segunda-feira, 29 de dezembro de 2025

Rafael Lara falha como presidente e a OAB-GO perde a autoridade moral

OAB-GO ajoelhada ao poder: a covardia institucional de Rafael Lara no caso Rodolfo Caiado

Quando o presidente da Ordem perde a independência, a advocacia perde a voz — e a sociedade, a confiança

A Ordem dos Advogados do Brasil não é um clube social, nem um puxadinho do poder político. A OAB existe para defender a Constituição, a legalidade, a ética e a dignidade da advocacia, inclusive — e principalmente — quando isso exige enfrentar poderosos. Quando a Ordem se cala, tergiversa ou relativiza fatos graves, ela trai sua própria razão de existir.


Foi exatamente isso que ocorreu no caso envolvendo o advogado Rodolfo Caiado, sobrinho do governador de Goiás, flagrado em agressão física registrada em vídeo, em um episódio que teria ocorrido na presença de crianças. O fato é público, visual, concreto. Não depende de interpretação subjetiva, nem de versões contraditórias: as imagens falam por si.


Ainda assim, a OAB-GO, sob a presidência de Rafael Lara, escolheu um caminho que não honra a instituição que comanda.





A nota que envergonha a advocacia


A reação oficial da OAB-GO foi classificar o episódio como um “desentendimento” envolvendo “supostas agressões”, tratando o caso como se fosse um evento da “vida privada”. Essa escolha semântica não é inocente. É uma estratégia clássica de diluição da gravidade, usada quando se quer proteger alguém — especialmente quando esse alguém tem sobrenome pesado e conexões políticas óbvias.


Ao fazer isso, a OAB-GO ignorou o vídeo, minimizou a violência, desconsiderou o impacto sobre a vítima e normalizou uma agressão física, algo absolutamente incompatível com os princípios que regem a advocacia.


Violência não vira “desentendimento” porque o agressor é parente do governador.

Agressão filmada não vira “suposta” porque incomoda o poder.


Falta de independência: o problema central

O ponto mais grave deste episódio não é apenas a agressão em si — embora ela seja gravíssima. O verdadeiro escândalo é a postura submissa do presidente da OAB-GO, que demonstra não ter independência política, institucional ou moral para exercer o cargo que ocupa.


A presidência da OAB exige autonomia, coragem e pulso firme. Exige capacidade de agir contra qualquer advogado que viole os princípios éticos da profissão, independentemente de sobrenomes, alianças ou relações de poder.


Rafael Lara mostrou que não tem essa independência.


Ao optar por uma nota tímida, relativizadora e evasiva, ele deixou claro que:


  • não enfrenta o poder;
  • não protege a imagem da advocacia;
  • não age com igualdade de critérios;
  • e não cumpre integralmente o papel institucional que o cargo exige.

Quando o presidente da OAB mede palavras para não desagradar o Palácio, a Ordem deixa de ser instituição e passa a ser instrumento político.

Dois pesos, duas medidas

A pergunta que ecoa — e não pode ser ignorada — é simples e direta:

👉 Se o agressor fosse um advogado comum, sem parentesco com o governador, a reação da OAB seria a mesma?

A experiência mostra que não.

A advocacia goiana já viu casos em que advogados sem proteção política foram rapidamente expostos, processados e punidos, muitas vezes por condutas muito menos graves. No caso Rodolfo Caiado, o que se viu foi o oposto: silêncio elegante, nota protocolar e complacência institucional.

Isso tem nome: dois pesos e duas medidas.


O papel que a OAB abandonou


A OAB não existe para proteger advogados violentos.

Existe para zelar pela ética, pela dignidade da profissão e pela paz social.

Quando a Ordem relativiza agressão física — ainda mais diante de menores — ela envia uma mensagem perigosa: a de que o poder político pode comprar silêncio institucional.

Ao classificar violência como “vida privada”, a OAB-GO abdica de sua função constitucional e se afasta da sociedade que deveria defender.


Uma liderança fraca compromete toda a instituição

O episódio revela algo ainda mais profundo: Rafael Lara não tem o perfil que o cargo exige. Falta-lhe independência. Falta-lhe firmeza. Falta-lhe coragem institucional.

A OAB-GO, sob sua gestão, não se mostrou capaz de:

  • enfrentar um caso sensível;
  • agir com isonomia;
  • sustentar princípios acima de conveniências políticas.


E quando o presidente da Ordem se mostra incapaz de punir um advogado poderoso, toda a advocacia paga a conta — em credibilidade, em respeito e em confiança social.


A advocacia não precisa de presidentes que se ajoelham ao poder.

Precisa de líderes que honrem a toga moral do cargo, mesmo quando isso custa desconforto político.

No caso Rodolfo Caiado, a OAB-GO falhou.

E a responsabilidade tem nome e sobrenome: Rafael Lara.

No Blog do Cleuber Carlos, não se normaliza violência, não se relativiza ética e não se aceita uma OAB de joelhos.


segunda-feira, 22 de dezembro de 2025

Moisés Nunca Existiu: O Silêncio da História, da Ciência e da Arqueologia

Sem registros, sem provas e sem vestígios: como a figura central da tradição bíblica resiste apenas no campo da fé

Durante séculos, a figura de Moisés foi apresentada como um fato histórico incontestável. Líder, legislador, profeta. O homem que teria desafiado o Egito, conduzido um povo pelo deserto e recebido leis diretamente de Deus. Mas quando a fé é retirada da equação e o tema é submetido ao método científico, à arqueologia e à história comparada, o que sobra é um dado incômodo: não há qualquer prova histórica ou científica da existência de Moisés.


E o que existe, na verdade, é um silêncio ensurdecedor.

O Egito registrava tudo — menos Moisés

O Egito Antigo é uma das civilizações mais bem documentadas da história. Registros administrativos, inscrições em templos, estelas comemorativas, listas de povos derrotados, crises internas, revoltas, secas, epidemias e até greves de trabalhadores chegaram até os dias atuais.

No entanto, não há uma única menção a Moisés.

Não há registro das dez pragas.

Não há relato de uma fuga em massa de escravizados hebreus.

Não há menção a um colapso econômico ou militar decorrente do Êxodo.

E isso não é detalhe. Um evento da magnitude descrita na Bíblia — com centenas de milhares de pessoas deixando o Egito — seria impossível de ocultar nos arquivos administrativos de uma potência imperial.

A arqueologia também não encontrou Moisés

Escavações realizadas ao longo de décadas no Sinai e em Canaã não encontraram:

  • vestígios de acampamentos compatíveis com 40 anos no deserto;
  • restos materiais de uma migração em massa;
  • objetos, inscrições ou sepultamentos associados a Moisés.

O que a arqueologia mostra, ao contrário da narrativa bíblica, é que os antigos israelitas surgem gradualmente em Canaã, sem sinais de invasão externa ou êxodo coletivo.

Ou seja: o povo não saiu do Egito — ele sempre esteve ali.

O texto bíblico não é contemporâneo aos fatos

Outro ponto ignorado pelos discursos religiosos é que os livros atribuídos a Moisés não foram escritos na época em que ele teria vivido.

A crítica textual moderna demonstra que:

  • a Torá foi redigida e compilada entre os séculos IX e V a.C.;
  • por múltiplos autores;
  • com interesses políticos, religiosos e identitários claros.

O Êxodo não é um diário histórico. É uma construção narrativa posterior, escrita para legitimar leis, hierarquias e autoridade religiosa.

Moisés como figura política, não histórica

Para a maioria dos historiadores e antropólogos, Moisés se encaixa melhor em outro perfil: o do fundador simbólico.

Culturas antigas frequentemente criavam personagens fundadores para:

  • unificar tribos;
  • atribuir origem divina às leis;
  • impedir questionamentos (“a lei não vem dos homens, vem de Deus”);
  • consolidar poder religioso.

Não é coincidência que códigos legais anteriores, como o de Hamurábi, apresentem normas quase idênticas às atribuídas a Moisés. A diferença não está no conteúdo, mas na estratégia de autoridade.

A pergunta que incomoda: por que isso nunca é dito?

Porque admitir a inexistência de Moisés como personagem histórico desestabiliza narrativas de poder, não apenas religiosas, mas culturais e políticas.

Não se trata de atacar a fé de ninguém. Trata-se de separar:

  • fé (esfera pessoal),
  • de fato histórico (esfera pública).

Quando instituições apresentam personagens sem comprovação como fatos incontestáveis, o debate deixa de ser espiritual e passa a ser intelectual.

Opinião: a verdade não destrói a fé — mas destrói mitos de controle

Reconhecer que Moisés não é comprovado historicamente não enfraquece valores morais. O que enfraquece sociedades é sustentar verdades absolutas sem lastro na realidade.

A moral humana não nasceu em tábuas de pedra. Ela nasceu da convivência, do conflito e da necessidade de sobrevivência coletiva.

Moisés, ao que tudo indica, não foi um homem de carne e osso, mas uma ideia poderosa. E ideias, quando não questionadas, tornam-se ferramentas de controle.

A ciência não precisa provar que Moisés não existiu.

Basta constatar que ninguém jamais conseguiu provar que ele existiu.

E, no jornalismo sério, o ônus da prova sempre pertence a quem afirma.

sábado, 20 de dezembro de 2025

O Duto Oculto do Combustível: O Petrolão de Ronaldo Caiado

O Duto Oculto do Combustível: Senador Canedo pode estar no centro de uma fraude muito maior

Denúncia de funcionário expôs dutos clandestinos; indícios apontam conivência institucional e levantam suspeita de roubo sistemático de combustível


O que começou como uma apuração ambiental no Distrito Agroindustrial de Senador Canedo, em Goiás, pode se revelar apenas a ponta de um iceberg de proporções nacionais. A descoberta de dutos subterrâneos clandestinos para transferência de combustíveis, revelada após operação coordenada pelo Ministério Público de Goiás (MPGO), levanta agora suspeitas que extrapolam a esfera ambiental e alcançam o núcleo do controle fiscal, regulatório e patrimonial do setor de combustíveis no Brasil.


Quando o crime é bilionário, o silêncio do poder deixa de ser coincidência



O escândalo dos dutos clandestinos de combustíveis em Senador Canedo não pode ser tratado como um episódio isolado, tampouco como uma mera irregularidade ambiental. Pela escala, complexidade logística e potencial financeiro envolvidos, trata-se de um crime de proporções bilionárias, comparável — em impacto econômico — a grandes esquemas históricos do setor petrolífero nacional.


E é exatamente por isso que o caso projeta uma sombra incômoda sobre a administração do governador Ronaldo Caiado.


Estruturas subterrâneas capazes de transferir grandes volumes de combustíveis, operando de forma continuada, fora dos sistemas formais de controle fiscal, não surgem nem sobrevivem no vácuo institucional. Elas exigem tempo, planejamento técnico, fluxo financeiro elevado e, sobretudo, ausência deliberada de fiscalização efetiva.


Nesse contexto, cresce o questionamento inevitável:

como um esquema dessa magnitude poderia funcionar sob o atual governo sem o conhecimento — ou a participação — de agentes estratégicos da máquina estadual?


Não se trata de acusação direta, mas de uma constatação lógica: crimes dessa natureza não atravessam anos sem deixar rastros na Secretaria da Economia. Cada litro de combustível movimentado gera reflexos tributários, notas fiscais, créditos, débitos, cruzamentos eletrônicos e alertas automáticos. Ignorar isso é sugerir que todo o sistema de controle falhou simultaneamente — ou que alguém escolheu não enxergar.


A recorrente postura do governo estadual diante de escândalos complexos, marcada por silêncio, minimização e ausência de respostas públicas contundentes, volta a se repetir. Mais uma vez, a administração age como se nada estivesse acontecendo, mesmo diante de indícios robustos de um esquema que só se sustenta com conivência institucional ou omissão qualificada.


Quando o crime alcança cifras bilionárias, a omissão deixa de ser falha administrativa e passa a ser elemento central da investigação.


E é sob essa luz que o caso Senador Canedo precisa ser analisado: não apenas como um problema local ou empresarial, mas como um teste direto à integridade do sistema de fiscalização econômica do Estado de Goiás durante o governo Caiado.


Porque, em crimes dessa escala, a pergunta mais importante raramente é quem construiu o duto —

mas quem permitiu que ele funcionasse.


Segundo informações apuradas, a investigação teve início a partir da denúncia formal de um funcionário, que decidiu romper o silêncio e apontar a existência de uma estrutura subterrânea irregular utilizada para movimentação de combustíveis fora dos meios convencionais de transporte e rastreamento. A partir daí, uma força-tarefa envolvendo MPGO, Agência Nacional do Petróleo (ANP), Polícia Civil e órgãos ambientais deflagrou fiscalização que resultou na interdição de terminais e na abertura de procedimentos investigativos.

Mas o que veio à tona levanta uma questão ainda mais grave: é praticamente impossível que uma estrutura desse porte tenha operado sem conhecimento — ou tolerância — de agentes públicos e institucionais.

Dutos clandestinos: muito além de uma infração ambiental

Os dutos identificados, segundo informações divulgadas a partir da operação, teriam sido instalados para permitir a transferência direta de produtos como etanol, gasolina e diferentes tipos de diesel entre empreendimentos ligados ao mesmo grupo econômico, incluindo estruturas atribuídas à Phoenix/Fênix e à Dinâmica Terminais de Combustíveis (DTC). Há relatos de que parte dessa tubulação atravessaria vias públicas, sem licença ambiental estadual válida.

Em um setor altamente regulado, onde cada litro movimentado deixa rastro fiscal, contábil e regulatório, a existência de uma “rota invisível” subterrânea não é apenas irregular — é estratégica.

Esse tipo de estrutura pode representar:

Risco ambiental elevado, com possibilidade de vazamentos subterrâneos de inflamáveis;

Burla deliberada de licenças e condicionantes ambientais;

Vantagem econômica indevida, ao reduzir custos logísticos e ampliar capacidade operacional;

E, no limite, indícios compatíveis com fraude estruturada, inclusive de natureza tributária e patrimonial.


A denúncia que mudou tudo — e o silêncio que cerca o resto

Um dado crucial diferencia esse caso de outros episódios de irregularidade administrativa: a investigação não começou por auditoria de rotina, mas por denúncia interna. Um funcionário resolveu falar.

Isso reforça a percepção de que o que foi descoberto pode ser apenas uma fração do que realmente existe. Dutos subterrâneos demandam projeto, obra, manutenção, testes e operação contínua. Não são improvisações. São investimentos de alto custo e longa duração.

E aqui surge a pergunta que incomoda autoridades e empresas:

como uma estrutura desse tipo funcionaria por tempo suficiente para se pagar sem que ninguém visse?

Indícios de conivência institucional

Fontes e elementos preliminares da apuração levantam suspeitas de que autoridades já tinham conhecimento da existência desses dutos. Se confirmada, essa informação altera radicalmente o enquadramento do caso.

Há indícios de possível conivência ou omissão envolvendo:

Órgãos ambientais do município de Senador Canedo;

Estruturas estaduais de fiscalização ambiental;

Órgãos fazendários e fiscais ligados à Secretaria da Economia;

Agentes responsáveis pelo controle da cadeia logística e fiscal de combustíveis.

Mais grave ainda: pela natureza do sistema, nenhuma transferência relevante de combustível ocorre sem interação com grandes players da cadeia, o que levanta questionamentos legítimos sobre o papel de agentes vinculados a empresas distribuidoras e operadoras, incluindo estruturas relacionadas à Transpetro e grandes marcas do setor, como a Shell — não como acusação direta, mas como necessidade objetiva de esclarecimento institucional.

A hipótese mais sensível: roubo de combustível

Investigadores não descartam — ainda como hipótese — que os dutos clandestinos possam esconder um crime ainda maior: o desvio ou roubo sistemático de combustível, com posterior inserção no mercado formal.

Se comprovado, o esquema deixaria de ser apenas uma fraude regulatória para se enquadrar como:

Crime contra a ordem econômica;

Crime contra a ordem tributária;

Possível organização criminosa, dependendo do grau de participação e da cadeia de comando.

Nesse cenário, o duto não seria o fim, mas o meio físico de uma engrenagem muito mais ampla.

Quando a ANP entra, o caso muda de nível

A participação da Agência Nacional do Petróleo não é simbólica. A ANP atua quando há risco sistêmico ao mercado, à segurança e à rastreabilidade da cadeia de combustíveis.

Historicamente, operações com esse perfil resultam em:

Multas milionárias;

Suspensão ou cassação de autorizações;

Encaminhamentos ao Ministério Público Federal;

E desdobramentos criminais de longo alcance.

O que vem agora

O MPGO já deixou claro que o procedimento não se encerra com o lacre das instalações. Pelo contrário: agora começam as fases mais sensíveis da apuração — perícias técnicas, análise documental, cruzamento de dados fiscais, rastreamento de volumes e oitivas de responsáveis.

Em outras palavras:

o caso começa exatamente onde a fiscalização terminou.

Se confirmadas as suspeitas, Senador Canedo pode estar no centro de um dos maiores escândalos logísticos do setor de combustíveis dos últimos anos, com reflexos que ultrapassam Goiás e alcançam o debate nacional sobre captura regulatória, fiscalização seletiva e blindagem institucional.

Porque, no Brasil, grandes esquemas raramente vêm à tona por completo de uma vez.

Quase sempre, o que aparece primeiro é só a ponta do iceberg.

A Porta Giratória da CVM: BRB, Banco Master e o Escritório que Transita Entre Regulador e Regulados

A contratação feita pelo Banco de Brasília (BRB) para atuar em sua defesa junto à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) não é apenas um ato administrativo. Quando analisada com atenção, ela se transforma em uma janela rara para dentro de um sistema que opera longe do público, mas perigosamente próximo do poder regulatório.

O que começa como um contrato de advocacia termina como um debate nacional sobre porta giratória, captura institucional, assimetria de acesso ao regulador e a fragilidade da transparência quando dinheiro público, mercado financeiro e estruturas privadas de alto trânsito se cruzam.

1. O fato inicial: um contrato que não se explica sozinho

O BRB, banco controlado pelo Governo do Distrito Federal, firmou o Contrato nº 246/2025 com o escritório Loria e Kalansky Sociedade de Advogados, para atuar na defesa dos interesses do banco dentro da CVM.

O contrato recebeu um aditivo de 25%, publicado no Diário Oficial do DF.

O que não foi publicado:

o valor do contrato;

o valor do aditivo;

os processos específicos que estão sendo defendidos;

os pareceres técnicos que embasaram a contratação;

qualquer análise pública de potencial conflito de interesses.

Em se tratando de um banco estatal, isso por si só já exigiria explicações.

Mas o problema real surge quando se observa quem foi contratado.

2. Defesa dentro do regulador por ex-dirigente do próprio regulador

Um dos sócios do escritório contratado, Eli Loria, foi diretor da própria CVM, participando por anos de julgamentos, decisões estratégicas e da condução institucional da autarquia.

Hoje, o escritório do qual ele é sócio atua defendendo um banco público exatamente dentro do órgão que ele ajudou a dirigir.

É fundamental ser preciso:

não se afirma ilegalidade;

não se acusa favorecimento direto;

não se questiona a capacidade técnica do profissional.

O que se questiona é a saúde institucional do sistema.

Em mercados regulados, a aparência de independência é tão relevante quanto a independência formal. Quando ex-dirigentes passam a atuar dentro do próprio regulador representando interesses poderosos — e especialmente interesses públicos — a transparência precisa ser absoluta.

Ela não foi.

3. O contexto omitido: o BRB está sob escrutínio da CVM

O contrato não foi firmado em um cenário abstrato.

O BRB e integrantes de sua governança figuram em processos sancionadores, comunicações ao mercado e julgamentos públicos na CVM.

Ou seja:

não se trata de consultoria preventiva,

mas de defesa em ambiente real de fiscalização e risco regulatório.

Isso torna ainda mais grave a ausência de informações sobre:

quais processos estão sendo defendidos;

por que houve ampliação contratual;

quanto o contribuinte está pagando.

4. Quando o caso deixa de ser isolado: o Banco Master entra no radar

É aqui que a história ganha densidade nacional.

O Banco Master surge neste debate não por vínculo direto com o BRB, mas por similaridade estrutural:

operações financeiras complexas;

atuação em ambientes de elevado risco regulatório;

uso recorrente de advocacia regulatória estratégica;

circulação dos mesmos escritórios e profissionais em disputas sensíveis.

O padrão é conhecido no mercado:

quando a pressão do regulador aumenta, não se contrata advocacia comum — contrata-se trânsito institucional.

5. João Carlos Mansur: o nome que conecta ambientes, não contratos

Nesse mesmo ecossistema surge, de forma recorrente, o nome João Carlos Mansur.

Não como réu.

Não como acusado formal.

Mas como operador econômico presente nos bastidores onde ativos estressados, disputas patrimoniais intensas e decisões regulatórias relevantes se encontram.

O ponto investigativo não é pessoal.

É estrutural.

Por que determinados nomes aparecem sempre quando o assunto envolve CVM, bancos sob escrutínio e litígios de alto impacto?

O jornalismo sério não afirma o que não pode provar.

Mas também não ignora padrões reiterados.

6. Onde os caminhos se cruzam: Mansur, Daniel Vorcaro, BRB e a advocacia de alto trânsito

É neste ponto que os fatos deixam de ser isolados e passam a formar um mesmo ecossistema de poder.

De um lado:

o BRB, banco público, sob escrutínio da CVM, que contrata um escritório ligado a ex-dirigente da autarquia, amplia contrato em 25% e não divulga valores.

De outro:

o Banco Master, instituição privada que opera em estruturas financeiras sofisticadas, cujo diretor, Daniel Vorcaro, aparece de forma recorrente em ambientes onde a advocacia regulatória estratégica é decisiva.

E orbitando esses ambientes:

João Carlos Mansur, associado a operações envolvendo ativos estressados, disputas patrimoniais complexas e litígios que dependem diretamente do tempo e do comportamento do Estado.

A pergunta que emerge é inevitável — e legítima:

João Carlos Mansur atua, direta ou indiretamente, em operações envolvendo ativos ligados a Daniel Vorcaro ou ao Banco Master?

Existe relação econômica, coordenação estratégica ou complementaridade operacional entre esses agentes?

Até o momento, não há esclarecimento público objetivo que responda a essas questões.

7. A entrada da REAG no mesmo ecossistema

É nesse mesmo ambiente que surge a REAG Investimentos.

Não como um caso isolado, mas como mais um ator presente em estruturas financeiras sofisticadas, reorganizações patrimoniais, gestão de ativos complexos e operações que exigem leitura refinada do ambiente regulatório.

Não se afirma que a REAG atue para o BRB.

Não se afirma vínculo formal com Mansur ou Daniel Vorcaro.

O que se observa é que todos esses nomes passam a coexistir no mesmo ecossistema institucional, onde:

ativos estressados circulam;

decisões da CVM são determinantes;

e o trânsito dentro do regulador se torna diferencial competitivo.

8. A engrenagem invisível: não é contrato, é método

Quando os elementos são analisados em conjunto, o desenho se repete:

bancos entram no radar do regulador;

contratam escritórios ligados a ex-dirigentes;

processos se alongam e se tecnificam;

valores pagos permanecem ocultos;

o debate público desaparece.

📌 Não é conspiração. É método.

9. Enforcement seletivo: a pergunta que a CVM evita responder

No mercado financeiro, a percepção é clara:

Alguns enfrentam:

multas rápidas;

julgamentos duros;

exposição pública.


Outros:

negociam termos;

prolongam processos;

resolvem tudo longe dos holofotes.


A pergunta central permanece:


Todos chegam à CVM com as mesmas condições de defesa?

Ou alguns chegam com mapa interno, atalhos institucionais e advogados que conhecem a casa por dentro?

10. O caso BRB sob a lente correta

À luz desse sistema, o contrato do BRB deixa de ser técnico e passa a ser simbólico.

Um banco público:

contrata defesa dentro do regulador;

escolhe escritório ligado a ex-dirigente da CVM;

amplia contrato em 25%;

não divulga valores;

não apresenta análise pública de conflito de interesses.

Isso não é transparência.

É opacidade institucional.

11. O que o contribuinte brasileiro ainda não sabe

Até agora, seguem sem resposta:

quanto custa a defesa do BRB na CVM;

quais processos estão sendo defendidos;

por que houve aditivo;

quais riscos reputacionais foram avaliados;

quais salvaguardas institucionais foram adotadas.

O dinheiro é público.

O silêncio também.

QUANDO O PROBLEMA NÃO É UM BANCO, É O SISTEMA

Esta matéria não acusa pessoas.

Ela expõe um modelo de funcionamento.

BRB, Banco Master, João Carlos Mansur, Daniel Vorcaro, REAG e escritórios de ex-reguladores não são a mesma história, mas revelam o mesmo ecossistema, onde poucos concentram trânsito, informação e poder dentro do regulador — e onde a transparência sempre fica para depois.

Regulação sem confiança é ficção.

E confiança não sobrevive à sombra.

🔴 NOTA EDITORIAL

Pedidos formais de acesso à informação já foram protocolados junto ao BRB e à CVM.

Esta matéria será atualizada assim que os documentos forem liberados.