sábado, 23 de agosto de 2025

Ex-prefeito Paulo do Vale na teia de contratos e apadrinhamentos: o caso Delta Proto

Contrato da Prefeitura de Rio Verde com empresa de delegado investigado expõe rede de favorecimentos políticos que envolve até cargos na Secretaria de Educação de Goiás


1. O contrato que liga Prefeitura e delegado investigado


Em 2023, a Prefeitura de Rio Verde, ainda sob comando do então prefeito Paulo Faria do Vale, firmou contrato (nº 298/2023, processo nº 50644/2023) com o Instituto Delta Proto Ltda, representado pelo delegado Dannilo Ribeiro Proto Filho (PC-GO).


O objeto foi a contratação de curso de capacitação para agentes de trânsito da Guarda Civil Municipal, no valor de R$ 31.768,00, via dispensa/inexigibilidade de licitação (art. 75, II, da Lei 14.133/21).


O detalhe é que o delegado em questão figura como investigado em operações recentes do Ministério Público de Goiás (MP-GO) sobre fraudes em contratos e licitações. Ou seja, mesmo diante de suspeitas, sua empresa foi beneficiada com contrato público autorizado pela gestão de Paulo do Vale.


2. A influência política de Paulo do Vale

O contrato não é um episódio isolado. Paulo do Vale não apenas deixou a prefeitura, mas também conseguiu eleger seu sucessor Wellington Carrijo, mantendo forte influência nos rumos políticos de Rio Verde.


Além disso, há indícios de que o ex-prefeito utilizava seu capital político para abrir espaços em cargos estratégicos no governo estadual: a esposa do delegado Dannilo Proto foi nomeada para um cargo de confiança na Secretaria Estadual de Educação, por indicação de Paulo do Vale.


Esse dado reforça a tese de que havia uma rede de apadrinhamento e favorecimento mútuo, onde relações pessoais e políticas se sobrepunham ao interesse público

3. Conflito de interesses e possível improbidade

A situação suscita questionamentos jurídicos graves:

  • Conflito de interesses: um delegado de polícia, cuja função é zelar pela lei, aparece como dono de empresa contratada pelo poder público em condições de favorecimento político.
  • Improbidade administrativa: o envolvimento de Paulo do Vale em beneficiar diretamente um aliado político (delegado e sua esposa) pode configurar violação à Lei de Improbidade (Lei 8.429/92).
  • Tráfico de influência: a nomeação da esposa do delegado para cargo estratégico na educação estadual, por indicação do ex-prefeito, reforça a suspeita de uso da máquina política para sustentar alianças pessoais.

4. O que precisa ser investigado

  1. Quantos contratos a Prefeitura de Rio Verde firmou com o Instituto Delta Proto Ltda entre 2020 e 2024.
  2. Se houve aditivos ou valores superiores ao contrato já identificado.
  3. A atuação da esposa do delegado dentro da Secretaria de Educação: cargo, funções e contrapartidas políticas.
  4. O papel de Wellington Carrijo, sucessor de Paulo do Vale, na manutenção dessa rede de interesses.
  5. Se o MP-GO e o TCM-GO já têm apurações específicas sobre essa relação contratual e de nomeações.

5. O fio condutor


O que emerge é a figura de Paulo do Vale como articulador de uma teia de poder, que conecta prefeitura, sucessão municipal, contratos públicos e nomeações em secretarias estaduais. O caso do Instituto Delta Proto Ltda é apenas a ponta visível de um esquema que pode indicar captura do poder público em benefício de aliados políticos e pessoais.


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