
Se os fatos relatados pelo narrador Ivan Carlos forem verdadeiros, a Chapecoense está diante de uma das páginas mais preocupantes de sua história recente.
Um presidente de clube jamais pode se comportar como dono da informação. Muito menos como censor da imprensa. Se um dirigente realmente condicionou sua permanência em um grupo de comunicação à demissão de um profissional, não estamos diante de um simples desentendimento. Estamos diante de uma tentativa de interferência na liberdade editorial.
O microfone não existe para agradar dirigentes. Existe para dar voz aos fatos e à torcida. Punir um profissional por permitir que um torcedor se manifeste representa um precedente perigoso para qualquer democracia e para qualquer imprensa minimamente independente.
Tão grave quanto a denúncia é o silêncio.
A Rádio Condá precisa dizer à sociedade se essa pressão existiu ou não. Uma emissora que construiu sua história ao lado da Chapecoense não pode permitir que paire qualquer dúvida sobre sua independência. Quando um jornalista perde o emprego em circunstâncias como essas, toda a categoria perde junto.
A Chapecoense também precisa compreender que sua grandeza não está apenas nas quatro linhas. Depois da tragédia de 2016, o clube conquistou respeito mundial porque simbolizava dignidade, reconstrução e superação. Esse patrimônio moral vale muito mais do que qualquer mandato presidencial.
Se houver qualquer indício de abuso de poder, cabe ao Conselho Deliberativo agir. Não para proteger pessoas, mas para proteger a instituição.
Clubes pertencem à sua torcida, não aos seus dirigentes.
Presidentes são passageiros.
A Chapecoense é permanente.
Nenhum cargo autoriza intimidação. Nenhum mandato concede licença para perseguir jornalistas. Nenhuma instituição séria pode aceitar que críticas sejam respondidas com pressão ou retaliação.
Se os fatos forem confirmados, o afastamento de Alex Passos deixa de ser uma questão política e passa a ser uma necessidade institucional.
Porque o futebol pode conviver com dirigentes fortes.
Mas jamais deve conviver com dirigentes que confundem autoridade com poder para calar quem noticia os fatos.
O respeito se conquista pela liderança. Nunca pelo medo.
A chapecoense que um dia conquistou o coração do povo brasileiro, sendo exemplo de superação, está diante de um fato, onde o silêncio pode transformar orgulho em vergonha.

