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| Imagem ilustrar produzida por IA |
Não se trata apenas de uma falha administrativa. Trata-se de um crime moral contra toda a população. Quando a dor da perda se mistura à revolta pela falta de estrutura mínima para o sepultamento, o que temos é um retrato da negligência estrutural do poder público.
Enquanto o prefeito Claudiomar Portugal se ocupa de interesses políticos e contratos que levantam suspeitas, esquece-se de algo elementar: a dignidade do cidadão, inclusive na última morada. A morte não escolhe dia, hora nem partido político. Mas em Acreúna, a gestão municipal parece ter escolhido ignorar os vivos e desrespeitar os mortos.
É revoltante que uma família precise depender da solidariedade alheia para conseguir sete palmos de terra. Mais grave ainda é constatar que o cemitério – que deveria ser espaço de respeito – encontra-se tomado por sujeira, lixo e desorganização. Um cenário indigno, um espelho fiel da incompetência administrativa que marca esta gestão.
A história de Zé Nania é a de muitos acreunenses que ajudaram a erguer esta cidade. Gente simples, de valores, que abriu as portas de casa para a política, a cultura e a fé. E o que a cidade devolve? O abandono. O desprezo. O esquecimento.
Não se trata de política partidária. Trata-se de respeito humano. E é preciso dizer, com todas as letras: a atual gestão fracassou em garantir o mínimo. Se o governo municipal não consegue cuidar sequer do campo-santo, como pode se apresentar como guardião da vida e da dignidade do povo?
A seguir, publico na íntegra a Nota de Repúdio escrita por Adriana Moureira, neta de Zé Nania, que transformou a dor pessoal em um grito coletivo de indignação:
📢 NOTA DE REPÚDIO
Sou Adriana Moureira, filha de Acreúna. Mesmo morando fora há muitos anos, sinto-me no direito e no dever de expor minha dor e revolta.
Dor, pela partida do meu avô, José Ferreira Filho, o querido Zé Nania.
Revolta, porque em pleno velório descobri uma triste realidade: não havia espaço no cemitério municipal para sepultá-lo.
Como pode uma cidade com quase 50 anos de emancipação não ter um cemitério digno para seus filhos? Como pode, além da dor da perda, as famílias ainda lidarem com a indignação de não encontrar sequer sete palmos de terra para dar descanso aos seus entes queridos?
Meu avô não é melhor do que ninguém — mas é o meu avô. E foi também um dos fundadores de Acreúna. Apaixonado pela política, abriu sua chácara no Rio Turvo para comícios, reuniões e a tradicional Folia de Reis. A famosa casinha da “Máquina” já recebeu autoridades, foliões e amigos, sempre com simplicidade, café fresquinho e o carinho do vovô Zé Nania e da vovó Amélia.
E agora me pergunto: como alguém que tanto colaborou com a cidade que ajudou a erguer não tem direito a um descanso digno no cemitério local? Isso não é apenas injusto. É desumano.
Meu avô só foi sepultado em Acreúna porque uma amiga da família, num gesto generoso, cedeu seu espaço já adquirido. Ainda assim, encontrei um cemitério em condições vergonhosas: lixo, sujeira, desorganização, descaso. Um lugar que deveria inspirar respeito e trazer conforto é hoje um retrato do abandono.
Esse repúdio não é só por mim, não é só pelo meu avô. É por todos os acreunenses. Porque cedo ou tarde todos nós precisamos de dignidade até no último momento: o sepultamento.
Deixo meu apelo para que as autoridades se mobilizem. Não se trata de política, mas de RESPEITO à população de Acreúna. Que a dor da minha família sirva de reflexão, para que outras não passem pelo mesmo.
✍️ Adriana Moureira

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