domingo, 5 de outubro de 2025

Ele só quer viver para casar”: jovem de São Miguel do Araguaia luta contra o tempo para conseguir cirurgia cardíaca em Goiânia

Rogério, de 20 anos, sofre ataques cardíacos diários e tem apenas dois meses de vida sem o procedimento. Seu pai, Reginaldo, venceu a mesma doença após cirurgia; agora, luta para que o filho também sobreviva e realize o sonho de casar com Ana Caroline em dezembro.

São Miguel do Araguaia (GO) — A história de Rogério Ribeiro Rodrigues, de apenas 20 anos, é um grito de socorro que ecoa no coração do Norte goiano.

Diagnosticado com miocardiopatia hipertrófica, uma doença grave e hereditária que causa arritmias fatais e desmaios súbitos, Rogério vive uma corrida contra o tempo.

Os médicos alertam: sem a cirurgia de ablação cardíaca, ele pode morrer em até dois meses.


Na última quarta-feira, Rogério sofreu um ataque cardíaco — mais um entre os episódios cada vez mais frequentes que colocam sua vida em risco.

O Hospital das Clínicas da UFG e a Santa Casa de Goiânia já classificaram o caso como prioridade máxima, mas o procedimento ainda não foi autorizado pelo SUS.


Enquanto o Estado se arrasta, o coração de Rogério luta — e o tempo se esgota.


❤️ Um amor ameaçado pelo tempo


Rogério sonha em se casar com sua noiva, Ana Caroline Alves de Souza, em dezembro.

O casal planejava uma cerimônia simples, mas repleta de amor e esperança. Hoje, o sonho depende de uma vaga em um hospital público.


Ele só quer viver para casar. É o sonho dele, entrar vivo na igreja, dançar comigo… Mas cada crise é um susto. Eu só peço a Deus que ele aguente até lá”, desabafa Ana Caroline, emocionada.


Os laudos médicos anexados ao prontuário mostram que a cirurgia é a única chance de sobrevivência. A cada dia sem o procedimento, o risco aumenta.


👨‍👦 Herança do coração: o pai que lutou e sobreviveu

O drama é ainda mais profundo porque o pai de Rogério, Reginaldo Pereira Ribeiro, sofre da mesma doença genética.

Reginaldo conseguiu realizar a cirurgia de ablação cardíaca anos atrás — e sobreviveu.

Hoje, ele revive a própria dor ao ver o filho enfrentar o mesmo diagnóstico.


“Eu sei o que ele sente. Eu já passei por isso. Se não operarem logo, ele não vai aguentar. Eu consegui, mas o tempo dele está acabando”, lamenta o pai, com a voz embargada.


Reginaldo tem tentado de todas as formas mobilizar a rede de saúde, mas a burocracia e a lentidão do SUS parecem ignorar a urgência.


💔 Uma mãe em desespero


A mãe, Alba Valéria Rodrigues, vive em estado constante de alerta.

Ela acompanha o filho em cada consulta, dorme ao lado da cama e passa as noites em claro, temendo o pior.


“Cada vez que ele desmaia, eu acho que perdi meu filho. É uma dor que não dá pra descrever. Eu não aguento mais ver ele sofrer e ninguém fazer nada”, desabafa, chorando.

⚠️ Um retrato cruel da lentidão pública

Os documentos assinados pelos cardiologistas Dr. Fábio Galvão Costa (Santa Casa) e Dr. Hugo Bellotti (Hospital das Clínicas/UFG) comprovam a gravidade do quadro.

O caso está classificado como urgência de alto risco, mas o procedimento segue sem data marcada, preso na burocracia da regulação do SUS.


Enquanto isso, Rogério tem convulsões, desmaios e crises cardíacas quase todos os dias — e nenhuma resposta efetiva das autoridades de saúde.


Em São Miguel do Araguaia, familiares denunciam ausência de transporte adequado, falta de acompanhamento médico especializado e negligência do município na articulação com Goiânia.


⚖️ Quando a omissão custa uma vida

A Constituição Federal garante o direito à saúde e à vida, e o SUS é responsável por garantir atendimento imediato em casos de risco.

A demora injustificada pode configurar negligência administrativa grave, com possíveis implicações civis e penais.


Cada dia que passa sem a cirurgia é um atentado contra esse direito — e uma sentença silenciosa para uma família que só pede o básico: o direito de viver.


✍️ Reflexão final

Rogério não pede milagres. Pede vida — o direito de cumprir a promessa feita a Ana Caroline, de subir ao altar, de dançar ao som da própria vitória.

Mas, enquanto o amor resiste, o coração dele luta contra a burocracia.


Se o poder público não agir agora, o sonho de dezembro pode virar luto.

E o Brasil perderá mais um jovem para o descaso — não por falta de cura, mas por falta de ação.


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