sábado, 10 de janeiro de 2026

Ponta Verde também? Novo alerta reacende medo de afundamento em Maceió

Maceió afunda de novo — e desta vez a omissão tem endereço, cargo e assinatura


O alerta chegou onde mora o poder, e o silêncio virou crime político

Maceió não está diante de uma nova “descoberta técnica”.

Está diante da continuidade de um crime anunciado, agora agravado por omissão deliberada das autoridades.


Quando o engenheiro Marcos Carnaúba, ex-presidente do Instituto do Meio Ambiente de Alagoas (IMA) e ex-coordenador do DNOCS, afirma publicamente que há indícios de subsidência fora da área oficialmente reconhecida, inclusive em Ponta Verde, ele não está “levantando hipótese”.

Ele está acusando o modelo institucional de mentir por conveniência.


E isso muda tudo.

O problema nunca foi técnico. Sempre foi político.

Os laudos existiam.

Os alertas existiam.

Os sinais no solo existiam.


O que não existiu foi vontade política de enfrentar o custo real do problema.


Durante anos, o poder público preferiu:


  • delimitar o risco em mapas estreitos
  • blindar áreas nobres do debate
  • ganhar tempo enquanto o subsolo se reorganizava

Essa escolha não é neutra.

É decisão política consciente.

Quando o risco era no Pinheiro, chamaram de “tragédia social”.

Agora que chega à Ponta Verde, chamam de “hipótese”.

Essa diferença de tratamento expõe o que realmente orienta as decisões públicas em Maceió:

CEP do problema.

Enquanto famílias pobres eram removidas às pressas, o discurso era de urgência.

Agora que o alerta toca o metro quadrado mais caro da cidade, o discurso vira cautela, relativização e silêncio.

Não é coincidência.

É classe, poder e dinheiro ditando a narrativa

Quem são os responsáveis políticos?

Não basta citar empresas e encerrar o debate.

Há responsabilidades claras:


  • Prefeitura de Maceió, que escolheu administrar o problema politicamente, não preventivamente
  • Governo de Alagoas, que nunca liderou uma auditoria independente ampla sobre o subsolo urbano
  • Órgãos ambientais estaduais, que aceitaram perímetros estreitos como se fossem fronteiras geológicas
  • Autoridades que sabiam e optaram por não ampliar o monitorament

O alerta de Marcos Carnaúba não acusa o passado.

Ele expõe o presente.

O silêncio agora não é prudência. É negligência consciente.

Quando um engenheiro com esse histórico afirma que o debate técnico está sendo subestimado institucionalmente, o recado é claro:

há gente apostando que o problema não vai estourar no próprio mandato.


Mas o solo não respeita calendário eleitoral.

Não espera eleição.

Não negocia narrativa.


Cada dia de silêncio aumenta o passivo jurídico, humano e político.

Se Ponta Verde afundar, não haverá discurso de surpresa

Se surgirem fissuras estruturais fora da área oficial, ninguém poderá alegar ignorância.

O alerta foi dado.

Publicamente.

Por quem tem autoridade técnica e histórica.

A partir deste momento, qualquer omissão:

  • será culpa política
  • será responsabilidade administrativa
  • será crime por negligência

Não haverá “tragédia imprevisível”.

Haverá omissão documentada.

Maceió está diante de uma escolha — e será cobrada por ela

Ou amplia o monitoramento, escancara os dados e enfrenta o problema com transparência,


ou continuará fingindo estabilidade enquanto o chão cede.


O afundamento de Maceió não é apenas geológico.

É institucional, moral e político.


E agora, diferente do passado, ninguém poderá dizer que não foi avisado.

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