segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

Professor Alcides troca o PL pelo PSDB — e o jogo muda em Aparecida de Goiânia

 

A saída do deputado federal Professor Alcides Ribeiro Filho do Partido Liberal não é apenas uma mudança de sigla. É um realinhamento de forças que redesenha o tabuleiro político de Aparecida de Goiânia — e expõe, mais uma vez, como partidos que temem votos acabam empurrando lideranças para fora.


Ao se filiar ao PSDB, fato que será consumado assim que abrir a janela de transferência, sob a influência direta do campo político liderado por Marconi Perillo e pela ala histórica tucana em Goiás, Professor Alcides não apenas troca de legenda: ele muda o centro de gravidade da oposição local e estadual.


Do incômodo ao protagonismo


No PL, Alcides era visto como problema. Crescia demais, falava direto com a base, tinha voto próprio. Em vez de ser potencializado, foi contido. O resultado é previsível: quando um partido prefere a disciplina interna ao respaldo popular, perde quem tem voto — e fortalece o adversário.


No PSDB, o contexto é outro. O partido precisava de tráfego popular, musculatura eleitoral e alguém com presença orgânica em Aparecida. Alcides precisava de estrutura política que não tivesse medo do seu tamanho. O encaixe é pragmático — e poderoso.


Aparecida entra em nova fase


Aparecida de Goiânia deixa de ser um território previsível. A filiação de Alcides cria um polo competitivo real capaz de dialogar com o eleitorado urbano, conservador nos costumes, mas cansado de imposições partidárias e caciquismo.


Para o PSDB, a chegada do deputado reabre portas: reorganiza palanques, estimula alianças e devolve densidade eleitoral a um partido que, nos últimos ciclos, oscilou entre a resistência e a irrelevância. Para o PL, o efeito é o oposto: perde um nome forte por incapacidade de convivência com liderança popular.


O recado que fica


Não se trata de ideologia. Trata-se de método. Professor Alcides representa uma geração que não aceita ser “escada eleitoral”. Ao sair do PL e se filiar ao PSDB, ele envia um recado claro ao sistema político goiano: quem tem voto não aceita coleira.


Aparecida de Goiânia, agora, passa a ser campo de disputa real, não apenas vitrine de acordos. E o PSDB, ao acolher Alcides, mostra que entendeu algo que o PL ignorou: em política, liderança não se controla — se organiza.


O jogo mudou. E quem insistir em jogar com medo vai ficar para trás.


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