quinta-feira, 25 de setembro de 2025

Alagoas Um Estado Onde Quem Manda São os Criminosos

Praia do Saco: quando a grilagem se confunde com o poder em Alagoas

Um esquema de terras fraudadas, prisões ilegais e conexões políticas que revelam como o crime organizado sequestrou a Justiça no estado.

A engrenagem de um esquema criminoso

A Praia do Saco, em Alagoas, tornou-se símbolo de um dos episódios mais graves de grilagem de terras no Nordeste. O que deveria ser patrimônio coletivo virou alvo de um sofisticado esquema que misturava falsificação documental, violência policial e blindagem política. Terrenos inteiros foram transferidos de forma fraudulenta, com atas falsificadas, registros simulados e procurações inexistentes. O resultado: famílias expulsas de suas casas, moradores intimidados e a legitimação de um roubo institucionalizado.

O nome no centro da teia: Gustavo Malta

Entre os principais beneficiários, surge o nome de Gustavo Malta, empresário alagoano que ostenta carros de luxo e influência midiática, mas que também aparece como articulador de um sistema paralelo de poder. Investigado por envolvimento em rádios, negócios milionários e fraudes patrimoniais, ele é apontado como um dos mentores da grilagem na Praia do Saco. Sua atuação não se limitava ao mercado: denúncias revelam ligações com advogados e policiais que usavam a lei como arma para garantir seus interesses.


A violência travestida de Justiça

O caso não parou nos cartórios. Denúncias mostram que o esquema avançou para o terreno da violência institucional. Prisões ilegais, tortura psicológica e perseguição política se tornaram parte da engrenagem. A prisão do jornalista Cleuber Carlos, realizada com boletins de ocorrência falsos e provas forjadas, ilustra como a Polícia Civil de Alagoas foi usada como instrumento de intimidação. Em vez de proteger, agentes da lei passaram a agir em conluio com os grileiros.


As conexões políticas

Nenhum esquema dessa magnitude sobrevive sem proteção política. O nome de Tarso Sarmento, ex-assessor de Fernando Collor, surge como elo entre o poder público e os interesses privados. Relatórios e delações apontam que deputados estaduais, secretários e até ex-governadores teriam atuado para blindar o grupo, criando um ambiente de impunidade. Trata-se de um pacto silencioso em que a conivência oficial permitiu que a grilagem prosperasse à sombra do Estado.

O povo como vítima, a Justiça como refém


O drama da Praia do Saco ultrapassa a disputa por terrenos. Ele revela como o crime organizado, travestido de legalidade, sequestrou a Justiça em Alagoas. Quando empresários, advogados, policiais e políticos se unem em torno de um mesmo interesse ilícito, a sociedade se torna refém e a confiança nas instituições entra em colapso.


A pergunta que ecoa é inevitável: até quando o crime e o poder caminharão lado a lado em Alagoas, deixando o povo como a única vítima?


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