Disputa pelo comando do projeto ao governo já divide base municipal e chega à direção nacional do partido
O que parecia um simples debate estratégico dentro do Partido Liberal em Goiás evoluiu para um embate direto pelo controle do projeto estadual da legenda.
Nos bastidores, o deputado federal Gustavo Gayer passou a atuar para impedir a consolidação do nome do senador Wilder Moraes como pré-candidato ao governo de Goiás. A alternativa defendida por ele seria uma aliança com o vice-governador Daniel Vilela (MDB).
A movimentação não foi bem recebida por prefeitos do próprio PL — e o conflito deixou de ser reservado.
A RESISTÊNCIA MUNICIPAL
Prefeitos do partido questionam dois pontos centrais:
- Coerência ideológica
- Construção política verticalizado
Daniel Vilela mantém diálogo com lideranças como Aava Santiago e Elias Vaz (PSB), além de já ter declarado apoio a Luiz Inácio Lula da Silva e participado da campanha de Dilma Rousseff quando deputado federal.
Para parte da base do PL, que se identifica fortemente com o campo conservador, a aproximação é vista como desalinhamento estratégico.
A pergunta feita nos bastidores é clara:
Se o PL é o principal polo da direita em Goiás, por que abrir mão de candidatura própria para compor com um nome percebido como moderado ou próximo da centro-esquerda?
A insatisfação não ficou no discurso.
A FRASE QUE AGRAVOU A CRISE
Segundo relatos de fontes presentes em reunião interna, ao ser pressionado por um prefeito sobre a incoerência da aproximação, Gustavo Gayer teria respondido:
“Quando se está no inferno, que mal faz abraçar o capeta?”
A frase, atribuída ao parlamentar por interlocutores, gerou desconforto imediato e ampliou a tensão interna.
Importante registrar: a declaração circula como relato de bastidor e não foi confirmada oficialmente pelo deputado.
Mas o impacto político foi concreto.
Prefeitos interpretaram a fala como sinal de pragmatismo extremo — e como desconsideração da identidade ideológica defendida publicamente pelo partido.
A RESPOSTA VEIO EM BLOCO
Nesta terça-feira (10), prefeitos e lideranças municipais do PL foram a Brasília e se reuniram com o presidente nacional da legenda, Valdemar Costa Neto, demonstrando apoio ao nome de Wilder Moraes como pré-candidato ao governo.
A reunião foi vista como contra-ataque direto à articulação pró-Daniel.
O gesto teve significado político claro: a base municipal quer protagonismo na decisão e não aceita imposição de estratégia construída por articulação individual.
GAYER ISOLADO?
Gustavo Gayer vai a Brasília nesta quarta-feira (11) para reunião com Valdemar Costa Neto.
A diferença simbólica chama atenção:
- ARTICULAÇÃO DE GAYER CONTRA WILDER PROVOCA Prefeitos foram em grupo.
- Gayer vai sozinho.
Na política interna, imagem importa. E a leitura que circula entre lideranças é de que o deputado enfrenta processo de desgaste e possível desidratação dentro do partido.
Não se trata de rompimento formal.
Mas de perda de consenso.
O QUE ESTÁ REALMENTE EM JOGO
A disputa não é apenas sobre 2026.
É sobre:
- Quem controla o projeto estadual do PL;
- Se o partido terá candidatura própria ou fará aliança estratégica;
- Qual será a identidade ideológica real da legenda em Goiás.
Há também um componente nacional: o PL precisa definir se prioriza fidelidade ideológica ou pragmatismo eleitoral.
A crise interna pode redefinir o tabuleiro estadual.
CENÁRIOS POSSÍVEIS
- Consolidação de Wilder como candidato próprio, fortalecendo ala municipal.
- Aliança com Daniel Vilela, se a direção nacional optar por composição ampla.
- Racha interno, com perda de unidade na base.
O que antes era articulação reservada agora virou disputa aberta.
E quando a guerra é interna, o desgaste é inevitável.
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