A política de Goiânia repete um enredo sombrio, conhecido por quem acompanhou o desastroso mandato do ex-prefeito Rogério Cruz. Naquele período, um dos mais caóticos da história da capital, Romário Policarpo praticamente sequestrou a Prefeitura. Presidente da Câmara, ele assumiu o controle de secretarias estratégicas, neutralizou o próprio prefeito e montou um sistema de poder paralelo, onde vereadores aliados transformaram o Paço em um verdadeiro açougue dos cofres públicos. O resultado foi a degradação administrativa, marcada por escândalos, contratos suspeitos e a sangria dos recursos da cidade.
Agora, a história ameaça se repetir. O prefeito Sandro Mabel, acuado e isolado politicamente, descobre que não governa sem a chancela de Policarpo. Para garantir a mínima governabilidade, foi obrigado a entregar os anéis para salvar os dedos: abrir espaço para o presidente da Câmara comandar pastas importantes, negociar diretamente dentro da Prefeitura e impor sua agenda política.
O fantasma de Rogério Cruz ronda o Paço
O cenário atual é inquietantemente semelhante ao que se viu sob Rogério Cruz. Policarpo, mestre em controlar o plenário, sabe usar sua força para subjugar prefeitos frágeis. Foi assim quando deixou Cruz como refém, um mero figurante, enquanto vereadores aliados — sob sua batuta — transformavam a máquina pública em balcão de privilégios e fatiavam o orçamento municipal.
Se Goiânia viveu uma “carnificina” administrativa na era Cruz, há quem tema que a chegada de Mabel ao mesmo destino seja apenas questão de tempo. Afinal, quem já provou do poder absoluto dificilmente se contenta em ser apenas coadjuvante.
A rendição de Sandro Mabel
Ao aceitar a tutela de Policarpo, Sandro Mabel se rende. Não por estratégia, mas por necessidade. Sua base fragmentada, incapaz de garantir estabilidade, o empurrou para os braços de quem domina a Câmara com mão de ferro. O cavalo brabo foi domado, e o cavaleiro é o mesmo que já transformou a Prefeitura em curral no passado recente.
Policarpo não é aliado de conveniência. É um operador de bastidores que exige poder real, cargos, contratos e influência. Ao entregá-lo novamente as chaves da administração, Mabel corre o risco de reeditar o desastre administrativo que tantos prejuízos trouxe a Goiânia.
Entre governabilidade e conluio
O dilema é cruel: sem Policarpo, Mabel não governa; com Policarpo, Mabel se arrisca a ser engolido. O que deveria ser uma aliança para a estabilidade da cidade pode se transformar em mais um ciclo de saques, acomodações e conluios, onde quem perde é o contribuinte goianiense.
👉 O alerta é simples e direto: ou Sandro Mabel encontra meios de romper essa dependência e retomar o comando do Paço, ou Goiânia será novamente submetida ao mesmo roteiro de desastre que marcou a era Rogério Cruz, com Policarpo operando nos bastidores como verdadeiro prefeito de fato.

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