quinta-feira, 11 de dezembro de 2025

Cachoeira Alta e o Mistério das Consultorias: Uma Cidade Pequena Demais para Tantos Contratos e Escândalos

Cachoeira Alta vive um daqueles momentos em que a soma dos fatos fala mais alto do que qualquer discurso oficial. Em um município com pouco mais de 13 mil habitantes, a sucessão de escândalos, investigações e contratações obscuras cria um pano de fundo que explica — e muito — por que os contratos de consultoria da Prefeitura precisam ser examinados com lupa.


As consultorias milionárias e de objeto nebuloso não surgem isoladas; elas se encaixam em um ambiente político que já deu sinais claros de que algo não anda bem.

E esses sinais vêm de todos os lados.





Quando o Legislativo Caiu: Compra de Votos e Prisão do Presidente da Câmara



Recentemente, o município foi abalado por uma denúncia grave envolvendo vereadores. Segundo investigação policial, havia indícios de compra de votos dentro da própria Câmara Municipal, um esquema que comprometeria a independência do Legislativo e corromperia o processo democrático local.


A situação atingiu níveis tão graves que o presidente da Câmara foi preso, expondo uma ferida que a cidade ainda tenta cicatrizar.


Um município pequeno não absorve escândalos desse porte de forma silenciosa.

E quando o Legislativo perde credibilidade nesse grau, todas as ações subsequentes do poder público passam a ser vistas com desconfiança — inclusive os contratos de consultoria.





O Caso da Saúde: CPI, MP, Mortes e um Arquivamento que Levanta Perguntas



Outro episódio que marcou profundamente Cachoeira Alta envolveu a Secretária de Saúde do município. As denúncias foram tão sérias que resultaram:


  • na abertura de uma CPI,
  • em investigação direta do Ministério Público,
  • e em um ambiente de tensão que envolveu, inclusive, mortes relacionadas ao contexto das denúncias.



Apesar da gravidade, o caso acabou arquivado — não por ausência de fatos, mas porque a investigação apresentou falhas processuais.

Um arquivamento por vício formal não equivale a inocência.

Significa apenas que o município perdeu a oportunidade de esclarecer o que precisava ser esclarecido.


E o resultado disso é um rastro de dúvidas.

Dúvidas que permanecem vivas e que moldam o clima político atual.





Nesse Cenário, Entram os Contratos de Consultoria



É nesse ambiente — de instabilidade política, investigações, prisões, CPI mal conduzida e processos arquivados por erros — que começam a surgir os contratos de consultoria que agora chamam atenção.


Contratos caros.

Objetos vagos.

Empresas repetitivas.

Aditivos silenciosos.

Relatórios inexistentes.


E tudo isso em uma cidade onde o básico ainda falha.


O padrão é conhecido em Goiás: quando uma gestão tem dificuldade de sustentar suas próprias decisões, surge uma consultoria para dar parecer, outra para blindar juridicamente, outra para estruturar justificativas.

É o governo terceirizando a própria consciência — e usando dinheiro público para isso.


Em Cachoeira Alta, o risco é que as consultorias não sejam apenas contratos administrativos, mas sim engrenagens de um sistema que opera nas sombras, justificando decisões, sustentando narrativas e criando camadas de proteção onde deveria existir transparência.





Uma Cidade Pequena Demais para Tantas Interrogações



Quando uma cidade vive:


  • escândalo de compra de votos na Câmara,
  • prisão de presidente de Poder,
  • CPI da Saúde com denúncias gravíssimas,
  • investigação do Ministério Público,
  • mortes relacionadas ao contexto da denúncia,
  • e arquivamento por falhas que impediram a verdade de aparecer,



então não dá para tratar contratos de consultoria como se fossem apenas contratos.

Eles podem — e provavelmente são — peças de uma engrenagem muito maior.


A pergunta que fica é simples, direta e incômoda:


Quanto dessa estrutura de consultorias serve ao interesse público, e quanto serve à manutenção de poder dentro de Cachoeira Alta?


O Blog do Cleuber Carlos continuará investigando.

Cachoeira Alta já viveu escândalos demais para permitir que esse também passe despercebido.


quarta-feira, 10 de dezembro de 2025

José Mário Quer Ser Candidato a Vice Com Apoio do Deputado Que Criou a Taxa do Agro

A política tem seus rituais, seus volteios e suas coreografias ensaiadas. Mas há momentos em que o espetáculo passa do limite e se transforma em afronta. É exatamente isso que está acontecendo em Goiás: José Mário Schreiner, presidente da FAEG e nome em avançada articulação para ser o vice de Daniel Vilela, percorre o estado de braço dado com o deputado Talles Barreto, relator da famigerada taxa do agro — o mesmo imposto que atingiu em cheio o setor que ambos agora dizem defender.


O contraste não é apenas incômodo. É escandaloso.

O Antes: A dupla que ajudou a parir a taxa do agro

Os fatos não perdoam.

A memória documentada menos ainda.

1. Talles Barreto — o Relator da Taxação


Não é interpretação, não é suposição, não é leitura política:

Talles Barreto foi o relator dos projetos 10803/22 e 10804/22, que criaram o Fundeinfra e instituíram a contribuição conhecida como taxa do agro.

No seu parecer e nas suas declarações oficiais, Talles:

  • defendeu a taxação,
  • afirmou que ela “não inclui produtos da cesta básica”,
  • sustentou que a contribuição era “facultativa” — embora quem não pagasse perdesse incentivos fiscais,
  • justificou a cobrança dizendo que seria usada exclusivamente para infraestrutura.

Ele não lutou contra o imposto.

Ele viabilizou o imposto.

Ele aprovou o imposto.

E tudo está registrado nas fontes oficiais da ALEGO e do Governo de Goiás.

2. José Mário — o articulador silencioso

Enquanto isso, nos bastidores, José Mário, como presidente da FAEG, não ficou distante.

Ele foi um dos principais articuladores da modelagem do Fundeinfra, atuando diretamente nas negociações com o governo para definir:

  • amplitude da cobrança,
  • forma de arrecadação,
  • percentuais,
  • garantias de que o Fundo seria segregado.

Quando a base rural chiou, José Mário foi a figura que apaziguou, justificou e traduziu o discurso do governo para dentro do setor.

A verdade incômoda é simples:

sem José Mário e sem Talles Barreto, a taxa do agro não teria nascido na forma em que nasceu.

O Agora: A tentativa de reescrever a história

O que choca não é o passado — é o presente.

José Mário e Talles Barreto estão hoje viajando o estado lado a lado, apresentando-se como representantes do agronegócio goiano, como defensores do produtor, como porta-vozes da “renovação”.

Renovação?

Ao lado do relator do imposto mais impopular do agro goiano em décadas?

O movimento é tão imprudente quanto simbólico:

José Mário aceita subir em palanques com o deputado que colocou sua assinatura, sua voz e seu voto na aprovação de uma contribuição que o próprio setor considera nociva, abusiva e injusta.

E mais: José Mário quer ser vice-governador.

Pretende representar o agro na chapa de Daniel Vilela — mas ao lado do homem que relatou o imposto sobre o agro.

É um exercício de amnésia coletiva que beira o deboche.


O discurso que não fecha

A retórica é a mesma de sempre:

“A taxa foi necessária.”

“Era para infraestrutura.”

“Foi um acordo técnico.”

Mas quando a população rural perdeu margem, quando caminhão deixou de rodar, quando insumo subiu, quando produtor reclamou, quando sindicatos protestaram…

a taxa continuou lá, intacta, arrecadando milhões.

E agora, justamente agora, em pré-temporada eleitoral, José Mário aparece ao lado de Talles como se nada tivesse acontecido.

O agro não esquece.

E o leitor do Blog do Cleuber Carlos menos ainda.

Um aviso claro ao eleitor rural

O eleitor rural goiano precisa olhar para essa foto — José Mário e Talles Barreto juntos — e fazer a pergunta que nenhum marqueteiro quer ouvir:

“Se esses dois fizeram a taxa do agro juntos, o que podem fazer novamente quando estiverem no poder?”

Porque a política é feita de alianças.

E alianças revelam intenções.

Nada indica que o projeto de taxação sobre o agro esteja encerrado.

Pelo contrário — sua arrecadação já ultrapassa um bilhão.

E um Fundo que arrecada bem não costuma perder espaço nos governos.

Conclusão Editorial

José Mário, que deveria ser o primeiro defensor do produtor rural, escolheu a pior companhia política possível: o relator da taxa do agro.

Ao caminhar ao lado de Talles Barreto, ele envia uma mensagem cristalina ao agro goiano:

a prioridade não é o produtor — é o projeto eleitoral.

E se essa é a escolha agora, imagine depois.

O Blog do Cleuber Carlos seguirá acompanhando cada passo dessa aliança — porque a história, quando mal contada, tende a repetir seus piores capítulos.