sábado, 12 de setembro de 2026

APÓS DENÚNCIA SOBRE A COMPLEM, JORNALISTA RECEBE CONVOCAÇÃO SEM ASSUNTO

DESDOBRAMENTO | Fonte havia dito que Cleuber Carlos seria “chamado para depor”. Dias depois, convocação chega por WhatsApp sem indicar procedimento ou motivo.

Em 5 de setembro, após a publicação de documentos, balanços e despesas da cooperativa, uma fonte interna relatou conversas atribuídas ao presidente Sérgio Penido nas quais teria aparecido o nome de um delegado identificado como Fernando.

Segundo o relato, teriam sido feitas afirmações de que “o delegado vai descobrir tudo”, que Cleuber seria chamado “para depor” e que um advogado ligado ao presidente teria conversado com a autoridade.

A reportagem ressaltou que não havia prova de irregularidade do delegado e considerou que seu nome poderia estar sendo usado indevidamente. O Blog encaminhou a matéria e os elementos à Ouvidoria-Geral do Estado e à Corregedoria da Polícia Civil.

Pelo Ofício nº 24331/2026/SSP, de 8 de setembro, a Secretaria da Segurança Pública encaminhou a manifestação nº 2026.0906.095027-52 ao delegado-geral André Gustavo Corteze Ganga, solicitando providências e resposta em até 15 dias.

Agora surge o terceiro fato. Cleuber recebeu por WhatsApp convocação da Delegacia de Morrinhos para comparecer no dia 14, às 9 horas, e prestar “esclarecimentos de interesse da Justiça”. Enviada pelo digitador Alessandro do Carmo em nome do delegado Fabiano Henrique Jacomellis, a mensagem não informa procedimento, assunto nem se o jornalista será ouvido como testemunha, vítima ou investigado.

A sequência não prova ligação com a Complem ou retaliação. Mas a fonte ter antecipado que o jornalista seria chamado para depor torna a coincidência impossível de ignorar.

Cleuber pediu intimação formal, com o procedimento, sua condição e o assuntos. Segue à disposição, mas exige transparência real.

Bom dia, senhor Alessandro.

Acuso o recebimento da mensagem encaminhada em nome do delegado Dr. Fabiano Henrique Jacomellis.

Antes de confirmar meu comparecimento, solicito que a convocação seja formalizada por meio de intimação ou ofício oficial, devidamente assinado física ou digitalmente pela autoridade responsável, contendo o número do inquérito, procedimento ou ocorrência, a condição em que estou sendo convocado — testemunha, vítima, comunicante ou investigado — e a indicação da natureza ou do assunto geral sobre o qual serão prestados os esclarecimentos.


A mensagem recebida menciona apenas “esclarecimentos de interesse da Justiça”, sem identificar o procedimento ou o fato relacionado. Como cidadão e jornalista, preciso comparecer devidamente informado e, se necessário, acompanhado de advogado.


Solicito, portanto, o encaminhamento do documento formal para que eu possa tomar conhecimento da convocação, receber orientação jurídica e confirmar ou ajustar a data do comparecimento.Senhor Alessandro, complementando a mensagem anteriormente encaminhada, solicito que seja informado se a convocação possui alguma relação, direta ou indireta, com as reportagens publicadas pelo Blog do Cleuber Carlos sobre a Complem ou com a manifestação nº 2026.0906.095027-52.


A referida manifestação foi encaminhada pela Secretaria de Estado da Segurança Pública ao delegado-geral da Polícia Civil, André Gustavo Corteze Ganga, por meio do Ofício nº 24331/2026/SSP, de 8 de setembro de 2026, para adoção das providências cabíveis.


O esclarecimento é necessário porque, antes do recebimento desta convocação, uma fonte interna da Complem relatou ao Blog que o nome de um delegado identificado como Fernando teria sido mencionado em conversas atribuídas a dirigentes da cooperativa. Na mesma ocasião, foi antecipado que este jornalista seria “chamado para depor”.


Não estou afirmando que exista relação entre os fatos, muito menos imputando qualquer irregularidade à autoridade policial. Justamente por isso, solicito que a Polícia Civil esclareça formalmente se a convocação está vinculada a essa manifestação, às reportagens sobre a Complem ou a outro procedimento.


Reitero que não estou recusando o comparecimento. Permaneço à disposição, mas aguardo o envio da intimação ou ofício oficial assinado, com o número do procedimento, a natureza geral do assunto e a condição em que serei ouvido, para que possa comparecer devidamente orientado e acompanhado de advogado, se necessário.

Permaneço à disposição e aguardo o envio da intimação ou do ofício devidamente formalizado.

Atenciosamente,

Cleuber Carlos do Nascimento




​AS MINHAS CICATRIZES, O MEU ORGULHO

EDITORIAL | Não cheguei até aqui por atalhos. Minha história foi construída diante dos microfones, nas redações, nos estádios, nas ruas e nos tribunais.

Quando olho para trás, não vejo apenas fotografias, diplomas ou medalhas. Vejo uma vida inteira dedicada ao jornalismo. Vejo as noites sem dormir, as viagens intermináveis, as portas fechadas, as críticas, as perseguições e os processos. Cada dificuldade deixou uma cicatriz. E cada cicatriz se transformou em motivo de orgulho.

Comecei no rádio ainda jovem, na Rádio Pousada do Rio Quente. Fundei o Jornal Folha Regional, em Caldas Novas, passei pela Rádio Clube, Rádio Jornal de Inhumas, Rádio Difusora, Brasil Central, Rádio 730 e tantas outras emissoras. Trabalhei ao lado de gigantes da comunicação e do esporte brasileiro.

Participei de três Copas do Mundo como narrador e repórter. Em 1994, nos Estados Unidos, narrei 34 partidas. Em 1998, na França, foram 29 jogos. Em 2002, diretamente da Coreia do Sul e do Japão, bati meu recorde pessoal: 52 partidas narradas. Ao todo, foram 115 jogos de Copa do Mundo levados ao público pela minha voz.

Não foram números construídos em estúdio ou inventados depois que o tempo passou. Eu estava lá. Vi Romário, Bebeto, Ronaldo, Rivaldo, Cafu e tantos outros escreverem a história do futebol. Cruzei oceanos carregando equipamentos, informações e o compromisso de contar ao ouvinte exatamente o que acontecia.

Depois vieram a televisão, os programas que idealizei e o Blog do Cleuber Carlos. Quando poucos acreditavam na força da internet, escolhi o caminho digital. Transformei o blog em trincheira de informação, fiscalização e independência. Foram milhares de matérias, milhões de acessos e incontáveis enfrentamentos.

Paguei um preço alto por não aceitar coleira. Enfrentei mais de 150 processos. Tentaram me calar, desacreditar minha trajetória e transformar minha coragem em defeito. Não conseguiram. Continuei escrevendo, investigando e incomodando.

Também vieram os reconhecimentos: a Medalha do Mérito Legislativo Pedro Ludovico Teixeira, a maior honraria da Assembleia Legislativa de Goiás; o Diploma de Mérito Legislativo; e o Diploma de Honra ao Mérito concedido pela Câmara Municipal de Goiânia. Essas condecorações não apagam as feridas. Elas confirmam que a caminhada valeu a pena.

Não sou perfeito. Cometi erros, fiz escolhas difíceis e muitas vezes caminhei sozinho. Mas nunca abandonei aquilo em que acredito.

As medalhas ficam no peito. Os diplomas, na parede. As Copas, na memória. As cicatrizes permanecem na alma.

E são justamente elas que contam quem eu sou.

As minhas cicatrizes são o meu orgulho.


​ROBSON RIOS INSINUA INTERFERÊNCIA EM VIRADA NO STJ E AMEAÇA: “DAREI NOMES”

BASTIDORES | Ex-candidato relata encontros secretos, chama interlocutor de “malandro” e sugere que “orações” teriam antecedido a mudança de uma decisão judicial.

Publicações feitas pelo ex-candidato a prefeito de Acreúna Robson Rios levantam suspeitas graves sobre os bastidores de uma decisão que restabeleceu provisoriamente seus direitos políticos.

No dia 17 de agosto, o ministro Francisco Falcão, do Superior Tribunal de Justiça, negou o pedido de urgência apresentado pela defesa. O documento divulgado por Robson registra que seus direitos políticos deveriam permanecer suspensos até junho de 2030.

Sete dias depois, às 22 horas, Robson afirma ter procurado, em uma residência no condomínio Aldeia do Vale, uma pessoa chamada por ele de “malandro”. Segundo a publicação, Robson estava “desesperado”, diante de um problema praticamente impossível de resolver e com apenas “1% de chance” de continuar na campanha.

A resposta atribuída ao interlocutor foi: “Eu vou orar por você”.

Em 27 de agosto, Robson diz ter dirigido mais de 400 quilômetros durante a noite até a casa dessa mesma pessoa, no interior de Goiás. Afirma ter sido recebido com “suco de uva importado” e ouvido: “Vamos continuar orando”.

No dia 3 de setembro, veio a reviravolta. O ministro Francisco Falcão reconsiderou a decisão, concedeu tutela cautelar e determinou o restabelecimento imediato dos direitos políticos até o julgamento final do recurso.

Robson então publicou: “Se hoje você está de volta ao jogo, agradeça às orações do malandro”. Em seguida, aumentou o tom: afirmou que o personagem estará à disposição da Polícia Federal e prometeu: “Darei nomes!”.

As postagens sugerem que as “orações” seriam uma referência irônica a alguma articulação de bastidor. Mas Robson não apresenta provas de interferência sobre o STJ nem identifica quem seria o interlocutor.

A decisão não representa absolvição. Seus efeitos são provisórios e permanecem válidos somente até o julgamento definitivo.

As publicações deixam perguntas inevitáveis: quem é o “malandro”? Que tipo de ajuda teria sido solicitada? Por que Robson relaciona os encontros à mudança da decisão? E o que exatamente ele pretende revelar à Polícia Federal?


GUGU NADER REÚNE MAIS DE MIL MOTOCICLISTAS E FAZ A MAIOR MOBILIZAÇÃO DA CAMPANHA EM GOIÂNIA

ELEIÇÕES 2026 | Deputado estadual transforma a Região Noroeste de Goiânia em demonstração de força e desponta como um dos favoritos a alcançar votação histórica.

O deputado estadual Gugu Nader realizou, até o momento, a maior mobilização popular da campanha eleitoral em Goiás. Mais de mil motociclistas participaram de uma motociata que tomou as ruas da Região Noroeste de Goiânia e transformou o evento em uma impressionante demonstração de força política.

As imagens mostram uma extensa fila de motocicletas acompanhando o candidato pelas principais vias da região. Até agora, nenhum candidato ao Governo, Senado, Câmara Federal ou Assembleia Legislativa havia conseguido reunir tamanho número de pessoas em uma carreata nesta campanha.

Natural de Itumbiara, Gugu rompeu as fronteiras de sua base eleitoral e ampliou sua presença por todo o estado com a realização de centenas de edições do chamado “Panelão”. A iniciativa popularizou o deputado, aproximou sua imagem das comunidades e rendeu a ele o apelido de “Gugu do Panelão”.

Na Região Noroeste de Goiânia, onde intensificou sua atuação nos últimos anos, o parlamentar construiu uma base que agora demonstrou capacidade concreta de mobilização. O volume de participantes chama ainda mais atenção porque não se tratava de uma concentração parada, mas de uma motociata que exigiu organização e adesão individual.

A mobilização coloca Gugu Nader em um novo patamar na disputa eleitoral. Candidato à reeleição, ele já é apontado nos bastidores como um dos favoritos a figurar entre os deputados estaduais mais votados de Goiás.

Mais do que uma carreata, o ato funcionou como recado aos adversários: o “Gugu do Panelão” deixou de ser apenas uma liderança de Itumbiara e passou a disputar espaço entre os principais fenômenos eleitorais do estado.


​CANDIDATO MILIONÁRIO PAGA “CORRENTE DE CARANGUEJO” E DEIXA SEM HONORÁRIOS ADVOGADO QUE VENCEU CAUSA

BASTIDORES | Cadeia incomum de procurações e substabelecimentos terminou justamente no primeiro advogado contratado, que teria conduzido a estratégia vitoriosa, mas não recebeu pelo trabalho.

Um episódio envolvendo um candidato milionário e pelo menos quatro advogados levanta questionamentos sobre contratação, pagamento de honorários e possível violação das regras éticas da advocacia.

O candidato enfrentava um grave problema na Justiça Eleitoral e inicialmente concedeu procuração a um advogado para conduzir sua defesa. Paralelamente, porém, também constituiu um segundo profissional.

A partir daí surgiu uma verdadeira “corrente caranguejo”: o segundo advogado substabeleceu poderes para outros dois profissionais. Esses dois, posteriormente, substabeleceram novamente para quem? Justamente para o primeiro advogado, aquele que já havia recebido diretamente a procuração original do candidato.

Ao final, a decisão judicial foi favorável. Segundo informações recebidas pelo Blog do Cleuber Carlos, a tese e o trabalho decisivo teriam sido conduzidos pelo advogado inicialmente contratado. O pagamento, entretanto, teria seguido outro caminho: foi destinado aos integrantes da cadeia de substabelecimentos, enquanto o profissional apontado como responsável pela vitória ficou sem receber.

A situação precisa ser esclarecida documentalmente. Quem celebrou contrato de honorários com o candidato? Qual advogado elaborou a tese acolhida pela Justiça? Quem assinou e protocolou as peças decisivas? Qual valor foi pago, a quem e por qual serviço?

O primeiro advogado poderá reunir procurações, contratos, mensagens, minutas e registros processuais para cobrar judicialmente os honorários. Mesmo sem contrato escrito, a legislação permite o arbitramento do valor conforme o trabalho efetivamente prestado.

Também poderá existir repercussão ética caso profissionais tenham ingressado na causa sem comunicar ao advogado anteriormente constituído ou recebido valores em desacordo com os ajustes firmados.

Se o pagamento estiver relacionado diretamente à campanha eleitoral, a despesa ainda deverá aparecer regularmente na prestação de contas do candidato.

A decisão foi favorável. Agora falta esclarecer quem realmente trabalhou, quem recebeu — e por que o advogado apontado como responsável pelo resultado ficou de fora.


sexta-feira, 11 de setembro de 2026

​MESMO COM VOTAÇÃO EXPRESSIVA, PAULO DO VALE PODE FICAR SEM MANDATO PELO PSD


ELEIÇÕES 2026 | Ex-prefeito pode conquistar até 60 mil votos e não ser eleito. Chapa reduzida, desistência já registrada e candidatos com pouca capacidade eleitoral ameaçam o projeto do principal nome do partido.

Paulo do Vale pode estar caminhando para uma das situações mais cruéis do sistema proporcional: receber uma votação expressiva e, ainda assim, ficar fora da Assembleia Legislativa.

Isso ocorre porque deputado estadual não é eleito apenas pelos próprios votos. Paulo depende da soma de toda a chapa do PSD para que o partido conquiste uma cadeira pelo quociente partidário ou pelas sobras.

O PSD anunciou 18 candidatos, mas a relação oficial já encolheu. Raimundo da Casa da Saúde renunciou, enquanto o coronel Hemerson, apresentado durante a formação da nominata, não aparece entre os atuais candidatos do partido.

Além de Paulo, permanecem concorrendo: Adriano Guimarães, Bia, coronel Edson Raiado, Foguinho, Léo de Oliveira, Luciana Gouveia, Márcio Gordo, Mariana Arruda, Rafael Rodrigues, Ralil Buzaim, Regina Alice, Samuel Almeida, sargento Ana Paula, sargento Sara e tenente Ana Paula.

A lista parece numerosa no papel, mas não demonstra a mesma força nas ruas. A maior parte dos candidatos possui baixa visibilidade estadual, pouca estrutura conhecida e reduzida movimentação pública de campanha. Efetivamente, apenas Raiado e Samuel Almeida apresentam condições aparentes de acrescentar mais de 20 mil votos cada à votação de Paulo.

Esse é o perigo. Se Paulo alcançar 55 mil votos, Raiado fizer 25 mil e Samuel somar 20 mil, os três chegarão a 100 mil votos e poderão colocar o PSD na disputa por uma cadeira. Entretanto, se Raiado ou Samuel desistir, tiver a candidatura inviabilizada ou simplesmente não confirmar a votação esperada, a conta poderá desabar.

Não existe informação de que Raiado ou Samuel pretendam abandonar a eleição. A hipótese serve para revelar a fragilidade matemática da chapa: a saída ou o fracasso eleitoral de apenas um deles pode retirar entre 20 mil e 30 mil votos da nominata.

Paulo poderá, portanto, receber 50 mil ou 60 mil votos e ficar sem mandato porque os demais candidatos não entregaram a votação necessária. O PSD não tem uma chapa competitiva; tem três candidaturas tentando carregar quase todos os outros nomes.

O risco é objetivo: se a cauda não reagir, Paulo do Vale poderá ser o mais votado do PSD, comemorar uma grande votação individual e assistir de fora à posse da próxima Assembleia.


quinta-feira, 10 de setembro de 2026

​EXONERAÇÃO SÓ NO PAPEL: TRE-GO BARRA CANDIDATURA DE RAFAEL MARRA

ELEIÇÕES 2026 | Por unanimidade, Tribunal conclui que sobrinho do prefeito de Caldas Novas continuou atuando nos bastidores da administração municipal mesmo após deixar oficialmente o cargo.

A Justiça Eleitoral indeferiu o registro de candidatura de Rafael Marra e Silva, do Podemos, a deputado estadual. Sobrinho do prefeito de Caldas Novas, Rafael deixou formalmente o cargo de secretário-geral de Governo em 1º de abril, dentro do prazo legal de desincompatibilização. Para o Tribunal Regional Eleitoral de Goiás, entretanto, o afastamento existiu apenas no papel.

O julgamento ocorreu nesta quarta-feira (9), com decisão unânime. O relator foi o juiz federal Mark Yshida Brandão.

Vídeos, publicações e outros elementos apresentados no processo indicaram que Rafael teria continuado exercendo atividades de articulação e interlocução ligadas à Prefeitura. Entre os episódios citados estão a retomada da Feira de Santa Efigênia, a apresentação e entrega de 95 casas do Loteamento Avança I e o acompanhamento de demandas administrativas.

O acórdão também menciona uma declaração de Daniel Vilela, que apresentou Rafael como ex-secretário que estaria “constantemente fazendo a interlocução com o Governo do Estado”.

A defesa sustentou que Rafael participava apenas de atividades políticas, sociais e comunitárias. Também apresentou documentos para demonstrar que ele não assinou atos administrativos depois da exoneração. A própria Procuradoria Regional Eleitoral manifestou-se favoravelmente ao deferimento do registro.

O TRE-GO adotou entendimento diferente: a ausência de assinatura não afasta a possibilidade de atuação administrativa informal. Para a Corte, o conjunto das provas demonstrou que Rafael permaneceu inserido na dinâmica da Prefeitura.

A decisão deixa um recado direto aos agentes públicos: não basta publicar uma exoneração. A desincompatibilização precisa ser real. Quando o candidato sai oficialmente do cargo, mas continua exercendo influência e atribuições nos bastidores, a Justiça Eleitoral pode enxergar uma exoneração de fachada — e barrar a candidatura.


​MARCONI RESGATA OPERAÇÃO MIQUEIAS E EXPÕE ANTIGA LIGAÇÃO DE DANIEL COM MULHER PRESA PELA PF


ELEIÇÕES 2026 | Vídeo recupera reportagem sobre esquema que teria movimentado R$ 300 milhões e causado prejuízos a fundos de pensão municipais. Daniel sempre negou qualquer participação criminosa.

A temperatura da disputa pelo Governo de Goiás subiu após Marconi Perillo (PSDB) confrontar Daniel Vilela (MDB) durante debate e recordar a Operação Miqueias, deflagrada pela Polícia Federal em 2013.

O vídeo que circula nas redes combina o embate atual com uma reportagem da época. Segundo o material, a operação desarticulou um grupo acusado de lavagem de dinheiro e de causar prejuízos milionários a fundos de pensão municipais.

A reportagem afirmava que mulheres jovens eram usadas para se aproximar de prefeitos e gestores públicos. Uma delas era Luciane Hoepers, presa pela Polícia Federal. Registros da investigação indicaram telefonemas e encontros dela com três políticos goianos do então PMDB: Daniel Vilela, Samuel Belchior e Leandro Vilela.

O nome de Daniel, portanto, apareceu no contexto da investigação, mas isso não significa que ele tenha sido acusado ou condenado por participação no esquema.

Em entrevista concedida em setembro de 2013, Daniel confirmou que esteve em um almoço com Luciane, mas negou qualquer envolvimento criminoso. Afirmou que nunca a apresentou a prefeitos ou gestores públicos e que “nenhum dos fatos denunciados se consumou”. Também declarou que não era investigado pela Polícia Federal e que apenas havia conhecido a mulher durante um encontro político. A versão está registrada oficialmente no portal da Assembleia Legislativa de Goiás⁠.

Treze anos depois, Marconi leva o episódio novamente ao centro da eleição. O caso não autoriza afirmar que Daniel participou do esquema, mas recoloca uma pergunta política incômoda: qual foi, exatamente, a extensão do contato entre o atual governador e uma das principais personagens da Operação Miqueias?


R$ 40 MIL PARA “DERRUBAR” AVALANCHE: DOCUMENTO EXPÕE GUERRA NO PRTB

INVESTIGAÇÃO | Denunciados por supostas irregularidades reaparecem em mensagem atribuída a Amauri Pinho.

A guerra pelo controle do PRTB ganhou novo capítulo. Uma peça de 13 páginas, de 14 de julho de 2025, acusa Santana Pires, Vanessa Barros Machado, Júnior Café e outros de possíveis irregularidades envolvendo fundo eleitoral, cargos públicos, “rachadinha”, corrupção e lavagem de dinheiro.

O documento foi apresentado pelo advogado Guilherme do Amaral Pereira, em nome de denunciante sigiloso, e endereçado ao Ministério Público, à Polícia Federal e à DECCOR. A cópia pública, porém, não apresenta protocolo, inquérito ou decisão judicial. É, até aqui, uma peça acusatória.

O ponto central é a ligação com mensagens obtidas pelo Blog do Cleuber Carlos. Em texto atribuído ao advogado Amauri Pinho, ele afirma ter recebido R$ 20 mil de Chanter Lane Pereira de Almeida e R$ 20 mil de Júnior Café para “ajudar na derrubada do Leonardo em junho”.

Chanter aparece na peça como segundo-vice-presidente do PRTB-GO em 2024. Júnior Café é apontado como personagem do suposto esquema. A coincidência impõe a pergunta: por que teriam destinado R$ 40 mil a uma articulação contra Leonardo Avalanche?

A peça sustenta ainda que Vanessa, então presidente estadual, teria distribuído recursos eleitorais sob influência de Santana. Baixa votação não comprova desvio, mas extratos e prestações de contas podem confirmar ou desmontar a acusação.

Outro áudio atribuído a Santana menciona a entrega de R$ 60 mil a um candidato. A peça chama o episódio de caixa dois, mas a gravação e a origem do dinheiro precisam ser verificadas.

O Blog cobrará protocolos, comprovantes dos R$ 40 mil e a versão dos citados. A guerra deixou de ser apenas política: agora é preciso seguir o rastro do dinheiro.


GUERRA PELO PRTB EXPÕE ÁUDIOS, AMEAÇAS E PAGAMENTOS PARA “DERRUBAR” AVALANCHE

BASTIDORES | Mensagens mencionam R$ 40 mil em repasses, promessa de R$ 200 mil e misteriosa “entrada de R$ 1 milhão”.

A guerra pelo comando do PRTB revela bastidores que vão além de uma divergência política. Áudios e mensagens enviados ao Blog do Cleuber Carlos expõem acusações envolvendo Leonardo Avalanche, presidente da legenda, o advogado Amauri Pinho e Santana Pires, ex-dirigente do partido em Goiás.

Em mensagem cuja autoria será confirmada, o interlocutor afirma ter recebido R$ 20 mil de uma pessoa identificada como Chanter e outros R$ 20 mil de Júnior Café para “ajudar na derrubada do Leonardo em junho”. O texto acrescenta que Santana teria prometido R$ 200 mil “apenas para as despesas”, mas não teria pagado.

Outra passagem levanta uma pergunta ainda mais grave: Santana “não pagou a entrada de 1 milhão”. O material não explica a finalidade do valor, o destinatário ou a operação negociada. Esse será um ponto central da investigação.

Áudios atribuídos a Santana têm tom agressivo. Em um deles, o interlocutor diz saber onde Amauri mora, afirma que irá à residência e o acusa de passar para o lado de Avalanche. Em resposta à advogada Vanessa Barros, identificada como esposa de Santana, Amauri diz não admitir ameaças.

A disputa também alcança Goiás. Amauri afirma que Avalanche teria entregado o comando estadual a Santana, apesar de ele não ter recebido voto na convenção nacional de 23 de fevereiro de 2024. A mensagem cita o sargento Novandir como presidente estadual.

O Blog inicia uma série investigativa sobre essa guerra. Os envolvidos terão espaço para apresentar documentos e versões. Valores, áudios e decisões judiciais serão confrontados. Acusação não será tratada como sentença — mas pergunta sem resposta também não será enterrada.