**Por Cleuber Carlos – Investigação exclusiva**

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A política goiana pode ser abalada por um duplo terremoto jurídico e político. O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) recebeu, no último dia 23 de maio, uma representação formal que poderá culminar na **cassação de dois prefeitos em exercício** — **Claudiomar Portugal**, reeleito em Acreúna, e **Wellington Carrijo**, atual prefeito de Rio Verde — além da **quebra de sigilos fiscal e bancário** da empresa **Castro Herênio Serviços Médicos LTDA** e de seus sócios, incluindo a diretora técnica do Hospital Municipal de Acreúna, **Camila Pereira Fernandes**.
A denúncia, com farta documentação e evidências anexas, aponta **conflito de interesses**, **organização criminosa**, **abuso de autoridade**, **captação ilícita de sufrágio (compra de votos)** e até tentativas de **intimidação e armação contra jornalistas e opositores**.
### Um contrato de R\$ 3,6 milhões que virou mais de R\$ 22 milhões
O foco da denúncia gira em torno do contrato firmado entre a prefeitura de Acreúna e a empresa **Castro Herênio Serviços Médicos LTDA**, que começou em R\$ 3,6 milhões e foi aditivado **sete vezes**, alcançando a cifra impressionante de **R\$ 22 milhões**. A empresa tem como sócia a médica Camila Pereira, que, além de integrar a gestão do hospital municipal, **atua nos plantões pagos pelo mesmo contrato que ajudou a administrar** — uma afronta direta ao princípio da moralidade administrativa.
Como agravante, o atual prefeito de Rio Verde, Wellington Carrijo, **era sócio administrador da empresa à época da assinatura do contrato**, o que levanta suspeitas de **conluio entre prefeituras**. Após assumir o Executivo de Rio Verde, Carrijo viabilizou **contrato de R\$ 137 mil** para o filho do prefeito de Acreúna, Danilo Portugal — **uma possível troca de favores institucionalizada**.
### Flagrantes de compra de votos e uso indevido da rádio local
Além dos indícios de corrupção administrativa, a investigação cita **vídeos registrados em ata notarial** nos quais a procuradora de Acreúna, **Lígia Ferreira de Oliveira**, aparece **pagando cabos eleitorais em espécie dentro do comitê de campanha**, acompanhada da primeira-dama e da filha do prefeito. O uso da rádio **Canadá FM**, ligada ao grupo político, também foi considerado **instrumento de abuso de poder econômico**, tendo resultado em **condenação judicial com multa de R\$ 20 mil**, embora a cassação ainda dependa de recurso em segunda instância.
### GAECO pode pedir busca, apreensão e quebra de sigilos
A representação solicita que o **GAECO promova medidas cautelares urgentes**, como:
* **Busca e apreensão de documentos;**
* **Quebra de sigilos fiscal e bancário** da empresa Castro Herênio e seus sócios;
* **Afastamento cautelar de agentes públicos;**
* **Bloqueio de bens;**
* Investigação de **licitações fraudulentas** e **contratos emergenciais viciados**, como os da coleta de lixo em Rio Verde há mais de 8 anos.
Juridicamente, a apuração se fundamenta na:
* **Lei de Improbidade Administrativa (Lei 8.429/92);**
* **Lei dos Crimes contra a Administração Pública (arts. 299, 288, 319 do Código Penal);**
* **Lei de Conflito de Interesses (Lei 12.813/2013);**
* **Lei das Licitações (Lei 14.133/2021);**
* **Lei de Abuso de Autoridade (Lei 13.869/2019);**
* **Lei das Eleições (Lei 9.504/97, art. 41-A — compra de votos).**
### O que difere uma investigação do GAECO?

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Diferente da Polícia Civil e das Promotorias tradicionais, o **GAECO atua com foco em organizações criminosas estruturadas e crimes complexos envolvendo o poder público**, como corrupção, lavagem de dinheiro e fraudes licitatórias. Trata-se de um órgão **autônomo, especializado e com ferramentas de inteligência avançadas**, atuando de forma conjunta com forças policiais e com o Judiciário.
Enquanto uma delegacia comum apura fatos isolados, o GAECO **estrutura o mapeamento de redes criminosas e suas conexões institucionais**, permitindo uma investigação de maior profundidade e alcance.
### Próximos passos
Com o protocolo formal da representação, o GAECO deve:
1. **Abrir procedimento investigatório criminal e cível;**
2. Solicitar **relatórios ao Tribunal de Contas** e **auditorias de contratos**;
3. Determinar diligências cautelares (quebra de sigilo, bloqueios, buscas);
4. Requisitar proteção especial aos jornalistas e denunciantes ameaçados;
5. Avaliar eventual pedido de **prisão preventiva ou afastamento dos agentes públicos envolvidos**.
A depender dos desdobramentos, **duas gestões municipais poderão ser desestruturadas** — inclusive com a possibilidade de **nova eleição em Acreúna e Rio Verde**, caso os prefeitos sejam cassados e a Justiça Eleitoral considere que houve desequilíbrio no pleito e abuso de poder suficiente para comprometer a legitimidade do voto.
O Blog do Cleuber Carlos seguirá acompanhando e atualizando cada passo dessa investigação.




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