As despesas da Assembleia Legislativa de Goiás (Alego) com a folha de pagamento revelam uma contradição gritante entre o discurso de austeridade e a realidade dos números. Entre janeiro e junho deste ano, os gastos com pessoal aumentaram em R$ 10,948 milhões, saltando de R$ 28,983 milhões no primeiro mês do ano para R$ 39,931 milhões em junho.
O presidente da Casa, Bruno Peixoto (UB), tentou justificar o valor elevado, apontando como causas o pagamento da primeira parcela do 13º salário no fechamento do semestre e indenizações de férias de servidores, que costumam ser concentradas em julho. Segundo ele, o valor de quase R$ 40 milhões em junho se repete em relação ao mesmo período do ano anterior.
Contudo, há um ponto que chama atenção: o chamado “crescimento vegetativo” da folha de pagamento, ou seja, aumentos automáticos vinculados a progressões de servidores efetivos e ao pagamento de quinquênios. Esse mecanismo, embora legal, produz um efeito de expansão contínua da despesa pública, transformando a folha em uma espécie de “bola de neve” que consome fatias cada vez maiores do orçamento.
Peixoto destaca ainda que servidores comissionados não têm atualização inflacionária em seus salários e que está proibido o pagamento de horas extras. Mas, mesmo com essas medidas, o peso da folha cresce em ritmo que coloca em xeque qualquer narrativa de contenção.
O custo da máquina legislativa
A cada semestre, os goianos assistem a novos recordes de gasto com pessoal, enquanto demandas sociais básicas – saúde, educação, segurança – convivem com limitações orçamentárias. A pergunta que fica é: quem paga a conta desse inchaço silencioso?
O aumento não é um episódio isolado. Ele reflete a falta de mecanismos efetivos de controle sobre a evolução da folha e a dependência de justificativas sazonais para explicar o que, na prática, é um processo contínuo e previsível.
Transparência e contradições
O discurso oficial fala em economia, proibição de horas extras e contenção de despesas. Os números, porém, contam outra história: quase R$ 11 milhões a mais em apenas seis meses. Isso reforça a sensação de que a política da austeridade muitas vezes não passa de retórica para o público externo, enquanto internamente os custos seguem crescendo sem freio real.
Em tempos de crise econômica e cobrança popular por eficiência, a Assembleia deveria dar exemplo de responsabilidade fiscal e transparência. Mas, pelos números atuais, a impressão é de que o Legislativo goiano se especializou em justificar o injustificável.

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