terça-feira, 6 de maio de 2025

Milhões sem licitação: Prefeitura de Santa Helena firma contrato emergencial com empresa ligada à elite política de Rio Verde

Contrato reforça o "consórcio político-empresarial" entre aliados de Wellington Carrijo e Paulo do Vale, agora expandindo sua influência sobre a saúde pública de Santa Helena e Acreúna

Por Cleuber Carlos
Publicado em 06/05/2025

Um contrato milionário, assinado sem licitação, reacende o debate sobre os limites entre o interesse público e os acordos políticos na administração municipal de Santa Helena de Goiás. O Fundo Municipal de Saúde firmou, por dispensa de licitação, o Contrato nº 002/2025 com a empresa GVG Assistência Médica, sediada em Rio Verde, no valor total de R$ 3.247.200,00.

O contrato, que prevê serviços médicos no Hospital Municipal e na UPA de Santa Helena, chama atenção não apenas pelo montante, mas sobretudo pela proximidade entre os envolvidos: a empresa é representada por Guilherme do Vale Garcia, médico e sócio administrador da GVG, parente direto do ex-prefeito de Rio Verde Paulo do Vale, e próximo do atual prefeito Wellington Carrijo. Ambos são aliados políticos de longa data e controlam, direta ou indiretamente, áreas estratégicas da saúde e infraestrutura na região sudoeste de Goiás.

A empresa GVG Assistência Médica LTDA, sediada em Rio Verde, Goiás, é uma sociedade empresária limitada registrada sob o CNPJ 30.721.495/0001-09. Fundada em 18 de junho de 2018, sua atividade principal é a prestação de serviços médicos ambulatoriais restritos a consultas, conforme o CNAE 86.30-5-03.

Guilherme do Vale Garcia  é sobrinho do ex-prefeito de Rio Verde Paulo do Vale.

Segundo os documentos obtidos pelo blog, o contrato foi assinado com base na Dispensa de Licitação nº 03/2025, amparada no art. 75, inciso VIII da nova Lei de Licitações (Lei 14.133/2021), que permite a contratação direta em casos de emergência. No entanto, a ausência de transparência quanto aos critérios técnicos da escolha e o curto tempo entre a instauração do processo e a assinatura do contrato despertam suspeitas de direcionamento.

GVG: empresa "estrela" no sistema de saúde regional

A GVG Assistência Médica já atuou em outros municípios com contratos semelhantes, levantando questionamentos sobre sua relação com administrações municipais aliadas ao grupo político de Rio Verde. Em Santa Helena, o valor mensal de R$ 541.200,00 — ainda que legal — supera a média histórica de contratos anteriores na área da saúde para o mesmo porte de atendimento.

Chama a atenção o momento político da contratação. Enquanto a população enfrenta filas, escassez de medicamentos e relatos de negligência no atendimento, o poder público investe milhões em uma empresa ligada a figuras com influência regional — sem consultar alternativas ou abrir espaço para concorrência.

O silêncio da prefeitura e o clamor popular

Até o momento, a Prefeitura de Santa Helena não se manifestou publicamente sobre os critérios técnicos que justificaram a contratação emergencial da GVG.

O vereador Silvio Marques Araújo, durante pronunciamento em plenário, questionou a transparência da gestão, alertando para a repetição de práticas antigas: "Estamos vendo a construção de um consórcio político-empresarial que se sustenta em contratos públicos e dispensa de licitação", afirmou.

🏛️ Transparência na mira

O vereador cobrou mais transparência nos contratos firmados com empresas que, segundo ele, possuem ligação direta ou indireta com Paulo do Vale e Wellington Carrijo. Sílvio Marques questionou, durante a sessão, quais critérios estão sendo usados nas contratações públicas e se houve concorrência real entre as empresas, ou se o processo estaria sendo conduzido de forma a favorecer aliados políticos.

 

"Enquanto os contratos de saúde estavam garantidos até março, novo prefeito declarou calamidade pública para contratar OS familiar sem licitação". Declarou o vereador em tom firme.


⚠️ Alerta para o Ministério Público

Diante da gravidade das acusações, setores da sociedade civil e lideranças comunitárias defendem que o caso seja levado ao conhecimento do Ministério Público de Goiás. Para muitos, a possível atuação de um "consórcio político-empresarial" na região representa um risco à isonomia dos processos licitatórios e pode configurar favorecimento ou até formação de cartel.

 


Blog do Cleuber Carlos seguirá acompanhando os desdobramentos desse caso e trará novas informações assim que os requerimentos forem protocolados e documentos forem analisados.

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