quarta-feira, 8 de outubro de 2025

De criminosa ambiental a protetora do prefeito: a hipocrisia da vereadora Sulla em São Miguel do Araguaia

Autuada por crime ambiental, a vereadora Rosângela “Sulla” Alves tenta posar de guardiã da moral ao votar contra a Comissão Processante que investigaria o prefeito Jeronymo Siqueira

Em São Miguel do Araguaia, a moralidade parece ter se tornado um espetáculo cênico, onde os papéis são trocados conforme a conveniência política.

A vereadora Rosângela Alves de Oliveira, mais conhecida como Sulla, protagoniza o exemplo mais gritante dessa inversão de valores: autuada por crime ambiental, agora tenta se apresentar como defensora da legalidade e protetora do prefeito Jeronymo Siqueira, ao votar contra a abertura da Comissão Processante que investigaria irregularidades na atual gestão.

O passado que ela tenta esconder


Em operação conjunta da Secretaria de Meio Ambiente de Goiás (Semad) e da Polícia Militar Ambiental (GTA), realizada no distrito de Luiz Alves, foi apreendida uma das maiores quantidades de pescado ilegal e material predatório da região norte do Estado.


Entre os produtos apreendidos, estavam espécies ameaçadas de extinção, como o pirarucu (Arapaima gigas), além de dezenas de peixes impróprios para consumo, munições de calibres .22 e .38, tanques de combustível, motores de popa e até carne de animais silvestres.


O flagrante não aconteceu por acaso: todo o material estava em posse da então presidente da Colônia de Pescadores de Luiz Alves — Rosângela “Sulla” Alves.

Ela foi autuada penalmente, pagou fiança e respondeu em liberdade, após ser alvo de uma multa ambiental de R$ 46 mil.

Na época, o próprio relatório da Semad classificou o conjunto de equipamentos como “um verdadeiro arsenal predatório”.


Da pesca ilegal ao discurso da falsa seriedade

Anos depois, a mesma mulher flagrada destruindo o ecossistema do Araguaia agora veste o figurino de vereadora moralista — discursando sobre ética e legalidade enquanto defende o prefeito Jeronymo Siqueira e bloqueia a abertura de investigações sobre contratos suspeitos e irregularidades na Prefeitura.


Durante a votação na Câmara Municipal, Sulla declarou voto contrário à abertura da Comissão Processante, mesmo antes de a denúncia ser integralmente lida, revelando uma postura de obediência política e desprezo à transparência.

Enquanto a sociedade esperava uma postura firme e independente, a vereadora preferiu proteger o poder a proteger o povo.

Quem violou a lei, agora tenta se esconder atrás dela

O caso escancara a incoerência de uma classe política que usa o discurso da legalidade como escudo, mas ignora o próprio histórico criminal quando lhe convém.

Sulla, que já foi responsabilizada por crime ambiental, agora tenta posar como voz da ética, mas sua trajetória pública mostra o contrário: uma linha contínua de conveniência e autopreservação.


Em vez de exigir a apuração das denúncias contra o prefeito, ela escolheu o caminho da omissão — a velha política da troca de favores e do silêncio conveniente.

São Miguel precisa de coerência, não de encenação

Enquanto os rios do Araguaia tentam se recuperar da predação que figuras como Sulla ajudaram a causar, a política local mergulha em outro tipo de destruição: a moral.

Quem destrói o meio ambiente e depois destrói a verdade não pode representar o povo com dignidade.

E quem já violou a lei não tem autoridade para proteger quem também é acusado de violá-la.


A hipocrisia de Sulla é o retrato de uma Câmara que confunde lealdade política com cumplicidade, e que prefere blindar o prefeito Jeronymo a servir à sociedade que a elegeu.


✍️ Por Cleuber Carlos

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