sexta-feira, 30 de outubro de 2026

BOMBA: CAROL DO HAMILTON FILHO ADMITE AUSÊNCIA DE FILIAÇÃO NO SISTEMA OFICIAL E COLOCA RESPONSABILIDADE NO MDB; MINISTÉRIO PÚBLICO APONTA INDÍCIOS DE FRAUDE

Deputada estadual eleita reconhece que seu nome não estava regularmente registrado na Justiça Eleitoral e atribui a situação a uma falha do próprio partido. Entretanto, o Ministério Público questiona a existência de provas confiáveis de que a filiação tenha ocorrido dentro do prazo legal e pede investigação da Polícia Federal.

Uma declaração de Carol do Hamilton Filho, deputada estadual eleita pelo MDB, coloca novamente sob questionamento a regularidade de sua candidatura à Assembleia Legislativa de Goiás.

Ao atribuir a uma falha administrativa do próprio partido a ausência de seu nome no sistema oficial de filiações da Justiça Eleitoral, Carol reconhece um fato central da controvérsia: sua filiação não estava regularmente registrada no sistema FILIA dentro do prazo exigido para disputar as eleições de 2026.

A explicação, apresentada pela própria candidata no processo judicial e reproduzida pelo Anápolis Diário, levanta uma pergunta decisiva: se Carol realmente estava filiada ao MDB desde 17 de novembro de 2025, onde estão as provas independentes capazes de confirmar essa condição?

A resposta tornou-se ainda mais importante depois que o Ministério Público Eleitoral identificou indícios de falsidade material e ideológica em documentos utilizados para sustentar a alegada filiação.

NÃO BASTA CULPAR O PARTIDO

A legislação eleitoral estabelece que a filiação partidária deve ocorrer pelo menos seis meses antes da eleição. Em 2026, o prazo terminou em 4 de abril.

Carol afirma que assinou sua ficha em novembro de 2025, mas que o MDB de Anápolis não realizou o lançamento no sistema da Justiça Eleitoral.

O diretório municipal confirmou sua versão.

Entretanto, o reconhecimento do partido não encerra a discussão.

A Súmula nº 20 do Tribunal Superior Eleitoral admite a comprovação da filiação por outros elementos, mas impede que documentos produzidos unilateralmente e sem fé pública sejam considerados suficientes por si mesmos.

É exatamente nesse ponto que a justificativa apresentada por Carol encontra seu maior obstáculo.

MINISTÉRIO PÚBLICO NÃO ENCONTROU A ATA DA SUPOSTA FILIAÇÃO

Em parecer assinado em 22 de outubro, o promotor eleitoral Lucas Danilo Vaz Costa Júnior informou que não encontrou, no livro original de atas do MDB de Anápolis, o registro da reunião de novembro de 2025 na qual Carol afirma ter formalizado sua filiação.

Também não foram apresentados, segundo o Ministério Público, elementos independentes suficientes para confirmar a realização daquela reunião.

A situação se agravou com a análise de outra ata, datada de setembro de 2026.

O promotor identificou uma página colada no livro original, diferenças de formatação, sinais de possível substituição de folhas e ausência da assinatura do presidente municipal do MDB.

O documento estava assinado pelo tesoureiro Vanderley Cezario de Lima, que também aparece em outros documentos utilizados para sustentar a filiação.

Para o Ministério Público, essas circunstâncias constituem indícios de possível fraude documental.

REPORTAGENS ALTERADAS ENTRARAM COMO PROVAS

Outro ponto especialmente grave envolve publicações jornalísticas apresentadas para demonstrar que Carol já participava das atividades do MDB antes da eleição.

Segundo o parecer, uma reportagem relacionada a uma solenidade realizada em março de 2025 foi apresentada com referência a março de 2026.

A Promotoria também identificou que a página havia sido modificada em 29 de setembro de 2026, três dias após a morte do deputado Amilton Filho.

Outra publicação, originalmente datada de maio, teria recebido alterações em 6 de outubro, dois dias depois da eleição e na véspera do julgamento do registro de candidatura.

O Ministério Público questiona se essas modificações foram utilizadas para produzir uma aparência de comprovação anterior do vínculo partidário.

A autoria e a finalidade das alterações, entretanto, ainda dependem de apuração.

UMA LIMINAR NÃO É COMPROVAÇÃO DEFINITIVA

Em 22 de outubro, o Tribunal Regional Eleitoral de Goiás manteve o registro da candidatura de Carol, considerando a existência de uma decisão liminar que reconhecia provisoriamente sua filiação ao MDB.

Mas existe uma diferença fundamental entre manter uma candidatura com base em uma decisão provisória e reconhecer definitivamente que todos os requisitos legais foram cumpridos.

A liminar não encerrou o processo de filiação, no qual o Ministério Público pede justamente sua revogação.

O promotor também solicitou a exclusão do registro provisório no FILIA e a remessa dos autos à Polícia Federal para investigação de possíveis crimes eleitorais.

A PERGUNTA QUE A JUSTIÇA PRECISA RESPONDER

A controvérsia não se resume mais a uma simples falha de cadastro.

A própria versão de Carol confirma que seu nome não estava regularmente lançado no sistema oficial no prazo legal. Isso, isoladamente, não constitui confissão de ausência de filiação, mas torna indispensável demonstrar que o vínculo partidário realmente existia antes de 4 de abril.

O problema é que justamente os documentos apresentados para comprovar essa condição passaram a ser questionados pelo Ministério Público.

Se a filiação não for definitivamente reconhecida, a situação poderá repercutir sobre a candidatura e a validade dos votos recebidos, conforme as decisões judiciais e os recursos cabíveis.

A pergunta central é inevitável: Carol do Hamilton Filho efetivamente se filiou ao MDB dentro do prazo legal ou sua candidatura foi sustentada por documentos incapazes de comprovar essa condição?

O Ministério Público já apresentou sua conclusão: considera insuficientes as provas e aponta fortes indícios de falsidade documental.

Cabe agora à Justiça Eleitoral decidir.

Até uma decisão definitiva, Carol permanece amparada pelas decisões judiciais vigentes, e as suspeitas não constituem prova conclusiva de fraude ou responsabilidade criminal.

O Blog do Cleuber Carlos continuará acompanhando o processo, porque a autenticidade dos documentos apresentados à Justiça Eleitoral e o cumprimento das condições de elegibilidade são questões de interesse público que exigem esclarecimento.


quinta-feira, 29 de outubro de 2026

CONTRATO DE R$ 19 MILHÕES PARA COMBUSTÍVEL EM SÃO MIGUEL DO ARAGUAIA ENTRA NO RADAR

Credenciamento por inexigibilidade, publicado durante a gestão do prefeito cassado Jeronymo Siqueira, prevê 2,56 milhões de litros de combustíveis. Preços estimados acima de referências estaduais e ausência de disputa tradicional por menor preço levantam questionamentos sobre a economicidade da contratação.

A Prefeitura de São Miguel do Araguaia, no norte de Goiás, publicou em 17 de agosto de 2026 um procedimento de credenciamento para fornecimento de combustíveis à frota municipal, com valor estimado de R$ 19.068.100,00.

A contratação foi estruturada por inexigibilidade de licitação, durante a administração do então prefeito Jeronymo Siqueira, cassado pela Câmara Municipal em 26 de outubro.

O procedimento está registrado no Portal Nacional de Contratações Públicas (PNCP) sob o número 02391654000119-1-000551/2026.

DIESEL REPRESENTA MAIS DE R$ 13 MILHÕES

O levantamento realizado pelo Blog do Cleuber Carlos identificou os seguintes valores estimados:

  • Gasolina comum: 590 mil litros a R$ 6,99 — R$ 4.124.100,00.
  • Gasolina aditivada: 100 mil unidades a R$ 7,64 — R$ 764 mil.
  • Diesel S-10: 561.500 litros a R$ 7,99 — R$ 4.486.385,00.
  • Diesel S-500: 1.097.500 litros a R$ 7,95 — R$ 8.725.125,00.
  • Etanol: 211 mil litros a R$ 4,59 — R$ 968.490,00.

Somente os dois tipos de diesel representam R$ 13.211.510,00, aproximadamente 69,3% do valor global estimado.

A previsão total alcança 2,56 milhões de unidades de fornecimento, predominantemente litros, considerando que a gasolina aditivada foi cadastrada com unidade distinta.

PREÇOS ACIMA DAS REFERÊNCIAS ESTADUAIS

Uma comparação preliminar com referências estaduais de agosto de 2026 aponta diferenças que merecem esclarecimento.

A gasolina comum foi estimada em R$ 6,99, diante de uma referência estadual de R$ 6,51.

O diesel S-10 aparece a R$ 7,99, enquanto a referência estadual considerada foi de R$ 6,69, diferença aproximada de 19,4%.

O etanol foi previsto a R$ 4,59, contra uma referência de R$ 3,96.

As diferenças não comprovam superfaturamento, pois é necessário verificar os preços efetivamente praticados em São Miguel do Araguaia, as condições contratuais e os valores pagos.

POR QUE NÃO HOUVE PREGÃO ELETRÔNICO?

Outro ponto sob análise é a escolha do credenciamento por inexigibilidade, em vez de uma licitação com disputa de preços.

A Lei nº 14.133/2021 permite o credenciamento em hipóteses específicas, mas exige observância dos requisitos legais, critérios objetivos e justificativa para a escolha do procedimento.

A investigação busca esclarecer quantos postos foram credenciados, como os abastecimentos são distribuídos, quais preços são efetivamente praticados e qual estudo demonstrou a vantagem econômica da contratação.

CONSUMO DE COMBUSTÍVEIS TAMBÉM SERÁ ANALISADO

O volume previsto exige confronto com a frota municipal, a quantidade de máquinas pesadas, os quilômetros percorridos e os relatórios de abastecimento.

O valor de R$ 19 milhões é estimado e não representa, necessariamente, despesa já realizada.

Até o momento, os documentos examinados não permitem afirmar a existência de superfaturamento ou outras irregularidades.

O Blog do Cleuber Carlos continuará acompanhando a contratação e mantém espaço aberto à Prefeitura, aos responsáveis pelo procedimento e aos fornecedores para esclarecimentos.


PRIMA DO EX-PREFEITO PAULO DO VALE, IDOSA DE 85 ANOS DENUNCIA SUPOSTA AGIOTAGEM E PERDA DE FAZENDA AVALIADA EM MAIS DE R$ 50 MILHÕES EM GOIÁS

Família de Elenice Faria Carvalho acusa empresário de envolvimento em transferências de 436 hectares em Santo Antônio da Barra. Terras foram posteriormente vinculadas, segundo a denúncia, a operações bancárias com limites de crédito de R$ 22,9 milhões. Polícia Civil registra suspeitas de estelionato, usura, ameaças e crimes contra pessoa idosa.

Uma denúncia envolvendo uma idosa de 85 anos, apontada como prima do ex-prefeito de Rio Verde Paulo do Vale, revela uma grave disputa patrimonial no sudoeste de Goiás. Elenice Faria Carvalho afirma ter perdido o controle de uma fazenda avaliada pela família em mais de R$ 50 milhões após operações financeiras atribuídas a um suposto agiota.

O caso foi registrado na Polícia Civil de Goiás em 28 de outubro de 2026, sob o número 49365054.

O principal acusado pela família é Júnior César Naves de Moura, apontado como responsável por empréstimos com juros supostamente abusivos, pressões e ameaças que teriam culminado na transferência de aproximadamente 436 hectares da Fazenda Barra, em Santo Antônio da Barra.

Segundo a denúncia, as dificuldades financeiras enfrentadas pelo filho da idosa, Roberto Borges de Carvalho Júnior, e sua esposa, Mirian Oliveira Ramos de Carvalho, deram origem aos empréstimos.

A família sustenta que a dívida original não chegava a R$ 2 milhões.

PROCURAÇÕES E TRANSFERÊNCIAS MILIONÁRIAS

Elenice afirma que assinou procurações acreditando que seriam utilizadas para viabilizar financiamentos agrícolas, sem conhecimento de que poderiam resultar na venda definitiva das propriedades.

Uma área de aproximadamente 145 hectares foi transferida para Catie Alves de Lima Moura, então esposa de Júnior César, em negociação declarada de R$ 3,1 milhões.

Outra área, de aproximadamente 291 hectares, foi transferida diretamente para Júnior César em março de 2026, pelo valor declarado de R$ 11 milhões.

A família questiona a regularidade das duas operações e a efetiva quitação dos valores.

FAZENDA FOI VINCULADA A GARANTIAS BANCÁRIAS

Conforme as novas informações fornecidas pela família, a propriedade de 145 hectares foi utilizada como garantia de operação de crédito com limite de R$ 7,5 milhões junto ao Sicredi Cerrado GO.

A segunda área teria sido vinculada a uma operação com limite de R$ 15.398.322,88 junto ao Itaú Unibanco.

Somados, os limites alcançam R$ 22.898.322,88.

Esses valores não significam necessariamente que todo o crédito tenha sido efetivamente liberado. As condições das operações ainda dependem de verificação das respectivas certidões imobiliárias e dos contratos bancários.

FAMÍLIA RELATA AMEAÇAS E RETIRADA DE MAQUINÁRIO

A família também acusa Júnior César e Valmir de Souza Pereira, conhecido como “Tuche”, de comparecerem à propriedade portando armas de fogo e intimidando seus moradores.

Outro relato envolve a suposta retirada de máquinas agrícolas e veículos, além de pagamentos de dívidas mediante entrega de soja.

Mirian também questiona as circunstâncias de uma escritura, alegando que não teria recebido explicações adequadas sobre a natureza do negócio.

Essas alegações ainda precisam ser apuradas, inclusive quanto à atuação dos envolvidos nas transações.

POLÍCIA REGISTRA SUSPEITAS DE CINCO CRIMES

O boletim de ocorrência apresenta tipificações relacionadas a estelionato, ameaça, usura, apropriação de patrimônio de pessoa idosa e indução à outorga de procuração.

A formalização da ocorrência não representa comprovação dos crimes, indiciamento ou condenação.

A denúncia ganha repercussão também pelo vínculo familiar informado entre Elenice e Paulo do Vale, ex-prefeito de Rio Verde. Não há, nas informações apresentadas, qualquer indicação de participação do ex-prefeito nas negociações questionadas.

O caso exige esclarecimentos sobre a validade das procurações, os pagamentos declarados, as transferências imobiliárias e as garantias bancárias.

O Blog do Cleuber Carlos mantém espaço aberto para manifestações de Júnior César Naves de Moura, Catie Alves de Lima Moura, Valmir de Souza Pereira e dos demais citados.

IDOSA DE 85 ANOS DENUNCIA SUPOSTA AGIOTAGEM, AMEAÇAS E TRANSFERÊNCIA DE FAZENDA DE 436 HECTARES EM GOIÁS

Boletim de ocorrência registrado na Polícia Civil aponta suspeitas de estelionato, usura e crimes contra pessoa idosa. Negociações envolvendo propriedades rurais em Santo Antônio da Barra somam R$ 14,1 milhões, e terras teriam sido utilizadas como garantia de operações bancárias de aproximadamente R$ 22,9 milhões.

Uma denúncia registrada na Polícia Civil de Goiás revela uma grave disputa patrimonial envolvendo uma produtora rural de 85 anos, propriedades avaliadas em milhões de reais e suspeitas de empréstimos com juros abusivos, ameaças e transferências imobiliárias supostamente realizadas sem o consentimento consciente da proprietária.

O caso foi formalizado em 28 de outubro de 2026, por meio do Registro de Atendimento Integrado (RAI) nº 49365054, na Delegacia Especializada no Atendimento ao Idoso (DEAI), em Goiânia.

A denunciante, Elenice Faria Carvalho, afirma que terras pertencentes à sua família, localizadas na Fazenda Barra, no município de Santo Antônio da Barra, no sudoeste goiano, foram transferidas após operações financeiras envolvendo Júnior César Naves de Moura, identificado no registro policial como a pessoa apontada pela comunicante.

O documento apresenta tipificações relacionadas a ameaça, estelionato, usura e crimes previstos nos artigos 102 e 106 do Estatuto da Pessoa Idosa. Essas classificações constam do registro da ocorrência e não representam comprovação dos delitos ou condenação dos envolvidos.

DÍVIDAS TERIAM DADO ORIGEM À PERDA DAS TERRAS

Segundo o relato apresentado à polícia, as dificuldades financeiras enfrentadas por Roberto Borges de Carvalho Júnior, filho da denunciante, e por sua esposa, Mirian Oliveira Ramos de Carvalho, levaram a família a buscar empréstimos com Júnior César Naves de Moura.

A idosa afirma que os valores emprestados estariam sujeitos a juros elevados e que, com o passar do tempo, as cobranças teriam se intensificado, acompanhadas de pressões e ameaças.

A situação teria resultado na transferência de duas áreas rurais que, juntas, totalizam aproximadamente 436 hectares.

O ponto central da denúncia está nas procurações públicas assinadas por Elenice em abril de 2024 e agosto de 2025.

Ela sustenta que acreditava estar autorizando procedimentos necessários à obtenção de financiamentos para a atividade agrícola, e não a transferência definitiva de suas propriedades.

Segundo a comunicante, a utilização desses documentos para alienar o patrimônio não correspondia à sua vontade livre e consciente.

PRIMEIRA TRANSFERÊNCIA ENVOLVEU R$ 3,1 MILHÕES

A primeira operação relatada ocorreu em maio de 2024, quando aproximadamente 145 hectares foram transferidos para Catie Alves de Lima Moura, identificada no boletim como então esposa de Júnior César.

O valor declarado da negociação foi de R$ 3.116.484,60.

Entretanto, conforme o registro policial, documentos apresentados pela família indicariam pagamentos de aproximadamente R$ 1.490.246,00 nas contas examinadas.

A diferença entre o valor declarado e os pagamentos identificados é de R$ 1.626.238,60.

Essa divergência não comprova, isoladamente, ausência de pagamento, mas levanta questionamentos sobre a forma de quitação da operação e a existência de eventuais compensações ou outras modalidades de pagamento.

SEGUNDA OPERAÇÃO FOI DECLARADA POR R$ 11 MILHÕES

Em março de 2026, outra área, de aproximadamente 291 hectares, teria sido transferida diretamente para Júnior César Naves de Moura.

Dessa vez, o valor declarado foi de R$ 11 milhões.

A família questiona a regularidade da negociação e a efetiva quitação do montante registrado na escritura.

Segundo o boletim, parte do pagamento teria ocorrido por meio de compensações de dívidas, entrega de veículo e outras operações financeiras.

Somadas, as duas transferências alcançam R$ 14.116.484,60 em valores declarados.

O registro policial, entretanto, não permite concluir que todo esse montante tenha sido efetivamente pago à família.

TERRAS TERIAM GARANTIDO OPERAÇÕES DE R$ 22,9 MILHÕES

Outro ponto que chama atenção é a utilização posterior das propriedades como garantias bancárias.

De acordo com a denúncia, as duas áreas foram vinculadas a operações financeiras cujos limites de crédito somam aproximadamente R$ 22,9 milhões.

O valor corresponde aos limites informados no boletim, não significando necessariamente que todo o crédito tenha sido liberado ou utilizado.

A situação aumenta a preocupação da denunciante com a possibilidade de perder definitivamente o patrimônio rural construído por sua família.

A apuração deverá esclarecer as condições das garantias, a titularidade dos imóveis no momento das operações e a documentação apresentada às instituições financeiras.

DENÚNCIA TAMBÉM RELATA AMEAÇAS COM ARMAS DE FOGO

Além das suspeitas envolvendo as transações imobiliárias, o registro policial descreve episódios de intimidação.

Segundo Elenice, Júnior César e outro homem conhecido na região pelo apelido de “Tuche” teriam comparecido diversas vezes à fazenda, inclusive portando armas de fogo.

A denunciante afirma que essas situações provocaram medo e constrangimento aos familiares.

As alegações exigem investigação específica para identificar as circunstâncias dos episódios, eventuais testemunhas e possíveis elementos de comprovação.

POLÍCIA REGISTRA CINCO ENQUADRAMENTOS PENAIS

O boletim de ocorrência apresenta cinco tipificações relacionadas aos fatos narrados:

  • Ameaça, prevista no artigo 147 do Código Penal.
  • Estelionato, previsto no artigo 171 do Código Penal.
  • Apropriação ou desvio de bens ou rendimentos de pessoa idosa, previsto no artigo 102 do Estatuto da Pessoa Idosa.
  • Indução de pessoa idosa a outorgar procuração para administração ou disposição de bens, prevista no artigo 106 do Estatuto da Pessoa Idosa.
  • Delito de usura, relacionado à cobrança de juros em condições proibidas pela legislação.

A presença dessas tipificações no documento não significa que tenha havido indiciamento, oferecimento de denúncia pelo Ministério Público ou reconhecimento judicial da prática dos crimes.

CASO EXIGE APURAÇÃO DAS ESCRITURAS E DOS PAGAMENTOS

A investigação dos fatos narrados poderá envolver a análise das procurações públicas, escrituras de compra e venda, matrículas imobiliárias, comprovantes bancários e contratos de financiamento.

Também será necessário esclarecer se a proprietária compreendia o alcance dos poderes concedidos nas procurações e se as operações foram realizadas com sua autorização válida.

A própria denunciante solicita que sejam investigadas as condições em que os documentos foram obtidos, as transferências realizadas, os pagamentos declarados e as ameaças relatadas.

O registro policial informa que ela foi orientada a procurar a autoridade policial responsável pela circunscrição de Santo Antônio da Barra.

O documento não apresenta conclusão de investigação, indiciamento ou decisão judicial sobre as denúncias.

O Blog do Cleuber Carlos considera indispensável o esclarecimento das operações, especialmente diante da idade da denunciante, do valor do patrimônio envolvido e da gravidade das suspeitas.

O espaço permanece aberto para manifestações de Júnior César Naves de Moura, Catie Alves de Lima Moura e dos demais envolvidos mencionados na ocorrência, assegurando o contraditório e o direito de resposta.