quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

Daniel Vilela Se Consolida Como Aliado de Lula em Goiás

Aproximação com Alckmin expõe alinhamento político que contrasta com o perfil conservador do eleitor goiano

Goiás é, há anos, um dos estados onde o ex-presidente Jair Bolsonaro sempre encontrou terreno fértil. O PT, por outro lado, jamais conseguiu romper a barreira eleitoral que o mantém como força periférica no estado. O eleitor goiano é majoritariamente conservador, desconfiado da esquerda ideológica e resistente ao discurso petista.


É nesse cenário que o vice-governador Daniel Vilela vai, passo a passo, se posicionando de forma cada vez mais clara no tabuleiro nacional.


O encontro com o vice-presidente Geraldo Alckmin não foi agenda protocolar. Foi gesto político. Foto institucional, ambiente oficial, simbologia de alinhamento. Não se trata de reunião técnica. Trata-se de sinal.


E o sinal é nítido: Daniel se consolida como interlocutor preferencial do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em Goiás.


Isso não surge do nada. A relação histórica entre Maguito Vilela e Lula sempre colocou o grupo político dos Vilela no campo do diálogo direto com governos petistas. Daniel herda essa ponte. Herda o canal. Herda a posição.


Pode haver discurso moderado. Pode haver retórica institucional. Mas trajetória política não se apaga com palavras. Daniel nunca esteve no campo bolsonarista. Seu histórico de alianças e aproximações o situa de forma consistente no eixo de sustentação política do governo federal.


O que está em curso não é adesão ideológica aberta. É algo mais sofisticado e eleitoralmente calculado: presença no núcleo do poder sem carregar a bandeira.


O problema é que, em Goiás, essa conta é sensível. O eleitor local aceita gestor que dialogue com Brasília. O que ele rejeita é a figura identificada como representante do projeto petista.


E é justamente aí que o movimento de Daniel ganha peso político. Ele deixa de ser apenas vice-governador e passa a ser percebido como peça do arranjo nacional Lula–Alckmin dentro do estado. Não por declaração. Por gesto. Por imagem. Por trajetória.


Na prática, o que se consolida é um fato político:


Daniel Vilela se firma como ponte do governo Lula em Goiás — um posicionamento que o aproxima do campo lulista no momento em que o eleitor goiano segue majoritariamente ancorado na direita.


E em política, percepção muitas vezes vale mais que discurso.


segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Jornal Opção: Fake News Por Encomenda?

MANCHETE PLANTADA? “BASTIDOR” SEM PROVA TENTA CRIAR FATO POLÍTICO QUE NÃO EXISTE
Na minha avaliação editorial, o Jornal Opção há tempos abandonou o terreno do jornalismo político responsável e passou a atuar como veículo de publicação de narrativas frágeis, baseadas em insinuação, conjectura e “bastidores” não demonstrados.


O que vejo com frequência não é informação sustentada por prova, mas construções que, na minha opinião, se enquadram como fake news políticas por insinuação — conteúdo que não afirma diretamente, mas planta no imaginário do leitor uma realidade que não foi comprovada.


Hipótese virou manchete.

Sugestão virou atmosfera.

“Pode ser” passou a ocupar o lugar do fato.

Isso não é erro de estilo. É método.

E quando a narrativa vem antes da evidência, não estamos diante de jornalismo factual. Estamos diante de construção de cenário político sem lastro documental — algo que, sob meu juízo crítico, desinforma em vez de esclarecer.

É com essa leitura — firme, crítica e assumidamente opinativa — que analiso a publicação em questão

Publicação transforma hipótese em atmosfera de aliança, mas não apresenta um único elemento concreto que sustente a narrativa

O que foi apresentado como “bastidor político” pelo Jornal Opção não revela um movimento. Revela um método.

A chamada publicada sugere que Marconi Perillo “pode recuar”, “pode apoiar” Aava Santiago e que “pode pintar” uma aliança com o PT.

Três verbos no condicional.

Zero fatos apresentados.

Não há declaração.

Não há registro de reunião.

Não há posicionamento partidário.

Não há fonte identificável.

Há apenas a construção de um cenário hipotético apresentado com embalagem de movimentação real.

Isso não é revelação de bastidor.

É projeção política transformada em manchete.

A técnica é conhecida nos meios políticos: cria-se um enredo possível, ancora-se a narrativa em símbolos fortes (como a associação indireta ao campo político de Lula) e deixa-se o leitor com a sensação de que algo está acontecendo — mesmo quando não há um único elemento verificável que comprove a tese.

Política real deixa rastro.

Hipótese deixa suposição.

Se houvesse articulação concreta, haveria:

  • sinalização pública
  • reação de lideranças
  • movimentação interna partidária
  • registro de diálogo político

Nada disso aparece. O que aparece é apenas o clima. E clima não é fato.

Transformar “pode ser” em ambiente de “está acontecendo” não é informar. É induzir leitura política sem base documental.


PERGUNTAS QUE O JORNAL OPÇÃO NÃO RESPONDEU

  1. Recuar de quê?
    Marconi estaria recuando de qual posição objetiva? Pré-candidatura? Projeto partidário? Não foi dito.
  2. Apoio com base em qual fato?
    Houve declaração direta? Vídeo? Entrevista? Nota oficial? Nenhum elemento foi apresentado.
  3. Aliança com o PT em qual instância?
    Conversa informal? Reunião formal? Articulação institucional? A manchete sugere — mas não prova.
  4. Quem é a fonte do “bastidor”?
    É dirigente partidário? Assessor? Parlamentar? Liderança nacional? Nada é identificado.
  5. Quando isso teria ocorrido?
    Política é tempo. Se há fato, há data. Não há.
  6. Onde ocorreu a suposta articulação?
    Sem local, não há verificação possível.
  7. Qual o elemento objetivo que sustenta a manchete?
    Documento? Registro? Declaração? Prova material? Nenhum foi apresentado.

O leitor precisa entender a diferença entre análise e sugestão narrativa. Análise parte de fatos e projeta cenários. Aqui, o cenário veio primeiro. O fato não veio.

E quando o jornalismo troca evidência por atmosfera, o que se produz não é informação — é ensaio político publicado como se fosse movimentação real.

No debate público, especulação pode até existir. O que não pode é ganhar roupagem de notícia sem que se mostre o que sustenta a hipótese.

Porque quando a suposição vira manchete, a informação vira acessório. E isso diz muito mais sobre o método de publicação do que sobre a política em si.


Opus se Manifesta Sobre Condomínio Terra da Grama

 A incorporadora Opus Incorporadora decidiu se manifestar sobre o empreendimento Terra da Grama, em Senador Canedo, mas a resposta enviada não enfrenta nenhuma das questões técnicas e documentais que foram formalmente apresentadas.


Em vez de esclarecer os pontos objetivos levantados pela reportagem, a empresa optou por um caminho conhecido nos bastidores de investigações urbanísticas: uma nota genérica, recheada de afirmações amplas de “regularidade”, acompanhada de alertas sobre possíveis medidas judiciais.


A manifestação, assinada por Kamilla de Souza Lagares, afirma que o empreendimento está em “plena regularidade jurídica, urbanística e ambiental” e que teria seguido todos os trâmites legais, inclusive com ciência do Ministério Público. No entanto, em nenhum trecho do documento são respondidas as perguntas específicas enviadas.


Não há explicação objetiva sobre:


— a mudança de destinação da área originalmente industrial para urbana

— os critérios técnicos que embasaram essa alteração

— as contrapartidas urbanísticas ao município

— os impactos estruturais, viários e ambientais

— os parâmetros de interesse público envolvidos


Ou seja: responde-se com tese jurídica, não com fato.


A nota usa uma estrutura típica de defesa preventiva: declara regularidade, invoca legalidade abstrata, menciona autoridades de forma genérica e, em seguida, desloca o foco para o jornalista, sugerindo que a continuidade das reportagens poderia configurar abuso da liberdade de imprensa, danos à imagem e até crimes contra a honra.


Esse movimento é revelador.


Quando uma empresa está segura da consistência documental de um projeto, o caminho natural é simples: apresentar os documentos, esclarecer os atos administrativos e responder ponto por ponto. O que se viu foi o oposto — nenhuma documentação anexada, nenhuma resposta técnica individualizada e uma ênfase na possibilidade de judicialização.


Trata-se de uma tentativa clássica de deslocar o debate do campo dos fatos para o campo do medo jurídico.


Mas é preciso lembrar algo essencial: jornalismo investigativo não se submete a intimidação retórica. Questionar atos administrativos, decisões urbanísticas e operações imobiliárias de grande impacto não é abuso — é função pública da imprensa.


A nota da empresa confirma um dado relevante: o assunto saiu do campo administrativo e entrou no campo político-institucional. Quando a resposta vem mais preocupada com “responsabilidades” do jornalista do que com a prestação de informações, o sinal que se acende não é de transparência — é de blindagem.


E blindagem nunca é sinônimo de esclarecimento.


A reportagem segue. Com documentos, perguntas objetivas e foco no interesse público. Porque ameaça não substitui resposta.


Veja a íntegra da manifestação da Opus 

Assunto: RESPOSTA À SOLICITAÇÃO DE INFORMAÇÕES – TERRA DA GRAMA

Prezado(a) Cleuber Carlos,


Em resposta à sua solicitação de informações, por meio desta, esclarecem-se os fatos e estabelece-se a verdade acerca da regularidade do projeto.


Informamos, categoricamente, que o referido empreendimento encontra-se em situação de plena regularidade jurídica, urbanística e ambiental. Todo o processo de aprovação seguiu rigorosamente os trâmites legais exigidos, tendo sido devidamente licenciado e autorizado por todas as autoridades competentes.


Cumpre destacar que, conforme é praxe nos processos de parcelamento de solo e incorporação no Município de Senador Canedo, o projeto foi submetido a escrutínio e aprovado, inclusive com a ciência e o acompanhamento do Ministério Público. A documentação, que é pública, atesta a total conformidade do empreendimento com as legislações municipais, estaduais e federais vigentes. Portanto, qualquer alegação em contrário carece de fundamento fático e legal.


Diante do exposto, e visando prevenir responsabilidades e resguardar direitos, servimo-nos da presente para alertar que a continuidade de publicações que insinuem irregularidades inexistentes extrapola o direito de informar e a liberdade de imprensa. Tais veiculações inevitavelmente ocasionam danos e prejuízos severos, não apenas à imagem e à reputação da empresa perante o mercado, mas também de ordem patrimonial.


Ressaltamos que a propagação de informações inverídicas ou distorcidas enseja, inclusive, atuação no foro criminal, em tipos penais como difamação ou calúnia, conforme o caso.


Esperamos que as informações sejam tratadas com a devida responsabilidade e veracidade que o jornalismo sério requer.

Atenciosamente, 

Kamilla de Souza Lagares


Goiás volta a sentir o peso da violência enquanto o discurso oficial insiste em um estado “seguro”

O discurso de que Goiás é um dos estados mais seguros do país começa a esbarrar em um problema simples: os fatos.

O domingo recente, marcado por três homicídios em cidades do interior, não é apenas uma estatística isolada. É um sinal. Um sintoma. Um alerta. Os casos registrados em Bonfinópolis, Bom Jardim e Nerópolis, divulgados pelo portal Mais Goiás, mostram um cenário que começa a se repetir: mortes violentas, autores foragidos e sensação crescente de insegurança.


Quando três homicídios acontecem em municípios diferentes, no mesmo dia, o problema deixa de ser pontual e passa a ser estrutural.

O contraste entre discurso e realidade

O governo sustenta a imagem de um estado controlado, com redução de índices e políticas de segurança bem-sucedidas. Mas a percepção social não se constrói apenas com números anuais — ela se forma na sequência dos fatos cotidianos.

E os fatos recentes falam alto:

  • execuções com múltiplos disparos
  • autores não localizados
  • ocorrências espalhadas pelo interior
  • vítimas jovens

Esse padrão não aponta para violência ocasional, mas para um ambiente onde o controle estatal começa a perder terreno para dinâmicas criminais mais ousadas e visíveis.

Interior deixou de ser “zona segura”

Historicamente, parte do discurso da segurança pública se apoiava na ideia de que a violência estava concentrada em grandes centros. Mas os registros recentes mostram outra coisa: o interior goiano deixou de ser reduto de tranquilidade.

Municípios médios e pequenos passaram a conviver com:

  • acertos de contas
  • homicídios com características de execução
  • crescimento de circulação de armas
  • expansão de organizações criminosas para fora das capitais

Isso muda o eixo da discussão. Não se trata apenas de policiamento urbano. Trata-se de inteligência, investigação e presença estatal efetiva fora dos polos tradicionais.

Violência não volta de um dia para o outro

Quando a violência “aparece” de forma mais frequente, normalmente ela já estava se reorganizando nos bastidores. O aumento de casos visíveis costuma ser o estágio seguinte de um processo silencioso:

  1. fortalecimento de grupos locais
  2. disputas territoriais
  3. circulação de armas ilegais
  4. sensação de impunidade

Se os autores seguem foragidos, a mensagem que circula nas ruas não é a de controle. É a de risco calculado.

O perigo do excesso de confiança institucional

Há um efeito colateral quando a narrativa oficial insiste em normalidade enquanto a população enxerga o contrário: descrédito.

Segurança pública não é só estatística, é percepção. E percepção se constrói com sensação de presença do Estado, respostas rápidas e elucidação de crimes.

Quando mortes se acumulam e a resposta demora, instala-se o sentimento de que algo está saindo do eixo.

A pergunta que precisa ser feita

Goiás é seguro nos relatórios ou na prática cotidiana?

Se o interior volta a registrar homicídios em sequência, se crimes violentos reaparecem com força e se a população começa a comentar a violência com mais frequência que a tranquilidade, o problema deixou de ser episódico.

A violência não “explode” de repente. Ela retorna quando encontra espaço.

E os sinais de que esse espaço está se abrindo começam a ficar visíveis demais para serem tratados como casos isolados.