ANTES DA OPERAÇÃO, ANTES DA PRISÃO, ANTES DA MANCHETE: ESTE BLOG JÁ DENUNCIAVA O SISTEMA DE SILÊNCIO EM RIO VERDE
Eu não sou o único jornalista que sei dos desmandos que a cidade Rio Verde vem vivendo nos últimos anos. Mas fui o único que tive a coragem de enfrentar sozinho o sistema que durante anos oprimiu a imprensa, instituições, políticos, empresários e silenciou a verdade.
Não foi reação.
Não foi carona em escândalo.
Não foi adesão tardia à pauta estadual.
Foi enfrentamento quando quase todos preferiam o conforto da omissão.
Muito antes de qualquer operação ganhar repercussão, este blog já denunciava a inércia da Câmara Municipal de Rio Verde. Já apontava a ausência de fiscalização. Já questionava contratos emergenciais sucessivos. Já cobrava transparência na saúde. Já perguntava por que o Legislativo evitava tensionar o Executivo.
A crítica não nasceu do escândalo.
O escândalo apenas confirmou a crítica.
Quando vieram os contratos reiteradamente emergenciais, este espaço questionou.
Quando surgiram vínculos políticos em terceirizações milionárias, este espaço cobrou.
Quando o Tribunal de Contas alertou, este espaço perguntou onde estava a Câmara.
E a resposta foi sempre a mesma: silêncio institucional.
Depois veio a operação policial. A imprensa estadual foi rápida para expor alguns nomes. Mas quando o contexto alcançava figuras com peso político estrutural, o tratamento editorial mudou de intensidade.
Este blog fez então o que já vinha fazendo há anos: cobrou coerência.
Transparência não pode ser seletiva.
Rigor não pode depender do alvo.
Coragem não pode variar conforme o sobrenome.
A linha do tempo é clara: primeiro vieram as denúncias; depois, os fatos ganharam repercussão. Não houve mudança de discurso. Houve constância.
E é justamente essa constância que incomoda.
🔥 OPINIÃO FINAL
Rio Verde viveu — e ainda vive — algo mais profundo que um episódio policial.
Existe na cidade uma cultura de acomodação.
Um verdadeiro exército de covardias institucionais.
Covardia de quem sabe e se cala.
Covardia de quem vê e desvia o olhar.
Covardia de quem escuta e escolhe fingir que não ouviu.
Covardia de verdades seletivas, moldadas conforme conveniência política ou econômica.
Há covardia na política quando se evita fiscalizar para não desagradar.
Há covardia na imprensa quando se dosa o rigor conforme o peso do investigado.
Há covardia em setores do sistema quando a prudência vira escudo para a omissão.
Não se trata de acusar indivíduos. Trata-se de reconhecer um ambiente.
Durante anos, esse ambiente foi sustentado pelo medo, pela conveniência e pelo cálculo.
Mas algo mudou.
O que Rio Verde viveu recentemente abalou estruturas. Assombrou muita gente. Tirou da zona de conforto aqueles que acreditavam na eternidade do silêncio.
E, finalmente, a cidade começa a reagir.
Pessoas sérias, que durante anos se sentiram oprimidas pela narrativa única, começam a levantar a cabeça. Começam a falar. Começam a questionar.
O que antes era sussurro virou conversa.
O que era conversa virou debate.
E o debate virou confronto legítimo.
Esse exército de omissões está sendo confrontado.
Não com violência.
Não com ódio.
Mas com exposição, questionamento e memória.
Rio Verde está acordando.
E quando uma cidade acorda, o silêncio deixa de ser confortável — e passa a ser insustentável.