domingo, 1 de fevereiro de 2026

Toy Story Quer Ser Governador de Goiás

 🎭 QUANDO A POLÍTICA VIRA DESENHO: “TOY STORY” ENTRA NA DISPUTA PELO GOVERNO DE Goiás

Entre chapéus, personagens e marketing, a fronteira entre liderança real e fantasia eleitoral fica cada vez mais turva


A cena política goiana vive um momento curioso — e simbólico. O debate público, que deveria girar em torno de gestão, políticas públicas e capacidade administrativa, começa a ser ocupado por uma estética de personagem. Não é força de expressão: o figurino, a performance e o roteiro têm lembrado mais um set da Toy Story do que um projeto de governo.


A imagem do caubói destemido, importada diretamente do universo de Woody, surge como metáfora perfeita desse momento. O problema é que, fora da animação, liderança não se constrói com figurino. No cinema, o herói salva o dia em 90 minutos. Na vida real, segurança pública, saúde e educação exigem planejamento, comando técnico e articulação institucional — coisas que não cabem em roteiro de animação.


O fenômeno não é isolado. A política contemporânea tem flertado perigosamente com a lógica do entretenimento. Personagens carismáticos substituem propostas. Gestos ensaiados tomam o lugar de decisões estruturais. O resultado é uma espécie de “disneyficação” do poder — onde a imagem vale mais que o conteúdo. Não por acaso, o imaginário coletivo passa a enxergar o processo eleitoral quase como um parque temático da The Walt Disney Company, onde tudo é cenário e nada é concreto.


Mas o eleitor não vive em animação. Ele enfrenta filas, impostos, violência, falta de leitos, estradas precárias. E aí está o ponto central: governar não é interpretar um papel. Não é trocar de figurino conforme a estratégia de marketing. Não é performar autoridade diante das câmeras. É exercer poder real com responsabilidade real.


Quando a política vira caricatura, o risco é sério. A caricatura simplifica, exagera, distorce. Funciona no humor. Funciona no desenho. Mas, no comando de um estado, pode virar sinônimo de superficialidade. O governante precisa ter eixo, não roteiro. Precisa de equipe técnica, não plateia.


Talvez por isso a metáfora de Mickey Mouse também faça sentido nesse cenário: um ícone global, reconhecido por todos, mas que pertence ao mundo da fantasia. Popularidade e reconhecimento não são sinônimo de capacidade administrativa. São coisas diferentes.


A eleição, portanto, impõe uma escolha clara ao eleitor goiano: votar em propostas ou em personagens? Em planos de governo ou em performances de campanha? Em quem administra ou em quem atua?


Porque, no fim das contas, o Palácio não é um estúdio. E o estado não é um desenho animado.


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