Presidente da Câmara reage com B.O. após denúncia sobre verbas do esporte — e o jornalismo não vai recuar
Registro policial não apaga fatos, não responde aos números e não intimida a investigação sobre o uso de recursos públicos em Morrinhos
Quando um agente político decide responder a questionamentos públicos com um Boletim de Ocorrência, o movimento deixa de ser apenas jurídico — ele se torna político e institucional.
Foi exatamente isso que ocorreu após a publicação de reportagem investigativa apontando indícios de possível utilização irregular de recursos destinados ao esporte amador em Morrinhos. Em vez de apresentar documentos, contratos, planilhas ou explicações financeiras, o presidente da Câmara Municipal, Leandro Ventura, optou por registrar ocorrência alegando crimes contra a honra.
É um direito. Mas não é uma resposta.
A matéria publicada não atribuiu culpa, não declarou crime consumado e não antecipou julgamento. Fez o que o jornalismo investigativo faz: apresentou indícios, dados, estimativas de valores, conflitos de interesse e cobrou apuração pelos órgãos competentes.
O que o registro policial faz, na prática, é mudar o foco da discussão: sai o debate sobre dinheiro público e entra a tentativa de transformar questionamento institucional em problema pessoal.
Só que a matemática não se intimida.
Os números seguem lá:
• custos por partida
• estimativas de gastos
• ausência de fontes privadas de receita compatíveis
• emendas parlamentares irrigando associações
• concentração de poder político, esportivo e administrativo na mesma estrutura
Nada disso foi desmentido. Nada foi explicado.
O ponto que mais incomoda não é o tom da reportagem — é o conteúdo que ela revela: um ambiente onde denúncias são tratadas com deboche, onde a fiscalização é ridicularizada e onde o controle público parece ser visto como incômodo, não como obrigação democrática.
Registrar um B.O. contra um jornalista não transforma questionamentos em ofensas. Tampouco substitui transparência por silêncio institucional.
Agentes públicos estão submetidos ao escrutínio. Quanto maior o poder, maior o dever de explicação. E quando o tema envolve dinheiro público, o interesse coletivo prevalece sobre desconfortos individuais.
O jornalismo não acusa. O jornalismo expõe fatos, indícios, contextos e cobra investigação. Quem define culpa é o Judiciário. Quem fiscaliza é o Ministério Público. Quem responde à sociedade são os gestores.
E a sociedade ainda espera respostas:
de onde vem o dinheiro que circula no futebol amador?
qual o fluxo exato das verbas públicas destinadas ao setor?
há ou não conflito de interesses na estrutura descrita?
Perguntas objetivas. Técnicas. Institucionais.
Não serão apagadas por um boletim.
Opinião do Blog do Cleuber Carlos
A tentativa de deslocar o debate do campo da transparência para o campo da intimidação é um velho recurso de quem prefere reagir ao mensageiro em vez de enfrentar a mensagem.
Mas há um detalhe incontornável:
o jornalismo investigativo não depende da autorização de quem é investigado.
Ele continuará.
Com documentos.
Com números.
Com dados.
E com ainda mais rigor.
Porque, em uma democracia, a fiscalização do poder não é provocação — é dever.
Sobre o autor da investigação
A apuração é conduzida por Cleuber Carlos do Nascimento, jornalista investigativo e cronista profissional com mais de 35 anos de experiência na cobertura de gestão pública, esporte e administração institucional.
Com trajetória consolidada no futebol brasileiro, possui atuação direta como gestor esportivo e presidente de clubes, com vivência prática em estruturas administrativas, contratos esportivos, captação de recursos e organização de competições.
Sua experiência inclui participação e cobertura de:
• 22 Campeonatos Brasileiros
• 17 Copas São Paulo de Futebol Júnior
• 3 Copas do Mundo
Filho de Itumbiara, discípulo de Zé Gomes da Rocha, começou no rádio esportivo na Rádio Pousada do Rio Quente com Mauro Rodrigues e Evandro Magal. Integrante das feras do Kajuru por 20 anos. Sendo setorista do Goiás por 10 anos e 12 anos cobrindo a seleção brasileira.
Repórter político e candidato a deputado estadual pelo DEM em 2006 apoiando Demostenes Torres e fazendo dobradinha com Ronaldo Caiado e atualmente filiado no PL.
Essa trajetória une jornalismo investigativo, conhecimento jurídico-administrativo e vivência prática na gestão do esporte, o que permite análise técnica de:
✔ contratos públicos
licitações, Pregões e consultorias
✔ Adesões de Atas
✔ datas e fluxos financeiros
✔ assessorias jurídicas e consultorias
✔ vínculos funcionais e contratações
✔ estruturas administrativas esportivas e principalmente emendas parlamentares.
A investigação não parte de suposições, mas de leitura documental, cruzamento de dados e conhecimento prático do funcionamento real do futebol e da administração pública.
Que comece o jogo!

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