Era o dia da semifinal, sim, mas talvez fosse o dia em que o Brasil tivesse menos pressão externa. Afinal, sem seu capitão Thiago Silva, suspenso, e seu craque Neymar, lesionado, seria loucura que uma vitória sobre a poderosa Alemanha fosse vista pela torcida como obrigação – como era o caso diante dos rivais Chile e Colômbia. Com o externo, então, tudo certo. O problema foi a pressão – para não dizer combustão – interna. E rápida.
Podem-se escolher diferentes caminhos para narrar a eliminação da Seleção Brasileira: a derrota mais avassaladora que já sofreu; a semifinal de Copa do Mundo da FIFA mais desigual de todos os tempos; o fim do caminho para ser campeão pela sexta vez. Foi tudo isso e mais um bocado de coisas. E quase tudo, essencialmente, nascido entre as 17h23 e as 17h29 do dia 8 de julho de 2014: aqueles que são fortíssimos candidatos a serem os seis minutos mais trágicos da história da Seleção.
No tempo entre o segundo gol de Miroslav Klose e o quinto, de Sami Khedira, a Alemanha mostrou bastante da habilidade e do toque de bola que fizeram dela uma das favoritas da Copa do Mundo da FIFA desde o início, é certo. Mas tudo potencializado por um processo de autocombustão interna. Desespero mesmo. Ou como quer que se possa chamar aquilo que, bem depois do jogo, brasileiro nenhum sabia explicar. “Não tinha o que fazer naquela hora, no momento da pane”, admitiu o técnico Luiz Felipe Scolari, definindo assim, como “pane” – também usou “transtorno” -, os tais seis minutos. “Quando levamos aqueles gols em sequência, eu soube que não tinha mais jeito."
Era verdade
Quando os jogadores brasileiros enfim resolveram eles mesmos tentar explicar alguma coisa, o resultado era compreensivelmente desencontrado: elogios à qualidade da Alemanha, considerações sobre quanto se tratava de um jogo atípico e único, descrições do sentimento durante os tais seis minutos. Quase não havia lágrimas, mas só olhares vagos. Mais do que dolorida, a derrota parecia ter sido anestésica.
“É difícil arrumar alguma explicação. Ninguém esperava que acontecesse aquilo naquele período, em que tomamos quatro gols. Tudo deu certo para eles e tudo errado para nós”, ameaçou explicar Willian á FIFA, intercalando cada meia frase com uma respiração pesada. “Ainda estamos todos tentando entender. Mas acho que é isso: o futebol, muitas vezes, têm coisas que não têm explicação.”
Se pensar isso tudo àquela altura, mais de duas horas depois do final do jogo, já é complicado e resulta numa leitura algo abstrata da catástrofe, o que dizer do que aconteceu durante o próprio jogo? Porque uma coisa é ouvir o apito final e desabar por uma derrota; outra é passar mais de uma hora de jogo sabendo que ela está desenhada – e em linhas grossas. “Derrota é sempre derrota, mas desta forma ela dói mais”, contou David Luiz, os olhos constantemente marejados, à FIFA. Ele não se referia tanto ao placar quanto à maneira como foi construído, prolongando um tristeza que era quase tortura. “É muito duro o fato de tudo ter acontecido em seis minutos e de, depois, termos que conseguir lutar até o fim, sabendo que era quase impossível. Eu pensava: se isto aqui é um sonho, eu quero que ele acabe agora.”
2 comentários:
É sempre bom mencionar a fonte em uma matéria, sendo que a presente foi copiada do sítio da fifa.com
Calma gente, sábado tem outra taca pra fechar com chave de ouro a copa das copas!
Postar um comentário