quarta-feira, 7 de maio de 2025

Sonhos interrompidos no Japão: a despedida solitária de Amanda Borges e o apelo de uma família por justiça e dignidade

 

Por Cleuber Carlos

"Eu amo minha cidade, mas ela é pequena para caber os meus sonhos." Com essas palavras, a goiana Amanda Borges da Silva, de apenas 30 anos, registrou em sua rede social o entusiasmo de quem cruzava fronteiras pela primeira vez. Era sua estreia fora do Brasil. Seu primeiro voo internacional. O início de um sonho que acabaria de forma brutal, trágica — e ainda sem todas as respostas.

Amanda foi encontrada morta na madrugada do dia 1º de maio, em um apartamento na cidade de Narita, no Japão. A jovem havia embarcado em março rumo à Coreia do Sul, e depois seguiu para o Japão. Usava tradutor no celular, assistia vídeos no TikTok para saber como andar de metrô, se comunicar, se localizar. Era curiosa, corajosa, sonhadora. Uma mulher do interior de Goiás explorando o outro lado do mundo — sozinha, mas cheia de esperança.

Mas Amanda não voltará para casa com as histórias que queria contar.

Vaquinha por dignidade: a dor de uma mãe e a mobilização de um povo

A morte, em outro continente, foi apenas o começo de uma nova batalha: trazer Amanda de volta ao Brasil. A família, humilde, precisa de cerca de R$ 55 mil para o traslado do corpo, mesmo após o governo de Goiás se comprometer a cobrir 30% do custo total (R$ 78 mil). Uma vaquinha solidária foi criada com um único objetivo: permitir que Amanda tenha um sepultamento digno, entre os seus, no cemitério de Caldazinha, onde nasceu e onde descansa seu avô.

A campanha de arrecadação está sendo feita por meio da chave PIX 62 99570-9612, em nome da mãe, Valdeína Borges da Silva. Até a noite desta quarta-feira (7/5), o valor arrecadado girava em torno de R$ 46.111,60. Mas o tempo é cruel. O corpo permanece em solo japonês, e a família teme o agravamento das condições de preservação. A urgência é real. A dor, insuportável.

"Agora, a nossa única preocupação é trazer a Amanda de volta", disse, entre lágrimas, a amiga Flávia Muniz, que há dez anos acompanhava de perto a vida e os sonhos de Amanda.

Uma morte cercada de mistério

O caso ainda está sob investigação. Segundo a emissora japonesa NHK, Amanda foi encontrada em um apartamento que pegou fogo. Um homem, de nacionalidade srilanquesa, foi preso por deixar o local sem apagar o incêndio. Ainda não há confirmação oficial das causas da morte. O Itamaraty, por meio do Consulado do Brasil em Tóquio, afirmou estar prestando assistência à família e acompanhando o caso junto às autoridades japonesas.

A ausência que dói

Tragédias como a de Amanda Borges expõem uma ferida que atravessa fronteiras: a solidão de quem sonha grande, mas parte sozinho. Ela não era uma mochileira experiente. Era uma jovem mulher brasileira, desbravando o desconhecido com coragem, medo e fé.

E agora, sua família vive uma jornada ainda mais dura: buscar dignidade para se despedir.

Neste momento, o apelo que se espalha pelas redes sociais é o mesmo: que o Brasil traga Amanda para casa. Que o país que ela tanto amava se levante, por meio de seus filhos, para garantir a ela o mínimo — descansar em paz entre os seus.


📌 Como ajudar:

Chave PIX para doações:
📱 62 99570-9612
👩‍🦰 Valdeína Borges da Silva (mãe de Amanda)

Compartilhe, doe, mobilize. Amanda merece voltar.

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