
Oliver Ortiz de Zarate Martin foi preso em 2013. Foto: Severino Silva/Agência O Dia
Daniel Vorcaro
Decisão de Toffoli cita Sefer e Benjamin Botelho na operação de fraudes do Banco Master

Oliver Ortiz de Zarate Martin foi preso em 2013. Foto: Severino Silva/Agência O Dia
Daniel Vorcaro
Decisão de Toffoli cita Sefer e Benjamin Botelho na operação de fraudes do Banco Master
A trajetória meteórica de Daniel Vorcaro e as perguntas sobre a origem do dinheiro
A história do Banco Master começa muito antes de o nome “Master” aparecer no mercado financeiro brasileiro. Ela começa com um banco pequeno, o Banco Máxima, e termina — ao menos por enquanto — com uma das maiores crises bancárias recentes do país.
No meio desse percurso existe uma pergunta que hoje atravessa investigações, reportagens e bastidores do sistema financeiro: de onde veio o dinheiro que permitiu a aquisição e a rápida expansão do banco?
2017 — A COMPRA DE UM BANCO PEQUENO
Em 2017, o empresário mineiro Daniel Vorcaro assumiu o controle do então Banco Máxima, uma instituição financeira de pequeno porte.
O banco já enfrentava dificuldades e era pouco relevante no sistema financeiro nacional. A operação de compra envolveu aportes estimados em algumas dezenas de milhões de reais e foi posteriormente submetida à aprovação do Banco Central.
Em 2019, o órgão regulador autorizou formalmente a transferência de controle.
O que parecia, naquele momento, apenas a aquisição de um banco modesto por um empresário do setor imobiliário rapidamente ganharia outra dimensão.
2021 — O NASCIMENTO DO BANCO MASTER
Após a consolidação do controle, o Banco Máxima passou por uma reformulação de marca e estratégia. Surge então o Banco Master.
A instituição passa a adotar uma política agressiva de captação de recursos, oferecendo CDBs com taxas significativamente acima do mercado.
O modelo atraiu rapidamente investidores.
Em poucos anos, os números do banco cresceram de forma exponencial.
Ativos que eram da ordem de poucos bilhões passaram a alcançar dezenas de bilhões de reais.
Para parte do mercado financeiro, o crescimento parecia rápido demais.
2022–2024 — O CRESCIMENTO ACELERADO
Durante esse período, o Banco Master se tornou um dos bancos que mais captavam recursos no país.
Plataformas digitais passaram a distribuir produtos do banco com rendimentos elevados, o que ampliou a base de investidores.
Nos bastidores do mercado financeiro, começaram a surgir questionamentos sobre:
Essas dúvidas, no entanto, ainda circulavam mais nos bastidores do que em investigações formais.
2025 — A CRISE
Em novembro de 2025, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master.
A decisão foi tomada após o agravamento da situação financeira da instituição, com problemas de liquidez e questionamentos sobre a qualidade de ativos.
A medida desencadeou uma série de investigações.
Autoridades passaram a analisar possíveis irregularidades envolvendo gestão, estrutura financeira e origem de determinados investimentos.
A PERGUNTA QUE PASSOU A CIRCULAR
Com o avanço das investigações e reportagens sobre o caso, surgiu uma nova camada de questionamentos.
Algumas matérias jornalísticas e relatos atribuídos a fontes do mercado financeiro passaram a mencionar a possibilidade de que investidores ocultos ou estruturas financeiras paralelas teriam participado da capitalização do banco em diferentes momentos.
Entre essas alegações apareceu, em reportagens recentes, o nome de Oliver Ortiz de Zarate Martin, apontado em registros públicos como estrangeiro condenado no Brasil por tráfico internacional de drogas e posteriormente alvo de processo de expulsão do país.
Segundo essas reportagens, fontes teriam afirmado que Ortiz poderia ter figurado entre investidores indiretos ou financiadores ocultos ligados à estrutura de capitalização que permitiu a expansão do banco.
Até o momento, porém, essas alegações não foram confirmadas oficialmente por autoridades brasileiras em documentos públicos acessíveis.
O QUE ESTÁ SOB INVESTIGAÇÃO
Hoje, as apurações sobre o caso buscam responder perguntas centrais:
Essas respostas ainda dependem das investigações em andamento
UM CASO QUE AINDA NÃO TERMINOU
A história do Banco Master ainda está longe de ser encerrada.
O que começou com a compra de um banco pequeno por um empresário do setor imobiliário acabou se transformando em uma crise financeira de grande impacto e em uma investigação que busca esclarecer a verdadeira estrutura por trás de um crescimento que, para muitos observadores do mercado, sempre pareceu rápido demais.
E enquanto as investigações avançam, a pergunta que permanece aberta é a mesma que hoje ecoa em todo o sistema financeiro brasileiro:
de onde veio, afinal, o dinheiro que financiou essa ascensão meteóricas?
Uma Ação Civil Pública protocolada pelo Ministério Público de Goiás colocou oficialmente no centro do debate público uma realidade que há anos faz parte do cotidiano dos moradores de São Miguel do Araguaia: ruas esburacadas, pavimento deteriorado, erosões e uma infraestrutura viária que, segundo o próprio Ministério Público, atingiu um “estado crítico de deterioração generalizada”.
O documento judicial não trata de um buraco isolado ou de uma reclamação pontual de moradores. O que o Ministério Público descreve é algo muito mais grave: um problema estrutural na política pública de manutenção da malha viária urbana do município.
Segundo a promotoria, diligências realizadas com registro fotográfico e georreferenciamento constataram buracos, desníveis, erosões e ausência de pavimentação em diversos pontos da cidade, comprometendo a segurança de motoristas, ciclistas e pedestres.
A consequência direta é uma rotina de risco diário para quem simplesmente precisa circular pela cidade.
Mas a história revelada no processo judicial mostra que o problema não começou agora.
De acordo com o Ministério Público, a precariedade do asfalto em São Miguel do Araguaia já vinha sendo acompanhada institucionalmente desde 2018, quando foi instaurado um procedimento administrativo para fiscalizar obras de pavimentação e recapeamento vinculadas a convênios públicos.
Essas obras envolviam diversos bairros da cidade, entre eles Morada do Sol, Residencial Cristal, Residencial Maria Rita e Bela Vista.
O objetivo era acompanhar a execução de projetos financiados por programas estaduais e federais destinados justamente à melhoria da infraestrutura urbana.
O que se acumulou ao longo dos anos, porém, foi uma sequência de problemas.
Segundo a própria ação judicial, foram identificados entraves como suspensão de programas estaduais, liberação parcial de recursos, execução incompleta de serviços, rescisão de contratos com empresas responsáveis pelas obras e dificuldades administrativas que impediram a continuidade de determinados repasses.
Mesmo com o acompanhamento do Ministério Público e sucessivas requisições de informações à prefeitura, a situação da malha viária não foi solucionada.
Ao contrário.
O cenário encontrado nas diligências recentes revelou que a deterioração do pavimento urbano se espalhou por diversos setores da cidade, incluindo áreas residenciais e vias de grande circulação.
Para o Ministério Público, a situação ultrapassa a esfera de um simples problema administrativo.
O que está em jogo, segundo a ação, é a violação de direitos coletivos da população, especialmente o direito à segurança viária, à mobilidade urbana e a um ambiente urbano adequado.
Na avaliação da promotoria, a degradação das ruas não pode ser tratada apenas como um inconveniente urbano.
Buracos em vias públicas aumentam o risco de acidentes, provocam prejuízos materiais recorrentes aos cidadãos, dificultam o acesso a serviços essenciais e comprometem diretamente a qualidade de vida da população.
Por isso, o Ministério Público sustenta que a situação configura uma omissão grave do poder público municipal no cumprimento de seu dever constitucional de manter e conservar os logradouros públicos.
Diante desse cenário, a promotoria decidiu levar o caso ao Judiciário.
Na ação protocolada na Vara de Fazendas Públicas da Comarca de São Miguel do Araguaia, o Ministério Público pede que a Justiça obrigue o município a adotar medidas concretas para enfrentar o problema.
Entre os pedidos apresentados está a determinação para que a prefeitura apresente um plano emergencial de intervenção nas vias mais críticas, com sinalização imediata dos buracos que representem risco à segurança e realização de reparos urgentes.
Mas o pedido central vai além.
A promotoria requer que o município elabore e apresente à Justiça um Plano Estrutural de Recuperação e Manutenção da Malha Viária Urbana, contendo mapeamento completo das ruas danificadas, definição de prioridades técnicas, cronograma de execução das obras, previsão orçamentária e implementação de uma política permanente de manutenção preventiva.
A lógica do Ministério Público é clara: tapar buracos de forma esporádica não resolve um problema estrutural.
É preciso criar uma política pública planejada e contínua de manutenção das vias urbanas.
A ação também pede que a Justiça estabeleça multas diárias caso o município descumpra as determinações judiciais.
Além disso, a promotoria solicita a condenação do município ao pagamento de indenização por dano moral coletivo, sob o argumento de que o estado de abandono das ruas impõe à população um sentimento cotidiano de insegurança, prejuízo e descaso por parte do poder público.
Se acolhida pela Justiça, a ação pode obrigar a prefeitura não apenas a reparar os buracos existentes, mas também a estruturar uma política permanente de manutenção da infraestrutura viária da cidade.
Em termos institucionais, o processo coloca em discussão uma questão essencial: até que ponto o poder público pode permanecer inerte diante da deterioração de serviços básicos que impactam diretamente a vida da população.
Agora, caberá ao Judiciário analisar o caso e decidir se a situação descrita pelo Ministério Público exige uma intervenção judicial para obrigar o município a reorganizar sua política de manutenção das ruas.
Enquanto isso, nas ruas de São Miguel do Araguaia, os buracos continuam sendo uma realidade diária para quem precisa simplesmente atravessar a cidade.
E a pergunta que permanece no ar é simples, mas incômoda:
quanto tempo uma cidade pode conviver com o colapso de sua própria infraestrutura antes que alguém seja finalmente obrigado a agir?