Wilder leva 16 prefeitos a Valdemar e transforma Brasília em palanque de 2026
Reunião do PL nacional vira demonstração de força do senador em Goiás e emite recado direto ao projeto Caiado–Daniel Vilela: o partido quer protagonismo — e pode querer cabeça de chapa
Na política, tem reunião que é reunião — e tem reunião que é fotografia com recado. O encontro em Brasília entre o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, e o senador Wilder Morais não foi um simples giro institucional. Foi um ato calculado, com roteiro e plateia: Wilder não foi sozinho. Levou uma comitiva de prefeitos, vereadores, deputados estaduais e lideranças goianas, com nomes listados um a um, como quem faz questão de carimbar, em público, que tem base, tem rede e tem máquina municipal ao lado.
Quando um dirigente estadual leva uma comitiva desse porte à direção nacional, a mensagem é cristalina: não se trata de “visita de cortesia”. Trata-se de credencial. E, em ano pré-eleitoral, credencial se lê assim: “eu entrego estrutura; eu entrego municípios; eu entrego capilaridade”. Isso é poder de verdade, porque eleição não se ganha apenas com narrativa — se ganha com chão, com prefeitura, com alianças locais e com quem mobiliza gente e voto.
O ponto político central está no que apareceu como “em pauta” em uma das publicações: a candidatura de Wilder ao governo e a negação ao projeto Caiado–Daniel Vilela. Esse trecho não é detalhe, é o coração do movimento. O PL, que muitas vezes é tratado como peça de encaixe em grandes coalizões, ensaia aqui o gesto de quem quer jogar como polo — seja para lançar candidatura própria, seja para negociar de cima, com preço mais alto e papel mais central.
E é aí que a reunião ganha densidade. Porque, em Goiás, o tabuleiro sucessório se desenha em torno do peso de Ronaldo Caiado, da projeção de Daniel Vilela e do arranjo do governismo. Quando o PL decide posar, publicamente, como alternativa ou como obstáculo a esse fluxo, ele produz um fato político: cria ruído, força diálogo e, principalmente, abre a porta para que as bases municipais comecem a se posicionar.
O método usado por Wilder é clássico e eficiente: apresentar força municipal diante do comando nacional. Prefeitos são, ao mesmo tempo, base eleitoral e sinal de viabilidade. A foto e a lista extensa servem como “prova material” de que há adesão. E mais: servem como recado a aliados e adversários. A quem está com ele, ele diz: “estamos dentro de um projeto maior”. A quem não está, ele sinaliza: “o PL não está pequeno; o PL está organizado”.
Agora, o que essa reunião realmente produz? Três coisas. Primeiro, consolida Wilder como condutor do PL goiano, com musculatura política para falar em nome de um bloco de gestores. Segundo, aperta o cerco nas negociações de 2026, porque ninguém leva 16 prefeitos a Brasília para voltar como figurante. Terceiro, planta no imaginário a ideia de candidatura, mesmo que, mais adiante, isso vire composição. Na política, candidatura própria também é ferramenta: ela aumenta valor, amplia espaço e cria medo nos adversários.
O que fica evidente é que o PL em Goiás não quer ser tratado como “apêndice” de projeto alheio. E quando um partido decide deixar de ser satélite para tentar ser planeta, muda o campo gravitacional: prefeitos calculam, deputados recalculam, alianças se mexem. Brasília, nessa noite, foi menos capital federal e mais laboratório de 2026.
Minha opinião é simples: quem subestimar esse gesto vai entender tarde. Em política, quando a força se organiza e aparece em bloco, ela não está pedindo licença — está avisando que quer comando, espaço e rota própria. E, do jeito que a cena foi montada, o aviso foi dado em voz alta.
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