São Miguel do Araguaia (GO) — A história de Rogério Ribeiro Rodrigues, de apenas 20 anos, é um grito de socorro que ecoa no coração do Norte goiano.
Diagnosticado com miocardiopatia hipertrófica, uma doença grave e hereditária que causa arritmias fatais e desmaios súbitos, Rogério vive uma corrida contra o tempo.
Os médicos alertam: sem a cirurgia de ablação cardíaca, ele pode morrer em até dois meses.
Na última quarta-feira, Rogério sofreu um ataque cardíaco — mais um entre os episódios cada vez mais frequentes que colocam sua vida em risco.
O Hospital das Clínicas da UFG e a Santa Casa de Goiânia já classificaram o caso como prioridade máxima, mas o procedimento ainda não foi autorizado pelo SUS.
Enquanto o Estado se arrasta, o coração de Rogério luta — e o tempo se esgota.
❤️ Um amor ameaçado pelo tempo
Rogério sonha em se casar com sua noiva, Ana Caroline Alves de Souza, em dezembro.
O casal planejava uma cerimônia simples, mas repleta de amor e esperança. Hoje, o sonho depende de uma vaga em um hospital público.
Os laudos médicos anexados ao prontuário mostram que a cirurgia é a única chance de sobrevivência. A cada dia sem o procedimento, o risco aumenta.
👨👦 Herança do coração: o pai que lutou e sobreviveu
O drama é ainda mais profundo porque o pai de Rogério, Reginaldo Pereira Ribeiro, sofre da mesma doença genética.
Reginaldo conseguiu realizar a cirurgia de ablação cardíaca anos atrás — e sobreviveu.
Hoje, ele revive a própria dor ao ver o filho enfrentar o mesmo diagnóstico.
Reginaldo tem tentado de todas as formas mobilizar a rede de saúde, mas a burocracia e a lentidão do SUS parecem ignorar a urgência.
💔 Uma mãe em desespero
A mãe, Alba Valéria Rodrigues, vive em estado constante de alerta.
Ela acompanha o filho em cada consulta, dorme ao lado da cama e passa as noites em claro, temendo o pior.
⚠️ Um retrato cruel da lentidão pública
Os documentos assinados pelos cardiologistas Dr. Fábio Galvão Costa (Santa Casa) e Dr. Hugo Bellotti (Hospital das Clínicas/UFG) comprovam a gravidade do quadro.
O caso está classificado como urgência de alto risco, mas o procedimento segue sem data marcada, preso na burocracia da regulação do SUS.
Enquanto isso, Rogério tem convulsões, desmaios e crises cardíacas quase todos os dias — e nenhuma resposta efetiva das autoridades de saúde.
Em São Miguel do Araguaia, familiares denunciam ausência de transporte adequado, falta de acompanhamento médico especializado e negligência do município na articulação com Goiânia.
⚖️ Quando a omissão custa uma vida
A Constituição Federal garante o direito à saúde e à vida, e o SUS é responsável por garantir atendimento imediato em casos de risco.
A demora injustificada pode configurar negligência administrativa grave, com possíveis implicações civis e penais.
Cada dia que passa sem a cirurgia é um atentado contra esse direito — e uma sentença silenciosa para uma família que só pede o básico: o direito de viver.
✍️ Reflexão final
Rogério não pede milagres. Pede vida — o direito de cumprir a promessa feita a Ana Caroline, de subir ao altar, de dançar ao som da própria vitória.
Mas, enquanto o amor resiste, o coração dele luta contra a burocracia.
Se o poder público não agir agora, o sonho de dezembro pode virar luto.
E o Brasil perderá mais um jovem para o descaso — não por falta de cura, mas por falta de ação.

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