quarta-feira, 20 de agosto de 2025

Fraudes em Licitação: Caçu na Mira da Polícia Federal e o Retrato da Velha Corrupção Municipal


A cada nova operação da Polícia Federal em Goiás, a pergunta que ecoa é a mesma: até quando prefeitos e empresários vão tratar os cofres públicos como um balcão de negócios privados?


Desta vez, o palco é Caçu, no sudoeste goiano. A Operação Dominus Consortium, deflagrada nesta quarta-feira, revelou um esquema clássico, mas eficiente: empresas de fachada criadas para simular concorrência em licitações entre 2020 e 2024. Enquanto o cidadão acreditava na lisura do processo público, os contratos eram direcionados para os mesmos grupos empresariais, especializados em sugar recursos por meio de compras de materiais elétricos e de construção.


Não se trata de um caso isolado. Trata-se de um padrão enraizado na política municipal: licitações manipuladas, sobrepreço, contratos fictícios e empresas “laranjas” alimentando esquemas que beneficiam empresários e, em muitos casos, campanhas eleitorais. O modus operandi é tão repetido que se tornou rotina — uma rotina criminosa.


É preciso dizer com clareza: essa prática não sobrevive sem conivência do poder público. Se há empresas que se beneficiam, há também gestores que fecham os olhos ou estendem a mão para que o esquema funcione. A cada contrato fraudado, não são apenas cifras que desaparecem — é o dinheiro da saúde, da educação e da infraestrutura que vai parar nos bolsos de poucos.


E não se engane: Caçu é só mais uma peça desse tabuleiro sujo. Acreúna, Rio Verde e tantas outras cidades do sudoeste goiano já foram palco de denúncias semelhantes. A diferença é que agora a PF começa a puxar o fio da meada.


O resultado imediato da operação foram mandados de busca e apreensão em Goiânia e Caçu. Mas o que está em jogo é muito maior: desmascarar a rede de empresas e empresários que vivem de sugar o erário público sob o disfarce da legalidade.



O que esperar daqui para frente?



A Polícia Federal vai aprofundar as investigações. O Ministério Público precisará agir. A sociedade, mais uma vez, assiste perplexa a uma novela que se repete. Mas é hora de cobrar: quem são os agentes políticos que permitiram que essas fraudes prosperassem? Quem assinou os contratos? Quem lucrou com eles?


Enquanto isso, a cidade sofre. Porque a corrupção em licitações não é um crime abstrato. Ela se traduz na falta de remédios no posto de saúde, na escola sem estrutura, no buraco que nunca é tapado. A fraude tem nome: negligência, conluio e desrespeito ao cidadão.


Se Caçu está na mira hoje, é sinal de que outras cidades podem ser o próximo alvo. E que a era da impunidade, ainda que demore, precisa ter um fim.


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