O caso da Sicoob Uniminas Bandeirantes expõe falhas graves no cooperativismo financeiro e deixa milhares de associados pagando a conta de uma gestão marcada por fraudes e omissões.
O escândalo
Um dos maiores escândalos recentes do sistema cooperativo brasileiro envolve a Sicoob Uniminas Bandeirantes, sediada em Americanas – SP. Extinta em junho de 2021, a cooperativa deixou um rombo financeiro de R$ 114 milhões, detectado após auditorias do Banco Central.
As irregularidades confirmadas incluem:
- Concessão de empréstimos sem garantias adequadas;
- Omissão de prejuízos nos balanços apresentados aos cooperados;
- Operações financeiras ilegais e fora dos padrões de governança;
- Conivência da alta gestão com práticas fraudulentas;
- Falta de fiscalização efetiva por parte de conselheiros e diretores.
O resultado foi devastador: em março de 2023, o Banco Central aplicou multas superiores a R$ 700 mil e inabilitou 15 ex-diretores e conselheiros, proibindo-os de atuar no sistema financeiro por até 12 anos
O peso sobre os cooperados
Apesar da liquidação da agência, o rombo não desapareceu. Pelo modelo de responsabilidade solidária do cooperativismo, a dívida foi repassada a cerca de 11 mil cooperados, que terão de arcar com o prejuízo.
📌 O pagamento será feito por meio de descontos nas sobras futuras, diluídos ao longo de até 15 anos.
📌 Muitos associados que jamais participaram das decisões da gestão ou sequer foram informados das irregularidades estão agora comprometidos financeiramente por erros e fraudes que não praticaram.
Essa realidade escancara o risco do modelo cooperativo quando não há transparência, fiscalização e participação ativa dos cooperados.
O alerta sistêmico
O caso da Sicoob Uniminas não é apenas uma tragédia local: ele acende um alerta para todo o sistema Sicoob.
O rombo de R$ 114 milhões na Sicoob Uniminas Bandeirantes deixa uma lição dura: sem controle, o cooperativismo pode se transformar em um banco disfarçado, com menos regulação e mais vulnerabilidade para quem menos deveria sofrer: o associado comum.
Cabe agora ao Banco Central, ao Sistema Sicoob e, sobretudo, aos próprios cooperados, exigirem transparência, auditoria independente e participação ativa, para que casos como este não voltem a manchar a credibilidade de um modelo que deveria ser de confiança e solidariedade

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