Se a final desta edição tem dois times que não empolgaram, as diferenças entre as duas seleções podem pesar para que alguma delas conquiste o título. A Espanha aposta na força de um conjunto, em uma sólida defesa e tenta superar a crise de um ataque sem muito poder de penetração.
Já a Itália não tem o mesmo conjunto por viver uma fase de renovação de elenco. Mas aposta na genialidade do veterano meia Andrea Pirlo e em uma dupla de frente capaz de fazer tremer qualquer zagueiro: Mario Balotelli e Antonio Cassano. Tamanhas diferenças fazem com que os dois técnicos esperam um jogo bem equilibrado.
“A Espanha apresentou um futebol dentro daquilo que a competição permitiu e a Itália está fazendo o que sempre se espera da Itália. Portanto, acredito que o campeão será por merecimento, mas qualquer prognóstico agora não passa de achismo. Estamos nos preparando para uma grande decisão”, disse Vicente Del Bosque, técnico da Espanha. Já Cesare Prandelli, técnico da Itália, usa a velha tática de jogar o favoritismo nas costas do rival.
“Se formos levar em consideração o que se falava antes do torneio, a Espanha está onde se esperava e a Itália roubou o lugar de alguém mais votado. Portanto, não me aborrece quando alguns olham a Espanha em vantagem, pois não sou infantil. Mas posso assegurar que o título desta Eurocopa será muito bem disputada, pois nenhum dos m eus jogadores admite vender muito barato a vitória e a conquista da taça”, afirmou Prandelli, cada vez com mais prestígio junto aos torcedores italianos.
Em relação ao time que vai a campo as duas equipes procuram fazer mistério, mas como contam com os principais jogadores, deverão manter a base que vem atuando. Caso a partida deste domingo termine empatada no tempo regulamentar, acontecerá uma prorrogação de trinta minutos. Persistindo a igualdade a Eurocopa será decidida nas cobranças de pênaltis.
ESPANHA X ITÁLIA: QUAL A MELHOR SELEÇÃO DO MUNDO?
A Espanha, como não poderia deixar de ser, chegou à Eurocopa como grande favorita. Os títulos da Eurocopa de 2008 e da Copa do Mundo de 2010 credenciaram o time para isso, juntamente com um time formado, em maioria, por jogadores de Barcelona e Real Madrid, os maiores times do mundo. Cabe lembrar que, antes de 2008, a Espanha só tinha um título na sua história, a longínqua Eurocopa de 1964.
Na primeira rodada, foi o confronto entre o s dois últimos campeões do mundo. O jogo foi bom, movimentado, mas a Espanha sentiu a falta de um atacante, já que Del Bosque optou por começar com Fernando Torres no banco. O time italiano saiu na frente com Di Natale, mas, quatro minutos depois, aos 19 do Segundo Tempo, Fábregas fez o gol que selou o empate espanhol na estreia da Seleção que defendia o título.
Torres até entrou no Segundo Tempo, mas a Espanha só não saiu derrotada por conta da má atuação de Balotelli, atacante italiano. Um empate que deu o tom inicial aos dois finalistas e animou. A Espanha se sentia capaz de vencer os próximos dois adversários e a Itália sentiu que poderia fazer frente à grande favorita do torneio.
Sobra competência, falta encantar
O segundo jogo foi o único que a Espanha encantou. Claro, foi contra a pior equipe do campeonato, a Irlanda, única a não pontuar. Tal fato, no entanto, não desmerece a Espanha, já que Itália e Croácia não tiveram as mesmas facilidades com os irlandeses. Um quatro a zero com show. A entrada de Torres na equipe foi positiva: o camisa 9 fez um bom jogo e marcou gois gols. Um de David Silva e outro de um raivoso Fábregas fecharam o placar e eliminaram o time de Trapatoni da Euro. Para os espanhóis, classificação não garantida, mas encaminhada.
QUEM FEZ A DIFERENÇA?
GOLEIRO | CASILLAS
MEIA | INIESTA
O bom futebol não voltou no jogo contra a Croácia. Pragmática, a Espanha tave bastante dificuldades com o surpreendente rival e correu risco de eliminação. No Segundo Tempo, a Itália vencia a Irlanda e uma vitória croata eliminava os espanhóis.
Casillas fez milagre em cabeçada de Mandzukic e, com o time adversário pressionando, o gol da vitória, marcado por Jesús Navas, aos 43 da segunda etapa, veio em contra ataque e selou a ida dos espanhóis as Quartas. O adversário, definido no dia seguinte, seria a França, histórico algoze dos espanhóis.
Final da Euro de 1984, Quartas de Final da Copa do Mundo de 1998 e Oitavas da Copa de 2006. Em todas oportunidades, a França eliminou a Espanha das competições. Se o futebol bonito não voltou a aparecer, a Espanha se impôs e venceu o jogo por 2 a 0, dois gols de Xabi Alonso, muito mais pela péssima atuação francesa do que por algum mérito próprio.
Mostrando, no entanto, cara de vencedora dos últimos anos, a Fúria chega as semifinais pela segunda vez consecutiva pela primeira vez na história.
A chegada à final viria de forma sofrida. O confronto do melhor time da Europa contra o melhor jogador da Europa. Se o jogo não foi bom, o embate entre espanhóis e portugueses, clássico ibérico, foi nervoso.
Um zero a zero sem grandes chances, onde a Espanha jogou na prorrogação tudo o que não fez no tempo regulamentar. Nos pênaltis, Xabi Alonso perdeu, mas Casillas defendeu um e Bruno Alves colocou outro no travessão. Fábregas fez e impediu Cristiano Ronaldo de cobrar o quinto pênalti. Como na Copa, a Espanha eliminou Portugal. Resta saber se, o ultimamente “como sempre” vai continuar e a Espanha vai conseguir o bi do torneio amanhã.
O caminho até aqui - Itália
Surpreendendo e sofrendo
O segundo jogo da Itália mostrou que o time realmente estava melhor do que o esperado. O porém, no entanto, além da segunda má atuação de Balotelli, foi que a Croácia, adversária de vez, também se mostrou muito melhor do que o esperado. O resultado? Outro empate, de novo por 1 a 1, com gol de Pirlo, descontado por Mandzukic no segundo tempo.
Se a Itália apresentava um bom futebol até aí, a vitória ainda não tinha vindo. Os dois pontos nos dois primeiros jogos colocaram a Itália em uma situação ruim para a rodada final: se Croácia e Espanha, cada uma com quatro pontos, empatassem em 2 a 2, se classificariam automaticamente para as Quartas e deixariam os italianos de fora.
QUEM FEZ A DIFERENÇA?
ZAGUEIRO OU MEIA? | DE ROSSI
ATACANTE | BALOTELLI
Espanhóis e croatas não fizeram jogo de compadres e a Itália, mesmo jogando mal, venceu a Irlanda por dois a zero e garantiu a classificação. Cassano abriu o placar e Balotelli, que havia começado o jogo no banco, fez o seu primeiro gol na competição. Classificação selada e a Inglaterra pelo caminho.
O confronto com os ingleses foi o que mais mostrou a nova Seleção Italiana. Pressionando os 90 minutos de jogo, a Itália mereceu vencer os ingleses, que só se defenderam, ainda no tempo regulamentar.
O primeiro 0 a 0 da Euro aconteceu neste jogo, mas ficou a impressão que, se passasse da decisão por pênaltis, a Itália poderia ser protagonista na Euro. Quando Montolivo perdeu a primeira cobrança temeu se a eliminação. Pirlo, de cavadinha, fez um gol que botou pressão nos ingleses, que erraram as duas próximas cobranças, o suficiente para garantir a Itália na semifinal pela primeira vez desde 1988.
Contra Espanha, Croácia e Inglaterra , a Seleção Italiana jogou bem, mas não venceu. Contra Irlanda, o time jogou mal, e venceu. A semifinal contra a Alemanha foi a primeira vez que os italianos jogaram bem e conseguiram êxito.
Dois a um sobre a poderosa Alemanha, o melhor time do campeonato até então. A classificação para a final veio de forma gloriosa, com a redenção de Balotelli, autor dos dois gols da vitória. Veio também com sofrimento. O gol de pênalti de Ozil aos 46 do Segundo Tempo ainda deu emoção aos acréscimos. Fregueses, os alemães caíram de novo na semifinal.
Os números dos finalistas na Euro 2012
3 VITÓRIAS
2
8 GOLS
6
1 GOLS SOFRIDOS
3
1 DECISÃO POR PÊNALTI
1
Fábregas, Xabi Alonso e Torres (2 gols) ARTILHEIRO
Balotelli (3 gols)
2 (1964 e 2008) TÍTULOS DE EURO
1 (1968)
1 (2010) TÍTULOS DE COPA
4 (1934, 1938, 1982 e 2006)
FICHA TÉCNICA
ESPANHA X ITÁLIA
Local: Estádio Olímpico, em Kiev (Ucrânia)
Data: 1º de julho de 2012 (Domingo)
Horário: 15h45 (de Brasília)
Árbitro: não divulgado pela organização
ESPANHA: Iker Casillas, Sergio Ramos, Gerard Piqué, Álvaro Arbeloa e Jordi Alba; Sergio Busquets, Xabi Alonso, Xavi e Andrés Iniesta; David Silva e Álvaro Negredo
Técnico: Vicente Del Bosque
ITÁLIA: Gianluigi Buffon, Federico Balzaretti, Leonardo Bonucci, Andrea Barzagli e Giorgio Chiellini; Daniele De Rossi, Andrea Pirlo, Claudio Marchisio e Riccardo Montolivo; Mario Balotelli e Antonio Cassano
Técnico: Cesare Prandelli




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