domingo, 13 de setembro de 2026

APÓS 878 VOTOS, ISMAEL VOLTA A ITUMBIARA COM ÚNICO REPASSE DIRETO FEITO NO ANO ELEITORAL

CANDIDATO TURISTA? | Deputado participa de reunião nesta terça-feira (15). Dados federais mostram R$ 400 mil pagos à saúde em maio de 2026.

O deputado federal Dr. Ismael Alexandrino (PSD) volta a Itumbiara nesta terça-feira (15), às 18h30, para reunião organizada por Patrícia da Habitação, no Forró do Marquinho. A visita reacendeu cobranças sobre as entregas do parlamentar ao município.

Em áudio enviado ao Blog do Cleuber Carlos, um eleitor classifica Ismael como “candidato turista”. Segundo ele, o deputado esteve na cidade durante a campanha passada, prometeu ajuda para saúde e educação, conquistou votos e depois teria se afastado.

Em 2022, Ismael recebeu 878 votos em Itumbiara — 1,75% dos votos válidos locais para deputado federal. Em todo o estado, conquistou 54.791 votos e foi eleito. Os números constam na base oficial de resultados eleitorais do TSE.

A consulta às bases federais, porém, exige uma correção: não é verdade que o parlamentar tenha destinado absolutamente nada ao município. O Portal da Transparência registra uma emenda individual paga ao Fundo Municipal de Saúde de Itumbiara no valor de R$ 400 mil.

A ordem bancária foi emitida em 26 de maio de 2026 para custeio da assistência hospitalar e ambulatorial. No levantamento do Blog, esse foi o único pagamento direto de emenda de autoria de Ismael localizado para Itumbiara no mandato. Não foram encontrados repasses diretos ao município ou ao Fundo de Saúde em 2023, 2024 e 2025.

O dado corrige a acusação absoluta, mas abre uma pergunta: por que o único recurso direto identificado chegou apenas no último ano do mandato, às vésperas de nova eleição?

O Blog abre espaço para que Ismael apresente outras emendas, obras, convênios ou ações em benefício de Itumbiara que não apareçam como repasse direto ao município.

Fontes: base oficial de votação do TSE⁠, dados abertos do Portal da Transparência⁠ e detalhamento da emenda e da ordem bancária⁠.


​GOIÁS LIDERA RANKING NACIONAL E CONCENTRA QUASE 1 EM CADA 4 LABORATÓRIOS DE COCAÍNA

NARCOTRÁFICO | Levantamento identificou 125 estruturas de processamento no estado, incluindo unidades de alta capacidade destinadas ao refino e à adulteração da droga.

Goiás ocupa o primeiro lugar no ranking nacional de laboratórios de processamento de cocaína. O dado consta no estudo “Floresta em Pó”, elaborado por organizações nacionais e internacionais, com participação do Instituto Fogo Cruzado.

Entre janeiro de 2019 e julho de 2025, foram identificadas 550 estruturas de processamento de cocaína no Brasil. Desse total, 125 estavam em território goiano — 22,7% de todos os locais mapeados no país. Na prática, quase um em cada quatro laboratórios foi encontrado em Goiás.

O número coloca o estado muito à frente do Amazonas, segundo colocado, com 42 estruturas. São Paulo aparece com 37; Minas Gerais, com 34; e Mato Grosso, com 29.

A gravidade não está apenas na quantidade. Entre os laboratórios encontrados em Goiás, 44 foram classificados como estruturas de alta capacidade produtiva: 20 voltados ao refino da cocaína e 24 destinados à adulteração ou “engorda”, processo em que outras substâncias são adicionadas para aumentar o volume comercializado.

O estudo aponta que Goiás se tornou um ponto estratégico da chamada Rota Caipira. Parte da pasta-base que entra no Brasil por Mato Grosso e Mato Grosso do Sul seria transportada para território goiano, onde passa por processamento antes de seguir para mercados consumidores e portos das regiões Sudeste e Nordeste.

Os dados foram reunidos a partir de informações oficiais, pedidos feitos por meio da Lei de Acesso à Informação, registros de operações policiais e notícias publicadas pela imprensa.

O Governo de Goiás argumenta que a quantidade elevada também seria resultado da atuação das forças de segurança na descoberta e no desmantelamento dessas estruturas.

O contraponto é legítimo, mas não elimina o dado central: durante o período analisado, nenhum outro estado brasileiro concentrou tantos laboratórios de processamento de cocaína quanto Goiás. Antes de apresentar sua segurança pública como modelo para o Brasil, o governo precisa explicar por que o estado se tornou o principal ponto do mapa nacional do refino e da adulteração da droga.


​MÉDICO DENUNCIA ABANDONO DE IDOSOS E PRESSÃO NA SAÚDE COMANDADA POR EX-SECRETÁRIO


MAIRIPOTABA | Prefeito Lindomar Bessa é enfermeiro e administrou a Saúde municipal durante anos. Agora, médico relata exames descartados, pacientes graves mandados para casa e afastamento após denunciar supostas irregularidades.

Denúncias graves feitas pelo médico Fauzer Mendonça colocam sob suspeita o atendimento prestado aos pacientes, especialmente idosos, na rede municipal de saúde de Mairipotaba.

O responsável político pela administração é Lindomar Claudino Bessa, do União Brasil. Enfermeiro e profundo conhecedor da estrutura municipal, ele comandou a Secretaria de Saúde por vários anos e aparece em documentos oficiais como secretário e gestor do Fundo Municipal de Saúde entre 2014 e 2020. Foi vice-prefeito entre 2001 e 2004 e elegeu-se prefeito em 2024 com 1.955 votos, equivalentes a 63,43% dos votos válidos.

A experiência do prefeito na saúde torna ainda mais necessária uma resposta objetiva às acusações.

Em áudio encaminhado ao Blog do Cleuber Carlos, Fauzer afirma que idosos receberiam apenas soro e seriam mandados para casa mesmo apresentando falta de ar. Ele cita uma paciente que teria morrido com pneumonia após necessitar de internação e relata o caso de um idoso com anemia e gota que estaria perdendo a visão.

O médico também denuncia que pedidos de exames teriam sido retirados e descartados. Segundo ele, existiria pressão para que profissionais não solicitassem determinados procedimentos.

Fauzer afirma ainda que a emergência chegava a ser fechada enquanto um plantonista dormia e acusa o profissional de permanecer até 72 horas seguidas de serviço.

Após questionar a situação, o médico diz que Lindomar pediu seu afastamento. Relata também que o secretário municipal chamou a polícia, que teria tentado impedir uma filmagem e recolher seu celular. O episódio, conforme Fauzer, foi registrado em vídeo.

O médico afirma possuir mais de 13 casos e diz ter encaminhado parte do material ao Ministério Público.

O Blog abre espaço para o prefeito, a Secretaria de Saúde e os profissionais mencionados. As acusações ainda dependem de comprovação, mas não podem ser ignoradas. Em saúde pública, cada omissão pode custar uma vida.


ASSEMBLEIA SOB SUSPEITA E NOVO SUBSÍNDICO AFASTADO: GUERRA EM CONDOMÍNIO DE LUXO VAI À JUSTIÇA

BASTIDORES | Menos de 30 dias após eleição conduzida por magistrado, decisão judicial afasta integrante da nova administração.

A guerra revelada pelo Blog do Cleuber Carlos em “Sexo, multas e guerra em condomínio de luxo” ganhou novo capítulo. A disputa começou durante a gestão anterior e não foi provocada por destituição.

O antigo síndico cumpriu o mandato de dois anos. Ao fim, uma assembleia elegeu a nova administração: uma empresa assumiu como síndica e um condômino foi eleito subsíndico.

A reunião passou a ser questionada. Um dos pontos é a participação de um magistrado como presidente da assembleia. Moradores sustentam que a sessão teria sido manipulada e sua condução influenciou o resultado. Caberá à Justiça avaliar se houve irregularidade. A participação como condômino não comprova ilegalidade.

Menos de 30 dias depois, decisão judicial determinou o afastamento do novo subsíndico. Não foi o antigo síndico que perdeu o cargo nem houve substituição direta entre os dois.

O processo questiona a eleição e a possibilidade de o subsíndico ocupar a função. Segundo relatos, as normas internas impediriam a posse de condômino envolvido em irregularidades. A alegação depende de julgamento definitivo e direito de defesa.

Também é questionada a contratação da administradora, empresa com relatos de problemas em outros condomínios. O Blog buscará contratos, atas e sua manifestação.

O caso envolve disputa anterior à eleição, assembleia contestada e decisão judicial. O condomínio atravessa crise administrativa e de imagem.

As perguntas continuam: a eleição foi regular? O magistrado poderia presidir a assembleia? O subsíndico estava impedido? Quais interesses movimentam essa guerra?

Novos documentos podem revelar capítulos delicados.


DE BLINDADO A ISOLADO: JERONYMO TEM DEZ VEREADORES CONTRA E ENFRENTA NOVO PEDIDO DE IMPEACHMENT


REviravolta | Prefeito de São Miguel do Araguaia começou o mandato protegido pela Câmara. Após denúncias, rompimentos e duas tentativas de investigação, perdeu quase toda a sustentação política.

A situação do prefeito de São Miguel do Araguaia, Jeronymo Siqueira, sofreu uma reviravolta impressionante. O gestor que iniciou o mandato apoiado pela maioria da Câmara enfrenta agora dez dos onze vereadores e um novo pedido de impeachment.

A crise começou a ganhar forma em setembro de 2025, quando o Blog do Cleuber Carlos publicou as primeiras denúncias sobre a possível influência de financiadores e grupos privados em nomeações, contratos e decisões da prefeitura.

Em outubro, o engenheiro Osório Henrique de Souza Neto protocolou uma representação com mais de 50 páginas. O documento levantou questionamentos sobre o Instituto Alcance, contratos concentrados na W.B. Barreto, consultorias e a compra de 70 lousas digitais por R$ 6,6 milhões — negócio posteriormente cancelado. Naquele momento, porém, vereadores aliados rejeitaram a abertura da Comissão Processante e garantiram a blindagem do prefeito. Relembre a primeira representação

A proteção começou a rachar logo depois. Vereadores que haviam ajudado Jeronymo passaram a reclamar que não eram atendidos nem mesmo em reivindicações apresentadas em benefício da população. O sentimento de desprestígio transformou aliados em críticos.

Em dezembro, surgiu outro episódio: o Decreto nº 287/2025 havia nomeado, em março, um servidor para a gerência do Sine dentro de uma secretaria que ainda não existia legalmente. O projeto criando a estrutura somente foi enviado à Câmara em outubro. O caso reforçou os questionamentos sobre a legalidade dos atos administrativos. Veja a reportagem

Em março de 2026, o isolamento já ultrapassava a Câmara. Eleito pelo PL, Jeronymo deixou o partido e ingressou no MDB. No caminho, rompeu com o vice-prefeito Dr. Natanael, perdeu proximidade com o senador Wilder Morais e viu antigos aliados, entre eles o vereador Newber e o presidente da Câmara, Batista, se distanciarem. Análise publicada em março

A ruptura ficou explícita em maio. Nove vereadores votaram pela abertura de uma Comissão Processante para investigar contratos de recapeamento com a empresa TEMA. Paralelamente, médicos relatavam atrasos de quatro meses nos pagamentos e risco de paralisação da saúde. Leia a reportagem

Jeronymo conseguiu uma vitória judicial em agosto. A Justiça suspendeu aquela Comissão Processante por falhas graves no procedimento, incluindo ausência de leitura da denúncia, problemas no sorteio dos integrantes e falta de intimações. A decisão não julgou o mérito das acusações nem declarou o prefeito inocente; reconheceu que a Câmara descumpriu o rito legal. Decisão noticiada pelo Jornal Opção

Agora, o cenário é ainda mais perigoso. Segundo informações recebidas pelo Blog, dez vereadores estão politicamente contra Jeronymo e um novo pedido de impeachment chegou à Câmara.

Com onze cadeiras, dez adversários representam muito mais que perda de maioria: significam colapso completo da base. Se esse grupo permanecer unido e o novo processo seguir rigorosamente o Decreto-Lei nº 201/1967, existe força numérica suficiente para avançar até uma eventual cassação.

A queda de Jeronymo não aconteceu de uma vez. Foi construída pela soma de denúncias, desgaste administrativo, rompimentos e incapacidade de conservar os vereadores que garantiam sua sustentação. A Justiça salvou o mandato da primeira Comissão Processante porque o procedimento estava errado. Politicamente, porém, a decisão apenas adiou o enfrentamento.

O prefeito segue no cargo, tem direito ao contraditório e nenhuma acusação pode ser tratada como condenação antecipada. Mas sua situação política mudou completamente: quem antes controlava a Câmara agora parece não controlar sequer um voto além do próprio governo.

Jeronymo venceu uma batalha judicial. A guerra política, entretanto, nunca esteve tão perto de seu gabinete.


ONDE ESTÁ O PROTOCOLO? BLOG COBRA COMPLEM E PIRACANJUBA SOBRE ARRENDAMENTO NO CADE

TRANSPARÊNCIA | Ofícios enviados às duas instituições exigem número do processo, valor do contrato, prazo, garantias e explicações sobre eventual início da operação antes da autorização do órgão antitruste.

O Blog do Cleuber Carlos encaminhou questionamentos formais à Complem e à Assessoria de Comunicação do Grupo Piracanjuba sobre o contrato de arrendamento da unidade industrial de lácteos e da marca Compleite.

O ponto central é direto: qual é o número do processo ou protocolo da operação no Conselho Administrativo de Defesa Econômica, o CADE?

As próprias instituições anunciaram que a conclusão da transação dependeria da aprovação do órgão. Até agora, porém, o Blog não conseguiu localizar na consulta pública um processo claramente relacionado ao negócio.

À Piracanjuba, foram solicitadas informações sobre a data de assinatura, empresas e CNPJs envolvidos, ativos arrendados, prazo, remuneração, exploração da marca Compleite e eventual início das atividades na fábrica de Morrinhos. O grupo também foi questionado se já assumiu trabalhadores, produção, gestão industrial ou informações comerciais antes da autorização do CADE.

À Complem, as perguntas foram ainda mais amplas. O Blog quer saber quanto a cooperativa receberá, quem avaliou a indústria e a marca, quais garantias foram oferecidas e se existe opção de futura compra dos ativos pela Piracanjuba.

Também foram cobradas respostas sobre a aprovação interna do negócio: qual órgão autorizou o contrato, onde está a ata, qual foi o quórum e se o Conselho Fiscal recebeu e analisou o documento. Conselheiros teriam relatado desconhecer valor, prazo, remuneração, garantias e condições de rescisão.

Outras questões atingem diretamente os cooperados: quem definirá o preço do leite, se haverá exclusividade, qual volume mínimo será comprado e qual será o destino do dinheiro recebido. A Complem também deverá explicar se os recursos serão utilizados para reduzir o endividamento da cooperativa.

A ausência de um protocolo público, isoladamente, não comprova irregularidade. Entretanto, caso a operação já esteja sendo executada sem autorização do CADE, poderá surgir uma questão concorrencial relevante.

Complem e Piracanjuba foram procuradas e terão suas respostas publicadas integralmente ou em seus pontos essenciais. O que está em jogo não é apenas uma parceria empresarial, mas o destino de uma indústria e de uma marca construídas durante décadas com o patrimônio dos cooperados.


sábado, 12 de setembro de 2026

APÓS DENÚNCIA SOBRE A COMPLEM, JORNALISTA RECEBE CONVOCAÇÃO SEM ASSUNTO

DESDOBRAMENTO | Fonte havia dito que Cleuber Carlos seria “chamado para depor”. Dias depois, convocação chega por WhatsApp sem indicar procedimento ou motivo.

Em 5 de setembro, após a publicação de documentos, balanços e despesas da cooperativa, uma fonte interna relatou conversas atribuídas ao presidente Sérgio Penido nas quais teria aparecido o nome de um delegado identificado como Fernando.

Segundo o relato, teriam sido feitas afirmações de que “o delegado vai descobrir tudo”, que Cleuber seria chamado “para depor” e que um advogado ligado ao presidente teria conversado com a autoridade.

A reportagem ressaltou que não havia prova de irregularidade do delegado e considerou que seu nome poderia estar sendo usado indevidamente. O Blog encaminhou a matéria e os elementos à Ouvidoria-Geral do Estado e à Corregedoria da Polícia Civil.

Pelo Ofício nº 24331/2026/SSP, de 8 de setembro, a Secretaria da Segurança Pública encaminhou a manifestação nº 2026.0906.095027-52 ao delegado-geral André Gustavo Corteze Ganga, solicitando providências e resposta em até 15 dias.

Agora surge o terceiro fato. Cleuber recebeu por WhatsApp convocação da Delegacia de Morrinhos para comparecer no dia 14, às 9 horas, e prestar “esclarecimentos de interesse da Justiça”. Enviada pelo digitador Alessandro do Carmo em nome do delegado Fabiano Henrique Jacomellis, a mensagem não informa procedimento, assunto nem se o jornalista será ouvido como testemunha, vítima ou investigado.

A sequência não prova ligação com a Complem ou retaliação. Mas a fonte ter antecipado que o jornalista seria chamado para depor torna a coincidência impossível de ignorar.

Cleuber pediu intimação formal, com o procedimento, sua condição e o assuntos. Segue à disposição, mas exige transparência real.

Bom dia, senhor Alessandro.

Acuso o recebimento da mensagem encaminhada em nome do delegado Dr. Fabiano Henrique Jacomellis.

Antes de confirmar meu comparecimento, solicito que a convocação seja formalizada por meio de intimação ou ofício oficial, devidamente assinado física ou digitalmente pela autoridade responsável, contendo o número do inquérito, procedimento ou ocorrência, a condição em que estou sendo convocado — testemunha, vítima, comunicante ou investigado — e a indicação da natureza ou do assunto geral sobre o qual serão prestados os esclarecimentos.


A mensagem recebida menciona apenas “esclarecimentos de interesse da Justiça”, sem identificar o procedimento ou o fato relacionado. Como cidadão e jornalista, preciso comparecer devidamente informado e, se necessário, acompanhado de advogado.


Solicito, portanto, o encaminhamento do documento formal para que eu possa tomar conhecimento da convocação, receber orientação jurídica e confirmar ou ajustar a data do comparecimento.Senhor Alessandro, complementando a mensagem anteriormente encaminhada, solicito que seja informado se a convocação possui alguma relação, direta ou indireta, com as reportagens publicadas pelo Blog do Cleuber Carlos sobre a Complem ou com a manifestação nº 2026.0906.095027-52.


A referida manifestação foi encaminhada pela Secretaria de Estado da Segurança Pública ao delegado-geral da Polícia Civil, André Gustavo Corteze Ganga, por meio do Ofício nº 24331/2026/SSP, de 8 de setembro de 2026, para adoção das providências cabíveis.


O esclarecimento é necessário porque, antes do recebimento desta convocação, uma fonte interna da Complem relatou ao Blog que o nome de um delegado identificado como Fernando teria sido mencionado em conversas atribuídas a dirigentes da cooperativa. Na mesma ocasião, foi antecipado que este jornalista seria “chamado para depor”.


Não estou afirmando que exista relação entre os fatos, muito menos imputando qualquer irregularidade à autoridade policial. Justamente por isso, solicito que a Polícia Civil esclareça formalmente se a convocação está vinculada a essa manifestação, às reportagens sobre a Complem ou a outro procedimento.


Reitero que não estou recusando o comparecimento. Permaneço à disposição, mas aguardo o envio da intimação ou ofício oficial assinado, com o número do procedimento, a natureza geral do assunto e a condição em que serei ouvido, para que possa comparecer devidamente orientado e acompanhado de advogado, se necessário.

Permaneço à disposição e aguardo o envio da intimação ou do ofício devidamente formalizado.

Atenciosamente,

Cleuber Carlos do Nascimento




​AS MINHAS CICATRIZES, O MEU ORGULHO

EDITORIAL | Não cheguei até aqui por atalhos. Minha história foi construída diante dos microfones, nas redações, nos estádios, nas ruas e nos tribunais.

Quando olho para trás, não vejo apenas fotografias, diplomas ou medalhas. Vejo uma vida inteira dedicada ao jornalismo. Vejo as noites sem dormir, as viagens intermináveis, as portas fechadas, as críticas, as perseguições e os processos. Cada dificuldade deixou uma cicatriz. E cada cicatriz se transformou em motivo de orgulho.

Comecei no rádio ainda jovem, na Rádio Pousada do Rio Quente. Fundei o Jornal Folha Regional, em Caldas Novas, passei pela Rádio Clube, Rádio Jornal de Inhumas, Rádio Difusora, Brasil Central, Rádio 730 e tantas outras emissoras. Trabalhei ao lado de gigantes da comunicação e do esporte brasileiro.

Participei de três Copas do Mundo como narrador e repórter. Em 1994, nos Estados Unidos, narrei 34 partidas. Em 1998, na França, foram 29 jogos. Em 2002, diretamente da Coreia do Sul e do Japão, bati meu recorde pessoal: 52 partidas narradas. Ao todo, foram 115 jogos de Copa do Mundo levados ao público pela minha voz.

Não foram números construídos em estúdio ou inventados depois que o tempo passou. Eu estava lá. Vi Romário, Bebeto, Ronaldo, Rivaldo, Cafu e tantos outros escreverem a história do futebol. Cruzei oceanos carregando equipamentos, informações e o compromisso de contar ao ouvinte exatamente o que acontecia.

Depois vieram a televisão, os programas que idealizei e o Blog do Cleuber Carlos. Quando poucos acreditavam na força da internet, escolhi o caminho digital. Transformei o blog em trincheira de informação, fiscalização e independência. Foram milhares de matérias, milhões de acessos e incontáveis enfrentamentos.

Paguei um preço alto por não aceitar coleira. Enfrentei mais de 150 processos. Tentaram me calar, desacreditar minha trajetória e transformar minha coragem em defeito. Não conseguiram. Continuei escrevendo, investigando e incomodando.

Também vieram os reconhecimentos: a Medalha do Mérito Legislativo Pedro Ludovico Teixeira, a maior honraria da Assembleia Legislativa de Goiás; o Diploma de Mérito Legislativo; e o Diploma de Honra ao Mérito concedido pela Câmara Municipal de Goiânia. Essas condecorações não apagam as feridas. Elas confirmam que a caminhada valeu a pena.

Não sou perfeito. Cometi erros, fiz escolhas difíceis e muitas vezes caminhei sozinho. Mas nunca abandonei aquilo em que acredito.

As medalhas ficam no peito. Os diplomas, na parede. As Copas, na memória. As cicatrizes permanecem na alma.

E são justamente elas que contam quem eu sou.

As minhas cicatrizes são o meu orgulho.


​ROBSON RIOS INSINUA INTERFERÊNCIA EM VIRADA NO STJ E AMEAÇA: “DAREI NOMES”

BASTIDORES | Ex-candidato relata encontros secretos, chama interlocutor de “malandro” e sugere que “orações” teriam antecedido a mudança de uma decisão judicial.

Publicações feitas pelo ex-candidato a prefeito de Acreúna Robson Rios levantam suspeitas graves sobre os bastidores de uma decisão que restabeleceu provisoriamente seus direitos políticos.

No dia 17 de agosto, o ministro Francisco Falcão, do Superior Tribunal de Justiça, negou o pedido de urgência apresentado pela defesa. O documento divulgado por Robson registra que seus direitos políticos deveriam permanecer suspensos até junho de 2030.

Sete dias depois, às 22 horas, Robson afirma ter procurado, em uma residência no condomínio Aldeia do Vale, uma pessoa chamada por ele de “malandro”. Segundo a publicação, Robson estava “desesperado”, diante de um problema praticamente impossível de resolver e com apenas “1% de chance” de continuar na campanha.

A resposta atribuída ao interlocutor foi: “Eu vou orar por você”.

Em 27 de agosto, Robson diz ter dirigido mais de 400 quilômetros durante a noite até a casa dessa mesma pessoa, no interior de Goiás. Afirma ter sido recebido com “suco de uva importado” e ouvido: “Vamos continuar orando”.

No dia 3 de setembro, veio a reviravolta. O ministro Francisco Falcão reconsiderou a decisão, concedeu tutela cautelar e determinou o restabelecimento imediato dos direitos políticos até o julgamento final do recurso.

Robson então publicou: “Se hoje você está de volta ao jogo, agradeça às orações do malandro”. Em seguida, aumentou o tom: afirmou que o personagem estará à disposição da Polícia Federal e prometeu: “Darei nomes!”.

As postagens sugerem que as “orações” seriam uma referência irônica a alguma articulação de bastidor. Mas Robson não apresenta provas de interferência sobre o STJ nem identifica quem seria o interlocutor.

A decisão não representa absolvição. Seus efeitos são provisórios e permanecem válidos somente até o julgamento definitivo.

As publicações deixam perguntas inevitáveis: quem é o “malandro”? Que tipo de ajuda teria sido solicitada? Por que Robson relaciona os encontros à mudança da decisão? E o que exatamente ele pretende revelar à Polícia Federal?