Com expectativa de 100 mil pessoas nos bloquinhos, venda irregular de ingressos e abadás pela internet se repete, expõe falhas de fiscalização e amplia risco de estelionato às vésperas da folia
O pré-Carnaval de Goiânia começa neste fim de semana sob clima de festa, mas também de alerta. A expectativa de reunir cerca de 100 mil foliões, distribuídos em dezenas de blocos espalhados pela capital, cria o ambiente perfeito não apenas para a celebração — mas também para a atuação de golpistas especializados na venda irregular de ingressos e abadás pela internet.
Casos recentes investigados pela Polícia Civil revelam um padrão que se repete todos os anos: anúncios atrativos em redes sociais, preços abaixo do valor oficial, suposta intermediação por “plataformas conhecidas” e a promessa de transferência antecipada do ingresso. O golpe, quase sempre, só é percebido no momento da retirada do abadá ou do acesso ao evento — quando o nome do comprador simplesmente não consta na lista.
O crime não é novo — o método é conhecido
Apesar de descrições que tentam dar aparência de sofisticação, o esquema segue um modus operandi clássico:
- anúncios patrocinados em redes sociais ou grupos de WhatsApp;
- oferta de ingressos “limitados” ou “últimos lotes”;
- valores significativamente abaixo do preço oficial;
- contato direto via mensagens privadas;
- exigência de pagamento antecipado;
- envio de comprovantes falsos ou transferências simuladas.
Na prática, trata-se de estelionato digital, crime recorrente em grandes eventos e potencializado pelo volume de pessoas, pela urgência típica do Carnaval e pela falsa sensação de segurança ao negociar pela internet.
Quanto maior a festa, maior o risco
O pré-Carnaval de Goiânia deixou de ser um evento pontual para se tornar um circuito descentralizado, com blocos espalhados por várias regiões da cidade, festas privadas, eventos pagos e apresentações em locais públicos. Esse crescimento amplia o público — e, junto com ele, o mercado informal e criminoso de ingressos.
Especialistas em segurança pública alertam que o período que antecede grandes eventos é o mais crítico, justamente porque o consumidor age sob pressão: medo de perder o evento, confiança excessiva em anúncios bem produzidos e pouca checagem de fontes oficiais.
Onde estão as falhas
A recorrência desses golpes expõe problemas estruturais:
- falta de campanhas preventivas antes de grandes eventos;
- ausência de fiscalização ativa sobre anúncios pagos de ingressos falsos;
- dificuldade de rastreamento rápido dos golpistas após o evento;
- baixa cultura de registro imediato de ocorrência pelas vítimas.
O resultado é um ciclo conhecido: o golpe acontece, a vítima descobre tarde demais e o criminoso já migrou para outro evento, outro bloco, outra cidade.
Como o folião pode se proteger
A orientação das autoridades é clara:
- compre ingressos apenas nos canais oficiais dos blocos ou produtores;
- desconfie de preços muito abaixo do mercado;
- evite negociações por mensagens privadas;
- não faça pagamentos sem confirmação direta com a organização do evento;
- em caso de golpe, registre ocorrência imediatamente.
No Carnaval, a fantasia pode ser livre — mas a compra de ingressos precisa ser criteriosa.
O foco precisa estar no crime, não na vítima
Transformar vítimas em personagens centrais desvia a atenção do essencial: o estelionato é um problema coletivo, previsível e evitável com informação, fiscalização e resposta rápida.
Às vésperas de um dos maiores eventos populares do calendário goianiense, o alerta está dado: o golpe não escolhe cargo, renda ou perfil — escolhe oportunidade.
E no Carnaval, oportunidade é o que não falta.
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