sábado, 20 de setembro de 2025

Jovem Pan Maceió nega vínculo com Gustavo Malta, mas denúncias apontam uso político da marca


Nota oficial contrasta com reportagem que cita empresário em suposto controle da comunicação da emissora

A polêmica envolvendo o nome de Gustavo Malta, empresário citado em investigações de grilagem de terras no litoral alagoano, ganhou novos contornos após a divulgação de uma nota oficial do Grupo Maceió Rádios Difusoras. No documento, a empresa nega de forma categórica qualquer vínculo empresarial ou societário com Malta e solicita que seu nome seja retirado de matérias que o associem à Jovem Pan Alagoas (Maceió)

A negação formal

O grupo de comunicação afirmou que não existe qualquer ligação entre sua estrutura societária e Gustavo Malta, reforçando que a marca Jovem Pan estaria sendo citada de forma indevida. A nota, inclusive, cita dispositivos constitucionais e do Código Civil que protegem a honra, a imagem e a marca em casos de uso indevido que possam causar confusão ou prejuízo.


O tom jurídico do comunicado deixa claro que a empresa pretende se resguardar contra a vinculação do nome da Jovem Pan a figuras investigadas por ilícitos.

O contraste com as denúncias

Por outro lado, reportagem publicada no Blog do Paulinho, em 23 de abril de 2025, traz a versão oposta: segundo o jornalista, o Instagram da Jovem Pan Alagoas estaria sendo utilizado a serviço de Gustavo Malta, funcionando como plataforma de comunicação alinhada aos interesses do empresário investigado. A acusação não trata de vínculos societários formais, mas de um suposto uso político e direcionado da emissora para defesa de Malta em meio às denúncias de grilagem.


Ou seja: enquanto a empresa nega qualquer ligação, há apontamentos de que o canal local da Jovem Pan teria sido instrumentalizado para influenciar a opinião pública em favor do empresário.

Entre a formalidade e a prática


Esse cenário expõe uma contradição relevante: juridicamente, o grupo busca se afastar do caso, mas, na prática, a denúncia sugere que sua estrutura de mídia teria sido, ao menos em parte, capturada por interesses privados de um investigado.

O episódio abre espaço para questionamentos fundamentais:

  • Quem, de fato, controla a linha editorial da Jovem Pan em Alagoas?
  • Há mecanismos de transparência que garantam a independência da marca diante de pressões externas?
  • E mais grave: estaria uma concessão pública de rádio sendo utilizada para blindar investigados em casos de repercussão nacional?

Conclusão opinativa


O episódio é emblemático porque mostra como a comunicação se torna campo de batalha em disputas políticas e criminais. A Jovem Pan Maceió tenta, com razão, preservar sua imagem diante de investigações delicadas. Mas a denúncia trazida à tona expõe um dilema maior: quando a imprensa é usada como escudo para interesses de investigados, quem perde é a sociedade, que vê sua confiança na informação corroída.


O caso exige não apenas notas de esclarecimento, mas transparência plena sobre quem fala em nome da Jovem Pan em Alagoas e a serviço de quem.


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