quarta-feira, 20 de agosto de 2025

Quando até a Morte é Desrespeitada: O Retrato da Vergonha em Acreúna

Imagem ilustrar produzida por IA
Acreúna chegou ao cúmulo da omissão pública. Uma cidade que se aproxima de meio século de emancipação política, mas que sequer consegue garantir um espaço digno para enterrar seus mortos. O episódio vivido pela família do senhor José Ferreira Filho, o Zé Nania – um dos fundadores da cidade – escancara a dura realidade: o cemitério municipal está saturado, abandonado e entregue ao descaso.


Não se trata apenas de uma falha administrativa. Trata-se de um crime moral contra toda a população. Quando a dor da perda se mistura à revolta pela falta de estrutura mínima para o sepultamento, o que temos é um retrato da negligência estrutural do poder público.


Enquanto o prefeito Claudiomar Portugal se ocupa de interesses políticos e contratos que levantam suspeitas, esquece-se de algo elementar: a dignidade do cidadão, inclusive na última morada. A morte não escolhe dia, hora nem partido político. Mas em Acreúna, a gestão municipal parece ter escolhido ignorar os vivos e desrespeitar os mortos.


É revoltante que uma família precise depender da solidariedade alheia para conseguir sete palmos de terra. Mais grave ainda é constatar que o cemitério – que deveria ser espaço de respeito – encontra-se tomado por sujeira, lixo e desorganização. Um cenário indigno, um espelho fiel da incompetência administrativa que marca esta gestão.


A história de Zé Nania é a de muitos acreunenses que ajudaram a erguer esta cidade. Gente simples, de valores, que abriu as portas de casa para a política, a cultura e a fé. E o que a cidade devolve? O abandono. O desprezo. O esquecimento.


Não se trata de política partidária. Trata-se de respeito humano. E é preciso dizer, com todas as letras: a atual gestão fracassou em garantir o mínimo. Se o governo municipal não consegue cuidar sequer do campo-santo, como pode se apresentar como guardião da vida e da dignidade do povo?


A seguir, publico na íntegra a Nota de Repúdio escrita por Adriana Moureira, neta de Zé Nania, que transformou a dor pessoal em um grito coletivo de indignação:


📢 NOTA DE REPÚDIO


Sou Adriana Moureira, filha de Acreúna. Mesmo morando fora há muitos anos, sinto-me no direito e no dever de expor minha dor e revolta.


Dor, pela partida do meu avô, José Ferreira Filho, o querido Zé Nania.

Revolta, porque em pleno velório descobri uma triste realidade: não havia espaço no cemitério municipal para sepultá-lo.


Como pode uma cidade com quase 50 anos de emancipação não ter um cemitério digno para seus filhos? Como pode, além da dor da perda, as famílias ainda lidarem com a indignação de não encontrar sequer sete palmos de terra para dar descanso aos seus entes queridos?


Meu avô não é melhor do que ninguém — mas é o meu avô. E foi também um dos fundadores de Acreúna. Apaixonado pela política, abriu sua chácara no Rio Turvo para comícios, reuniões e a tradicional Folia de Reis. A famosa casinha da “Máquina” já recebeu autoridades, foliões e amigos, sempre com simplicidade, café fresquinho e o carinho do vovô Zé Nania e da vovó Amélia.


E agora me pergunto: como alguém que tanto colaborou com a cidade que ajudou a erguer não tem direito a um descanso digno no cemitério local? Isso não é apenas injusto. É desumano.


Meu avô só foi sepultado em Acreúna porque uma amiga da família, num gesto generoso, cedeu seu espaço já adquirido. Ainda assim, encontrei um cemitério em condições vergonhosas: lixo, sujeira, desorganização, descaso. Um lugar que deveria inspirar respeito e trazer conforto é hoje um retrato do abandono.


Esse repúdio não é só por mim, não é só pelo meu avô. É por todos os acreunenses. Porque cedo ou tarde todos nós precisamos de dignidade até no último momento: o sepultamento.


Deixo meu apelo para que as autoridades se mobilizem. Não se trata de política, mas de RESPEITO à população de Acreúna. Que a dor da minha família sirva de reflexão, para que outras não passem pelo mesmo.


✍️ Adriana Moureira


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