Obra pública na Avenida Celso Maeda entra em debate técnico após registro de campo eletromagnético sob duas linhas de transmissão paralelas
O que foi apresentado como obra urbana de lazer começa a assumir contornos de imprudência técnica. A construção de uma pista de caminhada na Avenida Celso Maeda, em Itumbiara (GO), exatamente sob duas linhas de transmissão de energia de alta tensão, desloca o debate da política para a segurança pública.
Aqui não se discute estética.
Discute-se física, eletricidade e responsabilidade administrativa.
📍 O LOCAL DA OBRA
A estrutura foi implantada dentro de área que corresponde a faixa de servidão de rede de transmissão de energia, espaço tecnicamente delimitado para operação e segurança do sistema elétrico, não para permanência contínua de pessoas.
Essas faixas existem porque:
- conduzem energia em altíssima tensão
- exigem corredor livre para manutenção
- apresentam campo eletromagnético constante
- possuem risco técnico associado a fenômenos elétricos invisívei
📸 REGISTRO NO LOCAL APONTA PRESENÇA DE CAMPO ELETROMAGNÉTICO
Durante verificação técnica realizada na própria Avenida Celso Maeda, um instrumento indicador de campo eletromagnético apresentou comportamento instável no trecho exato da pista localizada sob os cabos energizados.
O dispositivo não é equipamento de medição laboratorial, mas atua como indicador qualitativo, sinalizando a presença de campo elétrico e magnético gerado pelas linhas de transmissão.
A observação reforça uma premissa técnica reconhecida na engenharia elétrica: áreas sob redes de alta tensão não são projetadas para uso recreativo permanente.
⚡ DOIS CIRCUITOS PARALELOS: UM AGRAVANTE
A situação é ainda mais sensível porque não se trata de uma única linha. São duas redes paralelas no mesmo corredor.
Do ponto de vista elétrico, isso pode representar:
- somatório de campos eletromagnéticos
- maior indução elétrica em objetos metálicos
- ambiente de influência elétrica ampliada
Essa configuração é tratada tecnicamente como área de maior restrição.
⚖️ O PONTO LEGAL E ADMINISTRATIVO
Se havia conhecimento prévio de que a área está dentro de faixa de servidão, a aplicação de recursos públicos na obra levanta questionamentos sobre:
- adequação do projeto ao zoneamento técnico
- observância de normas de segurança
- responsabilidade por eventual exposição da população a risco previsível
- possível desvio de finalidade da obra pública
Não se trata de debate ideológico.
Trata-se de uso de dinheiro público em área com restrição técnica conhecida
🎭 DESVIO DO FOCO
Ao deslocar a discussão para embates políticos, ignora-se o essencial: linhas de transmissão não respondem a discurso.
Elas operam sob leis da física.
Energia de alta tensão não reconhece narrativa.
Reconhece distância, isolamento e área de segurança.
🧩 O QUE ESTÁ EM JOGO
A obra da pista de caminhada na Avenida Celso Maeda não é apenas uma questão urbana. É um ponto de interseção entre:
⚡ engenharia elétrica
⚖️ responsabilidade administrativa
👥 segurança da população
Quando a administração pública opta por intervir em área tecnicamente restrita, a decisão deixa de ser apenas política e passa a ser técnica e jurídica.
E, em casos assim, a história mostra que o problema raramente aparece na inauguração.
Ele surge depois — quando a física cobra o que a gestão ignorou.
1. EFEITOS IMEDIATOS (os mais certos do ponto de vista físico)
Estes não dependem de “opinião”, são fenômenos elétricos conhecidos:
🔹 Indução elétrica no corpo
Sob linhas de alta tensão, o campo elétrico pode induzir pequenas correntes no corpo humano. Normalmente são fracas, mas podem causar:
- formigamento leve
- sensação de choque ao tocar objetos metálicos
- desconforto em pessoas sensíveis
🔹 Descarga por contato indireto
Objetos metálicos (cercas, bicicletas, corrimãos) podem acumular tensão induzida e provocar pequenos choques.
🔹 Arco elétrico (situações extremas)
Em condições específicas (tempestade, falha estrutural), pode ocorrer descarga elétrica sem contato direto.
🔹 Queda de cabos
Evento raro, mas de alto impacto. Por isso as faixas de servidão são mantidas livres.
🧠 2. EFEITOS BIOLÓGICOS DE LONGO PRAZO (campo eletromagnético)
Aqui entramos no que a ciência chama de exposição crônica a campos eletromagnéticos de baixa frequência.
Organismos como a OMS (Organização Mundial da Saúde) e a IARC (Agência Internacional para Pesquisa em Câncer) classificam campos magnéticos de baixa frequência como:
“Possivelmente carcinogênicos para humanos” (Grupo 2B)
Isso não é afirmação de que causa câncer, mas indica que há evidências limitadas em estudos epidemiológicos.
O que já foi observado em pesquisas:
🔹 associação estatística com leucemia infantil em exposições prolongadas e elevadas
🔹 alterações discretas no sono em pessoas sensíveis
🔹 queixas de dor de cabeça e fadiga relatadas por alguns grupos expostos
Mas é importante ser honesto:
👉 não há consenso de causalidade direta
👉 os efeitos, se existirem, são de longo prazo
👉 a principal preocupação das normas é segurança elétrica, não biológica
👶 3. Por que crianças e idosos são mais citados
Não porque “o campo ataca”, mas porque:
- têm sistemas biológicos mais sensíveis
- ficam mais tempo em áreas de lazer
- estudos epidemiológicos focam nesses grupos
🐄 4. Animais
Animais de criação podem apresentar:
- maior sensibilidade a correntes induzidas no solo
- alterações de comportamento sob estruturas de alta tensão (observado em alguns estudos rurais)
⚖️ 5. Por que existem faixas de servidão?
Não é por causa de câncer.
É por causa de segurança elétrica e operacional.
Essas áreas são projetadas para:
- evitar contato com condutores
- permitir manutenção
- reduzir riscos em caso de falha
- manter distância segura da população
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