BASTIDORES | Cadeia incomum de procurações e substabelecimentos terminou justamente no primeiro advogado contratado, que teria conduzido a estratégia vitoriosa, mas não recebeu pelo trabalho.
Um episódio envolvendo um candidato milionário e pelo menos quatro advogados levanta questionamentos sobre contratação, pagamento de honorários e possível violação das regras éticas da advocacia.
O candidato enfrentava um grave problema na Justiça Eleitoral e inicialmente concedeu procuração a um advogado para conduzir sua defesa. Paralelamente, porém, também constituiu um segundo profissional.
A partir daí surgiu uma verdadeira “corrente caranguejo”: o segundo advogado substabeleceu poderes para outros dois profissionais. Esses dois, posteriormente, substabeleceram novamente para quem? Justamente para o primeiro advogado, aquele que já havia recebido diretamente a procuração original do candidato.
Ao final, a decisão judicial foi favorável. Segundo informações recebidas pelo Blog do Cleuber Carlos, a tese e o trabalho decisivo teriam sido conduzidos pelo advogado inicialmente contratado. O pagamento, entretanto, teria seguido outro caminho: foi destinado aos integrantes da cadeia de substabelecimentos, enquanto o profissional apontado como responsável pela vitória ficou sem receber.
A situação precisa ser esclarecida documentalmente. Quem celebrou contrato de honorários com o candidato? Qual advogado elaborou a tese acolhida pela Justiça? Quem assinou e protocolou as peças decisivas? Qual valor foi pago, a quem e por qual serviço?
O primeiro advogado poderá reunir procurações, contratos, mensagens, minutas e registros processuais para cobrar judicialmente os honorários. Mesmo sem contrato escrito, a legislação permite o arbitramento do valor conforme o trabalho efetivamente prestado.
Também poderá existir repercussão ética caso profissionais tenham ingressado na causa sem comunicar ao advogado anteriormente constituído ou recebido valores em desacordo com os ajustes firmados.
Se o pagamento estiver relacionado diretamente à campanha eleitoral, a despesa ainda deverá aparecer regularmente na prestação de contas do candidato.
A decisão foi favorável. Agora falta esclarecer quem realmente trabalhou, quem recebeu — e por que o advogado apontado como responsável pelo resultado ficou de fora.








