quarta-feira, 21 de outubro de 2026

EMPRESÁRIA DA SAÚDE LIGADA A CONTRATO DE R$ 3,1 MILHÕES EM TAQUARAL TAMBÉM APARECE EM CONTRATAÇÕES HOSPITALARES E TOMADA DE CONTAS EM GOIÁS

Gleycianne da Silva França representa holding que ingressou na Fabermed 18 dias antes da assinatura do contrato municipal. Médica também figura em outras empresas de serviços de saúde e foi notificada oficialmente em procedimento da Secretaria Estadual de Saúde.

Uma investigação do Blog do Cleuber Carlos identificou conexões empresariais envolvendo a médica Gleycianne da Silva França, empresas prestadoras de serviços de saúde e contratos públicos em Goiás.

Um dos principais registros é o contrato nº 106/2026, firmado em 23 de agosto entre o Fundo Municipal de Saúde de Taquaral de Goiás e a Fabermed Soluções em Saúde Ltda., CNPJ 41.063.390/0001-26, no valor global de R$ 3.119.900.

A contratação, realizada por credenciamento, contempla consultas médicas especializadas, exames diagnósticos e procedimentos cirúrgicos ambulatoriais e eletivos. A vigência vai até agosto de 2027.

ALTERAÇÃO SOCIETÁRIA ANTES DO CONTRATO

Os registros empresariais revelam que, em 5 de agosto de 2026, apenas 18 dias antes da assinatura do contrato com Taquaral, ingressaram na Fabermed a JVGF Participações Ltda., a Unisen Holding de Participações Ltda. e Lucas Nogueira Taveira Adorno.

A JVGF é representada por Gleycianne da Silva França, enquanto a Unisen tem Renato Pereira Campelo como representante. Pedro Felipe Xavier Santos também figura no quadro societário da Fabermed.

O levantamento cadastral identifica Gleycianne em outras empresas, incluindo Fixa Corp S/S, Ideal Corp S/S, JG Serviços Médicos e Medcorp, além de sua atuação na Fluir Gestão em Saúde.

A existência dessas participações demonstra a presença da empresária em diferentes estruturas societárias do setor, sem constituir, por si só, qualquer irregularidade.

DOCUMENTO OFICIAL REVELA TOMADA DE CONTAS

Uma publicação do Diário Oficial de Goiás de 27 de março de 2025 identifica Gleycianne como sócia-diretora da Fluir Gestão em Saúde Ltda.

A empresa havia sido contratada pelo Instituto Gênnesis para prestar serviços de coordenação médica no Hospital Estadual de São Luís de Montes Belos.

A Secretaria Estadual de Saúde instaurou a Tomada de Contas Especial nº 202400010072280 para apurar possível dano ao erário decorrente de carga horária não cumprida integralmente por profissional contratado, apesar do pagamento integral do serviço.

O valor originalmente apontado foi de R$ 1.500, atualizado para R$ 1.862,28 em fevereiro de 2025.

O documento comprova a existência do procedimento administrativo, mas não representa condenação definitiva. O resultado final da apuração não foi confirmado.

CONTRATOS DE R$ 8,9 MILHÕES MENSAIS EM HOSPITAIS ESTADUAIS

Em reportagem publicada em 21 de setembro de 2026, o Metrópoles informou que a Fabermed FMC, empresa da qual Gleycianne é apontada como sócia, assumiu contratos de prestação de serviços em três hospitais estaduais administrados pelo Instituto de Medicina, Estudos e Desenvolvimento (Imed).

As contratações, segundo o jornal, somam R$ 8,9 milhões mensais e envolvem unidades hospitalares em Formosa, Uruaçu e Trindade.

A reportagem também informa que Gleycianne é mencionada em investigação federal sobre suspeitas de simulação de concorrência em contratações anteriores.

A médica negou participação em combinação de preços. As suspeitas permanecem distintas de qualquer conclusão judicial definitiva.

TAQUARAL: CONTRATOS DE SAÚDE SOMAM R$ 16,5 MILHÕES

Além da Fabermed, o município de Taquaral firmou o Termo de Colaboração nº 01/2026 com o Instituto Projeto Rondon, no valor de R$ 13.436.664, para atividades de planejamento, fortalecimento e operacionalização dos serviços públicos de saúde.

Somados, os dois instrumentos representam R$ 16.556.564 em valores globais previstos.

Os registros disponíveis comprovam as contratações, mas não demonstram que os valores tenham sido integralmente pagos.

A investigação continuará concentrada na execução financeira, nos serviços efetivamente realizados e na identificação de eventuais coincidências entre despesas custeadas pelos diferentes contratos.

O Blog do Cleuber Carlos mantém espaço aberto para manifestações de Gleycianne da Silva França, da Fabermed, do Instituto Projeto Rondon e dos demais envolvidos.

Documentação de referência: contrato nº 106/2026 de Taquaral, publicado no PNCP ; registros societários da Fabermed ; Diário Oficial de Goiás de 27 de março de 2025 ; reportagem do Metrópoles de 21 de setembro de 2026 ; e termo de colaboração do Instituto Projeto Rondon .


JERONYMO SOFRE NOVA DERROTA NO STF! CASSAÇÃO AVANÇA EM SÃO MIGUEL DO ARAGUAIA


Alexandre de Moraes nega seguimento a reclamação apresentada pelo prefeito de São Miguel do Araguaia. Processo de cassação continua na Câmara Municipal, com julgamento previsto para 29 de outubro. Articulação de nove vereadores favoráveis ao afastamento coloca o chefe do Executivo diante de uma situação política delicada.


O prefeito de São Miguel do Araguaia, Jeronymo José de Siqueira Neto (MDB), sofreu mais um revés judicial na tentativa de interromper o processo político-administrativo que pode resultar na cassação de seu mandato. 

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou seguimento à Reclamação nº 100.882/GO, apresentada pela defesa do prefeito contra decisão do Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO) que permitiu a continuidade dos trabalhos da Câmara Municipal. 

A defesa sustentava que a Comissão Processante nº 03/2026 teria estabelecido regras próprias para notificações e apresentação de defesa, contrariando a Súmula Vinculante nº 46. Segundo reportagem do Jornal da Cidade, Moraes concluiu que a decisão do TJGO não afastou a aplicação da legislação federal. 

A comissão é presidida pelo vereador André Luiz Maciel Souza (PL), e o julgamento está previsto para 29 de outubro. 

Nos bastidores políticos, a situação de Jeronymo é considerada extremamente delicada. Informações apuradas pelo Blog do Cleuber Carlos apontam que nove vereadores estariam favoráveis à cassação. 

O Decreto-Lei nº 201/1967 estabelece que a perda do mandato exige o voto favorável de pelo menos dois terços dos integrantes da Câmara Municipal. 

A sucessão de decisões judiciais desfavoráveis à tentativa de suspensão do procedimento aumenta a pressão política sobre o prefeito às vésperas do julgamento. 

A decisão do STF não representa a cassação nem julgamento definitivo de todas as questões jurídicas levantadas pela defesa. Entretanto, mantém aberto o caminho para que a Câmara Municipal conclua o processo dentro dos prazos legais. 

O destino político de Jeronymo Siqueira está agora nas mãos dos vereadores. Se os nove parlamentares apontados como favoráveis à cassação mantiverem suas posições e o quórum legal for alcançado, São Miguel do Araguaia poderá assistir à queda de seu prefeito ainda neste mês. 

terça-feira, 20 de outubro de 2026

CASO CAROL DO AMILTON FILHO: MDB TENTA BARRAR RECURSO DO MINISTÉRIO PÚBLICO, MAS FILIAÇÃO AINDA DEPENDE DE DECISÃO DEFINITIVA

Partido apresenta defesa de 18 páginas ao TRE-GO para manter candidatura de Ana Caroline Guimarães de Oliveira Faria. Ministério Público Eleitoral questiona fundamentos da decisão que reconheceu filiação ao MDB por meio de liminar concedida após a morte de Amilton Filho.

A disputa judicial envolvendo a candidatura de Carol do Amilton Filho à Assembleia Legislativa de Goiás ganhou um novo capítulo. O MDB apresentou ao Tribunal Regional Eleitoral de Goiás (TRE-GO) uma manifestação de 18 páginas contestando os embargos de declaração apresentados pelo Ministério Público Eleitoral contra a decisão que deferiu o registro da candidata.

O centro da controvérsia é a filiação partidária de Ana Caroline Guimarães de Oliveira Faria. O MDB sustenta que ela está filiada desde 17 de novembro de 2025, mas o reconhecimento judicial ocorreu somente em 28 de setembro de 2026, dois dias depois da morte de Amilton Batista de Faria Filho, candidato que ela substituiu.

A regularização foi determinada por liminar da 141ª Zona Eleitoral, decisão provisória que permanece sujeita ao julgamento definitivo do processo específico de filiação.

O Ministério Público questiona aspectos da fundamentação do acórdão que deferiu a candidatura, especialmente a utilização dessa decisão provisória e o alcance da análise das provas documentais.

Na defesa, os advogados do MDB argumentam que a liminar produz efeitos enquanto não for revogada e que o TRE não poderia reexaminar, no registro de candidatura, o mérito de decisão proferida em processo específico.

Entre os documentos apresentados para sustentar a filiação estão uma ficha partidária, registros internos e um ofício de abril de 2026 indicando Carol para a presidência do MDB Mulher de Anápolis.

Entretanto, permanece uma questão fundamental: quais provas independentes demonstram que a filiação efetivamente ocorreu em novembro de 2025?

O próprio MDB admite, em pedido subsidiário, a possibilidade de o Tribunal esclarecer o caráter provisório da decisão, desde que preserve o registro da candidatura.

O TRE deferiu a candidatura por unanimidade. Isso, porém, não significa que a discussão judicial sobre a filiação esteja definitivamente encerrada.

Agora, caberá à Justiça Eleitoral apreciar os embargos do Ministério Público, enquanto o processo específico de filiação poderá trazer novos desdobramentos.

A questão central permanece: a documentação apresentada será suficiente para confirmar definitivamente a filiação partidária de Carol dentro do prazo legal?


DANIEL VILELA DEFINE: ISSY QUINAN É SEU CANDIDATO À PRESIDÊNCIA DA ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DE GOIÁS

Informações de bastidores apuradas pelo Blog do Cleuber Carlos apontam que o governador já fez sua escolha para o comando da Assembleia Legislativa no próximo biênio. Apesar da movimentação de vários pré-candidatos, somente Issy Quinan teria o apoio político de Daniel Vilela.

A disputa pela presidência da Assembleia Legislativa de Goiás para o biênio 2027–2028 já movimenta intensamente os bastidores da política goiana. Embora vários deputados articulem candidaturas e procurem conquistar apoio entre os parlamentares eleitos, uma informação apurada pelo Blog do Cleuber Carlos coloca o deputado estadual Issy Quinan (MDB) em posição privilegiada.

O governador Daniel Vilela já teria definido seu candidato: Issy Quinan.

A escolha, segundo informações obtidas nos bastidores, representa uma decisão política do governador, embora ainda não tenha sido anunciada oficialmente.

Entre os nomes que circulam na disputa estão Talles Barreto, Virmondes Cruvinel, Jamil Calife e Wilde Cambão. Todos possuem articulações próprias, mas, conforme a apuração do blog, nenhum deles conta com o apoio político reservado pelo governador a Issy Quinan.

A preferência tem explicação. Além de integrar o MDB, partido de Daniel Vilela, Issy mantém uma relação de confiança e proximidade com o chefe do Executivo estadual. Sua experiência parlamentar e sua capacidade de diálogo também são consideradas importantes para a construção de uma candidatura de consenso.

A definição política do governador, entretanto, não elimina a necessidade de articulação. A eleição será decidida pelos deputados estaduais, e o candidato precisará construir uma maioria capaz de garantir sua vitória.

Nos bastidores, a avaliação é que o posicionamento de Daniel Vilela poderá exercer influência decisiva sobre a base governista, especialmente diante da necessidade de manter uma relação institucional estável entre o Executivo e o Legislativo.

A eleição para a presidência da Assembleia está prevista para 1º de fevereiro de 2027.

A disputa continua aberta entre os deputados, mas, segundo a apuração do Blog do Cleuber Carlos, a escolha política de Daniel Vilela já está feita: Issy Quinan.

Observação editorial: a informação exclusiva sobre a escolha do governador permanece atribuída à apuração do blog. Publicações recentes confirmam o favoritismo de Issy Quinan, mas não um anúncio oficial de Daniel Vilela.


domingo, 18 de outubro de 2026

ROBERTA LUCHSINGER: SOU SÓCIA DO LULA”: A FRASE QUE INCENDIOU O BRASIL

Empresária investigada pela Polícia Federal rompe o silêncio, acusa Lula de mentir, afirma que o filho do presidente participava de reuniões com ministros e levanta suspeitas sobre negócios bilionários envolvendo uma construtora. Entrevista explosiva, concedida a uma semana do segundo turno presidencial, abre uma nova frente de desgaste político para o Palácio do Planalto. Governo nega as acusações.

A entrevista concedida pela empresária Roberta Luchsinger à CNN Brasil, na noite deste sábado, 17 de outubro, transformou uma investigação que já alcançava o entorno familiar do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em uma crise política de proporções potencialmente nacionais. Investigada pela Polícia Federal por suspeitas de tráfico de influência e por suas relações com Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, Roberta decidiu falar publicamente e lançou acusações contra o presidente, seu filho e integrantes do governo federal. Mais do que apresentar sua versão sobre os fatos, anunciou a intenção de fazer uma delação premiada e declarou que não pretende proteger ninguém.

A entrevista, conduzida pelos jornalistas Débora Bergamasco e Iuri Pitta, foi gravada no apartamento da empresária, em São Paulo, e exibida no programa CNN Prime Time. Era a primeira vez que Roberta falava a uma emissora de televisão desde o início das investigações. O conteúdo ganhou repercussão imediata porque envolve três questões particularmente sensíveis para o governo: a proximidade de Lulinha com empresários interessados em negócios públicos, o acesso de particulares a integrantes do primeiro escalão federal e a possibilidade de uma investigada apresentar novas informações à Polícia Federal.

DELAÇÃO PREMIADA: A AMEAÇA QUE PODE ATINGIR O PLANALTO

O momento mais contundente da entrevista ocorreu quando Roberta declarou estar disposta a colaborar formalmente com a Justiça. A empresária afirmou que possui informações que ultrapassam o conteúdo das mensagens de WhatsApp já examinadas pelos investigadores. Segundo ela, parte do que conhece decorre de conversas presenciais, encontros e situações que teria testemunhado ao longo de sua convivência com pessoas próximas ao poder.

Sua disposição foi expressa em uma frase que atingiu diretamente o presidente: “Não vou poupar o filho do presidente, não vou poupar o presidente.”

A declaração representa uma mudança importante de postura. Até então, Roberta aparecia nas investigações principalmente como personagem suspeita de intermediar interesses privados. Agora, apresenta-se publicamente como alguém disposta a fornecer informações sobre outros envolvidos. Isso não significa que uma delação tenha sido celebrada, tampouco que as acusações estejam comprovadas. Para produzir efeitos jurídicos, uma colaboração premiada depende de procedimentos formais e da avaliação das autoridades competentes.

Politicamente, entretanto, a ameaça já tem peso. Se Roberta efetivamente apresentar documentos, testemunhas e informações verificáveis sobre eventuais irregularidades, as investigações poderão alcançar novos personagens. Caso suas declarações não encontrem respaldo probatório, permanecerão no terreno das acusações.

LULINHA, MINISTROS E REUNIÕES QUE O PRESIDENTE TERIA CONHECIMENTO

Outro ponto central da entrevista foi a afirmação de que Fábio Luís Lula da Silva teria participado de inúmeros encontros com ministros e empresários. Roberta contestou a versão de distanciamento apresentada pelo presidente em relação às atividades do filho e sustentou que Lula teria conhecimento de reuniões realizadas no entorno do governo.

A acusação é politicamente delicada porque Lulinha não ocupa cargo público que, por si só, justifique sua participação em negociações governamentais. Isso não torna ilegais encontros com autoridades, mas impõe uma questão fundamental: qual era o objetivo dessas reuniões e quem poderia se beneficiar delas?

A empresária também afirmou que integrantes do próprio governo a procuravam para conseguir acesso ao presidente ou prioridade para determinados projetos. Entre os nomes mencionados por ela estão Leonardo Barchini, da Educação, e Frederico de Siqueira Filho, das Comunicações.

O conteúdo dessas declarações precisa ser confrontado com agendas oficiais, registros de reuniões, comunicações e eventuais contratos. A simples realização de encontros não comprova corrupção ou tráfico de influência. O que precisa ser esclarecido é se houve utilização indevida de relações pessoais para favorecer interesses privados dentro da administração federal.

CONSTRUTORA, CONTRATOS DE R$ 2 BILHÕES E A PROXIMIDADE COM LULINHA

Uma das revelações mais graves da entrevista envolve a ECB — Empresa Construtora Brasil, integrante do grupo português Mota-Engil. Roberta afirmou que Lulinha teria ajudado a empresa a conseguir contratos com o governo federal e mencionou Amauri Rodrigues Pinha, executivo da construtora que, segundo ela, mantém relação de vizinhança com o filho do presidente.

A empresária sustentou que a construtora teria acumulado aproximadamente R$ 2 bilhões em contratos desde que Amauri assumiu a presidência do grupo. Também afirmou que o executivo teria circulado pelo Palácio do Planalto, pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) e pela Petrobras.

A ECB atua em grandes projetos de infraestrutura, incluindo rodovias, ferrovias e empreendimentos industriais. Segundo a CNN, a empresa também mantém contrato com a Petrobras para intervenções na Refinaria Duque de Caxias, no Rio de Janeiro.

A gravidade potencial da denúncia está na possibilidade de influência indevida sobre contratações públicas. Entretanto, a existência de contratos bilionários e de relações pessoais não comprova favorecimento. Seria necessário identificar os procedimentos de contratação, a participação efetiva de Lulinha e a eventual existência de benefícios indevidos.

A própria Roberta reconheceu não ter participado diretamente dessa história, embora tenha afirmado conhecê-la. A CNN procurou o Grupo Mota-Engil, mas não havia recebido resposta até a publicação da reportagem consultada.

“SOU SÓCIA DO LULA”: A FRASE QUE INCENDIOU AS REDES

Uma das frases mais repercutidas da entrevista foi a declaração de Roberta de que seria sócia do próprio presidente, e não de Lulinha. O contexto, entretanto, revela uma nuance fundamental: a empresária utilizou a expressão de maneira aparentemente irônica, ao contestar a dimensão do poder e da influência que lhe estavam sendo atribuídos.

Ela negou manter sociedade profissional com Lulinha e afirmou nunca ter firmado contrato público. Também confirmou ter ajudado o filho do presidente na organização de sua mudança para Madri, na Espanha, mas negou ter custeado a transferência.

Portanto, a declaração sobre ser sócia de Lula não constitui, por si só, uma confissão de sociedade empresarial com o presidente. A frase ganhou força nas redes sociais, mas não pode ser separada de seu contexto sem comprometer o significado da entrevista.

DE ALIADA A ADVERSÁRIA: ROBERTA ROMPE COM LULA

A entrevista também expôs o rompimento pessoal e político entre Roberta e o presidente. A empresária lembrou que foi uma defensora de Lula durante o período em que ele esteve preso, em 2018, e afirmou sentir-se traída pelas declarações públicas feitas contra ela.

O presidente havia chamado Roberta de pilantra e a comparado ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, investigado no caso Banco Master. A reação foi particularmente agressiva. Roberta questionou por que pessoas que frequentavam sua residência e mantinham relações com ela não recebiam tratamento semelhante.

A empresária também relatou receber dezenas de ameaças de morte diariamente e afirmou que suas duas filhas passaram a sofrer ameaças e constrangimentos. Responsabilizou politicamente Lula pelo ambiente de hostilidade que, segundo ela, se formou após as declarações presidenciais. Essas ameaças e a responsabilidade atribuída ao presidente não foram comprovadas de maneira independente nas reportagens examinadas.

O CASO DO INSS E AS INVESTIGAÇÕES NO SUPREMO

A dimensão judicial do episódio não pode ser ignorada. Roberta Luchsinger é investigada no contexto da Operação Sem Desconto, que apura um esquema de fraudes envolvendo benefícios de aposentados e pensionistas do INSS. A empresária também é investigada por suspeitas relacionadas à atuação de Antônio Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, e à proximidade com Lulinha.

Segundo a CNN, Roberta foi alvo de medidas como busca e apreensão, bloqueio de bens e imposição de tornozeleira eletrônica. Lulinha, por sua vez, é investigado em três inquéritos no Supremo Tribunal Federal envolvendo suspeitas de corrupção e tráfico de influência.

A condição de investigados não significa que os envolvidos tenham sido considerados culpados. A responsabilidade criminal depende da comprovação dos fatos e do devido processo legal.

Há, contudo, uma questão que ultrapassa a situação individual dos investigados: a necessidade de esclarecer se relações pessoais foram utilizadas para facilitar negócios privados com órgãos públicos e se houve algum tipo de vantagem indevida.

PLANALTO NEGA ACUSAÇÕES E QUESTIONA O MOMENTO DA ENTREVISTA

O presidente Lula reagiu por meio de sua equipe de comunicação. Em nota encaminhada à CNN, afirmou desconhecer os fatos narrados por Roberta, negou ter mantido interlocução com ela ou recebido suas demandas e ressaltou que não existe contrato do governo federal com a empresária.

O Planalto também questionou o momento escolhido para a divulgação das acusações, a apenas uma semana do segundo turno presidencial, marcado para 25 de outubro. Na avaliação da equipe presidencial, denúncias sem comprovação podem ser utilizadas para interferir na disputa eleitoral.

A defesa de Lulinha também rejeitou as acusações. Sustentou que ele não praticou irregularidades, que seus relacionamentos com ministros são de natureza pessoal e que as insinuações de Roberta contrariam declarações anteriores prestadas às autoridades. Os advogados afirmaram ainda que ele colocou informações bancárias, fiscais e telemáticas à disposição da Justiça e que demonstrará sua inocência nos autos.

UMA ENTREVISTA QUE PODE TER CONSEQUÊNCIAS ALÉM DAS ELEIÇÕES

O episódio coloca o governo Lula diante de um problema que não se resolve apenas com declarações políticas. A entrevista de Roberta Luchsinger reuniu acusações sobre o acesso de empresários ao governo, a atuação do filho do presidente, contratos de grande valor e a possibilidade de uma colaboração premiada.

O impacto imediato é eleitoral. A uma semana do segundo turno, Lula enfrenta declarações de uma antiga apoiadora que agora o acusa publicamente de mentir e promete revelar informações que, segundo ela, ainda não chegaram integralmente ao conhecimento dos investigadores.

Mas a consequência mais importante poderá surgir depois das urnas. Se Roberta transformar suas declarações em depoimentos formais acompanhados de provas, o episódio poderá adquirir uma dimensão judicial muito superior à repercussão televisiva. Se não conseguir sustentar suas afirmações, a entrevista permanecerá como um confronto político de enorme repercussão, mas sem a força probatória necessária para confirmar as suspeitas.

O que torna a entrevista explosiva não é apenas a violência das palavras utilizadas contra o presidente. É o fato de uma personagem que circulou no entorno do poder anunciar que está disposta a revelar o que sabe sobre esse ambiente.

O Brasil agora precisa conhecer não apenas o que Roberta Luchsinger tem a dizer, mas principalmente o que ela pode provar. Essa é a diferença entre uma denúncia capaz de mudar o rumo de uma investigação e uma acusação que produz manchetes, mas não resiste ao exame dos fatos.

Blog do Cleuber Carlos — Jornalismo, investigação e análise política.


sábado, 17 de outubro de 2026

ALIADOS COBRAM POSIÇÃO DE JHC NA DISPUTA PRESIDENCIAL

Governador eleito de Alagoas enfrenta pressão de integrantes da própria aliança para declarar apoio a Flávio Bolsonaro. Arthur Lira, Célia Rocha e Cabo Bebeto já se posicionaram, enquanto Alfredo Gaspar evita confronto público. A indefinição também movimenta os bastidores da formação do futuro governo estadual.

A vitória de João Henrique Caldas, o JHC, na eleição para o governo de Alagoas colocou o ex-prefeito de Maceió diante de uma decisão política que ultrapassa as fronteiras do estado. Duas semanas depois de derrotar Renan Filho nas urnas, o governador eleito ainda não anunciou quem apoiará no segundo turno da eleição presidencial, marcado para 25 de outubro. O silêncio, que durante a campanha estadual permitiu reunir forças políticas de diferentes orientações, começa agora a provocar cobranças entre integrantes da própria aliança que o levou ao Palácio República dos Palmares.

A pressão tornou-se pública. Reportagem do jornalista Bruno Fernandes, publicada neste sábado, 17 de outubro, no Jornal Extra de Alagoas, aponta que aliados ligados ao Partido Liberal passaram a cobrar uma definição do governador eleito. Entre os nomes citados está o deputado estadual Cabo Bebeto, defensor do apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro. Em posição diferente, Alfredo Gaspar de Mendonça, candidato a vice-presidente na chapa do PL, tem evitado transformar a indefinição de JHC em um confronto público.

A situação apresenta uma particularidade política. JHC conquistou o governo estadual com o apoio de lideranças que hoje participam diretamente da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro. Arthur Lira, eleito senador e uma das principais figuras da aliança vitoriosa em Alagoas, já declarou apoio ao candidato do PL. A vice-governadora eleita, Célia Rocha, também se posicionou, assim como Cabo Bebeto e Fábio Costa.

O governador eleito, entretanto, mantém uma postura diferente da adotada por parte de seus aliados.

Essa diferença não representa, por si só, uma ruptura política. Mas revela a dificuldade de transformar uma aliança construída para disputar o governo estadual em um bloco inteiramente alinhado na eleição presidencial. O grupo de JHC reúne lideranças com trajetórias partidárias, interesses administrativos e relações distintas com Brasília.

A estratégia de neutralidade não começou agora. Durante o primeiro turno, JHC evitou vincular diretamente sua candidatura a um dos presidenciáveis. A posição permitiu concentrar a campanha na disputa estadual contra Renan Filho e preservar interlocução com setores políticos que não necessariamente compartilham as mesmas preferências na política nacional.

Depois da vitória, porém, o cenário mudou.

Em 5 de outubro, ao comentar a disputa presidencial, JHC afirmou que reuniria seus aliados para discutir o posicionamento do grupo. Desde então, Arthur Lira anunciou apoio a Flávio Bolsonaro, outras lideranças seguiram o mesmo caminho e o governador eleito permaneceu sem uma declaração formal.

A cobrança também tem relação com o desempenho eleitoral dos presidenciáveis em Alagoas. Flávio Bolsonaro venceu o primeiro turno em Maceió, onde recebeu 52,36% dos votos válidos, contra 41,09% de Lula. O candidato do PL também terminou à frente em outros 15 municípios, principalmente na faixa litorânea. No conjunto do estado, entretanto, Lula obteve a maioria, com 54,73%, diante de 40,45% de Flávio.

Esses números mostram que o eleitorado alagoano apresentou comportamentos distintos conforme a região. A capital e parte do litoral favoreceram Flávio Bolsonaro, enquanto o presidente Lula teve votação mais expressiva no interior e venceu a disputa estadual.

Para JHC, portanto, a decisão envolve um ambiente eleitoral dividido e uma base política que não possui posição inteiramente uniforme.

Outro elemento importante é a presença de Alfredo Gaspar na chapa presidencial. Deputado federal por Alagoas, ex-procurador-geral de Justiça e ex-secretário estadual de Segurança Pública, Gaspar disputa a Vice-Presidência da República. Uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro colocaria um alagoano no segundo posto do Executivo federal.

A circunstância amplia a atenção sobre o posicionamento de JHC. Entretanto, não existe demonstração de que uma declaração de apoio seja condição necessária para a futura relação institucional entre o governo estadual e a Presidência da República.

Essa distinção apareceu nas declarações do vereador Chico Filho, aliado de JHC, em 13 de outubro. Durante encontro com lideranças políticas, ele afirmou que o governador eleito deverá dialogar com quem vencer a eleição presidencial, independentemente de sua orientação partidária. O vereador manifestou preferência pessoal por Flávio Bolsonaro, mas evitou antecipar a decisão de JHC.

Nos bastidores, também circulam interpretações de que o governador eleito estaria preservando compromissos e canais de diálogo com o atual presidente. A coluna Fatos & Notícias, da Gazeta de Alagoas, registrou essa possibilidade em 15 de outubro. Trata-se, contudo, de uma avaliação política publicada pela imprensa, e não de uma explicação oficialmente apresentada por JHC.

A indefinição ocorre justamente quando começam as articulações para a formação do novo secretariado estadual. Arthur Lira, Alfredo Gaspar e outras lideranças participaram da construção da aliança eleitoral, mas ainda não existe confirmação de que a divergência sobre a eleição presidencial tenha provocado mudanças concretas na distribuição de cargos ou na composição da equipe de transição.

É nesse ponto que a discussão ganha importância para o futuro governo. JHC precisará administrar uma coalizão que reúne interesses partidários distintos e, ao mesmo tempo, preparar uma estrutura capaz de governar Alagoas a partir de janeiro de 2027. A composição do secretariado poderá indicar como essas diferentes forças serão representadas na administração.

A decisão sobre o segundo turno pertence ao governador eleito. Seus aliados têm liberdade para manifestar preferências e defender seus candidatos, assim como JHC pode optar por declarar apoio ou manter a neutralidade. O aspecto que merece acompanhamento público é a maneira como essas escolhas poderão repercutir nas relações políticas e institucionais do futuro governo.

A poucos dias da votação presidencial, a pressão tende a continuar presente no debate político alagoano. Até o fechamento desta reportagem, não havia sido identificada uma declaração oficial de JHC anunciando apoio a Lula ou Flávio Bolsonaro.

JHC venceu a eleição estadual reunindo uma aliança ampla. Agora, a disputa presidencial coloca à prova a capacidade desse grupo de conviver com posições diferentes sem comprometer a organização do próximo governo.

O desfecho da eleição de 25 de outubro e as primeiras decisões administrativas do governador eleito ajudarão a esclarecer os efeitos políticos dessa indefinição.