A polêmica envolvendo o nome de Gustavo Malta, empresário citado em investigações de grilagem de terras no litoral alagoano, ganhou novos contornos após a divulgação de uma nota oficial do Grupo Maceió Rádios Difusoras. No documento, a empresa nega de forma categórica qualquer vínculo empresarial ou societário com Malta e solicita que seu nome seja retirado de matérias que o associem à Jovem Pan Alagoas (Maceió)
A negação formal
O grupo de comunicação afirmou que não existe qualquer ligação entre sua estrutura societária e Gustavo Malta, reforçando que a marca Jovem Pan estaria sendo citada de forma indevida. A nota, inclusive, cita dispositivos constitucionais e do Código Civil que protegem a honra, a imagem e a marca em casos de uso indevido que possam causar confusão ou prejuízo.
O tom jurídico do comunicado deixa claro que a empresa pretende se resguardar contra a vinculação do nome da Jovem Pan a figuras investigadas por ilícitos.
O contraste com as denúncias
Por outro lado, reportagem publicada no Blog do Paulinho, em 23 de abril de 2025, traz a versão oposta: segundo o jornalista, o Instagram da Jovem Pan Alagoas estaria sendo utilizado a serviço de Gustavo Malta, funcionando como plataforma de comunicação alinhada aos interesses do empresário investigado. A acusação não trata de vínculos societários formais, mas de um suposto uso político e direcionado da emissora para defesa de Malta em meio às denúncias de grilagem.
Ou seja: enquanto a empresa nega qualquer ligação, há apontamentos de que o canal local da Jovem Pan teria sido instrumentalizado para influenciar a opinião pública em favor do empresário.
Entre a formalidade e a prática
Esse cenário expõe uma contradição relevante: juridicamente, o grupo busca se afastar do caso, mas, na prática, a denúncia sugere que sua estrutura de mídia teria sido, ao menos em parte, capturada por interesses privados de um investigado.
O episódio abre espaço para questionamentos fundamentais:
- Quem, de fato, controla a linha editorial da Jovem Pan em Alagoas?
- Há mecanismos de transparência que garantam a independência da marca diante de pressões externas?
- E mais grave: estaria uma concessão pública de rádio sendo utilizada para blindar investigados em casos de repercussão nacional?
Conclusão opinativa
O episódio é emblemático porque mostra como a comunicação se torna campo de batalha em disputas políticas e criminais. A Jovem Pan Maceió tenta, com razão, preservar sua imagem diante de investigações delicadas. Mas a denúncia trazida à tona expõe um dilema maior: quando a imprensa é usada como escudo para interesses de investigados, quem perde é a sociedade, que vê sua confiança na informação corroída.
O caso exige não apenas notas de esclarecimento, mas transparência plena sobre quem fala em nome da Jovem Pan em Alagoas e a serviço de quem.

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