OPERAÇÃO BÓREAS | Polícia Federal investiga organização suspeita de montar uma verdadeira ponte aérea para trazer cocaína e armas da Bolívia e do Peru. Empresária e advogada Thatiana Rabelo foi presa em Cuiabá. Um ano e meio antes, seu irmão, piloto, havia sido preso no Tocantins após uma aeronave ser encontrada com aproximadamente 475 quilos de cocaína. PF agora tenta colocar dez investigados na Difusão Vermelha da Interpol.
A prisão da empresária e advogada Thatiana Rabelo Mesquita Theodoro, em Cuiabá, abriu uma janela para uma investigação muito maior do que inicialmente parecia.
Por trás da Operação Bóreas aparece uma estrutura que, segundo a Polícia Federal, utilizaria aviões, pistas clandestinas e apoio em solo para transportar cocaína e armas da Bolívia e do Peru para o Brasil.
E existe um personagem que chama especialmente a atenção:
o irmão da empresária.
475 QUILOS DE COCAÍNA
Márcio Rabello Mesquita Theodoro está preso desde fevereiro de 2025.
Ele foi detido após pilotar um Cessna 210M, prefixo PS-PIX, que pousou irregularmente em uma pista rural no Tocantins.
Dentro da aeronave foram encontrados aproximadamente 475 quilos de cloridrato de cocaína e pasta-base, além de cerca de 787 gramas de maconha e haxixe.
Outras quatro pessoas também foram presas naquela ocorrência.
Segundo informações judiciais divulgadas sobre o processo, Márcio responde por crimes que incluem tráfico internacional de drogas, associação para o tráfico, uso de documento falso, porte ilegal de arma de fogo de uso restrito e atentado contra a segurança do transporte aéreo.
Agora, aproximadamente um ano e meio depois, a irmã também entra no radar da Polícia Federal.
A OPERAÇÃO BÓREAS
Thatiana foi presa preventivamente na terça-feira (25), durante a Operação Bóreas, desencadeada pela Polícia Federal no Tocantins.
Foram cumpridos três mandados de prisão preventiva e três de busca e apreensão.
A Justiça também determinou apreensão de aeronaves, bloqueio e sequestro de bens e valores.
Mas uma medida mostra a dimensão internacional da investigação:
a Polícia Federal solicitou a inclusão de dez investigados na Difusão Vermelha da Interpol.
Segundo a PF, o grupo investigado seria responsável pela organização de voos, utilização de aeronaves e pistas clandestinas e pelo suporte logístico necessário ao transporte de grandes carregamentos de cocaína e armas para o Brasil.
A origem apontada pela investigação:
Bolívia e Peru.
R$ 84,8 MIL EM DINHEIRO
Na residência de Thatiana, em Cuiabá, foram apreendidos R$ 84,8 mil em espécie, além de telefone celular e um veículo.
Segundo informações do auto de busca divulgadas pela imprensa local, R$ 75 mil estavam em uma gaveta na sala e outros R$ 9,8 mil na mesa de cabeceira do quarto.
A apreensão do dinheiro, por si só, não comprova origem ilícita.
A PF ainda não revelou publicamente qual seria exatamente a função atribuída à empresária dentro da organização investigada.
“FORA DA MINHA REALIDADE”
Durante a audiência de custódia, Thatiana chorou e negou qualquer participação em atividades criminosas.
A empresária afirmou desconhecer os fundamentos que levaram à sua prisão e levantou ela própria uma hipótese:
a investigação poderia estar relacionada ao irmão.
Márcio permanece preso desde a apreensão da aeronave com os 475 quilos de cocaína.
A defesa de Thatiana sustenta que não existem elementos suficientes para vinculá-la à organização e busca a revogação da prisão preventiva ou sua substituição por medidas cautelares.
E O TATU BOLA?
Thatiana aparece como sócia-administradora da TRMT Restaurante Ltda., empresa registrada com o nome fantasia Tatu Bola e ligada à operação da unidade de Cuiabá.
Após a repercussão da prisão, o Grupo Alife Nino afirmou que a unidade de Cuiabá funciona de maneira independente há mais de um ano e que Thatiana possuiria apenas licença para utilização da marca. O grupo negou vínculo societário ou administrativo com a empresária e afirmou não possuir qualquer relação com os fatos investigados.
Até agora, não existe informação oficial de que o estabelecimento seja investigado ou tenha sido alvo da Operação Bóreas.
A COINCIDÊNCIA QUE A PF TERÁ DE EXPLICAR
O ponto mais intrigante está na cronologia.
Em fevereiro de 2025, o irmão é preso pilotando uma aeronave encontrada com aproximadamente 475 quilos de cocaína, depois de pousar em uma pista clandestina no Tocantins.
Em agosto de 2026, a irmã é presa numa operação da PF justamente contra uma organização investigada por utilizar aviões e pistas clandestinas para transportar cocaína internacionalmente.
E a própria investigação Bóreas deriva de apurações relacionadas a apreensões de drogas realizadas no Tocantins.
Há uma pergunta inevitável:
a apreensão dos 475 quilos de cocaína em 2025 foi uma das operações que ajudaram a Polícia Federal a chegar à organização investigada pela Bóreas?
Até agora, a PF não confirmou publicamente essa ligação específica.
É justamente essa resposta que pode revelar se estamos diante de dois episódios paralelos envolvendo membros da mesma família — ou de peças de uma investigação muito maior.
A Operação Bóreas continua em andamento.
E com dez investigados na mira da Interpol, aeronaves apreendidas, patrimônio bloqueado e uma rota internacional de cocaína e armas sob investigação, a prisão em Cuiabá pode ser apenas uma das pontas de uma história que ainda está começando a aparecer.


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