sábado, 7 de março de 2026

PREFEITURA DE PARAÍBA DO SUL PAGA R$ 615 MIL A MAIS EM COMBUSTÍVEL

 MAIS CARO COM DINHEIRO PÚBLICO: DECISÃO DA PREFEITURA DE PARAÍBA DO SUL LEVANTA DÚVIDAS SOBRE GASTO COM COMBUSTÍVEL

Quando o dinheiro é público, pagar mais caro nunca é uma decisão neutra. É uma escolha que precisa de explicação.

Em Paraíba do Sul, no interior do Rio de Janeiro, uma decisão administrativa tomada pela gestão do prefeito Canelinha começou a levantar questionamentos que vão muito além da rotina burocrática da prefeitura. A mudança no modelo de compra de combustível da frota municipal elevou o custo anual em aproximadamente R$ 615 mil.

E isso não é estimativa abstrata. É matemática básica.

Antes, o município adquiria combustível diretamente de uma distribuidora atacadista, com valores significativamente menores. Agora, a prefeitura passou a comprar de um posto revendedor, com preços mais elevados.

Os números mostram o tamanho da diferença.

O diesel S10, que era adquirido por R$ 5,90, passou para R$ 6,49.

A gasolina comum, que custava R$ 5,65, também passou a R$ 6,49.

Pode parecer pouco quando se olha apenas para o valor por litro. Mas quando se coloca isso sobre o consumo anual de uma frota municipal inteira, o impacto cresce rapidamente.

A conta estimada aponta:

  • cerca de R$ 354.885 a mais por ano em diesel
  • aproximadamente R$ 260.400 a mais por ano em gasolina

Resultado: um aumento anual de cerca de R$ 615.285.

Se mantido ao longo de um mandato completo, o custo adicional pode ultrapassar R$ 2,4 milhões.

Em qualquer administração pública, números dessa dimensão não passam despercebidos.

Especialistas em gestão pública lembram que a legislação brasileira não trata licitações e contratos como mera formalidade administrativa. A Lei de Licitações estabelece princípios claros: economicidade, eficiência e escolha da proposta mais vantajosa para o interesse público.

Isso significa que, sempre que uma administração decide trocar um fornecedor mais barato por outro mais caro, surge automaticamente uma exigência institucional: explicar tecnicamente por quê.

A pergunta central, portanto, não é ideológica nem política. É administrativa.

Por qual motivo a prefeitura deixou de adquirir combustível de uma distribuidora com preços menores e passou a comprar de um posto revendedor com valores superiores?

Houve estudo técnico comparativo entre as opções?

Existe nota técnica justificando o impacto financeiro adicional?

O controle interno da prefeitura analisou a decisão?

Quais critérios foram utilizados para concluir que pagar mais seria, ainda assim, a melhor solução para o município?

Essas perguntas ganham peso adicional em um contexto sensível para as contas públicas da cidade.

Relatos de fornecedores apontam dificuldades para recebimento de pagamentos pendentes da prefeitura. Ou seja, ao mesmo tempo em que há cobranças e atrasos relatados, a administração assume um compromisso contratual que amplia o gasto anual com combustível.

É exatamente nesse ponto que a questão deixa de ser apenas administrativa e passa a ser institucional.

Dinheiro público não é um detalhe contábil. É recurso que sai diretamente do contribuinte.

E quando uma decisão administrativa eleva gastos de forma tão expressiva, o mínimo que se espera do poder público é transparência absoluta sobre os motivos da escolha.

A pergunta, portanto, permanece aberta:

qual foi o critério técnico que justificou pagar mais caro pelo combustível da frota municipal de Paraíba do Sul?

Porque quando se trata de dinheiro público, pagar mais nunca pode ser apenas uma decisão silenciosa. É uma decisão que precisa ser explicada.


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