terça-feira, 27 de maio de 2025

Vídeo inédito revela denúncia gravíssima: conta bancária teria sido usada como moeda de troca por declarações falsas contra o ex-governador Marconi Perillo

Por Cleuber Carlos | 12 de maio de 2025

Um vídeo obtido exclusivamente pelo Metrópoles e divulgado recentemente nas redes sociais está causando grande impacto no cenário político e jurídico de Goiás. Nele, uma testemunha da Operação Poltergeist — investigação que mirou um suposto esquema de desvios de recursos públicos na Assembleia Legislativa de Goiás (Alego) — afirma ter sido pressionada por promotores do Ministério Público Estadual (MPGO) a prestar depoimentos fraudulentos , em troca do desbloqueio de uma conta bancária bloqueada pela Justiça.

O caso voltou à tona agora, sete anos após o depoimento original, dado durante uma audiência no Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO) em 2021. O conteúdo do vídeo mostra uma testemunha afirmando que não conhecia os principais alvos da operação e teria sido abordada pelo próprio MPGO com a proposta de colaborar com as investigações mediante benefícios pessoais.


"PEDIRAM QUE EU ASSINASSE O DOCUMENTO PRONTO"

Nas imagens, a testemunha relata que foi procurada pelos promotores para confirmar informações já pré-estabelecidas.

“Pediram que eu afirmasse [o que foi mandado] e me entregaram [documento] pronto. [Em seguida,] pediram que eu assinasse [a declaração]. [Durante a ação,] as câmeras eram desligadas”, disse a testemunha durante a audiência.

O homem também relatou ter sido pressionado a fazer declarações falsas contra o ex-governador de Goiás Marconi Perillo (PSDB) . Quando se recusou, segundo ele, teria passado a ser perseguido pelo órgão com ameaças de prisão e outras medidas coercitivas.

“Eles [promotores] pediram que eu fizesse um depoimento falso contra o ex-governador de Goiás, que era o Marconi Perillo. A partir do momento em que eu disse que não faria, o MP começou a se voltar contra mim, com ameaças de prisão e de diversos segmentos. Foi quando eu procurei o MPF [Ministério Público Federal] e fiz a denúncia.”


PROCESSO TRAVADO E DESTRAVADO NO STJ E STF

A Operação Poltergeist, conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), resultou na prisão temporária de 11 pessoas em 2018, entre elas o ex-deputado estadual Daniel Messac , apontado como líder da suposta organização criminosa.

No entanto, em 2023, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) determinou o trancamento da ação penal após defesa técnica apontar irregularidades na obtenção das provas, especialmente interceptações ambientais feitas sem autorização judicial.

O caso só voltou a tramitar em 2025 após decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que reverteu a decisão anterior e reconheceu a validade das provas coletadas, liberando o prosseguimento do processo.


PROMOTORES ENVOLVIDOS

Entre os promotores que atuaram na Operação Poltergeist estão:

  • Altamir Rodrigues Vieira Junior
  • Spiridon Nicofotis Anyfantis
  • Denis Augusto Marques
  • Walter Linzmayer Otsuka
  • Vinicius Marques Vieira
  • Luís Guilherme Gimenes
  • Juan Borges de Abreu

Até o fechamento desta edição, o MPGO não havia respondido aos questionamentos sobre as acusações contidas no vídeo.


TESTEMUNHA AFIRMA TER IDO AO MPGO "AO MENOS 20 VEZES"

Durante a audiência, a testemunha surpreendeu ao dizer que esteve no Ministério Público muito mais vezes do que registrado oficialmente.

“Doutor, nessa mesma época, eu não estive lá menos de 20 vezes. [No entanto], era pedido do MP que meu nome não fosse registrado e que eu não passasse na portaria quando chegasse”, afirmou.

Essa declaração reforça a suspeita de que haveria um esforço deliberado para manter certas interações longe do registro formal.


MPF DIZ NÃO TER REGISTRO DA DENÚNCIA

Questionado sobre o caso, o Ministério Público Federal informou que “não localizou representação pública sobre o tema” e destacou que processos sigilosos podem existir, mas não são rastreáveis publicamente.


CONCLUSÃO

As revelações trazem à tona questões delicadas sobre a conduta de promotores em investigações sensíveis e colocam novamente em xeque a lisura de operações que marcaram a história política de Goiás. A utilização de testemunhas sob condições duvidosas pode comprometer a credibilidade tanto da justiça quanto das instituições envolvidas.

Enquanto o processo penal segue seu curso no Poder Judiciário, a sociedade aguarda respostas claras e transparentes sobre os fatos revelados — e se realmente houve manipulação de depoimentos em busca de condenações.

Visivelmente constrangido, o promotor disse que não fazia parte da equipe que conduziu o processo na primeira fase. A testemunha, então, se desculpou e pontuou que seria interessante ter na audiência a presença de um promotor que acompanhou a ação desde o início.

A fala da testemunha foi proferida em uma audiência ocorrida em 2021, sete anos depois de o processo que derivou da Operação Poltergeist ter início – em meados de 2014. Contudo, somente agora o vídeo veio a público.

Em 2023, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) determinou o trancamento da ação penal após a defesa do ex-deputado Daniel Messac –acusado de liderar a organização criminosa – apontar irregularidades na captação e interceptação ambiental das provas. À época, o político chegou a ser preso, mas foi solto em seguida.

Conforme declararam os advogados, a operação ocorreu no marco da antiga lei de organizações criminosas, que exigia permissão da Justiça para obtenção de provas. Segundo o advogado Gilles Gomes, defensor de Messac, o MP agiu sem decisão judicial.

Em 2025, o Supremo Tribunal Federal (STF), após recurso do MPGO, reverteu a decisão do STJ, determinou o destravamento do processo e reconheceu a validade das provas. Agora, a ação criminal pôde ser retomada.

Atuaram no caso os seguintes promotores: Altamir Rodrigues Vieira Junior, Spiridon Nicofotis Anyfantis, Denis Augusto Marques, Walter Linzmayer Otsuka, Vinicius Marques Vieira, Luís Guilherme Gimenes e Juan Borges de Abreu.

Ex-governador Marconi Perillo

Em determinado momento da audiência, um advogado de defesa questiona a testemunha sobre duas idas dela ao MPGO.

“Aí consta que eu estive só duas vezes no MP?”, perguntou o homem. “Tem um termo aqui de 3 de abril de 2013, e tem outro termo de 9 de julho de 2013. Então, foram duas oportunidades”, respondeu o advogado.

A testemunha, então, diz acreditar ter ido ao órgão ao menos 20 vezes no período. “Doutor, nessa mesma época, eu não estive lá menos de 20 vezes. [No entanto] era pedido do MP que meu nome não fosse registrado e que eu não passasse na portaria quando chegasse”, declarou.

A testemunha contou, ainda, que não quis mais colaborar com o Ministério Público após receber pedido para testemunhar contra Marconi Perillo (PSDB), ex-governador de Goiás.

“Eles [promotores] pediram que eu fizesse um depoimento falso contra o ex-governador de Goiás, que era o Marconi Perillo. A partir do momento em que eu disse que não faria, o MP começou a se voltar contra mim, com ameaças de prisão e de diversos segmentos. Foi quando eu procurei o MPF [Ministério Público Federal] e fiz a denúncia”, contou.

Veja:

De acordo com o depoimento do homem, o caso foi levado ao conhecimento do procurador Mário Lúcio Avelar. “Somente após procurar o MPF, [a ameaça sofrida por ele] cessou”, finalizou.


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