Agendamento relâmpago de ação penal acirra suspeitas de uso político do Judiciário, enquanto pressão norte-americana ameaça economia brasileira.
O ministro Cristiano Zanin, presidente da Primeira Turma do STF, marcou para 2 de setembro de 2025 o início do julgamento que pode condenar o ex-presidente Jair Bolsonaro e outros sete réus por suposta trama para romper a ordem institucional após as eleições de 2022. Além da sessão inaugural, foram reservados os dias 3, 9, 10 e 12 de setembro para acelerar o desfecho.
A velocidade do agendamento contrasta com a morosidade de outros processos no Supremo e reacende críticas sobre seletividade e uso político de prazos judiciais. O caso chegou à pauta a pedido do ministro Alexandre de Moraes, relator, que declarou encerrada a fase de instrução e diligências.
Acusações e controvérsias
Bolsonaro responde a cinco crimes — de tentativa de golpe de Estado a deterioração de patrimônio tombado. A defesa sustenta que não há provas que o vinculem diretamente aos atos investigados e denuncia perseguição política, enquanto críticos apontam para a disparidade de tratamento dado a casos de natureza semelhante ou mais graves que seguem engavetados.
Pressão externa sem precedentes
O julgamento ocorre sob o impacto de uma crise diplomática inédita com os Estados Unidos. O presidente norte-americano Donald Trump chamou o caso de “caça às bruxas” e anunciou tarifas de até 50% sobre produtos brasileiros como retaliação.
Nos bastidores, Eduardo Bolsonaro, radicado nos EUA, pressiona pelo uso da Lei Magnitsky contra ministros do STF, acusando-os de violar direitos e atuar de forma parcial. O embate coloca o Brasil numa posição delicada: sustentar a autonomia do Judiciário sem ignorar a ameaça de prejuízos bilionários nas exportações.
Consequências à vista
- Institucionais: aumento da polarização e risco de desgaste da imagem do STF como corte imparcial.
- Econômicas: tarifas e sanções podem atingir carne, café, minério e soja, com reflexos diretos no PIB.
- Políticas: eventual condenação de Bolsonaro pode redefinir o tabuleiro eleitoral de 2026.
Editorial
O que está em jogo não é apenas a liberdade de um ex-presidente, mas a credibilidade das instituições brasileiras diante do mundo. Um STF que acelera certos processos enquanto outros se arrastam por anos alimenta a percepção de justiça seletiva.
Ao mesmo tempo, a ingerência norte-americana por meio de sanções e tarifas expõe um jogo geopolítico em que a democracia brasileira vira moeda de troca.
O dia 2 de setembro será um teste de resistência: se o Brasil conseguirá conduzir um julgamento de alta repercussão sem sucumbir nem ao uso político interno nem às pressões externas.

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