segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

Foto com Lula, pressão pelo Senado e “faca no pescoço”: os bastidores que levaram Wilder Morais a romper com Caiado e confirmar pré-candidatura


Vídeo, fotografia e articulações por cima da direção estadual do PL expõem guerra interna na direita goiana

A pré-candidatura de Wilder Morais ao governo de Goiás não nasceu apenas de divergência política. Ela foi empurrada por uma sequência de movimentos de bastidores que, segundo fontes ouvidas, tornaram a aliança com o MDB de Daniel Vilela politicamente insustentável dentro da base bolsonarista no estado.

O estopim simbólico foi uma fotografia de Daniel Vilela ao lado do presidente Lula, registrada em evento em Goiânia. A imagem foi encaminhada ao ex-presidente Jair Bolsonaro e aos seus filhos acompanhada de um questionamento direto:

“É com esse pessoal que a direita de Goiás deve caminhar em 2026?”

O material, segundo interlocutores do grupo de Wilder, reforçaria a tese de que o histórico político de Daniel inclui alianças passadas com o campo petista, argumento utilizado para contestar sua identificação atual com a direita.


A equação do Senado — o ponto de tensão

Mas a fotografia foi apenas parte da engrenagem.

Outro fator decisivo foi a estratégia atribuída ao grupo político do governador Ronaldo Caiado, com apoio do deputado Gustavo Gayer, de apresentar a Bolsonaro uma equação política: o PL abriria mão da disputa pelo governo estadual para apoiar Daniel Vilela, em troca da consolidação de uma candidatura de Gayer ao Senado numa coligação ampla.

Na prática, segundo essa leitura, o partido trocaria o Palácio das Esmeraldas por uma vaga no Senado.

Wilder reagiu de forma direta nos bastidores: Gayer poderia disputar o Senado pela direita sem necessidade de vincular o PL ao projeto do MDB.


A peça Isaura Cardoso

O senador também teria destacado à interlocução nacional que sua suplente, Isaura Cardoso, possui trajetória ligada ao campo bolsonarista, tendo participado de agendas ao lado de Michelle Bolsonaro em Goiás durante a campanha presidencial, especialmente em ambientes religiosos.

A mensagem era clara: a composição da chapa de Wilder já dialoga com a base conservadora, sem necessidade de alianças que gerem ruído ideológico.


“Faca no pescoço”

Em conversas reservadas, Wilder teria sido ainda mais enfático:

“Não dá para colocar uma faca no meu pescoço e dizer que a única opção é apoiar Daniel Vilela.”

A frase circulou nos bastidores como síntese do incômodo com a tentativa de impor um acordo visto como vertical e descolado da base da direita goiana.


O movimento que piorou o clima

Outro gesto que teria pesado negativamente foi a iniciativa de Caiado de procurar diretamente o senador Flávio Bolsonaro para tratar da composição, movimento interpretado como articulação por cima da direção estadual do PL, presidida por Wilder.

Fontes relatam que o gesto foi mal recebido por setores do partido, por ser visto como tentativa de atropelo político.


O pano de fundo ideológico

Durante o evento em Iporá, onde confirmou a pré-candidatura, Wilder resumiu publicamente sua posição:

“O MDB é um partido de esquerda, e nós somos da direita. Não vamos caminhar com a esquerda.”

Aliados do MDB e do governo estadual, por outro lado, costumam sustentar que alianças políticas são dinâmicas e que a construção de maiorias exige composições amplas.


O que o episódio revela

O caso expõe:

  • racha interno na direita goiana

  • disputa por legitimidade do discurso conservador

  • pressão nacional sobre decisões estaduais

  • conflito entre estratégia eleitoral e identidade ideológica

A guerra ainda é de bastidor. Mas já redesenha o tabuleiro de 2026.

Na política, imagem vira símbolo.
E símbolo vira decisão.

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