quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

ARTICULAÇÃO DE GAYER CONTRA WILDER PROVOCA RACHA DO PL EM GOIÁS

Disputa pelo comando do projeto ao governo já divide base municipal e chega à direção nacional do partido

O que parecia um simples debate estratégico dentro do Partido Liberal em Goiás evoluiu para um embate direto pelo controle do projeto estadual da legenda.

Nos bastidores, o deputado federal Gustavo Gayer passou a atuar para impedir a consolidação do nome do senador Wilder Moraes como pré-candidato ao governo de Goiás. A alternativa defendida por ele seria uma aliança com o vice-governador Daniel Vilela (MDB).

A movimentação não foi bem recebida por prefeitos do próprio PL — e o conflito deixou de ser reservado.

A RESISTÊNCIA MUNICIPAL

Prefeitos do partido questionam dois pontos centrais:

  1. Coerência ideológica
  2. Construção política verticalizado

Daniel Vilela mantém diálogo com lideranças como Aava Santiago e Elias Vaz (PSB), além de já ter declarado apoio a Luiz Inácio Lula da Silva e participado da campanha de Dilma Rousseff quando deputado federal.

Para parte da base do PL, que se identifica fortemente com o campo conservador, a aproximação é vista como desalinhamento estratégico.

A pergunta feita nos bastidores é clara:

Se o PL é o principal polo da direita em Goiás, por que abrir mão de candidatura própria para compor com um nome percebido como moderado ou próximo da centro-esquerda?

A insatisfação não ficou no discurso.

A FRASE QUE AGRAVOU A CRISE

Segundo relatos de fontes presentes em reunião interna, ao ser pressionado por um prefeito sobre a incoerência da aproximação, Gustavo Gayer teria respondido:

“Quando se está no inferno, que mal faz abraçar o capeta?”

A frase, atribuída ao parlamentar por interlocutores, gerou desconforto imediato e ampliou a tensão interna.

Importante registrar: a declaração circula como relato de bastidor e não foi confirmada oficialmente pelo deputado.

Mas o impacto político foi concreto.

Prefeitos interpretaram a fala como sinal de pragmatismo extremo — e como desconsideração da identidade ideológica defendida publicamente pelo partido.

A RESPOSTA VEIO EM BLOCO

Nesta terça-feira (10), prefeitos e lideranças municipais do PL foram a Brasília e se reuniram com o presidente nacional da legenda, Valdemar Costa Neto, demonstrando apoio ao nome de Wilder Moraes como pré-candidato ao governo.

A reunião foi vista como contra-ataque direto à articulação pró-Daniel.

O gesto teve significado político claro: a base municipal quer protagonismo na decisão e não aceita imposição de estratégia construída por articulação individual.

GAYER ISOLADO?

Gustavo Gayer vai a Brasília nesta quarta-feira (11) para reunião com Valdemar Costa Neto.

A diferença simbólica chama atenção:

  • ARTICULAÇÃO DE GAYER CONTRA WILDER PROVOCA Prefeitos foram em grupo.
  • Gayer vai sozinho.

Na política interna, imagem importa. E a leitura que circula entre lideranças é de que o deputado enfrenta processo de desgaste e possível desidratação dentro do partido.

Não se trata de rompimento formal.

Mas de perda de consenso.

O QUE ESTÁ REALMENTE EM JOGO

A disputa não é apenas sobre 2026.

É sobre:

  • Quem controla o projeto estadual do PL;
  • Se o partido terá candidatura própria ou fará aliança estratégica;
  • Qual será a identidade ideológica real da legenda em Goiás.

Há também um componente nacional: o PL precisa definir se prioriza fidelidade ideológica ou pragmatismo eleitoral.

A crise interna pode redefinir o tabuleiro estadual.

CENÁRIOS POSSÍVEIS

  1. Consolidação de Wilder como candidato próprio, fortalecendo ala municipal.
  2. Aliança com Daniel Vilela, se a direção nacional optar por composição ampla.
  3. Racha interno, com perda de unidade na base.

O que antes era articulação reservada agora virou disputa aberta.

E quando a guerra é interna, o desgaste é inevitável.



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