Ricardo Rafael
R$ 32,8 Milhões foi o custo do futebol em 2012
R$ 7.493.428,43
Déficit do Goiás em 2013
R$ 42,3
milhões, custo do futebol em 2013
De acordo com levantamento da BDO Brasil e os balanços financeiros dos clubes, cerca de 60% da receita do alviverde vêm dessa fonte. O índice e o déficit de mais de R$ 7 milhões acumulado em 2013 mostram o atraso esmeraldino na hora de buscar outras fontes de receita.
Patrocínio, bilheteria e transferência de jogadores rendem ao Goiás cerca de 20% apenas da receita. Presidente do Goiás há pouco mais de quatro meses, Sergio Rassi chegou ao comando com o discurso de diversificar as fontes de receita. O clube está sem patrocinador master e o programa sócio-torcedor, reformulado, ainda não foi lançado.
Rassi acredita que o clube se acomodou. “Houve uma acomodação. De onde vem o dinheiro mais fácil? Da televisão. Mas as torneiras foram fechadas”, conta ele, que admite ter procurado a Rede Globo para um novo adiantamento de receita, sem sucesso. “Não fugi da vala comum.”
O dirigente, que diz comandar o clube com o déficit mensal de R$ 500 mil, também cita a desproporcionalidade das cotas de televisão como algo a ser superado. Rassi conta que um grupo formado por Goiás, Bahia, Vitória, Náutico, Sport, Santa Cruz e Coritiba se mobiliza para reivindicar uma melhor distribuição.
4º
lugar é a posição do Goiás no Brasileiro. Sábado e ontem, o clube foi ultrapassado por Cruzeiro e Grêmio.
DIRIGENTE TORCE PELA “SALVAÇÃO” PROFORTE
O levantamento da consultoria BDO Brasil aponta que o endividamento dos clubes brasileiros cresceu 90% nos últimos cinco anos. O Goiás aumentou sua dívida em 19% só de 2012 para 2013 – é de 96,3 milhões, segundo a consultoria. É por isso que o Proforte, projeto de lei do governo federal para fazer o parcelamento das dívidas dos clubes em até 25 anos, ganha força. Sergio Rassi afirma que este “é o plano que pode salvar o futebol brasileiro”.
Mas o clube alviverde e todos os outros terão de se readequar para serem beneficiados – terão de gastar só até 70% da receita com custos do futebol e os dirigentes não poderão antecipar receitas para além de seus mandatos. No Goiás, nos últimos dois anos, houve adiantamento de mais de R$ 12 milhões dos direitos de televisão. “Fui radicalmente contra as antecipações da gestão passada, mas decidimos tudo em colegiado e fui voto vencido”, afirma o presidente alviverde.
Inconformado com a receita de bilheteria no Estadual, Sergio Rassi quer que o Goiás dispute, como convidado, a Copa do Nordeste do ano que vem. Ele entende que os jogos seriam mais interessantes e poderiam atrair mais público.
Para o consultor Pedro Daniel, da BDO Brasil, o problema do Goiás na questão de patrocinador pode ser explicado pelo mercado. “Não é só um trabalho mais ativo de patrocínio, mas de mercado em que está atuando. O mercado de Goiás não é tão desenvolvido, comparado a outros, como Rio Grande do Sul, São Paulo e Rio.” Ele também diz que os clubes brasileiros, em geral, têm postura errada na busca por um patrocinador. “Os clubes procuram venda de patrocínio e não parceiros de negócio. O clube não está vendendo um espaço, está atraindo o parceiro para que ele potencialize a sua venda. Esse é o ciclo correto.”
Presidente do Goiás, Sergio Rassi não concorda com o consultor Pedro Daniel, que diz que o alviverde está inserido em um mercado menos desenvolvido. “Não é possível. Se aqui tivesse seis, sete times na Série A, eu concordaria. Mas só temos um”, diz o dirigente, que diz ainda buscar a resposta para a dificuldade de ter um patrocínio – o clube está, atualmente, sem patrocinador. Por dois anos, o hospital do qual Sergio Rassi é sócio teve a marca na camisa alviverde. “Você não faz ideia de como isso foi interessante para o hospital. A camisa é um outdoor ambulante que está na TV, no jornal, a um custo muito mais acessível.”
O Popular
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