Filhotes abandonados na zona rural revelam uma gestão que se esconde atrás de protocolos, ameaça cidadãos e transforma a frieza administrativa em política oficial
As imagens são simples, diretas e devastadoras. Cinco filhotes de cachorro, ainda bebês, abandonados na zona rural de Senador Canedo. Terra seca, mato ralo, uma caixa plástica jogada no chão como último abrigo improvisado. Nenhuma água. Nenhuma comida. Nenhuma chance real de sobrevivência.
O que essas imagens mostram não é apenas crueldade humana individual. Elas revelam algo maior, mais grave e institucional: um município governado por um prefeito que não demonstra o menor apego pela causa animal.
O nome dele é Fernando Pellozo.
Quando o cidadão faz o papel do Estado — e o Estado reage com ameaça
Na manhã de segunda-feira, um cidadão encontrou os filhotes abandonados ao retornar de uma chácara. Não virou o rosto. Não fingiu que não viu. Fez exatamente o que o poder público deveria fazer: recolheu os animais e buscou ajuda institucional.
Foi recebido com um choque de realidade.
Na Secretaria Municipal do Meio Ambiente, a resposta foi seca, burocrática e reveladora:
Senador Canedo não tem política de acolhimento de animais abandonados.
Não tem abrigo.
Não tem triagem.
Não tem protocolo de emergência.
Não tem fluxo com ONGs.
E, pior: não parece ter interesse em ter.
A própria chefia de gabinete confirmou a inexistência de qualquer estrutura mínima. A omissão foi admitida sem constrangimento, como se fosse algo normal — quase aceitável.
A omissão que vira intimidação
O episódio poderia terminar como mais um retrato da incompetência administrativa. Mas foi além.
No pátio da secretaria, uma servidora se aproximou do veículo onde estavam os filhotes e ameaçou o cidadão com autuação por abandono de animais. A inversão é grotesca: quem abandona é quem deixa morrer na estrada — não quem resgata e procura ajuda.
Quando o cidadão questionou a abordagem e pediu para continuar conversando com a chefia, a servidora se afastou. Minutos depois, retornou acompanhada da Guarda Civil Metropolitana, alegando falsamente ter sido desacatada.
Foram acionadas três viaturas.
Os agentes da GCM, com profissionalismo que faltou à gestão, ouviram os fatos, constataram a inexistência de crime e liberaram o cidadão. Não houve desacato. Não houve infração. Houve apenas uma tentativa clara de intimidação institucional.
Secretaria de Saúde Animal: protocolo, papel e frieza
Encaminhado à Secretaria de Saúde Animal, o cidadão encontrou o retrato mais cruel da gestão Pellozo: o apego absoluto à letra fria do protocolo e o completo desapego pela vida animal.
A resposta foi quase mecânica:
— “Não existe política de acolhimento. Trabalhamos apenas com controle populacional.”
Castração. Cadastro. Estatística.
Vida? Sofrimento? Emergência?
Isso não entra na planilha.
A Secretaria de Saúde Animal de Senador Canedo se comporta como um cartório da indiferença: cumpre rotinas, mas ignora a realidade. Esconde-se atrás de normas enquanto filhotes morrem longe dos gabinetes refrigerados.
O modelo Pellozo de gestão: omissão com discurso técnico
O que esse caso revela não é desorganização. É modelo de gestão.
O prefeito Fernando Pellozo governa Senador Canedo com uma lógica perversa:
- o problema existe;
- o Município não enfrenta;
- o cidadão que age é tratado como incômodo;
- e o protocolo vira escudo moral para a omissão.
Controle populacional é importante.
Mas não substitui acolhimento emergencial.
Não salva filhotes abandonados.
Não impede maus-tratos por omissão.
Quando o poder público sabe do problema, é provocado diretamente e escolhe não agir, a omissão deixa de ser administrativa e passa a ser política.
A ameaça de autuação por “abandono” é juridicamente absurda
Abandono pressupõe:
- Vontade de se desfazer do animal;
- Omissão deliberada;
- Ausência de tentativa de proteção.
Você fez exatamente o oposto:
- Recolheu os animais;
- Procurou o órgão público competente;
- Tentou garantir acolhimento institucional.
⚠️ Portanto:
A ameaça de autuação configura erro técnico grave da servidora
e, dependendo do tom e contexto, abuso de poder (art. 11 da Lei 13.869/2019).
Falsa imputação de desacato
O crime de desacato exige:
- Ofensa à dignidade ou decoro do servidor;
- Dolo específico;
- Conduta clara, objetiva e ofensiva
O que houve:
- Pedido para que a servidora se afastasse;
- Exercício legítimo do direito de interlocução com a chefia;
- Nenhuma ofensa, xingamento ou gesto intimidatório.
👉 A jurisprudência é pacífica:
Discordância, questionamento ou crítica administrativa NÃO configuram desacato.
A acusação foi infundada.
Acionamento desproporcional da GCM
Três viaturas foram acionadas para:
- Um cidadão;
- Sem violência;
- Sem crime;
- Sem ameaça;
- Em ambiente administrativo.
Isso caracteriza, no mínimo:
- Desproporcionalidade;
- Uso inadequado da força administrativa;
- Potencial intimidação institucional.
O que salva o episódio:
- A conduta exemplar dos agentes da GCM, que avaliaram os fatos e encerraram a ocorrência corretamente.
As imagens acusam — e o silêncio confirma
As imagens que acompanham esta matéria não são opinião. São prova.
Elas mostram o que a Prefeitura tenta esconder: em Senador Canedo, animal abandonado não encontra Estado — encontra indiferença.
E quando o poder público prefere ameaçar quem ajuda a assumir sua responsabilidade, fica claro que o problema não é falta de estrutura. É falta de vontade.
Falta sensibilidade.
Falta compromisso.
Falta humanidade.
Por isso, a conclusão não é retórica. É factual, política e moral:
Senador Canedo tem um prefeito ruim pra cachorro.
E enquanto Fernando Pellozo continuar governando com protocolos frios, secretarias desumanizadas e nenhuma política real de proteção animal, essas cenas não serão exceção — serão rotina.



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