sexta-feira, 22 de agosto de 2025

O Popular: jornalismo seletivo ou omissão deliberada?


Grupo Jaime Câmara expõe delegado, mas silencia sobre presidente da Câmara de Rio Verde

A cobertura da Operação Regra de Três pelo jornal O Popular e pela TV Anhanguera escancara uma contradição que não pode passar despercebida. Na nota oficial divulgada pelo Ministério Público de Goiás (MPGO), de fato, nenhum nome dos investigados foi mencionado. Caberia, portanto, à imprensa apurar os fatos e dar transparência ao cidadão.


Foi exatamente isso que aconteceu — mas de forma seletiva. A TV Anhanguera, que integra a mesma Organização Jaime Câmara do jornal O Popular, revelou que o delegado Dannilo Ribeiro Proto era um dos alvos, detalhando inclusive a sua prisão. O jornal, por sua vez, reproduziu essa informação e a publicou como se fosse “apuração externa”.


No entanto, quando se tratava do envolvimento do presidente da Câmara Municipal de Rio Verde, igualmente alvo da operação, tanto o jornal quanto a TV optaram pelo silêncio.

A seletividade do Grupo Jaime Câmara

Aqui não se trata de incapacidade de apuração. O mesmo conglomerado que não hesitou em expor um delegado e sua esposa, preferiu omitir a identidade de um político poderoso da cidade. Isso não é falha jornalística: é escolha editorial.


O recado ao leitor é claro: quando o envolvido é um servidor ou delegado, o nome vai para a manchete. Mas quando o investigado é um político com força e influência, o grupo prefere abafar. Essa seletividade mina a credibilidade de qualquer veículo de comunicação.

O papel da imprensa

A função do jornalismo é escancarar os fatos, não escondê-los. A população de Rio Verde e de Goiás tem o direito de saber quem são todos os envolvidos em esquemas que desviam milhões da educação pública. Ao omitir nomes de políticos, o Grupo Jaime Câmara se distancia de seu dever cívico e se aproxima da cumplicidade com o poder.


Conclusão

Ou o O Popular e a TV Anhanguera assumem que praticaram jornalismo seletivo, ou terão de admitir que optaram por uma omissão deliberada para proteger um político influente. Nos dois casos, quem perde é a sociedade.

A pergunta que fica é simples: afinal, o grupo noticiou a verdade ou ajudou a esconder?


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