segunda-feira, 28 de setembro de 2026

CAIADO PARTE PARA O ATAQUE E CHAMA FLÁVIO DE “GRANDE MENTIROSO”

ELEIÇÕES 2026 | Candidato do PSD transforma caso Vorcaro em ofensiva contra Flávio Bolsonaro. Publicação reúne declarações do senador que Caiado contrapõe a informações divulgadas pela imprensa e a elementos de investigações da Polícia Federal.

A disputa presidencial entrou definitivamente no terreno do confronto direto. Ronaldo Caiado (PSD) lançou uma ofensiva nas redes sociais contra Flávio Bolsonaro (PL), usando as relações do adversário com Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, como principal linha de ataque.

Em um carrossel publicado no Instagram, Caiado usa a imagem de Pinóquio e abre com a frase: “A mentira tem perna curta… mas o nariz do Flávio atravessa o seu feed.”

A peça termina classificando Flávio como “um grande mentiroso” e pergunta ao eleitor se votaria nele para presidente. Trata-se de uma acusação da campanha de Caiado, e não de uma conclusão jornalística.

O QUE ESTÁ POR TRÁS DO ATAQUE

O primeiro ponto explorado é o financiamento de “Dark Horse”, cinebiografia sobre Jair Bolsonaro. Documentos da Polícia Federal tornados públicos apontam Flávio como interlocutor direto de Vorcaro nas negociações e registram cobranças relacionadas ao financiamento da produção. A TV Brasil noticiou, com base nos relatórios da PF, um pedido de aproximadamente R$ 131 milhões. 

O episódio já havia provocado uma manifestação de Caiado em maio. Na ocasião, ele afirmou que Flávio deveria explicar tanto o financiamento do filme quanto suas relações com o então dono do Master, defendendo “total transparência” sobre o caso. 

Outro ponto usado no ataque envolve um jatinho ligado a Vorcaro. Reportagem divulgada na semana passada revelou que Flávio viajou com a família, em janeiro de 2025, de Fort Lauderdale, nos Estados Unidos, para Brasília, em uma aeronave cuja estrutura societária tinha participação ligada a Vorcaro. 

Flávio apresentou uma versão diferente sobre o episódio. Disse que viajou a convite do advogado e empresário Willer Tomaz e sustentou que a viagem “não tem absolutamente nada a ver com o Vorcaro”. Segundo a CNN, porém, na época do voo, Vorcaro já detinha indiretamente um terço das cotas do jato, por meio da Prime You. 

Também há registros sobre encontros entre Flávio e Vorcaro. Relatório da PF divulgado neste mês aponta pelo menos quatro encontros presenciais em 2025. Flávio também confirmou publicamente que visitou Vorcaro depois da primeira prisão do ex-banqueiro, afirmando que foi ao encontro para encerrar questões relacionadas ao filme. 

CAIADO ELEVA O TOM

A nova publicação amplia um confronto que já vinha ocorrendo. Em 24 de setembro, Caiado escreveu que Flávio precisava explicar o que chamou de “inexplicável” e associou politicamente o voo, os recursos relacionados ao filme e os contatos com Vorcaro. A afirmação de que isso configuraria “cumplicidade” é uma acusação feita por Caiado; as reportagens consultadas não estabelecem essa conclusão jurídica. 

Agora, às vésperas do primeiro turno de 4 de outubro, Caiado abandona o tom de cobrança por esclarecimentos e transforma o episódio em peça direta de campanha contra um adversário presidencial.

O caso Vorcaro, portanto, deixa de ser apenas tema de investigação e passa a ocupar espaço central também na batalha política entre candidatos que disputam o mesmo eleitorado. Flávio contesta a interpretação de seus adversários sobre os episódios e nega irregularidades relacionadas à viagem no jatinho. 


​PREFEITURA E CÂMARA DE SÃO SIMÃO CAEM JUNTAS NO ÍNDICE DE TRANSPARÊNCIA

CONTROLE PÚBLICO | Os dois Poderes passaram do nível elevado para o intermediário na avaliação do TCM-GO. O resultado será considerado na análise das contas municipais.

A Prefeitura e a Câmara de São Simão perderam posições na avaliação dos portais de transparência pública. Segundo levantamento aprovado pelo Tribunal de Contas dos Municípios de Goiás (TCM-GO), ambas caíram do nível elevado para o intermediário. 

A Prefeitura alcançou 74,69%, com queda de 1,58 ponto percentual em relação ao ciclo anterior. A Câmara registrou 69,23%, recuo mais acentuado, de 8,24 pontos percentuais. Nenhum dos dois Poderes recebeu selo de qualidade em transparência. 

O resultado coloca os dois portais na classificação “em fase de adequação à legislação”. A avaliação examina informações que permitem à população acompanhar receitas, despesas, servidores, licitações, contratos e serviços públicos, entre outras áreas. O relatório divulgado pelo TCM-GO não especifica, para São Simão, quais critérios levaram à perda de pontos.

A consequência pode ir além da classificação. O TCM-GO determinou que os índices de transparência sejam incorporados à análise das contas de governo e das contas de gestão das câmaras municipais. Isso significa que o desempenho dos portais poderá ser considerado pelo Tribunal ao examinar as prestações de contas, junto com os demais elementos de cada processo. A queda, por si só, não implica rejeição das contas. 

O levantamento integra o Programa Nacional de Transparência Pública, foi aprovado pelo Pleno do TCM-GO em 15 de setembro de 2026 e divulgado no dia 23. Em São Simão, o alerta é duplo: os canais oficiais da Prefeitura e da Câmara perderam qualidade na mesma avaliação, justamente quando deveriam facilitar a fiscalização dos gastos e das decisões municipais.


AMILTON FILHO ESTARÁ NA URNA MESMO APÓS A MORTE — MAS VOTO PODE IR PARA OUTRO CANDIDATO

ELEIÇÕES 2026 | Morte do deputado estadual a apenas oito dias da eleição cria situação incomum. MDB pode substituir a candidatura e, mesmo assim, nome, número e fotografia de Amilton Filho podem permanecer na urna eletrônica.

A morte do deputado estadual Amilton Filho (MDB), aos 41 anos, em acidente na BR-050, abre uma situação eleitoral que pode confundir milhares de eleitores de Goiás: mesmo após sua morte, o nome e a fotografia do parlamentar poderão continuar aparecendo na urna eletrônica no próximo domingo.

Amilton morreu no sábado (26), quando disputava a reeleição para a Assembleia Legislativa de Goiás. (UOL Notícias⁠)

Isso não significa, porém, que os votos necessariamente serão perdidos.

A legislação eleitoral permite que o MDB substitua a candidatura mesmo a poucos dias da votação. O artigo 72 da Resolução nº 23.609/2019 do Tribunal Superior Eleitoral estabelece que, em caso de falecimento, o partido pode apresentar substituto mesmo dentro dos 20 dias anteriores à eleição. O pedido deve respeitar o prazo de dez dias contado do fato que provocou a substituição. (Justiça Eleitoral⁠)

URNA PODE CONTINUAR MOSTRANDO AMILTON

Aqui está a situação mais curiosa.

Como as urnas já estão em fase avançada de preparação, a própria norma do TSE prevê que, quando a substituição ocorre depois da geração das tabelas utilizadas na preparação dos equipamentos, o novo candidato concorre utilizando o nome, o número e a fotografia do candidato substituído. (Justiça Eleitoral⁠)

Na prática, o eleitor poderá digitar o número de Amilton, visualizar AMILTON FILHO, sua fotografia e a identificação partidária na tela, confirmar o voto — mas esse voto será destinado juridicamente ao candidato que tiver sido registrado regularmente para substituí-lo.

O próprio TSE esclareceu essa situação especificamente para as eleições de 2026: se a substituição ocorrer após o fechamento da carga das urnas, os dados do candidato substituído continuam na tela, mas os votos daquele número são destinados à nova candidatura regularmente registrada. (Justiça Eleitoral⁠)

MDB PRECISA DIVULGAR A TROCA

A legislação também estabelece que cabe ao partido dar ampla publicidade à substituição para esclarecer o eleitorado.

Isso será especialmente importante no caso de Amilton Filho. O eleitor precisará saber que, embora esteja vendo o nome e o rosto do deputado falecido na urna, poderá estar escolhendo juridicamente outro candidato. (Justiça Eleitoral⁠)

A morte de Amilton ocorreu apenas oito dias antes do primeiro turno, marcado para 4 de outubro, tornando a definição do MDB uma decisão com consequências diretas para a disputa pelas cadeiras da Assembleia Legislativa.

Agora, a pergunta que movimenta os bastidores do partido é objetiva:

quem herdará eleitoralmente a candidatura de Amilton Filho?

O Blog do Cleuber Carlos acompanha os registros da Justiça Eleitoral e a movimentação do MDB. Assim que houver pedido formal ou anúncio oficial de substituição, o nome será divulgado.

Um título ainda mais incisivo, sem perder a precisão jurídica, seria: “AMILTON ESTARÁ NA URNA MESMO APÓS A MORTE — MAS VOTO PODE IR PARA OUTRO CANDIDATO”. Esse enquadramento coloca imediatamente a peculiaridade eleitoral no centro da reportagem.


​RETA FINAL EM GOIÁS: 20 NOMES CONCENTRAM ATENÇÃO NA DISPUTA PELAS 41 CADEIRAS DA ALEGO

ELEIÇÕES 2026 | Cruzamento de pesquisas espontâneas, presença regional, mandato, composição das chapas e levantamentos de bastidores mostra um grupo recorrente de candidatos na disputa. Morte de Amilton Filho retira um dos nomes que apareciam nas primeiras posições, enquanto Gugu Nader chega à última semana sustentado por base eleitoral no Sul do Estado e presença nos levantamentos.

A disputa pelas 41 cadeiras da Assembleia Legislativa de Goiás entra na semana decisiva com um cenário ainda bastante aberto, mas com alguns nomes aparecendo repetidamente nos diferentes indicadores disponíveis. O Blog do Cleuber Carlos cruzou pesquisas espontâneas divulgadas nas últimas semanas, levantamentos de veículos especializados, situação das nominatas partidárias, presença regional e histórico eleitoral para identificar 20 candidaturas que merecem atenção especial nesta reta final. O levantamento não é uma previsão dos eleitos: como a eleição para deputado estadual é proporcional, a votação individual precisa ser combinada com o desempenho do partido ou federação para definir quem efetivamente conquistará uma cadeira.

A pesquisa Directa realizada entre 9 e 13 de setembro ajuda a dimensionar a disputa. Romário Policarpo apareceu com 2,7% das citações espontâneas, seguido por Sargento Novandir, com 2,2%, Paulo do Vale, com 2,1%, e Issy Quinan e José Machado, ambos com 1,9%. Entre os dez primeiros também estavam Amilton Filho, Amauri Ribeiro, Igor Franco, Adib Elias e George Morais. O levantamento ouviu 1.200 eleitores em 44 municípios e foi registrado no TSE sob o número GO-09444/2026. 

O quadro sofreu uma alteração dramática no último sábado, 26 de setembro. Amilton Filho, deputado estadual do MDB que disputava a reeleição e aparecia entre os candidatos mais lembrados, morreu aos 41 anos em um acidente na BR-050, nas proximidades de Cristalina, quando retornava de uma agenda eleitoral. A morte foi confirmada oficialmente pela Assembleia Legislativa. 

Retirado Amilton da análise, o cruzamento das informações coloca sob atenção, sem ordem de preferência ou previsão de resultado, Paulo do Vale, Romário Policarpo, Issy Quinan, José Machado, Amauri Ribeiro, George Morais, Cairo Salim, Antônio Gomide, Virmondes Cruvinel, Lincoln Tejota, Wilde Cambão, Talles Barreto, Henrique César, Gugu Nader, Jamil Calife, Vivian Naves, Delegado Eduardo Prado, Wagner Neto, Joscilene do Mangão e Adib Elias. São candidatos que aparecem em pesquisas, consultas de bastidores ou outros indicadores políticos examinados pela reportagem. Um levantamento do Jornal Opção, feito com 30 políticos, jornalistas e cientistas políticos, também colocou vários desses nomes entre os mais citados por seus entrevistados na disputa pelas cadeiras da Alego. 

O caso de Gugu Nader merece atenção particular pela combinação de votação territorial e presença nos levantamentos. O deputado foi eleito em 2022 com 21.743 votos, dos quais 20.640 foram conquistados em Itumbiara, segundo seu perfil oficial na Alego. Atualmente filiado ao PSDB, tem Itumbiara e a região Sul como principal base eleitoral.  Em levantamento estadual do Instituto Gazeta divulgado neste mês, Gugu apareceu com 1,2% das citações espontâneas, ao lado de Issy Quinan e Amauri Ribeiro. Naquela pesquisa, Paulo do Vale e Cairo Salim registraram 1,8%, enquanto mais de um terço dos entrevistados ainda não havia indicado candidato. 

A força das candidaturas, entretanto, não pode ser analisada apenas pela votação individual. Esse é o elemento que torna qualquer tentativa de antecipar 20 “já eleitos” tecnicamente arriscada. Deputado estadual é escolhido pelo sistema proporcional: primeiro, os votos recebidos pelos partidos e federações ajudam a determinar quantas cadeiras cada grupo político conquistará; depois, essas vagas são ocupadas conforme as regras eleitorais e a votação dos candidatos. Um nome muito votado pode enfrentar dificuldades dependendo do desempenho de sua chapa, enquanto outro com votação menor pode ser beneficiado pela força coletiva de sua legenda.

O MDB aparece com diversos nomes competitivos nos levantamentos, entre eles Issy Quinan, George Morais e Adib Elias. A morte de Amilton Filho altera a configuração interna da chapa justamente na reta final. Outro levantamento de bastidores, publicado pelo Poder Goiás, apontou Paulo do Vale, Romário Policarpo e Issy Quinan entre os nomes de maior destaque individual segundo analistas, dirigentes e estrategistas consultados pelo veículo. 

Goiânia também pode produzir mudanças importantes. Pesquisa Goiás Pesquisas/Mais Goiás realizada entre 13 e 15 de setembro mostrou Romário Policarpo e Paulin Vai Nele com 2,25% cada na capital. Clécio Alves apareceu com 1,29%; Fabrício Rosa e Coronel Urzêda, com 0,97%; Virmondes Cruvinel, Charles Bento e Amauri Ribeiro registraram 0,81%. O dado mais importante, porém, estava nos 72,79% de indecisos na pergunta espontânea, mostrando o tamanho do eleitorado ainda não capturado pelos candidatos naquele momento. 

Essa pulverização significa que a última semana pode ser decisiva. Além dos 20 nomes destacados pelo cruzamento, existem candidaturas como Sargento Novandir, Paulin Vai Nele, Fabrício Rosa, Major Araújo, Charles Bento, Pábio Mossoró, Gustavo Sebba, Clécio Alves, Rubens Marques e Igor Franco que aparecem em pesquisas ou levantamentos políticos e podem interferir diretamente na distribuição das 41 vagas. A própria Directa coloca Novandir entre os primeiros nomes de seu levantamento mais recente. 

Há ainda um componente histórico relevante. Levantamentos publicados durante a campanha apontam que a maioria dos deputados atuais está novamente nas urnas, enquanto especialistas consultados pelo Jornal Opção estimaram que algo entre 55% e 60% das cadeiras poderia permanecer com parlamentares em exercício. Trata-se de uma avaliação dos entrevistados pelo veículo, e não de resultado projetável automaticamente para as urnas. 

A fotografia desta segunda-feira, portanto, mostra uma disputa em que experiência, estrutura partidária e bases municipais convivem com candidaturas novas capazes de alterar a composição da Assembleia. Os 20 nomes identificados pelo Blog do Cleuber Carlos representam um núcleo recorrente nos indicadores pesquisados, não uma relação de eleitos antecipadamente. A matemática proporcional, o enorme contingente de indecisos registrado nas pesquisas espontâneas e o desempenho das nominatas impedem esse tipo de conclusão antes da abertura das urnas.

Faltando poucos dias para a eleição, a questão central passa a ser outra: quantos dos atuais deputados conseguirão sobreviver à disputa e quantas das 41 cadeiras mudarão de mãos? É nessa batalha, travada simultaneamente dentro das ruas, das redes sociais e das próprias chapas partidárias, que será definida a nova Assembleia Legislativa de Goiás.


LULA PROÍBE AS BETS E COMPRA BRIGA MILIONÁRIA COM O FUTEBOL ÀS VÉSPERAS DA ELEIÇÃO

EDITORIAL | Decisão atinge uma das principais fontes de patrocínio dos grandes clubes brasileiros, provoca reação de dirigentes e torcedores e abre uma incógnita sobre seus efeitos nas urnas. Pesquisas indicam apoio popular à proibição, mas ainda não demonstram que esse apoio esteja se transformando em votos para Lula.

A poucos dias das eleições, o presidente Lula tomou uma decisão com potencial para ultrapassar a discussão sobre jogos de azar e entrar diretamente no universo do futebol: proibiu as bets no Brasil. A medida atinge um mercado que, nos últimos anos, tornou-se uma das maiores fontes de financiamento dos clubes brasileiros, especialmente por meio dos contratos de patrocínio máster. Flamengo, Corinthians, Palmeiras e vários outros integrantes da Série A possuem acordos milionários com empresas do setor.

A dimensão econômica ajuda a explicar a repercussão. Dos 20 clubes da Série A, 14 possuem patrocínio máster relacionado às casas de apostas, com contratos que, somados, chegam a aproximadamente R$ 910 milhões por ano. Portanto, quando o governo proíbe as bets, a consequência não fica restrita às empresas de apostas. Ela alcança diretamente o orçamento dos clubes, seus planejamentos financeiros e, inevitavelmente, milhões de torcedores.

É nesse ponto que uma decisão apresentada pelo governo como medida de proteção social passa a produzir também um problema político. Lula não está enfrentando apenas empresários do setor. Sua decisão interfere em uma estrutura econômica incorporada ao futebol brasileiro e atinge clubes capazes de mobilizar algumas das maiores torcidas do planeta. A questão, às vésperas das urnas, é saber até que ponto essa reação poderá influenciar o comportamento eleitoral.

Os primeiros dados recomendam cautela. Pesquisa AtlasIntel/Bloomberg realizada antes da assinatura da medida apontou que 75% dos entrevistados defendiam a proibição das bets. Monitoramentos das redes sociais também identificaram predominância de manifestações favoráveis à restrição. Existe uma preocupação concreta de parte da sociedade com endividamento, compulsão e comprometimento da renda familiar provocado pelas apostas. Isso significa que seria um erro presumir que um flamenguista, corintiano ou palmeirense será contrário à decisão simplesmente porque seu clube recebe dinheiro de uma bet.

Por outro lado, existe um risco político que não pode ser desprezado. A discussão pode deixar de ser sobre os efeitos sociais das apostas e passar a ser percebida pelo torcedor como uma ameaça financeira ao seu clube. Se a narrativa de que “Lula tirou dinheiro do meu time” ganhar força, o governo terá pela frente uma comunicação muito mais difícil. Clubes, dirigentes, jogadores, influenciadores e páginas esportivas possuem uma capacidade gigantesca de mobilização nas redes sociais, principalmente em uma semana eleitoral.

As primeiras reações mostram justamente essa divisão. Há torcedores comemorando a proibição e criticando os próprios clubes pela dependência financeira das casas de apostas, enquanto outros responsabilizam Lula pelas possíveis perdas de receita. Surgiram inclusive manifestações individuais de eleitores dizendo que poderiam mudar o voto por causa da decisão. Essas declarações mostram que existe reação política, mas não permitem concluir que esteja ocorrendo uma transferência significativa de votos.

Outro dado ajuda a compreender o tamanho da incógnita. Levantamento da AP Exata, realizado depois da assinatura da medida e baseado em cerca de 180 mil menções no X e no Instagram, apontou que 68,2% das publicações sobre a proibição sequer mencionavam Lula. Apenas 18,6% relacionavam positivamente a medida ao presidente. O dado sugere que existe uma diferença importante entre aprovar a proibição das bets e transformar essa aprovação em apoio eleitoral ao responsável pela decisão.

É aí que aparece o maior risco político para Lula. Ele pode absorver o desgaste provocado entre os segmentos contrários à proibição sem necessariamente receber, na mesma intensidade, os dividendos eleitorais entre aqueles que concordam com ela. Em outras palavras, uma política pública pode ser amplamente aprovada e, ainda assim, produzir pouco efeito sobre a escolha do presidente.

Também chama atenção o momento escolhido. Uma medida com tamanho impacto econômico e social foi anunciada na reta final da eleição. O governo sustenta que a decisão responde à necessidade de proteger famílias atingidas pelos problemas relacionados às apostas. Os adversários políticos, por sua vez, questionam o momento da iniciativa. Independentemente dessas interpretações, a proximidade das urnas faz com que qualquer consequência política seja potencializada.

Será preciso observar principalmente as pesquisas realizadas integralmente depois da decisão. Mesmo assim, qualquer oscilação deve ser analisada com cuidado. Não será possível atribuir automaticamente uma eventual alta ou queda de Lula exclusivamente à proibição das bets, porque uma eleição presidencial é influenciada simultaneamente pela economia, debates, campanhas, acontecimentos políticos e pela própria dinâmica da reta final.

O fato objetivo é que Lula abriu uma frente de enorme repercussão justamente nos últimos dias da campanha. De um lado estão brasileiros preocupados com os efeitos sociais das apostas. Do outro, clubes que podem perder contratos milionários e torcedores preocupados com as consequências financeiras para seus times. No meio dessa disputa estão milhões de eleitores.

A grande questão, portanto, não é simplesmente saber se o brasileiro é contra ou a favor das bets. Os levantamentos disponíveis indicam que existe forte apoio à proibição. A pergunta eleitoral é outra: quantos brasileiros transformarão esse assunto em critério para decidir o voto no próximo domingo?

Essa resposta nenhuma pesquisa de redes sociais consegue oferecer definitivamente. Quem dará a resposta serão as urnas.

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​BOM JESUS ENTRA NA RETA FINAL A 7 PONTOS DO ACESSO À ELITE DO GOIANÃO

DIVISÃO DE ACESSO | Leão do Sul ocupa a vice-liderança, depende das próprias forças e terá dois dos três últimos jogos em casa. Com 32 pontos, equipe garante matematicamente uma das duas vagas na primeira divisão.

O Bom Jesus entra nas três rodadas decisivas da Divisão de Acesso do Campeonato Goiano com o sonho da elite cada vez mais próximo. Depois de buscar um empate heroico por 2 a 2 contra o líder Rio Verde, fora de casa e com um jogador a menos, o Leão do Sul chegou aos 25 pontos e manteve a segunda colocação, posição que garante o acesso. 

A classificação mostra o tamanho da disputa. O Rio Verde lidera com 29 pontos, seguido pelo Bom Jesus, com 25, Goianésia, com 24, e Morrinhos e Mineiros, ambos com 22. Restam apenas três rodadas e nove pontos em disputa. 

A CONTA É CLARA: SETE PONTOS

A matemática coloca o destino nas mãos do próprio Bom Jesus. Se conquistar sete dos nove pontos restantes, chegará a 32 e garantirá o acesso sem depender de qualquer outro resultado.

Na prática, são necessárias duas vitórias e um empate.

E a tabela oferece ao Leão do Sul uma oportunidade importante: dois dos três compromissos serão diante de sua torcida.

Pela tabela apresentada para as rodadas finais, o Bom Jesus recebe o Trindade, depois enfrenta o Morrinhos em casa e encerra sua participação contra o Goianésia, fora.

O detalhe é que Morrinhos e Goianésia são concorrentes diretos. Portanto, o Bom Jesus terá a possibilidade de pontuar e, simultaneamente, impedir que adversários somem os mesmos pontos.

PRÓXIMA RODADA PODE MUDAR O CENÁRIO

A 16ª rodada pode ser determinante. Enquanto o Bom Jesus busca três pontos, Mineiros e Morrinhos se enfrentam, o que significa que pelo menos um dos dois concorrentes perderá pontos. O Goianésia também joga fora de casa, contra o Tupy de Jussara. 

Uma vitória levaria o Bom Jesus aos 28 pontos e aumentaria a pressão sobre os perseguidores.

Depois virá um confronto que pode valer praticamente uma decisão: Bom Jesus x Morrinhos.

Caso conquiste seis pontos nos dois próximos compromissos, o Leão chegará à última rodada com 31 pontos.

Nesse cenário, bastará um empate diante do Goianésia para atingir os 32 e confirmar matematicamente o acesso.

REAÇÃO EM RIO VERDE MOSTRA FORÇA

O empate da última rodada também aumentou a confiança na campanha.

O Rio Verde abriu 2 a 0, com dois gols de Iury Tanque. O Bom Jesus reagiu com Cesinha e, mesmo depois da expulsão de Matheus Carioca, conseguiu buscar o empate com Thomas, em cobrança de falta aos 39 minutos do segundo tempo. 

A campanha ajuda a explicar por que o clube chegou à reta final dentro do G-2: são 15 jogos, seis vitórias, sete empates e apenas duas derrotas, com 19 gols marcados e 13 sofridos. O saldo de seis gols também é superior ao do Goianésia, concorrente que está apenas um ponto atrás. 

O alerta está justamente no número de empates. O Bom Jesus empatou sete vezes. Agora, quando cada ponto vale uma temporada inteira, transformar igualdade em vitória pode representar a diferença entre permanecer na Divisão de Acesso e disputar o Goianão de 2027.

O ACESSO ESTÁ NAS MÃOS DO BOM JESUS

O regulamento é objetivo: os dois primeiros colocados sobem para a elite do Campeonato Goiano. 

E, faltando apenas três rodadas, o Bom Jesus está exatamente onde precisa estar: segundo colocado e dependendo de si próprio.

A conta que separa o clube da elite pode ser resumida em uma frase:

DUAS VITÓRIAS + UM EMPATE = BOM JESUS NA PRIMEIRA DIVISÃO.

Depois de conquistar o acesso à Divisão de Acesso na temporada passada, o Bom Jesus está diante da possibilidade de conseguir um segundo acesso consecutivo e completar uma ascensão meteórica no futebol goiano. 

Agora são três jogos. 270 minutos separando o Bom Jesus da elite do futebol de Goiás.


domingo, 27 de setembro de 2026

​HENRIQUE ARANTES ACUSA FELIPE CECÍLIO DE SER UM CALOTEIRO POLÍTICO

POLÍTICA | Ex-deputado rompe aliança após desistir da candidatura federal e acusa correligionário de descumprir compromissos financeiros com lideranças de mais de 60 municípios. Felipe, que declarou patrimônio de R$ 86,8 milhões, contesta as acusações e apresenta outra versão para o rompimento.

Uma aliança política construída em torno da disputa por uma cadeira na Câmara dos Deputados terminou em troca de acusações públicas neste domingo (27). O ex-deputado estadual Henrique Arantes (PSDB) anunciou o rompimento com Felipe Cecílio (PSDB), candidato a deputado federal, e o acusou de descumprir compromissos financeiros assumidos com lideranças políticas de Goiás.

Henrique havia desistido da própria candidatura para apoiar Cecílio. Segundo sua versão, o acordo previa que o candidato incorporasse suas bases eleitorais e assumisse compromissos anteriormente estabelecidos com lideranças de mais de 60 municípios.

O problema, conforme denunciou o ex-deputado, começou quando os pagamentos prometidos não aconteceram.

Henrique afirma que Felipe alterou repetidamente as datas previstas e, posteriormente, deixou de atender ligações e responder mensagens.

Em sua manifestação pública, o ex-deputado classificou o comportamento do antigo aliado como o de um “caloteiro” e “estelionatário”.

A acusação representa a versão de Henrique Arantes e não constitui constatação judicial de fraude ou inadimplência.

PATRIMÔNIO DE R$ 86,8 MILHÕES ENTRA NA POLÊMICA

Um dos pontos levantados por Henrique é o patrimônio declarado por Felipe Cecílio à Justiça Eleitoral.

Segundo os dados apresentados no registro de candidatura de 2026, Felipe informou possuir R$ 86.829.450,00 em bens e investimentos.

Entre os valores declarados estão:

  • R$ 55 milhões identificados como BDB Digital Crédito;
  • R$ 18,6 milhões em investimento no BTG Pactual;
  • R$ 6,5 milhões em um apartamento;
  • R$ 5 milhões em investimentos identificados como Conglomerado FSC.

O patrimônio também chama atenção pela evolução entre duas eleições. Em 2022, Felipe havia declarado R$ 20 mil. Quatro anos depois, o montante informado chegou a R$ 86,8 milhões.

A variação patrimonial, por si só, não representa irregularidade.

Henrique utilizou o patrimônio declarado pelo ex-aliado para questionar o alegado descumprimento dos compromissos financeiros.

FELIPE REBATE E FALA EM COMPRA DE VOTOS

A crise ganhou outro capítulo quando Felipe Cecílio apresentou sua versão.

Segundo o candidato, depois de receber o apoio de Henrique, teria identificado uma estrutura política baseada em interesses financeiros, diferente daquela que imaginava incorporar à campanha.

Felipe afirmou que decidiu desfazer os acordos e acusou o ex-deputado de tentar receber dinheiro pela transferência de sua candidatura e de suas bases eleitorais.

Em declaração reproduzida pelo Portal Notícias Goiás, Cecílio afirmou ter desfeito acordos que classificou como compra de votos.

A declaração acrescenta uma questão à controvérsia: qual era exatamente a natureza dos compromissos financeiros negociados entre os dois políticos?

A legislação eleitoral proíbe a compra de votos. Entretanto, as declarações públicas dos envolvidos, isoladamente, não comprovam a ocorrência de ilícito eleitoral.

ROMPIMENTO EXPÕE ACORDOS POLÍTICOS

O episódio coloca em discussão os compromissos assumidos durante a transferência de apoio entre candidaturas.

Henrique sustenta que abriu mão de disputar uma vaga na Câmara dos Deputados porque confiou que Felipe cumpriria os acordos com as lideranças de sua base política.

Felipe, por sua vez, afirma que rompeu os compromissos após identificar interesses financeiros que considerou incompatíveis com sua campanha.

Até o momento, as manifestações públicas consultadas não apresentam documentação suficiente para comprovar os valores negociados, a natureza individual de cada compromisso ou a existência de pagamentos pendentes.

A controvérsia também ocorre em meio a outros conflitos públicos envolvendo a chapa federal do PSDB em Goiás.

O rompimento está confirmado. As acusações financeiras, entretanto, permanecem em disputa entre os dois antigos aliados.

O Blog do Cleuber Carlos acompanhará os desdobramentos do caso, especialmente eventuais esclarecimentos sobre a natureza dos compromissos financeiros mencionados e seus possíveis reflexos na Justiça Eleitoral.

BLOG DO CLEUBER CARLOS — O BLOG QUE É NOTÍCIA.