quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Regra Três: Prendeu Um Para Não Prender Os Outros?

O próprio Ministério Público aponta a existência de um esquema criminoso estruturado de fraudes em licitações, atribuído ao delegado Dannilo Ribeiro Proto, envolvendo diversos contratos, diferentes órgãos públicos e múltiplas obras, com destaque para reformas de prédios públicos e unidades escolares. Uma dessas licitações alcançou a Câmara Municipal de Rio Verde — e foi justamente esse elo que levou à prisão do presidente do Legislativo. Mas a investigação oficial não se limita a esse contrato. Diante disso, a prisão de um único agente político impõe um questionamento inevitável: trata-se de responsabilização coerente e abrangente ou de uma prisão seletiva que concentra holofotes na Câmara enquanto outras licitações e outros entes públicos, também apontados na investigação, permanecem fora do foco? Se o delegado não é acusado de atuar apenas na Câmara, por que apenas esse braço do esquema resultou, até agora, em responsabilização política direta?


Se, segundo a própria apuração do Ministério Público, o delegado Dannilo Ribeiro Proto praticou diversos crimes em múltiplas licitações, envolvendo contratos distintos, órgãos diferentes e obras públicas variadas — especialmente reformas de prédios públicos e unidades escolares —, então uma questão se impõe com força institucional: a investigação seguirá de forma coerente e igualitária ou será conduzida de maneira seletiva?
O presidente da Câmara Municipal foi preso porque um desses crimes investigados — a contratação irregular da empresa ligada ao delegado para realização de concurso público — alcançou diretamente o Legislativo. Esse elo concreto justificou a prisão e está devidamente exposto. Mas o próprio Ministério Público afirma que não se trata de um único contrato, nem de um episódio isolado. O esquema, segundo a investigação, é mais amplo, reiterado e sistêmico. 

Diante disso, a pergunta deixa de ser retórica e passa a ser obrigatória: 

os demais crimes atribuídos ao delegado, praticados em outras licitações, também serão aprofundados com o mesmo rigor? 

Os outros agentes públicos que participaram, autorizaram, fiscalizaram ou chancelaram essas contratações também serão investigados? 

Licitações não acontecem no vazio. Reformas de prédios públicos exigem ordenadores de despesa, gestores de contrato, fiscais de obra, pareceres jurídicos e decisões políticas. Se houve fraude em múltiplos contratos, houve também múltiplos pontos de responsabilidade dentro da administração pública. 

A investigação que prende um agente público e ignora os demais não é técnica — é seletiva. E uma investigação seletiva, em casos dessa gravidade, corre o risco de se transformar em cortina de fumaça: concentra holofotes sobre um cargo específico enquanto preserva outros centros de poder onde, segundo a própria apuração do MP, os mesmos crimes teriam sido praticados. 

O que se espera, portanto, não é espetáculo nem recorte conveniente. É coerência institucional. Se o delegado é acusado de crimes em diversas licitações, todas elas precisam ser investigadas. Se houve outros entes públicos envolvidos, todos precisam ser chamados à responsabilidade. Qualquer caminho diferente disso não será justiça — será proteção seletiva travestida de combate à corrupção.

Prisão do presidente da Câmara de Rio Verde é cortina de fumaça para encobrir outros crimes?

Quando a polícia entra na sede do Legislativo, não é um vereador que cai. É a fachada institucional que racha. A prisão preventiva do presidente da Câmara Municipal de Rio Verde, Idelson Mendes, em operação do Gaeco Sul, escancara algo que já não podia mais ser tratado como “irregularidade administrativa” ou “falha técnica”: havia um sistema operando dentro do poder público.

A prisão é o desfecho provisório — e tardio — de uma sequência de atos que começou fora da Câmara, passou pela contratação de um concurso público irregular, avançou sobre contratos na área da educação e teve como ponto de ignição a prisão de um delegado da Polícia Civil e de sua esposa. Nada aqui é isolado. Tudo se conecta. 

O concurso da Câmara: quando arrecadar veio antes de legalizar 

A Câmara Municipal de Rio Verde contratou sem licitação, por meio de inexigibilidade, o Instituto Delta Proto Ltda. para realizar o Concurso Público nº 001/2023. A empresa pertence ao delegado Dannilo Ribeiro Proto e à sua esposa, Karen de Souza Santos Proto. O edital foi lançado, as inscrições foram abertas, e o dinheiro dos candidatos foi recolhido. 

Só depois veio a legalidade — ou melhor, a constatação de que ela não existia. 

Provocado pelo Ministério Público, o Judiciário suspendeu o certame, o TCM-GO confirmou as irregularidades, e a própria Câmara foi obrigada a anular o concurso. A Justiça determinou ainda a devolução das taxas de inscrição, reconhecendo que o processo estava viciado desde a origem. 
O que era tratado como “concurso” passou a ser visto como porta de entrada para algo maior. 

A prisão do delegado e da esposa: o coração do esquema 

A investigação conduzida pelo Gaeco Sul, no âmbito da Operação Regra Três, aponta o delegado Dannilo Ribeiro Proto como líder de uma organização criminosa voltada à fraude de contratações públicas e ao desvio de recursos, sobretudo na área da educação em Rio Verde. Segundo o Ministério Público, o esquema operava por meio do Instituto Delta Proto, beneficiado por contratações direcionadas e procedimentos ilegais. 

O prejuízo estimado ultrapassa R$ 2,2 milhões. 
A prisão preventiva do delegado foi decretada não apenas pelos indícios de crime, mas pelo uso da função pública para proteger interesses privados, além do risco concreto de interferência nas investigações. Os crimes apurados incluem organização criminosa, falsidade ideológica, prevaricação e desvio de recursos públicos. 
Sua esposa, Karen de Souza Santos Proto, foi presa por integrar o mesmo núcleo investigado. Além de atuar na empresa familiar, ela exercia cargo público de confiança na área da educação em Rio Verde, exatamente no período em que o esquema operava. O Ministério Público aponta ainda que ela manteve comunicação com o delegado mesmo após sua prisão, reforçando o caráter organizado e contínuo das condutas investigadas.

Quando o esquema chega à Câmara 


É a partir desse núcleo — delegado, esposa, empresa e contratos — que a investigação avança e alcança diretamente a Câmara Municipal. A contratação da empresa do delegado para realizar um concurso público não foi um detalhe administrativo: foi um elo concreto entre o esquema investigado e o Legislativo. 



Aqui, a pergunta deixa de ser técnica e passa a ser política: quem autorizou, sustentou e blindou essa contratação dentro da Câmara? Quais pareceres foram usados para dar aparência de legalidade a um processo que acabou anulado pelo Judiciário? 

A investigação aponta para um modus operandi: decisões administrativas que, na prática, funcionavam como engrenagens de um mesmo sistema. 

A prisão do presidente da Câmara: o sistema exposto 


A prisão de Idelson Mendes, presidente da Câmara, é o momento em que a crise deixa de ser periférica e se instala no centro do poder legislativo municipal. O MP investiga sua atuação como parte do núcleo de agentes públicos que teriam viabilizado ou sustentado contratações irregulares, incluindo o concurso posteriormente anulado. 

Não se trata mais de discutir se houve erro. A questão agora é quem sabia, quem assinou e quem fingiu não ver. 
A Operação Regra Três ainda não terminou. Mas uma coisa já ficou clara: o problema em Rio Verde não era um concurso cancelado. Era um sistema que funcionava — até a polícia bater à porta da Câmara. 

Em termos objetivos, o presidente da Câmara foi preso porque presidiu o ato. Foi ele quem, no exercício do cargo máximo do Legislativo municipal, sustentou a contratação ilegal da empresa investigada, permitindo a arrecadação de dinheiro de candidatos em um concurso que nasceu viciado e terminou anulado. Não se trata de erro administrativo. Trata-se de ato concreto, com consequências penais, que colocou a Câmara Municipal dentro da engrenagem do esquema apurado pelo Gaeco.

Jorge e Matheus Gravam Música em Homenagem ao Cão Orelha

Canção, comoção e barbárie: morte do cão “Orelha” expõe o abismo entre afeto social e violência banalizada

Homenagem musical da dupla Jorge & Mateus transforma dor coletiva em símbolo nacional, enquanto o crime ocorrido em Florianópolis levanta questionamentos sobre responsabilidade, impunidade e o tipo de sociedade que estamos formando.

O Brasil se emocionou. Mas antes da música, veio a brutalidade.

A história do cão comunitário conhecido como “Orelha”, figura afetiva da Praia Brava, em Florianópolis, escancarou uma contradição cada vez mais perturbadora: vivemos numa sociedade capaz de amar um animal como membro do bairro — e, ao mesmo tempo, produzir jovens que o atacam com violência.

Segundo informações atribuídas à investigação da Polícia Civil de Santa Catarina, o animal foi encontrado gravemente ferido na madrugada de 4 de janeiro de 2026, após ter sido atacado por um grupo de adolescentes. Não estamos falando de um “incidente”. Estamos diante de um ato de crueldade que ultrapassa o campo penal e invade o campo moral e social.

Orelha não era um cão qualquer. Vivia há cerca de uma década entre moradores, comerciantes e turistas. Era alimentado, cuidado, reconhecido. Um animal comunitário, desses que viram ponto de referência emocional de um lugar. A música lançada por Jorge & Mateus não nasce do marketing: nasce da comoção real de uma comunidade que perdeu um símbolo de afeto cotidiano.

A letra, que circula nas redes, retrata exatamente isso — o cão “de porta em porta”, amigo de todos, presença constante, memória viva da praia. A canção virou homenagem, mas também virou protesto silencioso. Porque por trás da melodia há uma pergunta incômoda: como jovens chegam a esse ponto?

A violência contra animais é frequentemente tratada como “menor”, como se fosse um degrau inferior na escala da gravidade social. Não é. Estudos em criminologia e psicologia comportamental há décadas apontam que a crueldade contra animais é um marcador relevante de desvio grave de empatia. Quando um grupo agride até a morte um ser indefeso que era conhecido e querido pela comunidade, não é apenas o animal que é atingido — é o pacto civilizatório.

O caso também expõe um dilema jurídico delicado: adolescentes envolvidos, como responsabilizar sem cair na impunidade disfarçada de proteção? O Estatuto da Criança e do Adolescente não foi criado para blindar brutalidade, mas para educar e responsabilizar de forma adequada. A pergunta é se o sistema tem estrutura e firmeza para lidar com isso ou se mais um caso será absorvido pelo esquecimento burocrático.

A música de Jorge & Mateus eterniza Orelha. Mas a arte não pode virar anestesia social. Homenagear é necessário. Investigar, responsabilizar e refletir sobre o tipo de violência que estamos normalizando é urgente.

Quando um bairro inteiro chora um cachorro, não é só sobre um animal. É sobre humanidade. E talvez o que mais dói nessa história seja a suspeita de que alguns humanos já tenham perdido a própria.

PRESIDENTE DA CÂMARA DE RIO VERDE É PRESO EM OPERAÇÃO DO GAECO

Prisão de Idelson Mendes leva o escândalo para o centro do Legislativo municipal

Rio Verde acordou sob o peso de uma cena que, em qualquer democracia minimamente funcional, é devastadora: o presidente da Câmara Municipal, Idelson Mendes, sendo alvo de mandado de prisão preventiva em uma operação conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público de Goiás.


Não se trata de boato de bastidor. As informações divulgadas por perfis locais de notícia indicam que a ação cumpriu mandados judiciais que incluíram buscas e apreensões dentro da própria sede do Legislativo municipal. Quando a polícia entra na Câmara, a crise deixa de ser individual e passa a ser institucional.


Segundo os relatos, além de Idelson Mendes, outras pessoas também foram presas no cumprimento das ordens judiciais. A operação investiga possíveis crimes relacionados à atuação de agentes públicos, o que, por si só, já coloca sob suspeita a integridade de decisões e atos praticados dentro da estrutura da Câmara.


O Gaeco ainda não detalhou oficialmente o conteúdo das investigações, o que é comum nesta fase. Mas alguns pontos são politicamente explosivos:


  • O alvo não é um vereador qualquer, é o presidente do Legislativo
  • As diligências alcançaram o ambiente institucional da Câmara
  • A investigação envolve suspeitas ligadas ao exercício da função pública



Isso muda o eixo da discussão. Não é apenas sobre uma pessoa. É sobre como o poder municipal estava sendo exercido.

O SILÊNCIO INSTITUCIONAL AGORA GRITA

Quando a presidência da Câmara é atingida, surge uma pergunta inevitável:

👉 O que estava acontecendo dentro do Legislativo de Rio Verde para justificar uma operação dessa magnitude?

A Câmara Municipal não é um espaço privado. Ali passam:

  • contratos
  • nomeações
  • decisões políticas
  • articulações administrativas

Se há suspeita de crime envolvendo agentes públicos, o impacto é direto sobre a confiança da população nas instituições locais.

PESO POLÍTICO DO CASO

Idelson Mendes não é uma figura isolada. É presidente da Casa, ocupa posição de comando, tem trânsito político. Uma prisão nessa condição não é um evento rotineiro — é um abalo estrutural.

E aqui entra o ponto mais sensível:

Quando o presidente do Legislativo é preso, a pergunta que se impõe não é só “o que ele fez?”, mas:

Quem sabia? Quem se beneficiava? Quem silenciava?

O QUE VEM AGORA

O caso ainda está em fase inicial. O Gaeco deve divulgar informações oficiais ao longo do dia. A defesa, como de praxe, deve se manifestar.

Mas politicamente, o dano já está feito.

A imagem que fica é a de um Legislativo municipal atingido por uma operação criminal, com seu presidente levado sob custódia. Isso não é detalhe. Isso é sintoma de um sistema que pode ter deixado a linha institucional para entrar na zona da irregularidade.

E quando o poder público passa a ser investigado como suspeito, a população não vê apenas uma operação policial.

Vê a confirmação de algo muito mais profundo:

A crise não está na rua. Está dentro do poder.

Perfeito. Vamos tratar isso no plano político-institucional, sem afirmar vínculo criminal, mas analisando impacto de imagem, desgaste e efeitos de contexto, que é onde está a força da pauta.

Segue o novo bloco para encaixar na matéria:

O IMPACTO POLÍTICO SOBRE PAULO DO VALE

Mesmo sem que haja, até o momento, qualquer imputação formal contra o prefeito Paulo do Vale, o episódio atinge diretamente o campo político de influência dele. E na política, muitas vezes, o desgaste não vem da culpa jurídica — vem da associação de ambiente.

Idelson Mendes não era um vereador periférico. Era presidente da Câmara, posição estratégica no jogo de governabilidade municipal. E sua trajetória política sempre foi vista como alinhada ao grupo que sustenta a base do Executivo.

Agora surge um elemento que amplia o peso do episódio: não é o primeiro caso envolvendo figuras politicamente próximas ao entorno do poder municipal. Um delegado anteriormente preso também era considerado aliado político do grupo, e sua esposa ocupava função na administração pública por indicação ligada ao núcleo político do Executivo.

Não se trata de acusação jurídica direta contra o prefeito. Trata-se de contexto político acumulado.

E contexto, em ano de tensão institucional, pesa.

O que isso provoca politicamente

1️⃣ Erosão de capital político

Paulo do Vale sempre construiu imagem associada à gestão técnica e estabilidade administrativa. Quando figuras do entorno político passam a ser alvo de operações criminais, mesmo sem envolvimento direto do chefe do Executivo, a narrativa pública muda de eixo:

sai a ideia de gestão → entra a percepção de ambiente político sob suspeita.

2️⃣ Dificuldade de controle de danos

O prefeito passa a enfrentar não apenas questionamentos sobre políticas públicas, mas sobre critérios de alianças e escolhas políticas.

A oposição tende a construir a narrativa de:

“Não é um caso isolado. É um padrão de proximidade política.”

3️⃣ Fragilização da base política

Vereadores e aliados começam a recalcular posições quando o centro de poder legislativo é atingido por investigação criminal. O efeito colateral é:

  • distanciamentos silenciosos
  • discursos mais cautelosos
  • redução de defesa pública enfática

Possíveis consequências políticas

🔹 Desgaste eleitoral indireto

Mesmo sem denúncia formal, episódios sucessivos envolvendo figuras do entorno político geram um fenômeno conhecido na ciência política como contaminação de imagem por proximidade.


🔹 Pressão institucional sobre o Executivo

A Câmara é peça-chave na sustentação do governo municipal. Com sua presidência envolvida em investigação, o equilíbrio político interno se desestabiliza.

🔹 Narrativa de crise sistêmica

A sucessão de episódios cria terreno fértil para que adversários políticos defendam a ideia de que o problema não é individual, mas estrutural.

E juridicamente?

Até o momento, não há notícia de investigação formal contra o prefeito. E isso é um ponto que precisa ser mantido com clareza.

Mas, politicamente, a linha é outra: quando investigações atingem figuras centrais do entorno de poder, órgãos de controle tendem a ampliar o raio de análise institucional, principalmente se os fatos investigados envolverem:

  • contratos
  • nomeações
  • fluxos administrativos

Não é acusação. É dinâmica de investigação pública.

O QUE FICA DEPOIS DESSE EPISÓDIO

O impacto maior talvez não seja jurídico imediato, mas político acumulativo.

A imagem que se forma não é a de um fato isolado, mas de um ambiente político repetidamente alcançado por operações policiais.

E na política moderna, a opinião pública reage menos aos autos do processo e mais ao padrão que enxerga.

Quando aliados estratégicos do poder municipal passam a figurar em investigações, o capital político do líder do grupo não desaparece de uma vez.

Mas começa a ser corroído.

E desgaste político, diferente de processo judicial, não depende de sentença.


quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

Daniel Vilela Se Consolida Como Aliado de Lula em Goiás

Aproximação com Alckmin expõe alinhamento político que contrasta com o perfil conservador do eleitor goiano

Goiás é, há anos, um dos estados onde o ex-presidente Jair Bolsonaro sempre encontrou terreno fértil. O PT, por outro lado, jamais conseguiu romper a barreira eleitoral que o mantém como força periférica no estado. O eleitor goiano é majoritariamente conservador, desconfiado da esquerda ideológica e resistente ao discurso petista.


É nesse cenário que o vice-governador Daniel Vilela vai, passo a passo, se posicionando de forma cada vez mais clara no tabuleiro nacional.


O encontro com o vice-presidente Geraldo Alckmin não foi agenda protocolar. Foi gesto político. Foto institucional, ambiente oficial, simbologia de alinhamento. Não se trata de reunião técnica. Trata-se de sinal.


E o sinal é nítido: Daniel se consolida como interlocutor preferencial do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em Goiás.


Isso não surge do nada. A relação histórica entre Maguito Vilela e Lula sempre colocou o grupo político dos Vilela no campo do diálogo direto com governos petistas. Daniel herda essa ponte. Herda o canal. Herda a posição.


Pode haver discurso moderado. Pode haver retórica institucional. Mas trajetória política não se apaga com palavras. Daniel nunca esteve no campo bolsonarista. Seu histórico de alianças e aproximações o situa de forma consistente no eixo de sustentação política do governo federal.


O que está em curso não é adesão ideológica aberta. É algo mais sofisticado e eleitoralmente calculado: presença no núcleo do poder sem carregar a bandeira.


O problema é que, em Goiás, essa conta é sensível. O eleitor local aceita gestor que dialogue com Brasília. O que ele rejeita é a figura identificada como representante do projeto petista.


E é justamente aí que o movimento de Daniel ganha peso político. Ele deixa de ser apenas vice-governador e passa a ser percebido como peça do arranjo nacional Lula–Alckmin dentro do estado. Não por declaração. Por gesto. Por imagem. Por trajetória.


Na prática, o que se consolida é um fato político:


Daniel Vilela se firma como ponte do governo Lula em Goiás — um posicionamento que o aproxima do campo lulista no momento em que o eleitor goiano segue majoritariamente ancorado na direita.


E em política, percepção muitas vezes vale mais que discurso.