O que era para alimentar crianças virou um retrato brutal de descaso.Uma licitação de R$ 60 milhões está no centro de denúncias que colocam a merenda escolar de Aparecida de Goiânia sob suspeita — e o mais grave: a gestão simplesmente se cala.
Enquanto isso, relatos se acumulam:
E a pergunta que ecoa fora do gabinete é direta: onde foi parar o dinheiro? Não se trata apenas de falha administrativa.
E há um detalhe que pesa: para muitos alunos, essa é a principal refeição do dia.Ou seja, não é só comida ruim —
Mas o Executivo… segue em silêncio. E quando milhões entram no sistema e dignidade não chega ao prato, não é só falha de gestão.
É responsabilidade que precisa ser explicada — ou assumida.
SILÊNCIO QUE PESA: SECRETARIA DE COMUNICAÇÃO VIRA EPICENTRO DA INÉRCIA EM APARECIDA
Se há um elemento que atravessa gestões em Aparecida de Goiânia sem sofrer abalo, não é a qualidade do serviço público — é o silêncio institucional.
No centro desse silêncio, o nome se repete: Ozéias Laurentino. A crise da merenda escolar — que envolve uma licitação de aproximadamente R$ 60 milhões — escancarou um problema que já não pode mais ser tratado como episódio isolado, mas sim como padrão: a incapacidade crônica da comunicação oficial de responder à população.
Enquanto vereadores denunciam, pais reclamam e relatos de alimentos impróprios se acumulam, o que se vê da Secretaria de Comunicação é uma ausência que chama atenção. Não há explicação. Não há posicionamento. Não há transparência.
E isso, por si só, já é um fato político relevante.
Quando esse papel deixa de ser exercido, o problema deixa de ser apenas administrativo e passa a ser institucional. A permanência prolongada de um mesmo comando em uma área tão sensível, atravessando cenários distintos sem apresentar respostas efetivas em situações críticas, levanta uma pergunta legítima — e inevitável: até que ponto a estrutura está funcionando — ou apenas se mantendo?
Se isso não ocorre, não é apenas uma falha de comunicação. É um vazio institucional que precisa ser enfrentado.
Relatos de frutas estragadas, refeições sem padrão e alimentação inadequada não surgem no vazio. Eles expõem, ao mesmo tempo, uma possível falha na execução do contrato e uma falha ainda mais evidente na forma como o poder público responde — ou deixa de responder — a esses questionamentos.
E aqui surge um ponto que não pode ser ignorado: a permanência prolongada de um mesmo comando na comunicação, atravessando diferentes momentos e crises sem apresentar respostas efetivas.
Isso levanta uma pergunta inevitável:
a estrutura está funcionando para informar — ou apenas se mantendo, independentemente dos resultados?
Não se trata de personalizar o debate, mas de reconhecer responsabilidade institucional. Quando uma secretaria responsável por comunicar deixa de cumprir seu papel justamente diante de uma crise sensível, o impacto não é apenas político — é social.
Porque, neste caso, o silêncio não recai sobre um tema qualquer. Recai sobre a alimentação de crianças. Para muitos alunos da rede municipal, a merenda escolar representa a principal refeição do dia. Quando surgem denúncias sobre qualidade, execução e fiscalização, o mínimo esperado é transparência imediata.
O que se vê, porém, é o oposto: uma gestão que não apresenta respostas e uma comunicação que não cumpre sua função de esclarecer. E o efeito disso é direto. A ausência de informação amplia a desconfiança.
Quando milhões entram no sistema e não se traduzem, de forma clara, em qualidade percebida pela população, a cobrança deixa de ser política e passa a ser estrutural: prestação de contas, transparência e responsabilidade. Se isso não ocorre, o problema deixa de ser apenas a merenda.
Passa a ser a forma como o poder público se relaciona com a verdade. E nesse cenário, o silêncio não protege.
O silêncio expõe.
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