sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

Operação Regra Três: quando o discurso do Ministério Público é maior que a coragem de ir até o fim

O Ministério Público fala que viu uma avalanche de Crimes, mas suas ações correm risco de ficarem localizaras no poder legislativo, por causa de forças políticas  que trabalham para soterrar as investigações 

Se os crimes são sucessivos, estruturados e financeiros, como não haver ramificações fora do Poder Legislativo?


Essa não é uma pergunta retórica.

É uma pergunta lógica. Institucional. Inescapável.


Ao afirmar publicamente que as investigações revelaram “uma avalanche sucessiva de crimes que nunca pararam no Poder Legislativo de Rio Verde”, o Ministério Público de Goiás assumiu uma responsabilidade que vai muito além da retórica de coletiva. Quem fala em avalanche não está descrevendo fatos isolados. Está afirmando sistema, continuidade, organização e encadeamento criminoso.


E é exatamente aí que surge o problema.


A expressão “avalanche sucessiva de crimes” cria uma expectativa pública muito clara:

👉 múltiplos agentes,

👉 múltiplos fatos,

👉 múltiplos núcleos de responsabilidade.


Mas, até agora, a materialização pública da responsabilização não acompanha o tamanho do discurso.


O que se vê é uma investigação que fala como se tivesse alcançado o todo — mas age como quem aceita expor apenas uma parte. E essa assimetria é perigosa. Não apenas juridicamente. Institucionalmente.


Segundo o próprio Ministério Público, houve:

– desvio de taxas de concurso público cancelado,

– apropriação indevida de recursos,

– crimes praticados para encobrir crimes anteriores,

– nova destinação irregular de valores para tentar cobrir prejuízos.


Isso não descreve improviso.

Isso descreve engenharia criminosa.


Dinheiro público desviado não se oculta sozinho. Ele precisa circular, ser reaplicado, protegido, fracionado, eventualmente lavado. Esse tipo de conduta exige mais de um polo, mais de um ambiente institucional, mais de um nível de decisão.


Ainda assim, a narrativa oficial insiste em concentrar o foco exclusivamente no Legislativo municipal.


Não se trata aqui de defender investigados.

Trata-se de recusar a lógica seletiva.


Se há uma avalanche, ela não cai em um único prédio.

Se há sucessão de crimes, ela não se sustenta sem ramificações.

Se há estrutura, ela não existe sem conexões externas.


A insistência em restringir o alcance público da investigação levanta uma suspeita que o próprio Ministério Público deveria querer afastar: a de que há um descompasso entre o que se sabe e o que se expõe.


Outro ponto que agrava essa contradição é o silêncio sobre os valores. Fala-se em prejuízo financeiro, em desvio, em reaproveitamento de recursos — mas o montante total segue indefinido. Ora, quando se utiliza a palavra “avalanche”, não se pode oferecer números tímidos ou indefinidos. Avalanche tem volume. Tem peso. Tem impacto mensurável.


O Ministério Público escolheu subir o tom. Ao fazê-lo, abriu mão do conforto da prudência discursiva. A partir desse momento, a sociedade não tem apenas o direito de cobrar. Tem o dever.


Não basta dizer que as investigações continuam.

Não basta afirmar que responsabilidades estão sendo apuradas.

Não basta mirar apenas o Legislativo enquanto o dinheiro aponta para além dele.


A pergunta central permanece, incômoda e sem resposta:


Se o próprio Ministério Público afirma que os crimes são sucessivos, estruturados e financeiros, quem está fora do enquadramento — e por quê?


A credibilidade institucional não se sustenta apenas com frases fortes. Sustenta-se com coerência entre discurso e alcance investigativo. Quando essa coerência falha, o silêncio deixa de ser cautela e passa a ser escolha política.


E escolhas institucionais, em investigações desse porte, também precisam ser explicadas.

Gugu Nader é Atacado Por Cães do Chiqueiro Político de Itumbiara

Sou filho de Itumbiara, nascido nas barracas do Paranaíba, que na adolescência subia no caminhão de boia fria, e que encarou sozinho os desafios da vida para chegar no topo da cadeia alimentar da imprensa em Goiás. 

Realizei três copas do mundo, cobri durante 12 anos a seleção brasileira, sendo um dos principais integrantes das Feras do Kajuru por 20 anos, fui pioneiro em muitas coisas na imprensa em Goiás, desde as primeiras matérias no jornal folha de notícias , do amigo Ernando Lopes, conquistei todas as honrarias possíveis, mérito legislativo na câmara municipal de Goiânia, da Assembleia legislativa, medalha Pedro Ludovico Teixeira e mérito Anhangüera. Na imprensa em Goiás, hoje não enxergo ninguém a minha frente.

Na política Discípulo de Zé Gomes da Rocha, com quem caminhei por 18 anos, afilhado de Álvaro Soares Guimarães, afilhado de Marconi Perillo, amigo irmão de Cairo Batista. Amigo de Gugu Nader e Dr  Rezende e parceiro inseparável de Demostenes Torres por 20 anos

Enfrentei embates com políticos, juízes, empresários, desembargadores, procuradores, promotores, advogados e delegados. Mas sempre procurei me manter afastado das disputas em Itumbiara porque sempre foram disputas entre amigos.

Mas a partir de hoje essa história vai mudar.


Os ataques coordenados contra Gugu Nader não são crítica política. São método. Engenharia de desgaste. Velha política com ferramentas novas.


E quando o ataque vira método, neutralidade vira cumplicidade e neste momento estou deixando de ser omisso e saindo em defesa de Gugu Nader.


Falo como jornalista. Com certeza o mais  processados de Goiás — não por erro, mas por enfrentar os poderosos e não se acovardar diante de pressões e retaliações. Os embates, nunca me intimidaram. Me deram envergadura.


Por isso deixo claro:

Gugu Nader é meu amigo pessoal, desde que seu pai, Nadir Nader era presidente do Itumbiara. Nunca precisou de minha amizade para ajudá-lo na política, Mas sempre conversamos e se aconselhou comigo para tomar algumas decisões.  Disputas políticas são saudáveis e necessárias, por entender isso, por Itumbiara ser uma cidade onde as disputas políticas são travadas entre amigos, sempre procurei manter certa distância. 

Isso agora vai mudar, posso assegurar ao prefeito Dione Araújo e seus aliados, que vocês não estão preparados.

Os Ataques

Grupos de WhatsApp, vídeos manipulados e presença de servidor público levantam suspeitas graves sobre uso da máquina para difamação política no sul de Goiás

O que está em curso no submundo da política goiana não é debate, não é divergência e não é crítica. É operação. Uma engrenagem montada para destruir reputações, manipular percepções e interferir no jogo eleitoral por meio da mentira organizada.


Prints, vídeos e mensagens que circulam em grupos de WhatsApp de Itumbiara, Caldas Novas e Morrinhos expõem uma campanha coordenada de ataques contra o deputado estadual Gugu Nader, baseada em conteúdo audiovisual manipulado, insinuações rasteiras e linguagem deliberadamente ofensiva.

Não há espontaneidade.

Não há acaso.

Há repetição, direcionamento e objetivo político explícito.

Os registros analisados indicam que os ataques cumprem dupla função: desgastar a imagem pública do parlamentar e, paralelamente, abrir espaço político para o nome do genro do prefeito de Itumbiara, apresentado de forma artificial como pré-candidato a deputado estadual.

Isso não é coincidência. É método.

O detalhe institucional que transforma o escândalo em caso de Estado

Entre os integrantes de um dos grupos mais ativos — ironicamente chamado “Aconteceu em Morrinhos” — aparece  um servidor público que outrora atacava o prefeito e hoje recebe dinheiro público  para puxar o saco do prefeito e atacar o deputado. 

Esse dado muda tudo.

Quando um agente público, pago com recursos do contribuinte frequenta grupos onde circulam ataques direcionados, vídeos falsos e conteúdos potencialmente criminosos, a discussão deixa de ser política e passa a ser institucional, administrativa e possivelmente penal.

A pergunta não é retórica. É objetiva:

👉 O poder público municipal está sendo tolerante, omisso ou conivente com a difamação política digital?

Silêncio, nesse caso, não é neutralidade.

É posição.

Deepfake não é brincadeira. É crime — e crime grave

Não se trata de opinião. Trata-se de direito.

Especialistas em direito digital e eleitoral são uníssonos: a produção e disseminação de vídeos falsos (deepfakes) com finalidade política configura múltiplas infrações, entre elas:


  • Crimes contra a honra (calúnia e difamação);
  • Crimes eleitorais de alta gravidade;
  • Possível falsidade ideológica;
  • Uso indevido de meios de comunicação para fins eleitorais.


Quem tenta relativizar isso sob o manto da “liberdade de expressão” ou ignora a lei ou aposta na impunidade.


Deepfake não é sátira.

Não é crítica.

É engenharia de mentira.

Velha política, novas ferramentas — o mesmo desprezo pela democracia

O episódio escancara algo que Goiás conhece bem:

a velha política do ataque pessoal, agora turbinada por tecnologia, grupos fechados e desinformação viral.

O discurso moralista evapora quando os bastidores revelam difamação organizada, silêncio cúmplice e conveniência política.

Se for confirmada — como os indícios sugerem — a utilização direta ou indireta de estruturas públicas, agentes públicos ou funções institucionais nesse processo, o caso ultrapassa o campo do embate eleitoral e entra no território da responsabilização administrativa, eleitoral e judicial.

O que vem agora — e quem terá coragem de responder

O material já está em circulação.

Os prints existem.

Os vídeos estão identificados.

Os participantes estão mapeados.

Agora, as perguntas que realmente importam:

  • Quem coordena essa operação?
  • Quem financia essa engrenagem?
  • Quem se beneficia politicamente do ataque

E a pergunta mais incômoda de todas:

👉 Quem vai responder por isso?

Porque há uma certeza inescapável:

quando a política abandona o debate e escolhe o ataque, não é o adversário que perde.

👉 É a democracia local que apodrece.


O Blog do Cleuber Carlos seguirá acompanhando, cobrando e expondo — sem anestesia — os desdobramentos deste caso.

Na política, você não atira pedra na direção de quem tem um canhão mirando sua cabeça para revidar as pedradas.



quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

GAECO Não Pode Transformar Regra Três em Regra Seletiva

EDITORIAL

A Operação Regra Três não nasceu para investigar um contrato isolado. Nasceu porque o Ministério Público afirma ter identificado um esquema criminoso estruturado, com grupo empresarial definido, modo operandi reiterado e diversas licitações fraudulentas espalhadas por diferentes órgãos públicos, especialmente em reformas de prédios públicos e unidades escolares.


Esse ponto não é opinião. É a premissa oficial da investigação.


O grupo empresarial foi identificado.

O método foi descrito.

As licitações foram apontadas.


E, ainda assim, a responsabilização parou no meio do caminho.


Até agora, um agente público foi preso — o presidente da Câmara Municipal — porque um dos crimes investigados alcançou diretamente o Legislativo. Esse elo existe, é concreto e não está em debate. Mas ele não esgota o esquema. Ao contrário: ele apenas confirma que o método criminoso funcionava.


O problema começa quando um esquema que o próprio MP classifica como amplo, reiterado e sistêmico resulta, politicamente, na responsabilização de um único ente, enquanto os demais permanecem no escuro.


Se o delegado não é acusado de fraudar apenas a licitação da Câmara, por que apenas esse braço do esquema gerou prisão política?

Se houve outras licitações fraudulentas, onde estão os outros ordenadores de despesa, gestores de contrato, fiscais de obra, pareceristas jurídicos e autoridades que assinaram os demais contratos?

Eles não existiam?

Ou apenas não interessam neste momento?


Licitações não se materializam sozinhas. Reformas públicas não acontecem por geração espontânea. Todo contrato fraudado exige uma cadeia administrativa completa. Se o esquema tinha múltiplos contratos, tinha múltiplos agentes públicos envolvidos — por ação ou por omissão.


Quando o Estado identifica o método, o grupo empresarial e os crimes, mas hesita em avançar sobre todos os agentes públicos que deram sustentação ao esquema, o nome disso não é cautela. É seletividade.


E seletividade, em investigações dessa gravidade, não combate a corrupção — ela a reorganiza. Cria-se o efeito pedagógico errado: prende-se um, expõe-se um cargo, e preservam-se outros centros de poder que operaram dentro da mesma engrenagem.


A pergunta que precisa ser feita, de forma direta e sem rodeios, é esta:

a Operação Regra Três será levada até as últimas consequências ou será convertida em uma cortina de fumaça institucional?


Porque, se a regra era três — empresa, método e agentes públicos —, não se desmonta o esquema quebrando apenas uma perna do tripé.


Ou todos os envolvidos serão identificados e responsabilizados, ou a operação perderá sua coerência interna e se tornará apenas mais um capítulo do velho roteiro brasileiro: um preso para justificar o silêncio sobre os demais.


Combate real à corrupção não escolhe alvos convenientes.

Escolhe a verdade inteira.