domingo, 27 de setembro de 2026

​HENRIQUE ARANTES ACUSA FELIPE CECÍLIO DE SER UM CALOTEIRO POLÍTICO

POLÍTICA | Ex-deputado rompe aliança após desistir da candidatura federal e acusa correligionário de descumprir compromissos financeiros com lideranças de mais de 60 municípios. Felipe, que declarou patrimônio de R$ 86,8 milhões, contesta as acusações e apresenta outra versão para o rompimento.

Uma aliança política construída em torno da disputa por uma cadeira na Câmara dos Deputados terminou em troca de acusações públicas neste domingo (27). O ex-deputado estadual Henrique Arantes (PSDB) anunciou o rompimento com Felipe Cecílio (PSDB), candidato a deputado federal, e o acusou de descumprir compromissos financeiros assumidos com lideranças políticas de Goiás.

Henrique havia desistido da própria candidatura para apoiar Cecílio. Segundo sua versão, o acordo previa que o candidato incorporasse suas bases eleitorais e assumisse compromissos anteriormente estabelecidos com lideranças de mais de 60 municípios.

O problema, conforme denunciou o ex-deputado, começou quando os pagamentos prometidos não aconteceram.

Henrique afirma que Felipe alterou repetidamente as datas previstas e, posteriormente, deixou de atender ligações e responder mensagens.

Em sua manifestação pública, o ex-deputado classificou o comportamento do antigo aliado como o de um “caloteiro” e “estelionatário”.

A acusação representa a versão de Henrique Arantes e não constitui constatação judicial de fraude ou inadimplência.

PATRIMÔNIO DE R$ 86,8 MILHÕES ENTRA NA POLÊMICA

Um dos pontos levantados por Henrique é o patrimônio declarado por Felipe Cecílio à Justiça Eleitoral.

Segundo os dados apresentados no registro de candidatura de 2026, Felipe informou possuir R$ 86.829.450,00 em bens e investimentos.

Entre os valores declarados estão:

  • R$ 55 milhões identificados como BDB Digital Crédito;
  • R$ 18,6 milhões em investimento no BTG Pactual;
  • R$ 6,5 milhões em um apartamento;
  • R$ 5 milhões em investimentos identificados como Conglomerado FSC.

O patrimônio também chama atenção pela evolução entre duas eleições. Em 2022, Felipe havia declarado R$ 20 mil. Quatro anos depois, o montante informado chegou a R$ 86,8 milhões.

A variação patrimonial, por si só, não representa irregularidade.

Henrique utilizou o patrimônio declarado pelo ex-aliado para questionar o alegado descumprimento dos compromissos financeiros.

FELIPE REBATE E FALA EM COMPRA DE VOTOS

A crise ganhou outro capítulo quando Felipe Cecílio apresentou sua versão.

Segundo o candidato, depois de receber o apoio de Henrique, teria identificado uma estrutura política baseada em interesses financeiros, diferente daquela que imaginava incorporar à campanha.

Felipe afirmou que decidiu desfazer os acordos e acusou o ex-deputado de tentar receber dinheiro pela transferência de sua candidatura e de suas bases eleitorais.

Em declaração reproduzida pelo Portal Notícias Goiás, Cecílio afirmou ter desfeito acordos que classificou como compra de votos.

A declaração acrescenta uma questão à controvérsia: qual era exatamente a natureza dos compromissos financeiros negociados entre os dois políticos?

A legislação eleitoral proíbe a compra de votos. Entretanto, as declarações públicas dos envolvidos, isoladamente, não comprovam a ocorrência de ilícito eleitoral.

ROMPIMENTO EXPÕE ACORDOS POLÍTICOS

O episódio coloca em discussão os compromissos assumidos durante a transferência de apoio entre candidaturas.

Henrique sustenta que abriu mão de disputar uma vaga na Câmara dos Deputados porque confiou que Felipe cumpriria os acordos com as lideranças de sua base política.

Felipe, por sua vez, afirma que rompeu os compromissos após identificar interesses financeiros que considerou incompatíveis com sua campanha.

Até o momento, as manifestações públicas consultadas não apresentam documentação suficiente para comprovar os valores negociados, a natureza individual de cada compromisso ou a existência de pagamentos pendentes.

A controvérsia também ocorre em meio a outros conflitos públicos envolvendo a chapa federal do PSDB em Goiás.

O rompimento está confirmado. As acusações financeiras, entretanto, permanecem em disputa entre os dois antigos aliados.

O Blog do Cleuber Carlos acompanhará os desdobramentos do caso, especialmente eventuais esclarecimentos sobre a natureza dos compromissos financeiros mencionados e seus possíveis reflexos na Justiça Eleitoral.

BLOG DO CLEUBER CARLOS — O BLOG QUE É NOTÍCIA.


sábado, 26 de setembro de 2026

VITÓRIA PRECISA DE AJUDA: JOVEM DE 25 ANOS ENFRENTA PROBLEMA RENAL E FAZ VAQUINHA PARA CONSEGUIR CIRURGIA

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SOLIDARIEDADE | Com cálculo renal, hidronefrose e infecções urinárias recorrentes, Vitória Cristina busca ajuda para realizar procedimento cirúrgico. Família relata que cirurgia pelo SUS não aconteceu por falta de materiais.

Aos 25 anos, Vitória Cristina da Silva dos Santos enfrenta uma batalha pela própria saúde. Diagnosticada com um cálculo renal que obstrui o ureter esquerdo, a jovem convive com dores intensas, infecções urinárias recorrentes e o risco de comprometimento da função renal.

Exames apresentados ao Blog do Cleuber Carlos apontam um cálculo de aproximadamente 7,7 milímetros, hidronefrose moderada no rim esquerdo e dilatação do ureter.

Segundo relato da família, Vitória chegou a ficar internada aguardando atendimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Posteriormente, foi encaminhada à Santa Casa de Misericórdia de Goiânia, onde realizaria o procedimento.

Entretanto, conforme a família, a cirurgia não aconteceu devido à falta dos materiais necessários para a retirada do cálculo. A informação ainda depende de confirmação pela unidade hospitalar.

Diante da situação, seu esposo, Rafael, decidiu mobilizar amigos e a comunidade para conseguir os recursos necessários à realização da cirurgia na rede particular.

“Rapaz, o que o senhor puder ajudar a gente vai estar salvando. Deus abençoe o senhor”, disse Rafael, emocionado, em mensagem encaminhada à reportagem.

A família criou uma campanha na plataforma Vakinha para arrecadar os recursos necessários ao tratamento.

COMO AJUDAR VITÓRIA

Ajude Vitória a realizar sua cirurgia

Campanha nº 6358479

Pix oficial da campanha

6358479@vakinha.com.br

https://www.vakinha.com.br/vaquinha/cirurgia-para-retirar-calculo-renal-da-vitoria

Qualquer contribuição pode fazer diferença. Quem não puder doar também pode ajudar compartilhando a campanha e ampliando essa corrente de solidariedade.

Para Vitória e sua família, cada gesto representa esperança de conseguir o tratamento e recuperar a saúde.

Blog do Cleuber Carlos — O Blog que é Notícia.


​TSE DÁ VITÓRIA DE 7 A 0 A ROBSON RIOS E SACODE A SUCESSÃO MUNICIPAL EM ACREÚNA

POLÍTICA | Líder da oposição recupera direitos políticos, tem cassação suspensa e volta ao cenário eleitoral de 2028. Com o atual prefeito impedido de disputar novo mandato consecutivo, decisão altera o quadro da sucessão municipal.

Decisão unânime confirma medida do ministro Dias Toffoli, suspende os efeitos da cassação e da retotalização dos votos. Questionamentos sobre a validade de provas digitais estão no centro da disputa judicial que alterou a composição da Câmara Municipal.

Uma decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) representa um novo capítulo na disputa judicial envolvendo as eleições municipais de Acreúna, no sudoeste goiano.

Nesta sexta-feira (25), os sete ministros da Corte confirmaram, por unanimidade, a decisão cautelar que suspendeu os efeitos da cassação relacionada ao processo envolvendo Robson Soares da Silva.

O julgamento, com placar de 7 votos a 0, confirma a medida anteriormente concedida pelo ministro Dias Toffoli e repercute diretamente sobre a retotalização dos votos e a composição da Câmara Municipal.

A informação sobre o resultado colegiado foi repassada ao Blog do Cleuber Carlos. A decisão individual anterior está documentada, mas a íntegra do novo acórdão ainda não foi localizada pela reportagem.

A ORIGEM DA REVIRAVOLTA

Em 14 de agosto, Dias Toffoli determinou a suspensão integral dos efeitos e da execução do acórdão do Tribunal Regional Eleitoral de Goiás (TRE-GO), proferido no Recurso Eleitoral nº 0600544-45.2024.6.09.0128.

A medida foi concedida em tutela cautelar apresentada por Robson Soares da Silva, representado pelos advogados Christiane Araújo de Oliveira e Israel Nonato da Silva Junior.

A decisão regional havia provocado consequências sobre os mandatos eletivos, incluindo a retotalização dos votos e mudanças na representação parlamentar de Acreúna.

PROVAS DE WHATSAPP NO CENTRO DA CONTROVÉRSIA

Um dos pontos centrais da discussão judicial é a confiabilidade das provas digitais utilizadas na condenação.

Segundo a decisão cautelar, conversas de WhatsApp foram documentadas por fotografias realizadas com outros aparelhos celulares, sem utilização de ferramentas forenses de extração dos dados.

Toffoli apontou, em análise preliminar, problemas relacionados à idoneidade desse material probatório e à preservação da cadeia de custódia.

A controvérsia envolve a possibilidade de verificar a autenticidade, a integridade e a origem das mensagens utilizadas como elementos de prova.

A decisão não representa, por si só, absolvição definitiva dos investigados, mas suspende os efeitos da condenação regional enquanto a controvérsia judicial prossegue.

CÂMARA DE ACREÚNA NO CENTRO DOS DESDOBRAMENTOS

A cassação havia provocado alterações na composição do Legislativo municipal, com afastamento de vereadores, retotalização dos votos e posse de novos parlamentares.

A recomposição da Câmara também teve reflexos sobre a eleição da Mesa Diretora, realizada em 22 de junho de 2026.

Com a confirmação da medida cautelar pelo colegiado do TSE, os efeitos dessas alterações voltam ao centro da discussão jurídica.

A execução da decisão deverá observar os comandos específicos do julgamento e as providências da Justiça Eleitoral em Goiás.

DECISÃO UNÂNIME

O placar informado de 7 a 0 confere caráter colegiado à medida anteriormente concedida de forma individual pelo relator.

A suspensão da cassação, os efeitos sobre a retotalização dos votos e a preservação dos direitos políticos constituem os principais pontos da decisão divulgada.

O julgamento não encerra necessariamente o exame definitivo das acusações que deram origem ao processo.

Para Acreúna, entretanto, a decisão representa um novo capítulo de uma disputa eleitoral que ultrapassou as urnas e chegou à mais alta instância da Justiça Eleitoral brasileira.



GOIÁS DE LUTO: DEPUTADO AMILTON FILHO MORRE AOS 41 ANOS EM ACIDENTE NA BR-050

TRAGÉDIA | Parlamentar do MDB estava no segundo mandato na Assembleia Legislativa. Ex-presidente da Câmara de Anápolis, deixa esposa e dois filhos. Morte ocorre em meio à campanha eleitoral de 2026.

O deputado estadual Amilton Filho (MDB), de 41 anos, morreu na madrugada deste sábado (26), após um acidente na BR-050, em Cristalina, no Entorno do Distrito Federal. A informação foi divulgada pelo portal Mais Goiás, com referência a uma nota oficial da família.

A morte interrompe a trajetória de um parlamentar que construiu sua carreira política em Anápolis e exercia o segundo mandato na Assembleia Legislativa de Goiás (Alego).

As circunstâncias da colisão, a dinâmica do acidente e a eventual participação de outros veículos ainda dependem de confirmação pelas autoridades responsáveis.

DE ANÁPOLIS À ASSEMBLEIA LEGISLATIVA

Natural de Anápolis, Amilton Batista de Faria Filho nasceu em 27 de julho de 1985. Era advogado, formado pela UniEvangélica, com pós-graduação em Direito do Trabalho e Direito Previdenciário.

Iniciou sua trajetória política no movimento estudantil, chegando à presidência do diretório acadêmico do curso de Direito.

Foi eleito vereador de Anápolis em 2012 e conquistou a reeleição em 2016. Presidiu a Câmara Municipal no biênio 2017–2018.

Em 2018, chegou à Assembleia Legislativa pelo Solidariedade, com 16.486 votos. Quatro anos depois, já filiado ao MDB, conquistou a reeleição com 46.556 votos. 

ATUAÇÃO PARLAMENTAR

Na Alego, Amilton Filho ocupava a vice-presidência da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e integrava comissões ligadas à educação, defesa do consumidor e organização dos municípios.

Entre suas iniciativas estava a criação da Frente Parlamentar pela Qualidade da Energia Elétrica em Goiás.

Na sexta-feira (25), um dia antes da notícia de sua morte, a Assembleia divulgou uma proposta de sua autoria para instituir o Circuito Estadual de Cavalgadas, voltado à valorização das tradições culturais e ao desenvolvimento do turismo nos municípios goianos. 

FAMÍLIA E DESPEDIDA

Amilton Filho era casado com Ana Caroline Guimarães e deixa dois filhos, Samuel e Laura.

Sua morte ocorre em meio ao processo eleitoral de 2026, quando disputava mais um mandato de deputado estadual pelo MDB.

Até a conclusão desta reportagem, não haviam sido confirmados os horários do velório e do sepultamento, nem detalhes oficiais sobre a dinâmica do acidente. 

O Blog do Cleuber Carlos manifesta solidariedade aos familiares, amigos e colegas de Parlamento neste momento de luto.

sexta-feira, 25 de setembro de 2026

TCM INVESTIGA CONTRATOS DE R$ 16,5 MILHÕES NA SAÚDE DE TAQUARAL POR SUSPEITA DE PAGAMENTOS DUPLICADOS

FISCALIZAÇÃO | Conselheiro Humberto Aidar admite denúncia contra contratações envolvendo o Instituto Projeto Rondon e a Fabermed. Tribunal vai apurar possível sobreposição de serviços médicos e risco de pagamento duas vezes pelo mesmo atendimento.

O Tribunal de Contas dos Municípios de Goiás (TCM-GO) admitiu formalmente uma denúncia sobre possíveis irregularidades em contratos da saúde pública de Taquaral de Goiás que, juntos, somam R$ 16.556.564,00.

A decisão monocrática nº 414/2026, assinada pelo conselheiro Humberto Aidar em 23 de setembro, determina o encaminhamento do caso à Secretaria de Controle Externo de Contratações para análise das suspeitas de sobreposição de serviços e eventual pagamento duplicado com recursos públicos.

O procedimento tramita sob o nº 07303/2026 e teve origem em denúncia apresentada à Ouvidoria do Tribunal.

A investigação envolve duas contratações realizadas pela Prefeitura de Taquaral em 2026.

DOIS CONTRATOS, SERVIÇOS SEMELHANTES

O primeiro contrato questionado é o Termo de Colaboração nº 01/2026, firmado com o Instituto Projeto Rondon, no valor de R$ 13.436.664,00.

O instrumento prevê planejamento, gestão, operação e fortalecimento da rede de atenção básica do Sistema Único de Saúde (SUS) no município.

O segundo é o Contrato de Credenciamento nº 106/2026, celebrado com a Fabermed Soluções em Saúde Ltda., no valor estimado de R$ 3.119.900,00.

A contratação da Fabermed contempla consultas especializadas, exames de diagnóstico e procedimentos cirúrgicos ambulatoriais.

A questão central apresentada ao Tribunal é verificar se parte dos serviços atribuídos à Fabermed já estaria contemplada nas obrigações assumidas pelo Instituto Projeto Rondon.

Caso a sobreposição seja confirmada e tenha resultado em pagamentos pelos mesmos serviços, poderá haver dano aos cofres públicos.

TCM RECONHECE ELEMENTOS SUFICIENTES PARA APURAÇÃO

Um dos trechos mais relevantes da decisão está na análise da documentação encaminhada ao Tribunal.

Ao examinar os contratos, a narrativa dos fatos e os demais elementos apresentados, o conselheiro Humberto Aidar registrou:

A documentação tem aparência de verdadeira e corrobora de modo satisfatório as alegações de irregularidade trazidas ao conhecimento deste Tribunal.

A relatoria também concluiu que existem elementos de convicção suficientes para admitir a denúncia e permitir sua instrução.

Isso significa que os questionamentos ultrapassaram a fase inicial de apresentação à Ouvidoria e passaram a integrar um procedimento formal de controle externo.

A decisão, contudo, não representa condenação dos envolvidos nem comprovação definitiva de irregularidades.

POSSÍVEL PREJUÍZO AOS COFRES PÚBLICOS

Outro ponto destacado pelo relator diz respeito à dimensão financeira das contratações.

Embora ainda não seja possível afirmar ou estimar eventual dano ao erário, o conselheiro reconheceu que, caso as irregularidades sejam confirmadas, o prejuízo poderá superar o valor de alçada de R$ 10 mil previsto nas normas do Tribunal.

A fiscalização deverá examinar especificamente a possível duplicidade de pagamentos relacionados a consultas, exames e procedimentos médicos.

A análise dos contratos e de sua execução será fundamental para esclarecer se o município contratou serviços complementares ou se houve remuneração de atividades já abrangidas por outro instrumento contratual.

MINISTÉRIO PÚBLICO DE CONTAS TAMBÉM DEVERÁ ANALISAR O CASO

Na parte dispositiva, Humberto Aidar determinou o encaminhamento dos autos à Secretaria de Controle Externo de Contratações.

A unidade técnica deverá se manifestar sobre os fatos denunciados e realizar o procedimento de seletividade, considerando critérios de relevância, risco, oportunidade e materialidade.

A decisão também prevê posterior encaminhamento ao Ministério Público de Contas.

O processo não recebeu caráter sigiloso, permitindo o acompanhamento público de seus desdobramentos.

FABERMED VOLTA AO CENTRO DOS QUESTIONAMENTOS

A Fabermed já havia sido objeto de reportagem do Blog do Cleuber Carlos sobre sua atuação na prestação de serviços de saúde em Goiás.

Agora, a decisão do TCM-GO coloca sob fiscalização uma contratação específica da empresa com a Prefeitura de Taquaral.

O caso levanta uma questão que precisa ser respondida pela administração municipal: quais mecanismos foram adotados para garantir que os serviços contratados com a Fabermed não fossem remunerados simultaneamente por meio do termo de colaboração com o Instituto Projeto Rondon?

A existência de dois contratos na mesma área não configura, isoladamente, irregularidade. O ponto decisivo é verificar a efetiva distribuição das responsabilidades, a execução dos serviços e os pagamentos realizados.

O Blog do Cleuber Carlos continuará acompanhando o processo nº 07303/2026 e os desdobramentos da fiscalização.

A Prefeitura de Taquaral, o Instituto Projeto Rondon e a Fabermed têm espaço assegurado para apresentar esclarecimentos sobre os fatos.

A pergunta que permanece é objetiva: a população de Taquaral recebeu serviços complementares de saúde ou o município correu o risco de pagar duas vezes pelo mesmo atendimento?


quinta-feira, 24 de setembro de 2026

​OBRA COMEÇA ANTES DO CONTRATO? LICITAÇÃO DE R$ 955 MIL LEVANTA SUSPEITAS EM MORRINHOS

INVESTIGAÇÃO | Prefeitura convocou empresa remanescente após encerramento do contrato com a vencedora de licitação para pavimentação. Campão Asfalto aparece em terceiro lugar na classificação original e, segundo informações e registros enviados ao Blog do Cleuber Carlos, serviços já estariam sendo realizados enquanto sua habilitação ainda seria analisada.

Uma obra de pavimentação asfáltica financiada com recursos federais entrou no radar do Blog do Cleuber Carlos em Morrinhos. Documentos oficiais, registros da Bolsa Nacional de Compras (BNC) e imagens obtidas pela reportagem levantam uma pergunta objetiva: quem autorizou o início dos serviços antes da formalização da nova contratação?

A Concorrência Eletrônica nº 04/2025, Processo Administrativo nº 2025020907, foi aberta pela Prefeitura de Morrinhos para pavimentação de vias urbanas. O valor total registrado na BNC é de R$ 954.999,99.

A origem do dinheiro remonta ao Convênio Federal nº 936079/2022, firmado entre a Codevasf e o Município de Morrinhos. O registro federal aponta valor total de R$ 955 mil, sendo R$ 953.066,12 de recursos federais e R$ 1.933,88 de contrapartida municipal. 

Licitação terminou com contrato de R$ 716 mil

A ata de adjudicação de 30 de outubro de 2025 mostra que a Noroeste Asfaltos e Pavimentações venceu com proposta de R$ 716.400. Em segundo lugar ficou a Saju Construtora, com R$ 739.350, e a Campão Asfalto e Construtora ficou em terceiro, com R$ 750 mil.

No dia seguinte, 31 de outubro, o Município assinou o Contrato nº 437/2025 com a Noroeste pelo valor de R$ 716.400 e vigência inicial de quatro meses. O extrato foi publicado no Diário Oficial. 

Hoje, entretanto, o próprio portal municipal apresenta esse contrato como “ENCERRADO”.

Segundo informações recebidas pelo Blog, empresas chamadas para assumir a execução não teriam prosseguido, levando a Prefeitura a convocar uma licitante remanescente. A documentação apresentada até agora confirma a classificação original da Campão em terceiro lugar, mas a reportagem ainda busca os atos posteriores para estabelecer precisamente a sequência e os motivos das recusas.

Convênio chegou ao fim da vigência

Outro ponto chama atenção.

O Portal da Transparência do Governo Federal registra o Convênio nº 936079/2022 com início em 1º de novembro de 2022 e fim de vigência em 30 de junho de 2026. Na consulta indexada pelo portal, o instrumento aparece como “em execução”. 

A informação recebida pelo Blog é de que o Município posteriormente conseguiu reativar ou prorrogar o instrumento. Esse ato e o novo prazo ainda precisam ser documentalmente confirmados.

E a obra já começou?

É justamente aqui que surge o principal questionamento.

Imagens encaminhadas ao Blog nesta quinta-feira, 24 de setembro de 2026, mostram movimentação e intervenções no local apontado como objeto da pavimentação.

Ao mesmo tempo, registro da BNC apresentado à reportagem mostra o processo na fase de “HABILITAÇÃO”. Segundo comunicação obtida pelo Blog, a análise dos documentos da Campão estaria prevista para sexta-feira, 25 de setembro, às 10 horas.

Se a empresa ainda não havia sido habilitada e contratada, quem estava trabalhando na obra em 24 de setembro?

E, caso seja efetivamente a Campão, outras perguntas tornam-se inevitáveis: existe contrato assinado? Qual a data? Existe ordem de serviço? Quem autorizou a mobilização? Quem responde tecnicamente pelos trabalhos já realizados? Houve ou haverá medição desses serviços?

As fotografias, isoladamente, não permitem afirmar que os trabalhadores e equipamentos pertencem à Campão. Essa identificação é uma das providências da apuração.

Também não há irregularidade automática no fato de a Administração convocar licitantes remanescentes depois do encerramento da contratação original. O ponto que precisa ser esclarecido é outro: se houve execução material da obra antes da formalização da contratação que lhe daria suporte.

Prefeitura precisa explicar a cronologia

A documentação já permite estabelecer uma sequência: houve licitação, adjudicação, contratação da Noroeste, posterior encerramento desse contrato e movimentação para convocação de empresa remanescente.

O que permanece sem resposta é justamente o intervalo entre a nova convocação e aquilo que está acontecendo fisicamente no local da obra.

O Blog do Cleuber Carlos vai solicitar à Prefeitura de Morrinhos cópias do ato de encerramento ou rescisão do Contrato nº 437/2025, das convocações dos licitantes remanescentes, da eventual habilitação da Campão Asfalto, do novo contrato e da respectiva ordem de serviço.

Também serão solicitados os documentos relativos à prorrogação do Convênio nº 936079/2022 e esclarecimentos sobre quem determinou a realização dos serviços observados em 24 de setembro.

A reportagem seguirá acompanhando a movimentação da BNC nesta sexta-feira.

Se a Campão somente for habilitada em 25 de setembro, a pergunta que a Prefeitura terá de responder é simples: quem estava executando a obra no dia 24 — e sob qual autorização administrativa?