segunda-feira, 10 de agosto de 2026

​DE R$ 38 MILHÕES PARA R$ 1,8 BILHÃO: patrimônio de candidato do PL em Goiás cresce 4.733% em dois anos

POSSÍVEL ERRO DE R$ 1,8 BILHÃO COLOCA CANDIDATO DE GOIÁS ENTRE OS MAIS RICOS DO BRASIL

Renato Ribeiro aparece com patrimônio de R$ 1,855 bilhão e chegou ao 5º lugar entre os candidatos mais ricos já registrados nas eleições de 2026. Mas uma análise dos próprios bens declarados revela algo que pode mudar completamente a história: uma casa de apenas 395,75 m² foi lançada pelo valor de R$ 1,8 bilhão. Outros imóveis com exatamente a mesma metragem aparecem por R$ 1,8 milhão.

Um patrimônio que saltou de R$ 38,4 milhões para R$ 1,855 bilhão em apenas dois anos chamou atenção em todo o país.

Mas o que inicialmente parecia um crescimento patrimonial de 4.733% pode ter uma explicação bem mais simples: um possível erro de preenchimento na declaração apresentada à Justiça Eleitoral.

O Blog do Cleuber Carlos analisou a relação de bens atribuída ao candidato a deputado federal Renato Ribeiro (PL), de Catalão, e encontrou um lançamento que praticamente sozinho explica a transformação do produtor rural em bilionário.

UMA CASA DE R$ 1,8 BILHÃO?

Entre os bens declarados aparece uma casa residencial com respectivo lote de terreno de 395,75 m², em Catalão, adquirida da Construtora Dharma Ltda.

Valor informado:


R$ 1.800.000.000,00.

Sim: R$ 1,8 bilhão por uma casa residencial de 395,75 m².

O dado se torna ainda mais intrigante quando outros itens da própria declaração são analisados.

Na mesma relação aparecem casas residenciais também com 395,75 m², igualmente adquiridas da Construtora Dharma Ltda., mas avaliadas em:

R$ 1.800.000,00 cada.

A diferença entre os valores é de exatamente mil vezes.

TRÊS ZEROS PODEM EXPLICAR O “BILIONÁRIO”

A coincidência levanta uma hipótese evidente: o imóvel lançado por R$ 1,8 bilhão poderia ter valor de R$ 1,8 milhão, com três zeros acrescentados no preenchimento.

Por enquanto, isso é uma hipótese. Não é possível afirmar que houve erro sem manifestação do candidato ou eventual correção perante a Justiça Eleitoral.

Mas matematicamente o efeito é gigantesco.

O patrimônio total registrado é de R$ 1.855.750.216,23.

Caso o imóvel tenha sido lançado por R$ 1,8 bilhão quando deveria constar R$ 1,8 milhão, o patrimônio cairia para aproximadamente:

R$ 57,55 milhões.

Renato deixaria, portanto, de ser bilionário por causa da correção de apenas um lançamento.

RANKING NACIONAL PODE TER SIDO DISTORCIDO

O possível erro também ajuda a explicar como Renato Ribeiro apareceu repentinamente entre os candidatos mais ricos das eleições brasileiras.

Segundo levantamento divulgado pelo portal Plural.jor e repercutido pelo Diário de Goiás, o candidato aparece atualmente com o 5º maior patrimônio entre os registros já apresentados para as eleições de 2026.

Em 2024, quando disputou a Prefeitura de Catalão, Renato havia declarado aproximadamente R$ 38,4 milhões.

A declaração de 2026 fez esse patrimônio aparentemente aumentar em mais de R$ 1,8 bilhão.

Agora, a análise individual dos bens indica que praticamente todo esse salto está concentrado justamente no imóvel de R$ 1,8 bilhão.

DE 4.733% PARA CERCA DE 50%

Se confirmado o possível erro e considerado o valor de R$ 1,8 milhão para a casa, a história muda completamente.

Em vez de sair de R$ 38,4 milhões para R$ 1,855 bilhão, Renato teria passado para aproximadamente R$ 57,55 milhões.

Ainda seria um crescimento patrimonial relevante — próximo de 50% em dois anos — e que pode ser analisado separadamente, mas muito distante dos 4.733% inicialmente apontados.

CANDIDATO PRECISA EXPLICAR

A questão agora é objetiva.

A casa de 395,75 m² vale realmente R$ 1,8 bilhão ou houve um erro material na declaração entregue à Justiça Eleitoral?

Caso tenha ocorrido erro, também será necessário verificar se o registro será retificado e como a alteração afetará o patrimônio oficialmente apresentado pelo candidato.

O Blog do Cleuber Carlos abre espaço para manifestação de Renato Ribeiro e de sua assessoria.

Até que exista esclarecimento, o documento oficial registra R$ 1,8 bilhão. Mas os próprios dados da declaração levantam fortes indícios de que três zeros podem ter transformado, no papel, um milionário de Goiás em um dos candidatos mais ricos do Brasil.


WILDER NÃO SABIA DEBATER. SEU MARQUETEIRO SABIA DISSO. ENTÃO, POR QUE NÃO O PREPAROU?

 

Wilder Morais admitiu que participava de seu primeiro debate e não escondeu que aquela não era sua especialidade. O problema não foi admitir a limitação. Foi entrar no principal confronto eleitoral até agora sem aparentemente estar treinado para uma regra elementar da televisão: em debate, tempo é patrimônio. E desperdiçá-lo pode significar desperdiçar a oportunidade de falar diretamente com milhares de eleitores.

O primeiro debate entre os candidatos ao Governo de Goiás, realizado neste domingo (9) pela TV Sucesso/Band, colocou candidatos frente a frente. Mas colocou também, ainda que indiretamente, os marqueteiros em confrontoE nesse segundo debate, travado nos bastidores, a preparação dos candidatos merece atenção.

Wilder Morais (PL) fez uma afirmação que, por si só, não deveria ser tratada como fraqueza. Disse que aquele era seu primeiro debate, que não era um especialista em debater e procurou destacar sua formação como engenheiro e sua preparação para administrar.

Até aí, uma estratégia defensável: reconhecer uma limitação de comunicação e tentar deslocar a discussão para capacidade de gestão.

O problema veio depois.

TRÊS MINUTOS. WILDER USOU METADE

Em uma das respostas, Wilder dispunha de aproximadamente três minutos. Terminou com cerca de metade do tempo utilizado.

Joel Datena chamou sua atenção para o tempo restante e ofereceu a possibilidade de continuar. Wilder preferiu encerrar. Em outro momento, situação semelhante voltou a ocorrer. Num debate eleitoral televisionado, isso é mais do que detalhe.

Tempo de televisão é oportunidade política.

Se existem 90 segundos disponíveis, são 90 segundos para apresentar uma proposta, citar um número, defender uma realização, responder uma crítica ou simplesmente permitir que o eleitor conheça melhor o candidato. Abrir mão desse tempo voluntariamente é abrir mão de exposição. E é justamente aqui que a discussão sai de Wilder e chega à sua equipe.

CADÊ O MEDIA TRAINING?

Marcelo Vitorino foi confirmado como responsável pela estratégia de comunicação da campanha de Wilder. O profissional possui quase duas décadas de atuação em comunicação e registra no próprio currículo participação em campanhas nacionais, estaduais e municipais. Justamente por isso surge a pergunta:

como um candidato que participaria de seu primeiro debate não chegou aparentemente condicionado a aproveitar integralmente seus tempos?

Não se trata de obrigar Wilder a falar por falar. Media training serve exatamente para evitar isso. Um candidato precisa entrar no estúdio sabendo que, se responder a questão principal em 90 segundos e ainda possuir outros 90, deve ter preparado um segundo bloco: proposta, comparação, dado, mensagem-chave ou prestação de contas. Isso se treina.

Cronômetro na mesa. Perguntas simuladas. Réplicas. Tréplicas. Ataques inesperados. Respostas de 30 segundos, um minuto, dois minutos e três minutos.

Se Wilder reconhecia previamente que debate não era seu terreno natural, a preparação deveria ter sido ainda maior — e não menor.

A RESPONSABILIDADE NÃO É APENAS DO CANDIDATO

É fácil assistir ao debate e concluir: “Wilder errou”. Errou. Mas existe uma equipe profissional justamente para reduzir os erros previsíveis de um candidato. O marqueteiro não sobe ao palco, mas sua preparação sobe. O roteiro sobe. As frases treinadas sobem. A estratégia sobe. E até a administração do relógio sobe.

Marcelo Vitorino deixou a estrutura de comunicação ligada à pré-campanha de Marconi e, semanas depois, foi confirmado na campanha de Wilder, assumindo justamente a área de estratégia, comunicação, imagem e posicionamento. Por isso, o desempenho televisivo de Wilder também coloca o trabalho de bastidores sob avaliação.

MARCONI MOSTROU OUTRO NÍVEL DE PREPARAÇÃO PARA O FORMATO

Do outro lado estava Marconi Perillo. E aí apareceu um contraste importante de preparação para o formato. Marconi naturalmente carrega uma vantagem que marqueteiro nenhum consegue fabricar: quatro mandatos como governador, passagem pelo Senado e pela Câmara dos Deputados e décadas de experiência em entrevistas, campanhas e confrontos políticos.

É um candidato acostumado ao debate. Mas experiência não significa que preparação seja dispensável. Pelo contrário.

À frente da estratégia de comunicação de Marconi está Lula Guimarães, um dos profissionais veteranos do marketing político nacional, contratado em julho justamente para comandar a comunicação da campanha tucana em Goiás. Guimarães traz no currículo campanhas presidenciais e disputas de grande exposição nacional. Foi responsável pela campanha que elegeu João Doria prefeito de São Paulo no primeiro turno em 2016 e posteriormente trabalhou nas campanhas presidenciais de Geraldo Alckmin e Soraya Thronicke, além de ter comandado a campanha de Guilherme Boulos à Prefeitura de São Paulo em 2024.

E é justamente aí que o primeiro debate permite uma comparação de preparação comunicacional, não de capacidade administrativa dos candidatos. Marconi demonstrou familiaridade com o relógio, com os momentos de ataque e resposta e com a necessidade de transformar cada oportunidade em mensagem política. Se, conforme a apuração do Blog, Lula Guimarães submeteu Marconi a media training e preparação específica ao longo do dia para o confronto, esse detalhe é ainda mais significativo.

Porque estamos falando de um político que já participou de inúmeros debates e poderia perfeitamente imaginar que sua experiência seria suficiente. Não imaginou. Treinou.

E aí está o contraste que coloca o trabalho dos marqueteiros sob os holofotes. De um lado, um candidato experiente que, ainda assim, chegou preparado especificamente para aquele debate. Do outro, Wilder Morais, que reconheceu diante das câmeras estar participando de seu primeiro debate e acabou desperdiçando parte de um dos ativos mais valiosos que possuía naquela noite: tempo de televisão.

VITORINO SAIU DE MARCONI; GUIMARÃES ENTROU

Existe ainda um ingrediente político particularmente interessante nessa história. Antes de Lula Guimarães assumir a estratégia de comunicação de Marconi, Marcelo Vitorino havia integrado a estrutura da pré-campanha tucana. Sua saída ocorreu em meio a divergências relacionadas ao planejamento da comunicação. Depois, Vitorino passou para o projeto eleitoral de Wilder, enquanto Marconi fechou com Lula Guimarães. O primeiro debate, portanto, colocou indiretamente os dois modelos de preparação diante das câmeras.

Não é possível atribuir todo o desempenho de um candidato ao marqueteiro — seria simplista. Mas preparação para televisão, administração de tempo, definição de mensagens-chave e treinamento para situações previsíveis fazem parte justamente do território profissional da comunicação eleitoral.

Por isso, quando Wilder abre mão voluntariamente de tempo em seu primeiro debate, a pergunta não deve ser dirigida somente a ele. Onde estava a preparação? E quando um político com décadas de experiência como Marconi ainda assim passa por treinamento específico antes de entrar no estúdio, o contraste torna-se ainda mais difícil de ignorar.

Wilder avisou que não sabia debater. Sua equipe sabia que aquele seria seu primeiro debate. Portanto, a pergunta continua de pé: se a limitação era conhecida, por que ela não foi melhor trabalhada antes de as câmeras serem ligadas?

Em resumo, este primeiro debate serviu pra mostrar que Marconi acertou em trocar Marcelo Vitorino por Lula  Guimarães,  enquanto Wilder, errou em contratar Marcelo Vitorino. 

DANIEL VILELA PERDEU SEM DEBATER: OS 7 ERROS QUE TRANSFORMARAM SUA AUSÊNCIA EM DERROTA POLÍTICA

Daniel Vilela tentou escapar do desgaste do primeiro debate ao Governo de Goiás. O resultado foi o inverso: deixou a cadeira vazia, entregou o palco aos adversários, não pôde responder aos ataques e ainda abriu uma perigosa discussão sobre sua disposição para enfrentar o contraditório.

Daniel Vilela conseguiu algo raro na política: sair como um dos grandes perdedores de um debate do qual nem sequer participou. Enquanto Marconi Perillo (PSDB), Wilder Morais (PL) e Luiz Cesar Bueno (PT) compareceram ao debate promovido pela TV Sucesso/Band neste domingo (9), Daniel optou pela ausência.

Pode ter sido cálculo eleitoral. Mas estratégia política não se mede pela intenção. Mede-se pelo resultado.E o resultado foi ruim para Daniel.

1 — ENTREGOU AOS ADVERSÁRIOS O DIREITO DE EXPLICAR SUA AUSÊNCIA

Esse talvez tenha sido o maior erro. Daniel poderia ter explicado pessoalmente por que decidiu não participar. Ausente, deixou que seus adversários construíssem a explicação por ele.

E Marconi ocupou o espaço. Chamou Daniel de “playboy mimado que nunca trabalhou na vida”, disse que ele recebeu “tudo de mão beijada” e acusou o adversário de ter dado “uma banana para o eleitor”. Daniel não estava lá para responder. Na política, quando você deixa um espaço vazio, alguém ocupa.

2 — TRANSFORMOU UMA CADEIRA VAZIA EM IMAGEM DE CAMPANHA

Política também é imagem. E poucas imagens são tão simples de explorar eleitoralmente quanto uma cadeira vazia enquanto os adversários debatem. No local, até os assentos identificados como “Convidados Daniel Vilela” e “Assessor Daniel Vilela” permaneceram vazios. É uma fotografia que dispensa grandes explicações: os outros foram. Daniel não.

Os adversários agora podem transformar essa ausência em símbolo e repetir a pergunta durante a campanha:

Por que Daniel não foi?

3 — PERDEU A OPORTUNIDADE DE DEFENDER O PRÓPRIO GOVERNO

Daniel não é um candidato desconhecido tentando entrar no debate público. Carrega a responsabilidade política de defender o grupo que governa Goiás. Era uma oportunidade para apresentar resultados, responder críticas e explicar o que pretende fazer nos próximos quatro anos.

Abriu mão dela. Enquanto os adversários tiveram espaço para apresentar suas versões sobre Goiás, Daniel deixou sua defesa nas mãos de terceiros.

Quem pretende governar precisa demonstrar capacidade para defender aquilo que fez e aquilo que pretende fazer.

4 — REFORÇOU JUSTAMENTE O ATAQUE QUE MAIS PRECISAVA COMBATER

Daniel enfrenta uma crítica recorrente dos adversários sobre sua trajetória profissional e política. Marconi foi diretamente nesse ponto ao chamá-lo de “playboy mimado” e afirmar que nunca trabalhou.

A melhor oportunidade para Daniel desmontar esse discurso seria estar diante do adversário, olhando para ele e respondendo.

Não estava. Consequentemente, o ataque foi lançado sem contraditório imediato. Isso não transforma a acusação em verdade. Mas permite que ela circule politicamente sem a resposta do principal interessado.

5 — DEIXOU MARCONI E WILDER OCUPAREM O PAPEL DE ADVERSÁRIOS DISPOSTOS AO CONFRONTO

Existe outro problema estratégico.

Marconi e Wilder não precisaram provar que estavam dispostos a enfrentar Daniel. Bastou comparecer.

A comparação ficou simples: enquanto seus principais adversários aceitaram perguntas, críticas e confronto ao vivo, Daniel decidiu não participar. Em uma campanha para governador, essa diferença de postura tem peso. O eleitor pode concordar ou discordar de Marconi, Wilder ou Luiz Cesar Bueno. Mas eles estavam lá.

6 — CRIOU UM PROBLEMA DE COERÊNCIA PARA RONALDO CAIADO

A ausência ainda respinga em Ronaldo Caiado.

Caiado já cobrou publicamente a participação de Lula em debates presidenciais e tratou o enfrentamento eleitoral como demonstração de coragem e respeito ao eleitor. Agora existe uma pergunta incômoda:

aquilo que Caiado cobra de Lula também vale para Daniel Vilela?

Se fugir de debate é condenável quando praticado pelo adversário nacional, não pode virar estratégia aceitável quando quem falta é o aliado em Goiás. Pau que dá em Chico tem que dar em Francisco.

7 — TRANSFORMOU SUA AUSÊNCIA NO ASSUNTO QUE QUERIA EVITAR

Aqui está a ironia maior. Se Daniel faltou para evitar exposição, conseguiu exatamente o contrário. Sua cadeira vazia chamou atenção. Sua ausência provocou ataques. Sua decisão virou notícia.

E, no lugar de discutir apenas propostas apresentadas pelos candidatos presentes, parte da repercussão passou justamente a discutir por que Daniel Vilela não estava láOu seja: tentou evitar o debate e acabou sendo debatido.

O GRANDE PERDEDOR

É impossível saber quanto uma ausência isolada poderá representar nas urnas. Mas politicamente, naquele debate, Daniel entregou vantagens aos adversários sem receber praticamente nada em troca.

Não apresentou propostas.

Não respondeu aos ataques.

Não defendeu sua trajetória.

Não confrontou adversários.

Não defendeu o governo.

E ainda permitiu que uma cadeira vazia se transformasse em símbolo político. Marconi, Wilder e Luiz Cesar Bueno poderão ser avaliados pelo que disseram. Daniel será avaliado pelo que decidiu não dizer. Essa é a diferença.

Ele não perdeu porque alguém necessariamente debateu melhor. Perdeu porque decidiu não disputar.

E talvez essa tenha sido a pior escolha possível para um candidato que pretende convencer milhões de goianos de que está preparado para comandar Goiás.

No primeiro grande teste do confronto eleitoral, Daniel Vilela não foi derrotado por Marconi, Wilder ou Luiz Cesar Bueno. Foi derrotado pela própria ausência.

DANIEL VILELA CONSEGUIU PERDER UM DEBATE SEM NEM PARTICIPAR

Ausência no primeiro confronto entre candidatos ao Governo de Goiás deixou cadeira vazia, entregou o palco aos adversários e transformou Daniel no principal alvo da noite. Quem pretendia evitar desgaste acabou produzindo exatamente o contrário.

Daniel Vilela conseguiu uma façanha política difícil: perder um debate sem sequer subir ao palco.

No primeiro confronto entre candidatos ao Governo de Goiás, promovido pela TV Sucesso/Band neste domingo (9), Daniel escolheu não comparecer. Marconi Perillo (PSDB), Wilder Morais (PL) e Luiz Cesar Bueno (PT) estavam lá. Daniel, não.

Mas sua ausência esteve presente durante toda a noite.

A cadeira vazia virou símbolo. No local destinado à sua comitiva, assentos identificados como “Convidados Daniel Vilela” e “Assessor Daniel Vilela” permaneceram vazios.

Politicamente, foi um presente para os adversários.

Marconi Perillo não desperdiçou a oportunidade. Cobrou a ausência e partiu para o ataque, chamando Daniel de “playboy mimado que nunca trabalhou na vida” e afirmando que o adversário sempre recebeu “tudo de mão beijada”.

Mais pesada, porém, foi a acusação seguinte:

“Ele deu uma banana para o eleitor, desrespeitou o eleitor.”

Daniel não estava lá para responder.

E esse é justamente o problema.

Debate eleitoral não serve apenas para apresentar propostas. Serve para colocar candidatos diante do contraditório, confrontar trajetórias, comparar governos e obrigar quem pretende comandar Goiás a responder perguntas que dificilmente aparecem em eventos controlados de campanha.

Daniel preferiu ficar longe disso.

Pode ter sido estratégia. Pode ter sido cálculo eleitoral. Pode ter sido uma tentativa de evitar desgaste.

Se foi, saiu pela culatra.

Ao faltar, Daniel entregou aos adversários liberdade para construir a narrativa que quisessem sobre sua ausência — sem direito a resposta ao vivo.

CAIADO COBROU LULA. E DANIEL?

A ausência também expõe uma contradição política desconfortável para Ronaldo Caiado.

Caiado já criticou Lula diante da possibilidade de o presidente evitar debates e associou participação em confrontos eleitorais à coragem.

A pergunta agora é inevitável:

o mesmo princípio vale para Daniel Vilela?

Se debate é demonstração de respeito ao eleitor quando o ausente é Lula, por que deveria ser diferente quando quem falta é o candidato apoiado por Caiado?

Pau que dá em Chico precisa dar em Francisco.

O GRANDE PERDEDOR DA NOITE

Marconi falou. Wilder falou. Luiz Cesar Bueno falou. Concorde-se ou não com eles, colocaram a cara diante das câmeras e aceitaram o confronto.

Daniel escolheu a cadeira vazia.

E cadeira vazia não apresenta proposta, não rebate acusação, não explica governo e não pede voto.

Talvez Daniel tenha imaginado que, ficando em casa, não seria alvo.

Aconteceu exatamente o contrário.

Mesmo ausente, virou um dos principais assuntos do debate. Mesmo sem responder uma pergunta, saiu cobrado. Mesmo sem enfrentar os adversários, ofereceu munição para todos eles.

No primeiro grande confronto da eleição em Goiás, Daniel Vilela não precisou abrir a boca para sair desgastado.

Conseguiu o improvável: foi o grande perdedor de um debate do qual decidiu não participar.

sábado, 8 de agosto de 2026

FUJÃO: DANIEL VILELA FOGE DO PRIMEIRO DEBATE NA BAND

Enquanto Marconi Perillo, Wilder Morais e Luis César Bueno estarão frente a frente neste domingo, Daniel Vilela ficará fora do primeiro grande confronto da eleição. Ausência levanta uma pergunta inevitável: por que quem pretende governar Goiás não quer encarar os adversários e explicar suas propostas ao eleitor?

O primeiro debate entre candidatos ao Governo de Goiás acontece neste domingo (9), às 20h, e uma ausência chama mais atenção do que algumas presenças: Daniel Vilela (MDB) não estará no palco.

Segundo a programação divulgada, participarão Marconi Perillo (PSDB), Wilder Morais (PL) e Luis César Bueno (PT). O encontro será promovido pela TV Sucesso/Band, rádios do Grupo Sucesso e Centro Universitário FacUnicamps.

Daniel, porém, ficará de fora.

E, em uma eleição para governador, fugir do debate político tem preço.

Quem pretende comandar Goiás precisa estar disposto a responder perguntas difíceis, confrontar números, defender realizações, explicar problemas do governo e, principalmente, apresentar ao eleitor aquilo que pretende fazer nos próximos quatro anos.

Debate não é palanque controlado. Não tem roteiro de campanha, pergunta combinada ou discurso sem contraditório.

É justamente por isso que a ausência de Daniel Vilela precisa ser explicada.

Se houve convite e o governador decidiu não comparecer, qual a razão? Estratégia eleitoral? Medo do confronto? Receio de enfrentar Marconi Perillo e Wilder Morais? Ou simplesmente a avaliação de que é melhor preservar a candidatura do desgaste de perguntas incômodas?

Sem uma justificativa convincente, Daniel corre o risco de receber um rótulo extremamente desconfortável logo no início da campanha: o candidato fujão.

Enquanto seus principais adversários estarão frente a frente, submetendo propostas e trajetórias ao contraditório, Daniel não estará lá para defender o próprio governo.

Quem quer governar precisa debater.

Quem possui projeto precisa apresentá-lo.

Quem reivindica os votos dos goianos precisa estar preparado para dar explicações.

E quem foge do confronto abre espaço para uma pergunta que certamente será explorada pelos adversários: do que Daniel Vilela tem medo?

O primeiro debate nem começou, mas a cadeira vazia de Daniel já promete ser um dos personagens da noite.


TAQUARAL | Nota Oficial Levanta Nova Contradição

Após afirmar publicamente que contrato de R$ 13,4 milhões “tem validade de cinco anos”, Prefeitura muda a fundamentação jurídica, mas deixa sem resposta a divergência entre a fala da secretária e o documento oficial.

A Prefeitura de Taquaral divulgou uma nota oficial tentando rebater a reportagem do Blog do Cleuber Carlos sobre o contrato de R$ 13,4 milhões firmado para a gestão da saúde municipal.

O problema é que a nota não enfrenta a principal questão levantada pela reportagem.

O Blog jamais afirmou que a legislação impede a prorrogação de contratos ou termos de colaboração. Esse nunca foi o ponto da discussão.

O questionamento sempre foi outro: por que a secretária municipal de Saúde afirmou publicamente que o contrato possui validade de cinco anos, se o próprio Termo de Colaboração estabelece vigência até 31 de dezembro de 2027?

Durante entrevista concedida à imprensa, a secretária foi categórica.

“Esse contrato tem uma validade de cinco anos. Então eu tenho que contar a previsão de cada ano.”

A declaração não fala em possibilidade de prorrogação.

Não fala em limite previsto na legislação.

Não fala em eventual celebração de termos aditivos.

A afirmação é objetiva: “esse contrato tem uma validade de cinco anos.”

A nota muda o argumento

Na nota oficial, entretanto, a Prefeitura abandona essa afirmação e passa a desenvolver outra tese.

Em vez de sustentar que o contrato possui vigência de cinco anos, a administração explica que a legislação permite prorrogações sucessivas das parcerias, desde que haja justificativa técnica, interesse público, disponibilidade orçamentária e celebração de termos aditivos.

São duas afirmações diferentes.

Uma coisa é dizer que o contrato assinado possui validade de cinco anos.

Outra é explicar que ele poderá alcançar esse período mediante futuras prorrogações autorizadas por lei.

A segunda explicação não responde à primeira declaração.

O documento continua dizendo a mesma coisa

Em nenhum momento a nota demonstra que o Termo de Colaboração atualmente assinado possui vigência inicial de cinco anos.

Ao contrário.

A própria Prefeitura reconhece, na nota, que o instrumento possui uma vigência formal definida e passa a explicar como poderia haver continuidade da parceria no futuro.

Isso confirma justamente o ponto central da reportagem: existe uma diferença entre a vigência prevista no documento e a forma como ela foi apresentada publicamente.

A pergunta continua sem resposta

A reportagem também chamou atenção para outro aspecto.

Na mesma entrevista, ao justificar o valor global de R$ 13,4 milhões, a secretária declarou:

“Eu tenho que contar a previsão de cada ano.”

Se o valor foi calculado considerando uma projeção financeira de cinco anos, permanece uma pergunta objetiva:

Onde está, no processo administrativo, a memória de cálculo que demonstra essa projeção plurianual?

A nota oficial não apresenta essa documentação.

Também não explica como foi elaborado o valor global utilizado no chamamento público.

Transparência exige precisão

O debate não é jurídico.

O debate é documental.

O documento assinado possui uma vigência expressa.

A secretária afirmou que o contrato tinha validade de cinco anos.

Depois da repercussão da reportagem, a Prefeitura passou a apresentar outra fundamentação, baseada na possibilidade legal de futuras prorrogações.

Enquanto essa divergência não for esclarecida de forma objetiva, permanece a pergunta que motivou toda a investigação:

Afinal, o contrato assinado dizia que tinha validade de cinco anos ou essa passou a ser apenas uma justificativa apresentada posteriormente pela administração?

Transcrição da Fala da Secretária Marianna Mourão 

Lembrando que quando a gente fala que é R$ 13 milhões, realmente a gente tem um valor global de R$ 13 milhões, (0:05) só que no corpo de um contrato, que ele puder ler todo o esboço do chamamento, (0:09) esse contrato tem uma validade de 5 anos. Então, eu tenho que contar a previsão de cada ano. (0:15) Se a gente for contar a previsão de cada ano, a gente tem cerca de R$ 2 milhões por ano que a gente gasta na saúde.

(0:21) Lembrando que quando a gente fala desse tipo de chamamento, quando a gente engloba R$ 13 milhões, (0:25) a gente tem que ver que nesse processo que foi feito, tem as quantidades de cargos. (0:29) Então, eu tenho 53 vagas de cargos para a contratação. (0:32) Dentro delas, eu tenho que prever tanto a vaga imediata quanto a vaga de cadastro-reserva, (0:37) porque a gente sabe que é muito volátil, né? A gente tem uma troca muito grande profissional, tá? 


Integra da Nota Oficial 

NOTA DE ESCLARECIMENTO

A SECRETARIA MUNICIPAL DE SAÚDE DE TAQUARAL DE GOIÁS, diante de informações recentemente divulgadas acerca do Termo de Colaboração nº 01/2026, vem prestar os seguintes esclarecimentos à população.

1. DA NATUREZA JURÍDICA DA PARCERIA

O instrumento celebrado entre o Município e a Organização da Sociedade Civil não constitui contrato administrativo comum submetido exclusivamente à Lei nº 14.133/2021. Trata-se de um Termo de Colaboração, regido primordialmente pela Lei nº 13.019/2014, que disciplina as parcerias entre o Poder Público e as organizações da sociedade civil.

A própria legislação exige que o termo contenha, entre suas cláusulas essenciais, a indicação da vigência e das hipóteses de prorrogação, além de estabelecer que o plano de trabalho integra o instrumento de forma indissociável.

Também é requisito legal para a celebração da parceria a indicação expressa da existência de prévia dotação orçamentária, bem como a aprovação do plano de trabalho e a emissão dos pareceres técnico e jurídico pertinentes. 

Nota de Esclarecimento - Termo de Colaboracao 01-2026 - Vigencia e Prorrogacao.pdf


2. DA VIGÊNCIA E DO EXERCÍCIO FINANCEIRO

É necessário distinguir duas questões que vêm sendo indevidamente confundidas: vigência jurídica da parceria e execução orçamentária em cada exercício financeiro.

O valor global estimado de R$ 13.436.664,00 não significa que todo esse montante seja automaticamente desembolsado de uma só vez, tampouco que a despesa possa ser executada sem observância das dotações, dos empenhos, do cronograma de desembolso e das leis orçamentárias de cada exercício.

A Lei nº 14.133/2021 estabelece que a duração contratual deve observar o edital e que, no momento da contratação e a cada exercício financeiro, devem ser verificadas a disponibilidade de créditos orçamentários e, quando ultrapassado um exercício, a previsão no plano plurianual.

Por essa razão, a previsão de encerramento em 31 de dezembro de 2026, quando mencionada no contexto das manifestações administrativas, relaciona-se à programação orçamentária, ao empenho e ao encerramento do exercício financeiro de 2026.

Contudo, a nota ressalva que:

“A leitura dos documentos encaminhados indica que o Termo de Colaboração e seu plano de trabalho consignam término em 31 de dezembro de 2027, enquanto o edital contém referência a período distinto.”

A Administração afirma ainda que a vigência deve ser interpretada conjuntamente com o plano de trabalho, o cronograma de desembolso, as dotações orçamentárias e os atos posteriores regularmente formalizados. 

Nota de Esclarecimento - Termo de Colaboracao 01-2026 - Vigencia e Prorrogacao.pdf


3. DA POSSIBILIDADE DE PRORROGAÇÃO

A nota afirma que a legislação não transforma a prorrogação em ato automático.

Cita o artigo 55 da Lei nº 13.019/2014 para demonstrar que a vigência pode ser alterada mediante solicitação formal e justificada ou prorrogada de ofício quando houver atraso na liberação de recursos.

Em seguida, registra expressamente:

“Portanto, a afirmação de que a parceria pode ser prorrogada não equivale a afirmar que ela já possua, desde a origem, duração efetiva de cinco anos.”

A nota também cita o artigo 106 da Lei nº 14.133/2021 para explicar que contratos de serviços contínuos podem ter prazo de até cinco anos, desde que observadas as exigências legais.

Na sequência, esclarece:

“Esse prazo de cinco anos constitui limite legal possível, e não duração obrigatória ou automaticamente incorporada ao instrumento.”

Depois acrescenta:

“Assim, a maneira tecnicamente correta de expressar a questão é: a parceria possui vigência formal definida no instrumento atualmente vigente, podendo ser prorrogada, mediante os requisitos legais, até o limite temporal juridicamente admissível, inclusive cinco anos, quando aplicável ao regime jurídico e ao objeto, sem que isso signifique que os cinco anos já estejam integralmente contratados.”

A nota ainda destaca a cláusula 6.4 do Termo de Colaboração:

“O presente termo poderá ser prorrogado, mediante justificativa e termo aditivo, na forma da legislação aplicável.”

Segundo a Secretaria, essa redação confirma que eventual prorrogação depende de justificativa formal, interesse público, disponibilidade orçamentária e celebração de termo aditivo. 

Nota de Esclarecimento - Termo de Colaboracao 01-2026 - Vigencia e Prorrogacao.pdf


4. DA IMPROCEDÊNCIA DA ACUSAÇÃO DE CONTRADIÇÃO

A Secretaria afirma que é improcedente dizer que a secretária de Saúde fez declarações em desacordo com o processo administrativo ou com a legislação.

Sustenta que as manifestações públicas foram prestadas considerando a natureza continuada do serviço, a execução por exercícios financeiros sucessivos e a possibilidade legal de prorrogação.

A nota afirma ainda que:

“A tentativa de apresentar como contradição aquilo que é, na realidade, uma distinção técnica entre vigência inicial, exercício financeiro, execução orçamentária e possibilidade de prorrogação revela interpretação incompleta do regime jurídico aplicável.”

Também registra:

“Não se pode transformar uma referência à duração potencial da parceria em alegação de que já existiria contrato irrevogável de cinco anos.” 

Nota de Esclarecimento - Termo de Colaboracao 01-2026 - Vigencia e Prorrogacao.pdf


5. CONCLUSÃO

Na conclusão, a Secretaria reafirma que:

  • não houve declaração dissociada do processo administrativo;
  • o valor global não se confunde com desembolso imediato;
  • a execução depende dos exercícios financeiros e dos créditos orçamentários;
  • eventual continuidade da parceria exige formalização própria.

Por fim, afirma respeitar o controle social e a liberdade de imprensa, mas sustenta que divergências interpretativas não podem ser apresentadas como falsidade, má-fé ou desvio de finalidade.

A nota encerra dizendo que o Termo de Colaboração, seus anexos, plano de trabalho, pareceres, empenhos e eventuais aditivos permanecem sujeitos à fiscalização dos órgãos competentes e ao acesso público, nos limites legais.

Taquaral de Goiás, 07 de agosto de 2026.

Marianna Mourão Baptista
Secretária Municipal de Saúde de Taquaral de Goiás.