domingo, 16 de agosto de 2026

MARCONI ESCOLHE GOIANÉSIA PARA DAR LARGADA À CAMPANHA E REPETE RITUAL QUE COMEÇOU NA VITÓRIA DE 1998

ELEIÇÕES 2026 | Ao lado da candidata a vice-governadora Jaqueline Zaiden, ex-governador volta ao Vale do São Patrício neste domingo para lançar oficialmente sua campanha ao Governo de Goiás. Escolha de Goianésia repete uma tradição eleitoral iniciada há 28 anos.

Marconi Perillo (PSDB) escolheu um território carregado de simbolismo político para colocar oficialmente sua campanha de 2026 nas ruas. Neste domingo, 16 de agosto, o tucano lança em Goianésia sua candidatura ao Governo de Goiás, ao lado da vice Jaqueline Zaiden.

O ato está marcado para as 17 horas, na Rua 34, entre as ruas 11 e 9, no Setor Nova Aurora, conforme o material de divulgação da campanha. A programação publicada pela imprensa também confirma Goianésia como palco do lançamento oficial. (Jornal Opção⁠)

Não se trata, porém, de uma cidade escolhida ao acaso.

O SIMBOLISMO DE GOIANÉSIA

Foi em Goianésia que Marconi iniciou, em 1998, a campanha que terminaria com sua primeira eleição para governador de Goiás.

Desde então, a cidade transformou-se numa espécie de ponto de partida eleitoral do grupo político ligado ao tucano. Com a disputa de 2026, serão oito eleições consecutivas em que Marconi inicia sua caminhada eleitoral no município. (Mais Goiás⁠)

A escolha, portanto, carrega uma mensagem evidente: Marconi tenta conectar a campanha atual à trajetória política que começou justamente com a surpreendente vitória de 1998.

Naquele momento, ele chegou ao governo aos 35 anos. Depois, construiria uma carreira que inclui quatro mandatos como governador de Goiás.

Agora, quase três décadas depois daquela primeira arrancada, retorna ao mesmo território tentando construir uma nova volta ao Palácio das Esmeraldas.

JAQUELINE ENTRA EM CAMPO AO LADO DE MARCONI

A largada também coloca a vice Jaqueline Zaiden definitivamente no centro da campanha.

Antes de Goianésia, Marconi cumpre compromissos em Rio Verde, cidade ligada politicamente a Jaqueline. A agenda divulgada prevê participação em culto de Ação de Graças e encontro com idosos antes da viagem para o Vale do São Patrício. (Portal Go 020⁠)

A estratégia permite que a chapa comece o domingo passando por dois territórios com significados diferentes: Rio Verde fortalece a apresentação da vice e a presença no Sudoeste; Goianésia resgata a história eleitoral de Marconi.

UMA CAMPANHA COM O DESAFIO DE RECONSTRUIR ALIANÇAS

Se Goianésia traz boas lembranças para o tucano, o cenário de 2026 é diferente daquele encontrado em outras disputas.

Marconi inicia a campanha tentando transformar seu peso político e sua memória administrativa em estrutura eleitoral suficiente para enfrentar adversários que também colocam suas máquinas nas ruas.

Enquanto o tucano lança a candidatura em Goianésia, Daniel Vilela inicia sua movimentação pelo Entorno do Distrito Federal ao lado de Ronaldo Caiado. Wilder Morais também programou atos para a abertura da campanha. (Jornal Opção⁠)

A disputa pelo Governo de Goiás, portanto, entra oficialmente em uma nova fase.

Acabou o período das articulações de bastidores, das convenções e das pré-candidaturas.

Agora é voto.

GOIANÉSIA SERÁ O PRIMEIRO TESTE

O lançamento deste domingo também terá uma leitura inevitável nos bastidores: o tamanho da mobilização que Marconi conseguirá produzir.

Número de lideranças, presença de candidatos proporcionais, participação popular e capacidade de reunir antigos e novos aliados serão observados pelos adversários.

Para Marconi, Goianésia não representa apenas o primeiro comício de uma campanha.

Representa uma tentativa de recuperar o ambiente político de onde saiu uma das maiores viradas eleitorais da história recente de Goiás.

Em 1998, a caminhada começou em Goianésia e terminou no Palácio das Esmeraldas.

Em 2026, 28 anos depois, Marconi volta ao mesmo ponto de partida.

A pergunta que começa a ser respondida neste domingo é outra:

Goianésia ainda tem força para ser, mais uma vez, o começo de uma caminhada de Marconi rumo ao Governo de Goiás?


sábado, 15 de agosto de 2026

Kassab Detonou Candidatura de Caiado ao Dizer Que PSD está Com Lula

CAIADO CANDIDATO, PSD COM LULA? Kassab coloca o próprio companheiro de chapa contra a parede

ELEIÇÕES 2026 | Gilberto Kassab é presidente do PSD e vice de Ronaldo Caiado. Mas acaba de afirmar que o Centrão está com Lula e que Flávio Bolsonaro tem “chance zero” de vencer. A declaração abre uma crise política óbvia: afinal, de que lado está o partido que lançou Caiado à Presidência?

Ronaldo Caiado tem agora uma pergunta incômoda para responder. E ela não veio de Lula nem de Flávio Bolsonaro. Veio do próprio vice.

Gilberto Kassab afirmou diante de empresários em São Paulo que os partidos do Centrão estão com Lula e classificou como “zero” a possibilidade de vitória de Flávio Bolsonaro. Depois, voltou a sustentar que lideranças do Centrão favorecem a reeleição do petista. (UOL Notícias⁠)

O problema é o currículo de quem falou.

Kassab não é um comentarista olhando a eleição de fora. É presidente nacional do PSD e candidato a vice-presidente de Caiado.

E o PSD está longe de marchar unido com seu próprio candidato.

O partido deu liberdade para candidatos a governador até mesmo ignorarem agendas de Caiado. Kassab afirmou que os diretórios teriam autonomia para seguir o caminho eleitoral que considerassem conveniente. No Rio de Janeiro, Eduardo Paes apoia Lula; em Pernambuco, Raquel Lyra recebeu liberdade para definir sua estratégia; enquanto o PSD paulista está aliado a Tarcísio de Freitas, apoiador de Flávio. (Folha de S.Paulo⁠)

A própria convenção que oficializou Caiado mostrou a divisão: nomes importantes do PSD alinhados a Lula não compareceram, entre eles Eduardo Paes, enquanto Raquel Lyra também esteve ausente. (Folha de S.Paulo⁠)

É aí que a declaração de Kassab ganha outra dimensão.

Se o Centrão está com Lula, como diz o presidente do PSD, onde está o PSD?

E, principalmente: onde fica Caiado nessa história?

Caiado deixou o União Brasil e ingressou no PSD para disputar a Presidência. Conquistou a candidatura e recebeu o próprio Kassab como vice. Mas parte da estrutura partidária que deveria ajudá-lo a chegar ao Palácio do Planalto mantém alianças com seus adversários.

Não é interpretação inventada pelos críticos. O PSD liberou suas lideranças regionais para apoiar outros presidenciáveis, e dirigentes lulistas da própria legenda já haviam sinalizado que não embarcariam na candidatura de Caiado. (Folha de S.Paulo⁠)

Agora o presidente do partido vai além e anuncia que o Centrão está com Lula.

A situação política de Caiado fica desconfortável.

Como pedir ao eleitor brasileiro que acredite numa candidatura presidencial se nem o próprio partido está obrigado a caminhar com seu candidato?

E existe outra pergunta ainda mais dura:

Caiado é realmente o projeto presidencial do PSD ou sua candidatura serve também como instrumento de negociação de Kassab para o segundo turno?

O ataque vindo do PL já começou. Rogério Marinho, coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro, acusou o PSD de atuar como “linha auxiliar” de Lula e afirmou que a candidatura de Caiado “não é para valer”. É uma acusação partidária, não um fato comprovado — mas a declaração de Kassab entregou munição de sobra aos adversários. (UOL Notícias⁠)

Caiado precisa responder.

Porque neste momento existe uma contradição difícil de explicar ao eleitor:

Caiado é candidato a presidente pelo PSD. Kassab é presidente do PSD e vice de Caiado. Parte relevante do PSD apoia adversários de Caiado. E agora Kassab anuncia que o Centrão está com Lula.

Se Caiado pretende convencer o Brasil de que sua candidatura é para valer, talvez tenha primeiro que convencer o próprio partido.

Antes de pedir o voto do Brasil, Caiado precisa responder uma pergunta bem mais simples: afinal, o PSD está com ele ou com Lula?


PEGA FOGO, CABARÉ: Delegado Waldir e Ariane entram em guerra dentro do União Brasil

POLÍTICA | A guerra explodiu dentro do União Brasil em Goiás. Ariane Cândido levou Delegado Waldir à Justiça Eleitoral; Waldir reagiu pedindo a expulsão da correligionária e atacando sua situação financeira. Ariane devolveu: “Fale sobre o vídeo, fale sobre a denúncia”.

O que deveria ser uma disputa eleitoral entre adversários virou uma batalha entre candidatos do mesmo partido.

Delegado Waldir e Ariane Cândido estão em guerra aberta dentro do União Brasil — e a temperatura subiu depois que Ariane apresentou uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) contra o ex-presidente do Detran-GO.

A ação questiona a atuação de Waldir no comando do órgão e pede que a Justiça Eleitoral investigue possível abuso de poder político e econômico relacionado à estrutura do Detran e aos instrutores autônomos.

Waldir não deixou barato.

O candidato reagiu anunciando pedido de expulsão de Ariane do União Brasil e partiu para um contra-ataque que ultrapassou a discussão sobre o Detran e atingiu diretamente a vida financeira da correligionária. (G5 News⁠)

Segundo declarações atribuídas a Waldir, Ariane estaria endividada, teria perdido um salário de R$ 17 mil e teria recebido dinheiro para apresentar a denúncia.

Ariane respondeu.

Admitiu ter recorrido a dinheiro emprestado para pagar o cartão de crédito neste mês, mas acusou Waldir de tentar desviar o debate.

“Fale sobre o vídeo, fale sobre a denúncia.”

A resposta colocou novamente no centro da discussão a questão que originou toda a briga: o conteúdo do vídeo envolvendo Waldir e os instrutores autônomos durante sua passagem pelo Detran.

A guerra, porém, já ultrapassou os limites da AIJE.

Agora existem pedidos de expulsão, ameaças de ações judiciais, acusações pessoais e dois candidatos do mesmo partido trocando ataques publicamente em plena campanha eleitoral.

Pega fogo, cabaré.

Enquanto os adversários externos assistem, o União Brasil enfrenta uma guerra dentro da própria casa.

E a pergunta que fica é outra:

depois de tudo isso, ainda existe espaço para Delegado Waldir e Ariane Cândido permanecerem no mesmo partido?


DE R$ 8 MILHÕES A R$ 52 MILHÕES: patrimônio de Caiado cresce 548% desde que chegou ao Governo de Goiás

INVESTIGAÇÃO | Declarações entregues à Justiça Eleitoral mostram salto de R$ 8,1 milhões em 2018 para R$ 52,5 milhões em 2026. Candidato atribui boa parte da variação recente à venda milionária de uma fazenda herdada há quatro décadas.

Os números impressionam.

Quando Ronaldo Caiado disputou e venceu o Governo de Goiás em 2018, declarou à Justiça Eleitoral patrimônio de R$ 8.107.330,58.

Quatro anos depois, em 2022, quando buscou a reeleição, os bens declarados já somavam R$ 24.874.436,19.

Agora, candidato à Presidência da República pelo PSD em 2026, Caiado informou patrimônio de R$ 52.557.930,98. (Folha de S.Paulo)

Entre 2018 e 2026, portanto, a diferença nominal é de R$ 44.450.600,40.

O crescimento percentual chega a aproximadamente 548,28%.

É um número gigantesco e que, isoladamente, naturalmente provoca uma pergunta: como o patrimônio declarado por Caiado multiplicou-se mais de seis vezes em apenas oito anos?

O PRIMEIRO SALTO

A primeira grande mudança ocorreu entre 2018 e 2022.

Caiado saiu de R$ 8,1 milhões para R$ 24,87 milhões.

Foi um aumento nominal de aproximadamente 206,8% em quatro anos.

A própria declaração de 2022 já mostrava que a riqueza de Caiado estava fortemente concentrada no campo. Entre os bens apareciam dezenas de imóveis rurais, participações empresariais e aproximadamente R$ 5,41 milhões em bovinos e bufalinos, além de outros animais. (Mais Goiás)

Existe ainda uma peculiaridade importante nessa história.

Levantamento realizado a partir de declarações eleitorais anteriores mostrou que várias propriedades rurais de Caiado permaneceram durante anos registradas pelos mesmos valores históricos, alguns deles extremamente inferiores ao valor de mercado das terras. Em 2018, eram mencionadas ao menos 14 fazendas ligadas ao político, várias provenientes de herança familiar. (De Olho nos Ruralistas)

Isso significa que comparar apenas os totais declarados pode produzir uma imagem distorcida da valorização econômica real do patrimônio.

A FAZENDA DE R$ 699 MIL QUE VIROU R$ 27,6 MILHÕES

É justamente aí que aparece a principal explicação apresentada por Caiado para o novo salto entre 2022 e 2026.

Segundo sua assessoria, a Fazenda Santa Maria, em Nova Crixás, com aproximadamente 1.120 hectares, havia sido recebida por herança em 1985.

Na declaração patrimonial, o imóvel aparecia por seu valor histórico: R$ 699.524,59.

Em 11 de novembro de 2025, porém, Caiado afirma ter vendido a propriedade por nada menos que R$ 27,6 milhões. (Metrópoles)

A diferença entre os dois valores é próxima de R$ 26,9 milhões.

Segundo a versão apresentada pela equipe do candidato, portanto, não surgiram R$ 27 milhões em patrimônio novo: um ativo que estava contabilizado pelo valor histórico de décadas atrás simplesmente foi convertido em dinheiro pelo preço atual de mercado.

A explicação é relevante e muda substancialmente a interpretação dos números.

O QUE CAIADO TEM HOJE

A declaração apresentada para a eleição presidencial mostra que o agronegócio continua sendo o centro da fortuna do ex-governador.

São aproximadamente:

R$ 36,21 milhões em imóveis rurais;

R$ 10,49 milhões em animais de criação;

R$ 4,29 milhões em aplicações e títulos financeiros;

R$ 1,01 milhão em quotas de empresas;

além de outras participações societárias, depósitos, imóveis urbanos e veículo. (InfoMoney)

Só propriedades rurais e rebanho representam cerca de 89% de todo o patrimônio declarado.

O NÚMERO É REAL; A INTERPRETAÇÃO EXIGE CUIDADO

Documentalmente, não há dúvida sobre a evolução nominal:

2018 — R$ 8.107.330,58

2022 — R$ 24.874.436,19

2026 — R$ 52.557.930,98 (Folha de S.Paulo)

Também é correto afirmar que, entre a eleição que levou Caiado ao Governo de Goiás e sua candidatura presidencial, o patrimônio declarado cresceu aproximadamente 548% em valores nominais.

O que os documentos consultados não permitem afirmar é que esses R$ 44,4 milhões tenham sido “ganhos durante o exercício do governo”, muito menos que resultem de contratos públicos ou de qualquer irregularidade.

Até aqui, não encontramos documento que estabeleça essa relação.

Ao contrário, a principal explicação disponível para o salto de 2022 a 2026 é uma operação privada claramente identificada: a venda por R$ 27,6 milhões de uma propriedade rural herdada quatro décadas antes e contabilizada por valor histórico inferior a R$ 700 mil. (UOL Notícias)

A PERGUNTA QUE AINDA FICA

A venda da Fazenda Santa Maria explica grande parte do crescimento mais recente.

Mas há um segundo movimento que merece investigação mais aprofundada: a passagem de R$ 8,1 milhões para R$ 24,8 milhões entre 2018 e 2022, período correspondente exatamente ao primeiro mandato de Caiado como governador de Goiás.

O aumento foi de aproximadamente R$ 16,7 milhões.

Para compreender integralmente essa evolução será necessário comparar, bem por bem, as declarações de 2018 e 2022: quantidade de gado, aquisição de propriedades, alterações no valor atribuído às fazendas, quotas societárias, rendimentos rurais e eventuais alienações.

É nesse ponto — e não apenas numa manchete baseada no percentual de 548% — que está a próxima camada da investigação.

O patrimônio declarado cresceu. O número está comprovado. Agora é preciso separar valorização, venda de patrimônio antigo, produção rural e efetiva aquisição de novos bens para descobrir exatamente de onde veio cada milhão.