segunda-feira, 24 de agosto de 2026

LUCAS MORAES VOA E ABRE O SERTÕES NA FRENTE

 

SERTÕES 2026 | Atual campeão mundial de Rally Raid domina primeira etapa entre Goiânia e Cavalcante e abre quase cinco minutos de vantagem. Nas motos, espanhol Tosha Schareina dita o ritmo; Rodrigo Varela assume a ponta nos UTVs. Nesta segunda-feira, caravana deixa Goiás e encara 635 quilômetros rumo à Bahia.

A poeira subiu, os motores finalmente rugiram e o Sertões 2026 começou a cobrar seu preço.

Depois da festa da largada em Goiânia, chegou a hora da verdade.

Cronômetro ligado. Estradas de terra pela frente. Navegação, velocidade, resistência e quilômetros suficientes para separar quem apenas largou de quem realmente chegou disposto a brigar pelo título.

E o primeiro grande recado veio de Lucas Moraes.

O atual campeão mundial de Rally Raid não esperou a competição esquentar. Ao lado do navegador Kaique Bentivoglio, Lucas atacou desde o início e terminou o domingo (23) no comando da classificação dos carros.

Foram 5h19min54s para completar a primeira etapa, entre Goiânia e Cavalcante, em Goiás.

Mais importante que vencer foi a maneira como venceu.

Lucas abriu quase cinco minutos de vantagem logo no primeiro dia de competição.

Em uma prova na qual segundos podem decidir posições depois de milhares de quilômetros, começar colocando minutos sobre os adversários é uma demonstração de força.

O campeão mundial mostrou que veio para ganhar.

LUCAS DISPARA NOS CARROS

Atrás dele, Marcelo Gastaldi e o navegador Cadu Sach terminaram o domingo na segunda colocação.

Marcos Baumgart apareceu em terceiro, com 5h26min47s, seguido muito de perto por Guiga Spinelli, que marcou 5h27min09s.

Flávio Lunardi completou o grupo dos cinco primeiros, com 5h36min52s.

Foi apenas a primeira etapa.

Mas Lucas Moraes já colocou os adversários na posição mais desconfortável possível no rally: a de perseguidores.

E ainda há muita estrada pela frente.

SCHAREINA MANDA NAS MOTOS

Se nos carros o Brasil começou sorrindo, nas motos quem ditou o ritmo foi a Espanha.

Tosha Schareina colocou a Honda na frente e completou a etapa em 5h23min20s.

Mas não teve tranquilidade.

O capixaba Bruno Crivilin terminou apenas 2min18s atrás do espanhol e manteve o Brasil completamente vivo na disputa, garantindo ainda uma dobradinha da Honda nas duas primeiras posições.

Logo atrás veio outro brasileiro.

Gabriel Soares, de Yamaha, fechou o domingo em terceiro e completou o pódio provisório.

A disputa está apertada.

O português Martim Ventura chegou apenas 40 segundos depois de Soares e assumiu a quarta posição com a Honda.

Gabriel Bruning, de Yamaha, completou o top-5.

Nas motos, portanto, ninguém pode respirar.

Um erro de navegação, uma queda ou alguns minutos perdidos podem virar completamente a classificação.

VARELA NA FRENTE DOS UTVS

Nos UTVs, outro sobrenome conhecido do rally brasileiro apareceu no alto da tabela.

Rodrigo Varela, ao lado do navegador Matheus Mazzei, assumiu a liderança depois de uma batalha decidida por diferença mínima.

A dupla completou o percurso em 5h20min55s.

José Hélio e Ramon Sacilotti chegaram apenas 1min28s depois.

Deni Nascimento e Gunnar Dums terminaram em terceiro, a 2min17s dos líderes.

E a disputa familiar também promete.

Gabriel Varela, acompanhado pelo navegador Michael Masson, terminou em quarto, somente 3min56s atrás do irmão Rodrigo.

Pedro Mac Dowell e Daniel Spolidorio fecharam os cinco primeiros.

Pouco menos de quatro minutos separam os irmãos Varela.

No Sertões, isso é praticamente nada.

CARDOSO DOMINA A PRODUCTION

Na categoria Production, o primeiro golpe foi dado pelo paranaense João Carlos Cardoso.

Ao lado do navegador Frederico Zettel, ele completou o percurso em 3h26min e construiu uma vantagem considerável já na abertura da competição.

José Carlos Schorr terminou em segundo, 14min38s atrás.

Gabriel Boff ficou com a terceira colocação, a 19min55s.

Victor Pudell aparece em quarto, com 21min52s de desvantagem, enquanto Youseff Haddad completa o top-5, 25min46s atrás do líder.

AGORA A PROVA FICA AINDA MAIOR

A primeira batalha terminou em Cavalcante.

A próxima já começou antes mesmo de os motores voltarem a funcionar.

É hora de revisar carros, motos e UTVs, conferir equipamentos, estudar a navegação e tentar recuperar o corpo depois de horas de competição.

Porque nesta segunda-feira (24) o Sertões deixa Cavalcante e começa a se despedir de Goiás.

O destino é Luís Eduardo Magalhães, na Bahia.

Serão 635 quilômetros de deslocamento total.

Mais estrada.

Mais poeira.

Mais desgaste.

E novas oportunidades para quem precisa atacar — ou sobreviver.

Lucas Moraes dormiu como líder.

Tosha Schareina também.

Rodrigo Varela e João Carlos Cardoso fizeram o mesmo em suas categorias.

Mas o Sertões está apenas começando.

Depois de milhares de quilômetros, provavelmente ninguém se lembrará de quem liderou apenas o primeiro dia.

A menos que o primeiro colocado consiga permanecer lá até o último.

Adolescente Embriagado Fura Sinal Vermelho e Mata Duas Pessoas

INVESTIGAÇÃO | Adolescente de 17 anos embriagado teria avançado o sinal vermelho e atingido casal que seguia de moto para o trabalho em Goiânia. Neifa e Fábio morreram após dias internados. Mas o caso ganhou um capítulo ainda mais controverso: a caminhonete envolvida na colisão, pertencente a um policial militar aposentado, foi retirada do local antes da perícia e posteriormente localizada em uma oficina. Polícia Civil agora tenta reconstruir o que aconteceu.

Às 6h52 da manhã de domingo, 16 de agosto, Fábio Alves Barbosa e Neifa Freitas de Farias Alves seguiam de motocicleta pelo cruzamento das avenidas Perimetral Norte e Campinas, em Goiânia.

Era um domingo de trabalho.

Eles não chegaram ao destino.

Uma caminhonete Fiat Toro atingiu violentamente a motocicleta em que estava o casal. Câmeras de segurança registraram a colisão.

Segundo a investigação da Polícia Civil, quem dirigia a caminhonete era um adolescente de 17 anos. Ele teria avançado o sinal vermelho.

Havia mais um agravante.

O teste do bafômetro registrou 0,52 miligrama de álcool por litro de ar expelido.

O adolescente estava embriagado.

O que inicialmente entrou para as estatísticas como mais um grave acidente de trânsito em Goiânia terminou, uma semana depois, com duas mortes.

Mas entre a colisão e a investigação surgiu uma sequência de acontecimentos que levanta perguntas ainda sem respostas claras.

A principal delas é simples:

como a caminhonete envolvida em um acidente gravíssimo foi retirada do local antes de ser periciada e acabou em uma oficina?

O CASAL MORREU

O impacto deixou Fábio e Neifa em condições extremamente graves.

Neifa sofreu traumatismo cranioencefálico grave, hemorragia subaracnoidea, trauma torácico, fraturas nas costelas, hemopneumotórax e múltiplas fraturas na perna esquerda, incluindo fêmur e tíbia.

Foi intubada e permaneceu sob cuidados intensivos no Hospital Estadual de Urgências Governador Otávio Lage de Siqueira, o Hugol.

Não resistiu.

A morte foi confirmada no dia 20 de agosto, depois da conclusão do protocolo de morte encefálica. A família autorizou a doação de órgãos.

Fábio também sofreu múltiplos traumas.

Segundo familiares, chegou a sofrer uma parada cardíaca durante o atendimento e precisou ser reanimado. Apresentava lesões na coluna, tórax e órgãos internos.

Permaneceu internado por uma semana.

No domingo, 23 de agosto, morreu.

Em sete dias, o acidente passou de duas vítimas gravemente feridas para um casal morto.

ELE PEGOU A CAMINHONETE ESCONDIDO

A versão apresentada pela defesa é de que o adolescente pegou o veículo sem autorização.

Em depoimento, acompanhado do pai e de advogado, teria afirmado que saiu com a caminhonete para “esfriar a cabeça”.

Os pais, segundo a defesa, estavam dormindo e não perceberam quando o adolescente saiu.

Só que existe um detalhe importante.

A Fiat Toro nem sequer pertencia à família.

Segundo informações divulgadas após o acidente, a caminhonete seria de um policial militar aposentado e havia sido emprestada aos pais do adolescente para auxiliar no transporte de mercadorias durante uma feira de moda realizada na capital.

Portanto, a sequência apresentada até aqui é esta:

um adolescente de 17 anos pega escondido um veículo emprestado à família, sai dirigindo sem habilitação, bebe — ou já havia bebido —, avança um sinal vermelho, segundo a investigação, e atinge um casal que seguia para trabalhar.

O bafômetro marca 0,52 mg/L.

Duas pessoas acabam mortas.

Mas é depois da colisão que o caso começa a ganhar contornos ainda mais delicados.

A CAMINHONETE SAIU ANTES DA PERÍCIA

Uma ocorrência com vítimas em estado gravíssimo normalmente exige preservação de elementos capazes de ajudar a Polícia Técnico-Científica a reconstruir a dinâmica da colisão.

Posição dos veículos.

Marcas de frenagem.

Ponto de impacto.

Danos.

Distâncias.

Vestígios deixados no asfalto.

Tudo pode ajudar a estabelecer como ocorreu o acidente.

Nesse caso, entretanto, quando a perícia poderia trabalhar sobre a cena original, os veículos já haviam sido retirados.

Segundo informações atribuídas à própria Polícia Civil, tanto a caminhonete quanto a motocicleta foram removidas, circunstância que inviabilizou a realização da perícia no local do acidente de trânsito.

Não se trata de um detalhe burocrático.

A cena original simplesmente deixou de existir.

E surge uma pergunta inevitável:

quem determinou ou autorizou a retirada dos veículos?

DA CENA DO ACIDENTE PARA UMA OFICINA

A história fica ainda mais controversa.

A Fiat Toro não apenas deixou o cruzamento.

Posteriormente, a caminhonete foi localizada dentro de uma oficina.

Segundo declaração atribuída ao delegado Rômulo Matos, responsável pela apuração, assim que a Polícia Civil tomou conhecimento de que o veículo estava no estabelecimento, determinou que qualquer serviço fosse interrompido.

A orientação teria sido para que a proprietária da oficina e o dono da caminhonete preservassem o veículo para a perícia da Polícia Técnico-Científica.

É aqui que a investigação precisa avançar.

Quando a Toro chegou à oficina?

Quem levou?

Foi transportada por guincho ou conduzida?

Quem solicitou o serviço?

Que reparos foram pedidos?

Alguma peça chegou a ser retirada?

Algum serviço foi iniciado?

O veículo sofreu qualquer alteração antes de ser colocado à disposição da perícia?

E, principalmente:

por que uma caminhonete envolvida em uma ocorrência que deixou duas pessoas entre a vida e a morte foi encaminhada para uma oficina antes da conclusão dos trabalhos periciais?

Não há, até aqui, demonstração pública de que tenha ocorrido adulteração deliberada de provas. Seria irresponsável afirmar isso sem evidências.

Mas a retirada do veículo e sua posterior presença em uma oficina são fatos que precisam ser completamente esclarecidos.

TESTEMUNHA APRESENTA OUTRA VERSÃO

Há ainda divergência sobre o comportamento do adolescente imediatamente depois da colisão.

A informação inicial era de que ele permaneceu no local.

Uma testemunha, porém, apresentou posteriormente uma versão mais detalhada.

Segundo relato publicado pelo Mais Goiás, o adolescente teria tentado movimentar a caminhonete após atingir o casal, mas não conseguiu porque a motocicleta ficou presa sob o veículo.

Somente depois teria descido da Toro.

Se essa versão estiver correta, câmeras de segurança podem ser fundamentais para esclarecer exatamente o que aconteceu nos segundos seguintes ao impacto.

O DONO DA TORO

Outro personagem precisa ser melhor compreendido.

O proprietário da caminhonete seria um sargento aposentado da Polícia Militar.

Segundo uma testemunha ouvida pelo Mais Goiás, ele teria chegado ao local aproximadamente uma hora depois do acidente.

A mesma testemunha relatou que teria havido preocupação com a repercussão do episódio e com uma eventual associação do veículo a uma candidata.

Esse ponto exige cautela.

Até o momento, trata-se de relato atribuído a uma testemunha. Não há demonstração pública de quem seria a candidata, qual seria sua relação com a caminhonete ou mesmo se essa relação efetivamente existe.

Mas a afirmação abre uma nova frente de apuração.

Qual candidata?

Por que o veículo poderia ser associado a ela?

A caminhonete prestava algum serviço de campanha?

Transportava material político?

O proprietário possui vínculo político?

A feira de moda para a qual o veículo teria sido emprestado possui alguma relação com candidatura ou campanha?

Sem documentos ou outras provas, nenhuma dessas hipóteses pode ser apresentada como fato.

Mas todas merecem resposta.

O PASSADO DO PROPRIETÁRIO

Há outro elemento que aumenta a necessidade de uma apuração documental rigorosa.

Reportagem do Mais Goiás afirma que o PM aposentado apontado como proprietário da caminhonete já teria sido preso anteriormente em uma operação relacionada à investigação de um suposto esquema de propina em Caldas Novas.

O episódio anterior, por si só, não prova absolutamente nenhuma irregularidade no acidente de Goiânia.

Uma coisa não pode ser usada para condenar alguém pela outra.

Mas, diante do conjunto de circunstâncias, a identificação completa do proprietário, sua relação com a família do adolescente e as condições em que o veículo foi emprestado precisam integrar a investigação jornalística.

DE LESÃO CORPORAL PARA DUAS MORTES

O adolescente foi apreendido após o acidente e encaminhado à delegacia.

Inicialmente, foi autuado por ato infracional análogo ao crime de lesão corporal na direção de veículo e posteriormente liberado.

Só que as vítimas morreram.

Primeiro Neifa.

Depois Fábio.

O delegado responsável já havia informado, após a primeira morte, que o enquadramento jurídico deveria ser revisto para ato infracional análogo a homicídio culposo na direção de veículo automotor.

Agora são duas mortes.

Por ser menor de 18 anos, o motorista não responde criminalmente segundo as mesmas regras aplicáveis a um adulto. O caso tramita sob as normas do Estatuto da Criança e do Adolescente e pode resultar na aplicação de medidas socioeducativas.

A embriaguez, o fato de não possuir habilitação, o avanço do sinal apontado pela investigação e toda a dinâmica anterior e posterior à colisão serão elementos relevantes para as autoridades.

AS PERGUNTAS QUE FICARAM

A morte de Fábio e Neifa já seria suficiente para transformar o episódio em uma tragédia.

Mas existem perguntas que ultrapassam a responsabilidade do adolescente.

Quem retirou a caminhonete do local?

Quem autorizou?

Por que a perícia da cena não ocorreu antes da remoção?

Quem levou a Toro para uma oficina?

Quando isso aconteceu?

Que serviço seria realizado?

Algum reparo chegou a ser iniciado?

A caminhonete foi modificada antes da perícia?

Qual a relação entre o proprietário do veículo e a família do adolescente?

E quem é a candidata mencionada pela testemunha?

São perguntas objetivas.

E precisam de respostas igualmente objetivas.

Porque Fábio e Neifa saíram de casa para trabalhar numa manhã de domingo.

Encontraram no caminho um adolescente de 17 anos dirigindo uma caminhonete que não era dele, com 0,52 mg/L de álcool apontado pelo bafômetro, e que, segundo a investigação, avançou o sinal vermelho.

Os dois morreram.

A caminhonete deixou a cena.

A perícia do local ficou inviabilizada.

E o veículo acabou localizado em uma oficina.

Duas vidas terminaram naquele cruzamento.

Agora cabe à investigação explicar por que parte importante da cena do acidente desapareceu antes que a perícia pudesse examiná-la.



domingo, 23 de agosto de 2026

GUGU DENUNCIA COMPRA DE VOTOS EM ITUMBIARA

ELEIÇÕES 2026 | Deputado estadual afirma que candidatos de outros municípios estariam usando lideranças locais e suplentes de vereadores para arregimentar eleitores mediante pagamento. Gugu Nader alerta que, além de configurar possível crime eleitoral, a prática pode fazer Itumbiara perder representatividade e milhões em investimentos por meio de emendas parlamentares.

O deputado estadual Gugu Nader fez uma grave denúncia neste domingo (23).

Em vídeo divulgado em seu Instagram, o parlamentar afirmou que candidatos de fora de Itumbiara estariam entrando no município com dinheiro para conquistar votos por meio de lideranças locais.

Segundo Gugu, o mecanismo funcionaria através da cooptação de lideranças políticas, comunitárias e até suplentes de vereadores.

Essas pessoas receberiam recursos e assumiriam a missão de arregimentar eleitores e conseguir votos para candidatos que não possuem vínculo político com Itumbiara.

A acusação, se comprovada, pode configurar captação ilícita de sufrágio, a chamada compra de votos, prática proibida pela legislação eleitoral.

Mas Gugu Nader levantou outro ponto.

Para ele, o prejuízo não termina no momento em que alguém vende o voto.

A conta pode ser paga por Itumbiara durante os quatro anos seguintes.

O raciocínio apresentado pelo deputado é simples: cada cadeira conquistada na Assembleia Legislativa representa também capacidade política para direcionar emendas parlamentares, cobrar investimentos e defender interesses do município.

Gugu afirma que concentra grande parte de suas emendas em Itumbiara justamente porque representa politicamente a cidade.

Quando milhares de votos de Itumbiara ajudam a eleger deputados de outras regiões, esses parlamentares tendem naturalmente a concentrar sua atuação e seus recursos nas próprias bases eleitorais.

É aí que, segundo Gugu, aparece um prejuízo que o eleitor muitas vezes não percebe.

O dinheiro recebido eventualmente pela venda de um voto desaparece rapidamente.

Mas o voto permanece contabilizado durante quatro anos.

E pode significar menos dinheiro chegando para hospitais, escolas, infraestrutura, entidades sociais e outros serviços públicos de Itumbiara.

A denúncia feita pelo deputado também coloca uma pergunta no centro da eleição de 2026:

quem está financiando essas supostas operações e quais lideranças de Itumbiara estariam recebendo dinheiro para entregar votos a candidatos de fora?

Se existem pagamentos, nomes, valores ou qualquer estrutura organizada para comprar eleitores, o assunto deixa de ser apenas uma disputa política.

Passa a ser também assunto para a Justiça Eleitoral.

Porque vender o voto pode render dinheiro por um dia.

Mas perder representação política pode custar caro a Itumbiara durante quatro anos.


CLEITIN MIL GRAUS DEIXA DE SER ANTICANDIDATO PARA SER CANDIDATO DE VERDADE A DEPUTADO ESTADUAL


ELEIÇÕES 2026 | Depois de disputar uma vaga de vereador apostando no humor e na sátira, Cleitin Mil Graus muda completamente a estratégia. Com 913 mil seguidores no Instagram, passa a usar sua audiência para dar voz a quem não tem voz, levantar problemas que atingem a comunidade e cobrar soluções. Agora, o desafio é transformar alcance e credibilidade em votos para chegar à Assembleia Legislativa.

Em 2024, Cleitin Mil Graus entrou na eleição para vereador de Goiânia praticamente como um “anticandidato”.

Humor, sátira, irreverência e provocação davam o tom da campanha.

Foram 1.625 votos. Um resultado pequeno diante da enorme audiência que já possuía nas redes sociais.

Dois anos depois, porém, aquele número pode não servir para medir o tamanho da candidatura que Cleitin apresenta agora para deputado estadual.

Porque o personagem continua, mas o candidato mudou.

A própria campanha anunciou uma reformulação. A proposta agora é apresentar abordagens mais sérias, ideias, posicionamentos e compromissos, preservando o humor e a autenticidade responsáveis pela popularidade do influenciador.

Mas a transformação mais importante pode ser percebida nas próprias redes.

DAR VOZ A QUEM NÃO TEM VOZ

Cleitin começa a colocar sua audiência a serviço de pessoas que dificilmente conseguiriam alcançar centenas de milhares de goianos.

Denúncias, reclamações, problemas cotidianos e questões de interesse coletivo passam a ganhar espaço.

O influenciador começa a cobrar, questionar, mostrar problemas e levantar discussões capazes de beneficiar não apenas quem fez determinada denúncia, mas toda uma comunidade.

É uma mudança profunda na utilização de seu maior patrimônio eleitoral: a audiência.

Antes, Cleitin utilizava principalmente esse alcance para fazer as pessoas rirem.

Agora, tenta utilizá-lo também para fazer as pessoas serem ouvidas.

E isso pode mudar completamente a relação entre seguidor e candidato.

913 MIL SEGUIDORES

Cleitin Mil Graus possui atualmente 913 mil seguidores no Instagram.

Seguidor não é voto.

A eleição de 2024 provou isso.

Mas existe uma diferença fundamental: naquela eleição, uma parcela do público podia enxergá-lo muito mais como personagem e produtor de conteúdo do que como alguém preparado para exercer um mandato.

É justamente essa barreira que a campanha de 2026 tenta romper.

Cleitin quer preservar a popularidade conquistada com o humor e acrescentar algo que não estava tão presente na campanha anterior:

credibilidade política.

Se conseguir, mesmo uma pequena conversão dessa gigantesca audiência passa a produzir números relevantes.

Matematicamente, 1% de 913 mil representa 9.130. Dois por cento seriam 18.260. Três por cento, 27.390. Cinco por cento chegariam a 45.650.

É evidente que essa conta não representa uma projeção eleitoral. Nem todos os seguidores são eleitores de Goiás e acompanhar alguém nas redes não significa votar nele.

Mas mostra o tamanho do ativo que Cleitin possui.

UMA CHAPA PESADA

O problema é que a disputa dentro da própria Federação PRD/Solidariedade promete ser dura.

Cleitin encontrará candidatos que já provaram capacidade eleitoral nas urnas.

Em 2022, Wagner Neto teve 32.543 votos; Coronel Adailton, 25.610; Anderson Teodoro, 25.552; Alessandro Moreira, 23.345; Júlio Pina, 21.243; Cristiano Galindo, 17.788; e Cristóvão, 17.484.

São candidatos com bases políticas, eleitorais e territoriais já conhecidas.

Cleitin possui outra coisa.

Uma audiência gigantesca e ainda eleitoralmente imprevisível.

É exatamente isso que torna sua candidatura uma das grandes incógnitas da federação.

OS 1.625 VOTOS NÃO CONTAM MAIS?

Contam.

São o único teste eleitoral concreto realizado por Cleitin até agora.

Mas existe um erro em simplesmente utilizar aqueles 1.625 votos para estabelecer o teto eleitoral de 2026.

A candidatura é outra.

Em 2024, Cleitin apresentou ao eleitor essencialmente o “Mil Graus” do humor e da sátira.

Agora tenta apresentar Cleitin Mil Graus como representante popular.

Não abandonou o personagem.

Está tentando dar ao personagem uma causa.

O TESTE DAS URNAS

A pergunta que acompanhará Cleitin até outubro é simples:

ele conseguirá transformar seguidores em eleitores?

Essa resposta ninguém possui ainda.

Os candidatos tradicionais da federação chegam com dezenas de milhares de votos anteriores e bases políticas conhecidas.

Cleitin chega com algo muito mais difícil de calcular: quase um milhão de pessoas acompanhando diariamente aquilo que faz.

Se continuar utilizando essa audiência para levantar problemas, cobrar soluções e principalmente mostrar resultados concretos para a população, poderá construir durante a própria campanha uma espécie de demonstração antecipada de mandato.

A mensagem é quase inevitável:

se consegue dar voz às pessoas sem mandato, o que poderá fazer com um mandato?

Em 2024, Cleitin Mil Graus brincou de ser candidato.

Em 2026, aparentemente, a brincadeira acabou.


Taquaral : R$ 13,4 MILHÕES E MUITAS PERGUNTAS

TAQUARAL | Prefeitura entrega ao Instituto Projeto Rondon uma operação de até R$ 13,4 milhões na saúde municipal. Edital exige experiência mínima de dois anos e pelo menos três parcerias anteriores no SUS, mas documentos disponibilizados até agora não revelam quais experiências garantiram a habilitação da entidade. Processo também apresenta divergência de vigência, documentos apresentados após diligência e nenhum outro concorrente identificado nos arquivos analisados.

Um contrato milionário.

Uma entidade privada sem fins lucrativos.

A operacionalização de parte relevante da rede municipal de saúde.

E uma sequência de perguntas que ainda não foram respondidas.

A Prefeitura de Taquaral de Goiás assinou com o Instituto Projeto Rondon o Termo de Colaboração nº 01/2026, decorrente do Processo Administrativo nº 57/2026 e do Chamamento Público nº 002/2026.

O valor global estimado chega a:

R$ 13.436.664,00.

E não se trata simplesmente de uma consultoria.

O Termo assinado prevê planejamento estratégico, fortalecimento da atenção básica, operacionalização dos serviços públicos de saúde, organização e apoio à gestão da rede municipal, manutenção dos atendimentos contratualizados no SUS, implantação de protocolos, capacitação de equipes, monitoramento e mecanismos de gestão e controle.

O próprio Instituto também assumiu a responsabilidade pelo gerenciamento administrativo e financeiro dos recursos recebidos e pela contratação, gestão e pagamento dos profissionais necessários para executar a parceria.

Na prática, é uma operação de enorme dimensão para um município pequeno.

E é exatamente por isso que a capacidade técnica de quem recebeu essa responsabilidade precisa ser examinada.

O EDITAL EXIGIA EXPERIÊNCIA

A Prefeitura não deixou essa questão subjetiva.

O Chamamento Público determinou expressamente que a organização participante deveria possuir experiência prévia efetiva no objeto da parceria ou em atividade semelhante pelo prazo mínimo de dois anos.

E foi além.

As entidades deveriam anexar ao Plano de Trabalho atestados de capacidade técnica ou instrumentos de parcerias anteriores demonstrando atuação em atividades do SUS semelhantes às previstas para Taquaral.

No julgamento da qualificação técnica, o edital estabeleceu uma condição ainda mais clara:

mínimo de três parcerias anteriormente celebradas com órgãos públicos municipais, estaduais ou federais para execução de ações e serviços de saúde do SUS.

A qualificação técnica poderia render cinco pontos, metade de toda a pontuação possível.

Surge então a pergunta central:

QUAIS FORAM AS TRÊS PARCERIAS APRESENTADAS PELO INSTITUTO PROJETO RONDON?

Os documentos analisados pelo Blog do Cleuber Carlos até agora não trazem esses três atestados.

Também não mostram quais órgãos públicos emitiram as comprovações, qual foi a duração das experiências, quais serviços foram executados ou qual pontuação técnica efetivamente foi atribuída ao Instituto.

O Termo assinado apenas informa que existe nos autos um “resultado de habilitação e classificação” e um relatório técnico de atendimento das condicionantes.

Mas esses documentos não aparecem entre os arquivos disponibilizados para esta apuração.

QUEM DISPUTOU?

Outra pergunta permanece sem resposta.

Quem concorreu com o Projeto Rondon?

O edital previa expressamente a hipótese de existir uma única OSC credenciada. Se isso acontecesse, a Comissão abriria primeiro o envelope de habilitação da única participante antes de examinar seu Plano de Trabalho.

Nos documentos analisados, não aparece o nome de outra organização concorrente.

Isso não permite afirmar, ainda, que o Projeto Rondon foi candidato único.

Mas obriga a Prefeitura a esclarecer:

Quantas entidades apresentaram envelopes?

Quem foram elas?

Alguma foi inabilitada?

Qual foi a classificação?

E qual foi a pontuação de cada concorrente?

Porque estamos falando de uma operação pública que pode alcançar R$ 13,4 milhões.

DOCUMENTOS APARECERAM DEPOIS

Há outro ponto particularmente sensível.

O edital afirmava que não seriam aceitas complementações, modificações ou substituições de documentos depois de finalizado o credenciamento.

Também dizia que documentação incompleta implicaria inabilitação automática.

Entretanto, o Termo de Colaboração efetivamente assinado registra que alguns documentos exigidos foram apresentados posteriormente, em resposta a diligência.

Entre eles estavam a comprovação de inscrição da organização no CRM e documentos contábeis destinados a demonstrar sua situação financeira.

A questão é objetiva:

os documentos apenas comprovaram uma situação que já existia ou supriram documentação obrigatória que não estava no envelope?

Se estavam ausentes, por que a regra de inabilitação automática não foi aplicada?

É uma resposta que precisa estar documentalmente registrada.

2026 OU 2027?

O processo ainda contém uma contradição temporal que a própria Prefeitura acabou reconhecendo.

A minuta do Termo de Colaboração anexada ao edital determinava que a parceria iria da assinatura até:

31 de dezembro de 2026.

Já o Projeto Básico passou a indicar:

31 de dezembro de 2027.

E o Termo efetivamente assinado também adotou vigência até 31 de dezembro de 2027.

Em nota oficial, a própria Secretaria Municipal de Saúde admitiu que o Termo e o Plano de Trabalho indicam 2027, enquanto “o edital contém referência a período distinto”.

Não é um detalhe irrelevante.

O prazo de uma parceria interfere na estruturação das propostas, na previsão de despesas, na mobilização de pessoal e no interesse de potenciais concorrentes.

Uma organização estava disputando uma parceria para sete meses?

Dezenove meses?

Ou algo que poderia ser posteriormente prorrogado?

O instrumento convocatório deveria permitir que todos soubessem exatamente as mesmas regras antes de apresentar suas propostas.

UM TRECHO IMPOSSÍVEL

Há ainda um fragmento curioso no próprio edital.

O Chamamento foi publicado em abril de 2026 e previa apresentação de propostas entre 29 de abril e 13 de maio.

Mesmo assim, o documento afirma que determinado valor refletiria uma “Parceria realizada em 12 meses do ano de 2026”, acrescentando que a contratação já teria obtido êxito e aprovação dos usuários.

Em abril, evidentemente, os doze meses de 2026 ainda não haviam transcorrido.

De onde veio esse texto?

Foi copiado de outro edital?

Qual parceria teria sido considerada exitosa?

Quem elaborou o documento?

É uma inconsistência pequena na aparência, mas importante para entender como um chamamento dessa dimensão foi preparado.

O RONDON TINHA EXPERIÊNCIA PARA ISSO?

O Instituto Projeto Rondon já aparece em atividades públicas de saúde e na administração do Hospital Municipal Jair Paiva, em Cocalzinho.

Mas administrar uma unidade hospitalar é uma coisa.

Assumir funções que envolvem gerenciamento de recursos, contratação de profissionais, operacionalização e apoio à gestão de uma rede municipal é outra.

O próprio edital reconheceu isso ao exigir experiência anterior e documentação comprobatória.

Por isso, a pergunta não pode ser respondida apenas com:

“o Instituto atua na saúde”.

A Prefeitura precisa mostrar os documentos.

Quais experiências foram apresentadas?

Qual delas durou ao menos dois anos?

Quais foram as três parcerias usadas na pontuação técnica?

Quem atestou a execução satisfatória?

NÃO HÁ PROVA DE ILEGALIDADE — MAS HÁ MUITO A EXPLICAR

Até este momento, os documentos analisados não permitem afirmar que o Termo de Colaboração seja ilegal ou que tenha ocorrido favorecimento ao Instituto Projeto Rondon.

Também não há prova documental, nos arquivos examinados, de fraude no Chamamento Público.

Mas investigação jornalística não se encerra no nome dado ao instrumento.

Ela começa justamente quando documentos públicos deixam perguntas relevantes sem resposta.

E neste caso elas são muitas.

Uma parceria de até R$ 13,4 milhões foi entregue para uma entidade que precisava comprovar experiência técnica robusta.

O edital exigia três parcerias anteriores.

Os atestados ainda não apareceram.

O nome de eventuais concorrentes também não.

Documentos foram apresentados depois de diligência.

A minuta previa encerramento em 2026.

O contrato passou para 2027.

E o próprio edital fala em doze meses de uma experiência de 2026 quando o ano ainda estava no quarto mês.

Agora, a Prefeitura de Taquaral precisa abrir o processo por inteiro.

Porque para um contrato dessa dimensão não basta dizer que tudo está regular.

É preciso mostrar por quê.

O Blog do Cleuber Carlos deixa espaço aberto para manifestação da Prefeitura de Taquaral de Goiás, da Secretaria Municipal de Saúde, do Instituto Projeto Rondon e de todos os responsáveis pelo Processo Administrativo nº 57/2026.