior. 

Agora, depois de os eleitores terem ido às urnas, surge uma circunstância que exige resposta objetiva da Justiça Eleitoral: se o MDB sustenta que Carol possui filiação válida desde 2025, por que o sistema oficial da própria Justiça Eleitoral continua expedindo certidão informando que ela não está filiada a partido político?

Essa é a pergunta central.

O Blog do Cleuber Carlos teve acesso à certidão emitida nesta segunda-feira, 5 de outubro. O documento possui código próprio para conferência de autenticidade e contém uma ressalva jurídica importante: a certidão é dotada de presunção relativa de veracidade. Isso significa que sua existência, isoladamente, não permite decretar antecipadamente a cassação, o indeferimento ou qualquer consequência definitiva sobre a candidatura. Mas também significa que uma certidão oficial negativa de filiação, expedida depois da eleição, não pode simplesmente ser ignorada diante de uma candidatura cujo registro ainda estava submetido à análise judicial.

O MDB sustenta que existe regularização judicial da filiação. Essa alegação precisa agora ser colocada diante do documento oficial. É necessário saber qual decisão reconheceu a filiação, em qual processo ela foi proferida, qual a data reconhecida como início do vínculo partidário e quais efeitos jurídicos essa decisão produz sobre o registro da candidatura. A existência e o alcance dessa eventual decisão serão determinantes para compreender a controvérsia.

Há ainda uma dimensão eleitoral gigantesca. A Assembleia Legislativa divulgou Carol como campeã de votos e informou que o MDB conquistou sete cadeiras na nova composição.  Qualquer decisão definitiva que venha a alterar a validade de uma candidatura dessa magnitude exige análise também sobre seus reflexos na totalização dos votos e na composição da Casa. Não é possível antecipar esse efeito sem a decisão da Justiça Eleitoral.

O Blog do Cleuber Carlos, portanto, não afirma que Carol perdeu o mandato, tampouco que seus 109.002 votos estão anulados. Não existe, até aqui, decisão definitiva apresentada que autorize essas conclusões.

O que existe é suficientemente grave por si só: a candidata mais votada para deputada estadual em Goiás recebeu 109.002 votos enquanto seu registro ainda estava sob análise, e uma certidão oficial do sistema de filiação do TSE, emitida no dia seguinte à eleição, informa que ela não está filiada a partido político.

Agora não são as urnas que precisam responder.

É a Justiça Eleitoral.

DA FARDA À ALEGO: QUEM É E O QUE REPRESENTA A ELEIÇÃO DO CORONEL EDSON RAIADO

ELEIÇÕES 2026 | Com 32.717 votos, coronel da Polícia Militar transforma a projeção conquistada na segurança pública em seu primeiro mandato eletivo. Depois da tentativa frustrada de chegar à Câmara Federal em 2022, Raiado conquista uma cadeira na Assembleia Legislativa e passa a enfrentar um desafio completamente diferente: transformar experiência operacional, popularidade e discurso em atuação parlamentar.

A eleição do Coronel Edson Raiado para deputado estadual de Goiás não pode ser analisada apenas pelos 32.717 votos que lhe garantiram uma cadeira na Assembleia Legislativa. O resultado das urnas encerra uma etapa iniciada anos antes de sua candidatura e abre outra, muito mais complexa. Raiado chega à política carregando uma trajetória construída essencialmente dentro da segurança pública, ambiente no qual conquistou projeção e reconhecimento, e agora terá de demonstrar como essa experiência será transportada para uma instituição em que comando e hierarquia dão lugar à articulação, ao debate, à fiscalização e à necessidade permanente de construir maioria.

Edson Raiado não nasceu politicamente dentro de um gabinete. Seu nome chegou ao eleitor principalmente pela atuação como policial militar, pelas operações das quais participou e pelo exercício de funções de comando. A grande exposição pública veio especialmente a partir da força-tarefa montada para localizar Lázaro Barbosa, em 2021, episódio que ganhou repercussão nacional e colocou vários integrantes das forças de segurança de Goiás sob intensa exposição. Raiado posteriormente também esteve à frente do Comando de Operações de Divisas (COD), uma das unidades especializadas da Polícia Militar goiana.

Essa projeção, entretanto, não foi suficiente para elegê-lo na primeira tentativa. Em 2022, Raiado disputou uma cadeira de deputado federal pelo Avante, recebeu 19.811 votos e ficou fora da Câmara dos Deputados. Quatro anos depois, retornou às urnas em uma estratégia diferente: mudou de partido, deixou a disputa federal e concentrou seu projeto político na Assembleia Legislativa. Pelo PSD, chegou aos 32.717 votos e conquistou seu primeiro mandato eletivo.

A comparação entre as duas eleições ajuda a compreender a dimensão política do resultado de 2026. Raiado não simplesmente apareceu em uma eleição favorecido por uma exposição circunstancial. Depois da derrota de 2022, permaneceu politicamente ativo, reorganizou o projeto eleitoral e conseguiu ampliar sua votação em quase 13 mil votos. Mais importante do que o crescimento numérico foi transformar esses votos em uma cadeira efetiva no Parlamento estadual.

A partir daqui, porém, começa uma história completamente diferente daquela que construiu usando farda. A experiência policial pode ter sido decisiva para formar sua imagem pública, mas não será suficiente para definir seu desempenho na Assembleia. O policial trabalha dentro de uma estrutura verticalizada, baseada em hierarquia, disciplina e comando. O deputado atua em um ambiente no qual praticamente nenhuma decisão relevante depende exclusivamente dele. Para aprovar projetos, alterar leis, influenciar o orçamento ou exercer protagonismo político, será necessário negociar, convencer, construir alianças e eventualmente enfrentar interesses dentro e fora do próprio partido.

É exatamente essa transição que torna a eleição de Raiado politicamente interessante. Durante boa parte da carreira, ele esteve na ponta de políticas públicas definidas por governos e aprovadas pelos parlamentos. Conheceu por dentro as limitações materiais, operacionais e humanas da segurança pública. Agora estará no lugar onde parte das decisões que atingem policiais e demais servidores é tomada. Salários, estrutura das corporações, investimentos em tecnologia, equipamentos, orçamento, legislação e fiscalização das ações do Executivo passarão diretamente pelo ambiente político em que ele estará inserido.

Essa circunstância também cria uma responsabilidade adicional. Um parlamentar que construiu sua identidade pública dentro da segurança não poderá tratar o assunto apenas como bandeira eleitoral. A partir da posse, será possível confrontar sua experiência acumulada durante anos na Polícia Militar com projetos efetivamente apresentados, emendas destinadas à área, posicionamentos em votações e fiscalização sobre a aplicação dos recursos públicos. O eleitor que conheceu Raiado pela atividade operacional poderá conhecer, a partir de fevereiro, o Raiado legislador.

A eleição também muda completamente o grau de exposição de seus atos. Como deputado estadual, haverá um registro permanente de sua atividade política. Será possível saber quais projetos apresentou, como votou em matérias importantes, quais municípios receberam suas emendas, quem ocupará seu gabinete, quais grupos políticos estarão ao seu lado e qual será sua relação com o Governo de Goiás. É nesse conjunto de decisões, e não apenas na popularidade acumulada antes da eleição, que seu mandato poderá ser compreendido ao longo dos próximos quatro anos.

Outro aspecto importante será observar até que ponto Raiado conseguirá construir uma atuação que ultrapasse a própria segurança pública. Um deputado estadual não legisla apenas para policiais ou sobre criminalidade. Saúde, educação, infraestrutura, orçamento, desenvolvimento regional, funcionalismo público, meio ambiente e dezenas de outras questões inevitavelmente chegarão ao painel da Assembleia. A transformação de uma liderança setorial em um parlamentar com atuação estadual será, portanto, uma das questões a serem observadas durante a próxima legislatura.

Os 32.717 votos recebidos neste domingo representam, nesse sentido, mais do que a conquista de uma cadeira. Eles deram a Edson Raiado a oportunidade que não conseguiu obter em 2022: deixar de ser candidato e passar efetivamente à condição de representante eleito. A partir de agora, campanha e mandato precisam ser separados. Promessas feitas diante do eleitor começam a adquirir possibilidade de cobrança objetiva, e a imagem construída ao longo da carreira policial passa a conviver com a responsabilidade decorrente do exercício de um mandato público.

O Blog do Cleuber Carlos acompanhará essa nova trajetória exatamente por esse ângulo. Não se trata de antecipar julgamento sobre o mandato que sequer começou, mas tampouco de conceder cheque em branco a quem recebeu das urnas o poder de representar milhares de goianos. Projetos, votos, emendas, composição de gabinete, utilização dos recursos públicos, posicionamentos e compromissos assumidos durante a campanha formarão, a partir de fevereiro de 2027, os elementos concretos para avaliar sua atuação parlamentar.

A eleição já respondeu a primeira pergunta. Coronel Edson Raiado conseguiu transformar o reconhecimento conquistado durante sua trajetória na segurança pública em força eleitoral suficiente para chegar à Assembleia Legislativa de Goiás. A segunda pergunta levará quatro anos para ser respondida: que deputado será Edson Raiado?

A farda construiu uma parte importante de sua história pública e as urnas abriram a porta da Alego. A partir de agora, entretanto, sua trajetória será escrita em outro ambiente, onde operações dão lugar a projetos, ordens dão lugar a votos e popularidade deixa de ser suficiente. É no exercício diário do mandato que os 32.717 votos recebidos nas urnas terão de ser transformados em representação política.


domingo, 4 de outubro de 2026

FIM DE UMA ERA EM ALAGOAS: CALHEIROS SOFREM DUPLA DERROTA E JHC EMERGE COMO NOVA FORÇA DO ESTADO

ELEIÇÕES 2026 | JHC derrota Renan Filho e conquista o Governo de Alagoas no primeiro turno. Marina JHC, sua esposa, conquista uma das duas vagas do Senado, enquanto Renan Calheiros fica fora da Casa após 32 anos. Resultado redesenha o mapa do poder alagoano.

As urnas deste domingo, 4 de outubro, produziram uma mudança histórica no cenário político de Alagoas.

De um lado, a família Calheiros, protagonista da política estadual e nacional durante décadas, sofreu derrotas simultâneas nas duas principais disputas do estado. Do outro, João Henrique Caldas, o JHC (PSDB), sai das eleições de 2026 como personagem central de uma nova configuração do poder alagoano.

JHC foi eleito governador de Alagoas já no primeiro turno, derrotando justamente Renan Filho (MDB), ex-governador e ex-ministro dos Transportes. Na totalização exibida pelo TSE enviada ao Blog do Cleuber Carlos, JHC terminou com 892.484 votos, 52,20%, contra 809.796 votos, 47,37%, de Renan Filho. A Agência Brasil já havia confirmado matematicamente a eleição de JHC ainda durante a apuração. 

Mas o impacto político da eleição não parou no Palácio República dos Palmares.

RENAN CALHEIROS FORA DO SENADO APÓS 32 ANOS

Talvez a imagem mais simbólica da mudança esteja na disputa pelo Senado.

Renan Calheiros (MDB), que buscava o quinto mandato consecutivo, foi derrotado.

Renan chegou ao Senado em 1995. A derrota significa que, ao término do atual mandato, serão 32 anos consecutivos ocupando uma cadeira na Casa. 

As duas vagas de Alagoas ficaram com Arthur Lira (PP) e Marina JHC (PSDB).

Nos números finais mostrados pelo sistema do TSE nas imagens obtidas pelo Blog, o resultado foi:

  • Arthur Lira (PP): 948.703 votos — 28,87% — eleito
  • Marina JHC (PSDB): 926.860 votos — 28,20% — eleita
  • Renan Calheiros (MDB): 731.045 votos — 22,24%
  • Dr. Wanderley (MDB): 358.478 votos — 10,91%
  • Davi Davino Filho (Republicanos): 293.008 votos — 8,92%

A eleição de Marina é particularmente significativa: será seu primeiro cargo eletivo. A Agência Senado confirma que ela é esposa de JHC e foi primeira-dama de Maceió. 

MARIDO GOVERNADOR, ESPOSA SENADORA

O resultado cria uma configuração política incomum e de enorme peso eleitoral.

JHC deixa a Prefeitura de Maceió para conquistar o Governo de Alagoas, enquanto sua esposa sai diretamente para o Senado Federal.

Em uma única eleição, portanto, o núcleo político ligado a JHC conquista simultaneamente o comando do Executivo estadual e uma das três cadeiras de Alagoas no Senado.

E existe ainda outro componente importante: a primeira suplente de Marina é Dra. Eudócia, mãe de JHC, segundo a Agência Senado. 

OS CALHEIROS PERDEM NAS DUAS FRENTES

Para o grupo dos Calheiros, o resultado é especialmente duro porque as derrotas ocorreram simultaneamente.

Renan Filho perdeu o Governo.

Renan Calheiros perdeu a cadeira no Senado.

O MDB governava Alagoas desde 2015, período iniciado justamente com Renan Filho. 

Por isso, falar em “fim de uma era” é uma leitura política do resultado — não significa que a família Calheiros desapareça da política alagoana, mas que a eleição de 2026 interrompe dois pilares concretos de seu poder: o controle do governo estadual e a permanência de Renan no Senado.

JHC MUDA O EIXO DO PODER EM ALAGOAS

JHC construiu uma trajetória rápida. Foi deputado estadual, deputado federal, venceu a Prefeitura de Maceió em 2020, reelegeu-se em 2024, deixou o cargo em abril deste ano e agora chega ao Governo de Alagoas. 

A eleição de Marina amplia ainda mais essa força política.

Ao mesmo tempo, Arthur Lira — ex-presidente da Câmara dos Deputados — deixa a Câmara e conquista a outra cadeira alagoana no Senado. 

Assim, Alagoas amanhece politicamente diferente após as eleições de 2026.

A família Calheiros continuará sendo um grupo relevante e organizado, mas as urnas retiraram duas posições que simbolizavam sua influência: Renan Filho não retorna ao governo e Renan Calheiros deixa o Senado depois de mais de três décadas.

Enquanto isso, JHC chega ao Governo e Marina JHC ao Senado.

Não é apenas uma troca de nomes. É uma mudança concreta no eixo do poder político de Alagoas.