PÊNALTI NÃO MARCADO, VAR SILENCIOSO E O GRITO QUE ECOA EM ANÁPOLIS
O que aconteceu no Estádio Jonas Duarte não foi apenas mais um lance discutível. Foi mais um capítulo de uma história que, para muitos em Anápolis, parece se repetir temporada após temporada.
Com o placar em 2x2, dentro de casa, diante da sua torcida, um jogador da Anapolina é derrubado claramente dentro da grande área. Lance frontal, contato evidente, jogo vivo. O árbitro manda seguir. O VAR, que existe exatamente para corrigir erros claros e manifestos, permanece em silêncio. E o que poderia ter sido a virada, vira indignação.
O lance é claro. Placar marcando 2x2 no Jonas Duarte. Segundo tempo. Jogo tenso, equilibrado, decisivo. Luizão, atacante da Anapolina, invade a grande área e é derrubado em disputa direta. Contato evidente. Queda dentro da área.
O árbitro Jefferson Ferreira manda seguir.
Na imagem, é possível ver o momento exato da disputa dentro da área.
O jogador de vermelho (Anapolina) está à frente na corrida, com o corpo projetado para dentro da área, enquanto o defensor de verde vem por trás e lateralmente. O braço do defensor está aberto e há contato corporal evidente na região do tronco/quadril. A perna do defensor também parece avançar por trás da linha de corrida do atacante.
Pontos técnicos observáveis:
- 📍 Posição: o lance acontece claramente dentro da grande área.
- ⚖️ Contato: há contato físico perceptível entre defensor e atacante.
- 🧭 Dinâmica do movimento: o atacante está em progressão ofensiva; o defensor vem em recuperação.
- 🦵 Base de apoio: o contato parece interferir no equilíbrio do atacante.
O que a imagem sugere?
Não é uma simulação clara. Há contato real. A questão técnica passa por um ponto central:
👉 O contato foi suficiente para impedir a progressão ou foi disputa de jogo?
Em lances assim, o protocolo do VAR determina revisão quando há “erro claro e manifesto”. Pela imagem isolada, o contato existe. A discussão técnica seria intensidade e impacto na ação.
O problema maior, não é apenas o lance em si — é o silêncio do VAR em um momento decisivo.
Se o árbitro entendeu como contato normal de jogo, o VAR deveria ao menos checar a intensidade e recomendar revisão caso houvesse dúvida razoável.
Não é sobre clubismo. É sobre coerência.
Quando o futebol adota o VAR, ele assume um compromisso: reduzir injustiças evidentes. Se há dúvida mínima, revisa-se. Se há contato claro, analisa-se. O que não se pode aceitar é a omissão diante de um lance capital em um jogo decisivo.
Foi nesse contexto que o cronista esportivo Nei Ladeira, ex-jogador e voz respeitada do futebol goiano, fez um desabafo público. Não foi histeria de arquibancada. Foi indignação fundamentada. Ele afirmou que o futebol de Anápolis precisa repensar sua permanência na Federação Goiana e sugeriu, em tom de protesto, a migração para a Federação Candanga, disputando o Campeonato do Distrito Federal.
Radical? Talvez.
Mas a radicalidade nasce quando a confiança institucional se esgota.
O que Nei verbalizou não é sentimento isolado. Há anos, dirigentes, torcedores e analistas do interior reclamam de critérios, interpretações e decisões que, no mínimo, carecem de uniformidade. Não se acusa dolo sem prova. Mas se exige padrão. Se exige transparência. Se exige explicação pública quando o erro é gritante.
A arbitragem erra. Isso é humano. O que não pode errar é o sistema que existe justamente para corrigir o erro humano.
Se o árbitro não viu, o VAR viu?
Se viu, por que não chamou?
Se não chamou, qual foi o critério técnico adotado?
O futebol moderno exige accountability. Não basta encerrar a súmula e virar a página.
A fala de Nei Ladeira toca num ponto sensível: representatividade. O interior goiano, historicamente, sempre reclamou de peso político reduzido nas decisões estruturais do futebol estadual. E quando um lance decisivo acontece contra um clube tradicional como a Anapolina, em casa, com impacto direto no resultado, o questionamento ganha força.
Migrar de federação é juridicamente complexo. Envolve CBF, estatutos, aceitação da outra federação e critérios administrativos. Não é um gesto simples de protesto. Mas o fato de essa hipótese estar sendo ventilada publicamente revela o tamanho da fissura institucional.
Não se trata de criar teoria conspiratória. Trata-se de exigir profissionalismo.
O futebol goiano precisa responder. Precisa explicar. Precisa abrir áudio do VAR, detalhar decisão técnica, dar transparência. Porque quando o silêncio prevalece, a narrativa de injustiça ocupa o espaço.
E narrativa, quando não enfrentada com fatos, vira convicção coletiva.
O que se viu no Jonas Duarte não foi apenas um pênalti não marcado. Foi um teste de credibilidade. E credibilidade, no futebol, é patrimônio que se perde rápido.
Se o futebol de Anápolis está cansado, a Federação precisa ouvir. Porque ignorar o interior nunca foi estratégia inteligente.
O grito que saiu do microfone de Nei Ladeira não é apenas desabafo. É sintoma.
E sintoma, quando ignorado, vira crise.
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