Dois pregões publicados em abril de 2026 colocaram a Prefeitura de Morrinhos no centro de uma cobrança objetiva: explicar, com documentos, a formação de um pacote estimado em R$ 43 milhões na área da saúde. Os processos, vinculados ao Fundo Municipal de Saúde, tratam da aquisição de materiais hospitalares e odontológicos e do fornecimento de medicamentos — itens essenciais, mas que, pelo volume financeiro e pela proximidade entre as publicações, exigem transparência máxima.
O primeiro procedimento projeta R$ 22.045.729,34. Quatro dias depois, um segundo processo acrescenta mais R$ 20.930.971,96. Somados, os valores superam R$ 43 milhões em estimativas dentro de um intervalo curto, o que desloca o debate do “se é legal” para o “como foi estruturado”.
Não há, até o momento, qualquer afirmação de irregularidade. O ponto é outro: em contratos dessa magnitude, a ausência de explicações técnicas detalhadas abre espaço para dúvidas legítimas — especialmente sobre a formação de preços, a definição de quantitativos e o grau de competitividade efetiva dos certames.
A cobrança que emerge é direta e técnica:
- Quais critérios sustentaram os valores estimados?
- Houve estudo de consumo real da rede municipal?
- Quantas empresas foram consultadas para formação de preços?
- Quem participou e quem venceu os processos?
- Existe sobreposição entre os objetos licitados?
Outro fator que amplia a necessidade de clareza é o uso do registro de preços. Embora seja um instrumento legal, ele permite contratações ao longo do tempo sem obrigatoriedade de execução imediata do valor total — o que, na prática, cria uma janela contratual milionária cuja execução depende de controle rigoroso.
Em experiências semelhantes pelo país, estruturas desse tipo já foram questionadas por órgãos de controle quando associadas a estimativas infladas, baixa concorrência ou repetição sistemática de fornecedores. Não se afirma que seja o caso de Morrinhos — mas é exatamente por isso que a explicação técnica precisa vir antes, e não depois.
A partir de agora, o foco recai sobre dados objetivos:
quem participou, quem venceu, por quanto, com base em quais referências de mercado e como esses contratos serão executados na prática.
Porque, no fim, a equação é simples:
R$ 43 milhões não são apenas números — são recursos públicos que precisam se traduzir em medicamento na prateleira, insumo no hospital e atendimento real à população.
E quando o valor é alto, a obrigação de explicar também é.
📄 REQUERIMENTO DE INFORMAÇÕES — LICITAÇÕES DA SAÚDE
Município de Morrinhos – GO
Com fundamento na Lei nº 12.527/2011 (Lei de Acesso à Informação), requer-se o fornecimento das seguintes informações relacionadas aos processos licitatórios vinculados ao Fundo Municipal de Saúde, especialmente aqueles publicados em abril de 2026, com valores estimados superiores a R$ 20 milhões cada:
🔎 1. Formação de preços
- Quais critérios técnicos e metodológicos foram utilizados para definição dos valores estimados nos referidos pregões?
- Encaminhar cópia integral da pesquisa de preços utilizada como base (cotações, atas comparativas, fontes consultadas, Banco de Preços, etc.).
📑 2. Elaboração técnica
- Informar o(s) responsável(is) técnico(s) pela elaboração do Termo de Referência e do Estudo Técnico Preliminar (ETP), com identificação funcional.
- Encaminhar cópia integral do Termo de Referência e do Estudo Técnico Preliminar.
📊 3. Base de consumo
- Houve levantamento de consumo histórico para dimensionamento dos quantitativos?
- Em caso positivo, encaminhar relatório com série histórica utilizada (mínimo dos últimos 12 meses).
🏢 4. Pesquisa de mercado
- Quantas e quais empresas foram consultadas na fase de pesquisa de preços?
- Informar os CNPJs das empresas consultadas e respectivos valores apresentados.
⚖️ 5. Participação e resultado
- Quais empresas participaram de cada certame?
- Encaminhar ata da sessão pública, propostas apresentadas e indicar os vencedores por lote/item.
🔁 6. Estrutura dos objetos
- Existe análise técnica formal que justifique a separação dos objetos em dois processos distintos (materiais hospitalares/odontológicos e medicamentos)?
- Há qualquer sobreposição de itens ou insumos entre os dois pregões?
📦 7. Estoque e planejamento
- Qual o estoque atual de medicamentos e insumos hospitalares no momento da abertura dos processos?
- Encaminhar relatório de controle de estoque e previsão de consumo.
📜 8. Contratos anteriores
- Quais contratos vigentes ou recentemente encerrados (últimos 12 meses) tratam dos mesmos objetos?
- Informar fornecedores, valores contratados e saldo remanescente.
🛡️ 9. Controle interno
- A Controladoria Interna ou órgão equivalente realizou análise de risco sobre os certames?
- Houve apontamento quanto a possível sobrepreço, restrição de competitividade ou falhas na formação de preços?
📌 10. Execução futura
- Considerando tratar-se de Registro de Preços, qual a estimativa real de consumo mensal?
- Existe planejamento formal de execução ou cronograma de utilização das atas?
⚠️ Observação final (importante e estratégica)
As informações solicitadas têm por finalidade garantir transparência, controle social e acompanhamento técnico da aplicação de recursos públicos, nos termos da legislação vigente.
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