sábado, 7 de fevereiro de 2026

Golpe de ingressos vira risco real no pré-Carnaval de Goiânia e acende alerta para foliões

Com expectativa de 100 mil pessoas nos bloquinhos, venda irregular de ingressos e abadás pela internet se repete, expõe falhas de fiscalização e amplia risco de estelionato às vésperas da folia

O pré-Carnaval de Goiânia começa neste fim de semana sob clima de festa, mas também de alerta. A expectativa de reunir cerca de 100 mil foliões, distribuídos em dezenas de blocos espalhados pela capital, cria o ambiente perfeito não apenas para a celebração — mas também para a atuação de golpistas especializados na venda irregular de ingressos e abadás pela internet.

Casos recentes investigados pela Polícia Civil revelam um padrão que se repete todos os anos: anúncios atrativos em redes sociais, preços abaixo do valor oficial, suposta intermediação por “plataformas conhecidas” e a promessa de transferência antecipada do ingresso. O golpe, quase sempre, só é percebido no momento da retirada do abadá ou do acesso ao evento — quando o nome do comprador simplesmente não consta na lista.

O crime não é novo — o método é conhecido

Apesar de descrições que tentam dar aparência de sofisticação, o esquema segue um modus operandi clássico:

  • anúncios patrocinados em redes sociais ou grupos de WhatsApp;
  • oferta de ingressos “limitados” ou “últimos lotes”;
  • valores significativamente abaixo do preço oficial;
  • contato direto via mensagens privadas;
  • exigência de pagamento antecipado;
  • envio de comprovantes falsos ou transferências simuladas.

Na prática, trata-se de estelionato digital, crime recorrente em grandes eventos e potencializado pelo volume de pessoas, pela urgência típica do Carnaval e pela falsa sensação de segurança ao negociar pela internet.

Quanto maior a festa, maior o risco

O pré-Carnaval de Goiânia deixou de ser um evento pontual para se tornar um circuito descentralizado, com blocos espalhados por várias regiões da cidade, festas privadas, eventos pagos e apresentações em locais públicos. Esse crescimento amplia o público — e, junto com ele, o mercado informal e criminoso de ingressos.

Especialistas em segurança pública alertam que o período que antecede grandes eventos é o mais crítico, justamente porque o consumidor age sob pressão: medo de perder o evento, confiança excessiva em anúncios bem produzidos e pouca checagem de fontes oficiais.

Onde estão as falhas

A recorrência desses golpes expõe problemas estruturais:


  • falta de campanhas preventivas antes de grandes eventos;
  • ausência de fiscalização ativa sobre anúncios pagos de ingressos falsos;
  • dificuldade de rastreamento rápido dos golpistas após o evento;
  • baixa cultura de registro imediato de ocorrência pelas vítimas.

O resultado é um ciclo conhecido: o golpe acontece, a vítima descobre tarde demais e o criminoso já migrou para outro evento, outro bloco, outra cidade.

Como o folião pode se proteger

A orientação das autoridades é clara:

  • compre ingressos apenas nos canais oficiais dos blocos ou produtores;
  • desconfie de preços muito abaixo do mercado;
  • evite negociações por mensagens privadas;
  • não faça pagamentos sem confirmação direta com a organização do evento;
  • em caso de golpe, registre ocorrência imediatamente.

No Carnaval, a fantasia pode ser livre — mas a compra de ingressos precisa ser criteriosa.

O foco precisa estar no crime, não na vítima

Transformar vítimas em personagens centrais desvia a atenção do essencial: o estelionato é um problema coletivo, previsível e evitável com informação, fiscalização e resposta rápida.

Às vésperas de um dos maiores eventos populares do calendário goianiense, o alerta está dado: o golpe não escolhe cargo, renda ou perfil — escolhe oportunidade.

E no Carnaval, oportunidade é o que não falta.


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