segunda-feira, 25 de agosto de 2025

Sinal amarelo no Paço: exoneração de Diogo Franco expõe fissuras políticas na gestão de Sandro Mabel


A crise política no Paço Municipal de Goiânia ganhou um novo capítulo nesta segunda-feira (25/8). O prefeito Sandro Mabel (UB) exonerou Diogo Franco do comando da Secretaria de Desenvolvimento, Indústria, Comércio, Agricultura e Serviços. A decisão, assinada às 16h31 e publicada no Diário Oficial do Município, pegou de surpresa aliados e adversários.

O elo entre os irmãos Franco

Diogo Franco não era apenas um secretário qualquer. Ele é irmão do vereador Igor Franco (MDB), líder do prefeito na Câmara Municipal e um dos principais articuladores da Comissão Especial de Inquérito (CEI) da Limpa Gyn, oficializada na última sexta-feira (22/8).


O detalhe não passa despercebido: ao mesmo tempo em que o Executivo perde um secretário estratégico, a base de Mabel na Câmara ganha relevância com a condução da CEI que promete expor contratos, gastos e possíveis irregularidades do programa de limpeza urbana.

Exoneração ou afastamento estratégico?

A grande dúvida que paira é se a saída de Diogo Franco foi resultado de divergências internas, desgaste político ou apenas uma manobra para blindar o governo em meio ao avanço da investigação parlamentar.


Setores da Câmara já enxergam na exoneração um movimento preventivo do prefeito para evitar acusações de favorecimento ou conflito de interesses — afinal, não seria sustentável manter um irmão de protagonista da CEI em cargo de primeiro escalão

O risco de isolamento político

O gesto de Sandro Mabel, porém, pode sair caro. Ao exonerar um aliado tão próximo do seu líder na Câmara, o prefeito pode estar abrindo espaço para fissuras dentro da própria base. O MDB de Igor Franco terá força para conduzir as apurações da CEI, mas pode usar a exoneração como argumento de que o prefeito busca controlar danos em vez de enfrentar a investigação de frente.


O que está em jogo

A CEI da Limpa Gyn não é apenas mais uma comissão. Ela toca em contratos milionários, aditivos suspeitos e denúncias de má execução do serviço de limpeza urbana — um dos pontos mais sensíveis da gestão Mabel.


Se as investigações avançarem e revelarem irregularidades, a exoneração de Diogo Franco pode ser lembrada como a primeira peça derrubada no efeito dominó que ameaça a estabilidade do governo.

📌 Leitura política:

A saída de Diogo Franco mostra que a gestão Mabel começa a ceder à pressão da Câmara. É o sinal amarelo de que o prefeito, que chegou prometendo firmeza empresarial, começa a governar acuado por escândalos e pela força dos vereadores.


Sicoob tem rombo de R$ 114 milhões e prejuízo é dividido entre os cooperados


O caso da Sicoob Uniminas Bandeirantes expõe falhas graves no cooperativismo financeiro e deixa milhares de associados pagando a conta de uma gestão marcada por fraudes e omissões.

O escândalo

Um dos maiores escândalos recentes do sistema cooperativo brasileiro envolve a Sicoob Uniminas Bandeirantes, sediada em Americanas – SP. Extinta em junho de 2021, a cooperativa deixou um rombo financeiro de R$ 114 milhões, detectado após auditorias do Banco Central.


As irregularidades confirmadas incluem:


  • Concessão de empréstimos sem garantias adequadas;
  • Omissão de prejuízos nos balanços apresentados aos cooperados;
  • Operações financeiras ilegais e fora dos padrões de governança;
  • Conivência da alta gestão com práticas fraudulentas;
  • Falta de fiscalização efetiva por parte de conselheiros e diretores.

O resultado foi devastador: em março de 2023, o Banco Central aplicou multas superiores a R$ 700 mil e inabilitou 15 ex-diretores e conselheiros, proibindo-os de atuar no sistema financeiro por até 12 anos

O peso sobre os cooperados

Apesar da liquidação da agência, o rombo não desapareceu. Pelo modelo de responsabilidade solidária do cooperativismo, a dívida foi repassada a cerca de 11 mil cooperados, que terão de arcar com o prejuízo.


📌 O pagamento será feito por meio de descontos nas sobras futuras, diluídos ao longo de até 15 anos.

📌 Muitos associados que jamais participaram das decisões da gestão ou sequer foram informados das irregularidades estão agora comprometidos financeiramente por erros e fraudes que não praticaram.


Essa realidade escancara o risco do modelo cooperativo quando não há transparência, fiscalização e participação ativa dos cooperados.

O alerta sistêmico

O caso da Sicoob Uniminas não é apenas uma tragédia local: ele acende um alerta para todo o sistema Sicoob.


O cooperativismo de crédito, em tese, deveria representar confiança mútua, segurança e solidariedade financeira. Mas, na prática, quando os mecanismos de controle falham, pode se tornar um modelo de risco elevado, em que o associado comum paga a conta de fraudes praticadas por 

cooperativa é dos cooperados. Mas o prejuízo também. Cooperar não é apenas confiar — é fiscalizar, questionar e participar.”



“A cooperativa é dos

O rombo de R$ 114 milhões na Sicoob Uniminas Bandeirantes deixa uma lição dura: sem controle, o cooperativismo pode se transformar em um banco disfarçado, com menos regulação e mais vulnerabilidade para quem menos deveria sofrer: o associado comum.


Cabe agora ao Banco Central, ao Sistema Sicoob e, sobretudo, aos próprios cooperados, exigirem transparência, auditoria independente e participação ativa, para que casos como este não voltem a manchar a credibilidade de um modelo que deveria ser de confiança e solidariedade


O avanço de Joesley Batista na Oncoclínicas e a face sombria do “cartel da oncologia” em Goiás

Expansão bilionária no setor de saúde reforça denúncias de concentração de mercado e risco de “mistanásia” em Goiás 

Um novo capítulo na guerra pelo mercado da oncologia

A notícia publicada em 23 de agosto de 2025 pelo jornal O Globo revelou que o empresário Joesley Batista, da família controladora da JBS, está de olho em ampliar sua participação na rede de clínicas Oncoclínicas. O movimento pode injetar mais de R$ 1,5 bilhão na companhia, boa parte pela conversão de dívidas em ações.


O negócio, que envolveria a compra da fatia de pouco mais de 15% de Daniel Vorcaro, do Banco Master, e o uso de debêntures já adquiridas por Joesley, sinaliza a entrada definitiva de um dos maiores grupos econômicos do país no setor de tratamento do câncer.

O elo com o cartel da oncologia em Goiás

Essa movimentação empresarial não pode ser analisada de forma isolada. Apenas três dias antes, este blog publicou com exclusividade o dossiê de 514 páginas protocolado no Ministério Público denunciando a formação de um cartel da oncologia em Goiás.


Segundo o documento, clínicas e laboratórios se organizaram para:


  • boicotar concorrentes e inviabilizar programas de acesso do IPASGO;
  • impor reajustes abusivos e restrições a pacientes oncológicos;
  • promover a precarização deliberada do sistema público, resultando em mortes evitáveis, caracterizadas como “mistanásia”.

Esse cartel, segundo o dossiê, giraria em torno da Goiás Oncologia e Participações Ltda., criada em 2018 como uma holding informal que centraliza poder e decisões.


O risco da concentração e da “mistanásia”

A entrada de capital bilionário de um grupo como o de Joesley Batista na Oncoclínicas pode aprofundar ainda mais a concentração de mercado na área oncológica. Se antes já existiam denúncias de acordos entre poucas empresas para controlar preços e acesso, a chegada de um gigante do setor de alimentos e finanças na oncologia reforça o temor de que o câncer vire um negócio controlado por interesses econômicos, e não pela ética médica.


Essa lógica empresarial, voltada para ganhos financeiros em detrimento da vida, é exatamente o que o dossiê nomeou como mistanásia: a morte socialmente produzida pela negligência deliberada.


Impactos para Goiás

Em Goiás, onde o IPASGO já enfrenta colapsos e pacientes oncológicos são vítimas de filas, atrasos e restrições de acesso, o fortalecimento de grupos econômicos na oncologia traz preocupações imediatas:


  • Quem controla a oncologia controla a vida de milhares de pacientes.
  • A concentração ameaça a livre concorrência e a sustentabilidade do SUS e do IPASGO.
  • O risco é que lucro e poder político se sobreponham ao direito fundamental à saúde.


Conclusão: o fio condutor da denúncia à expansão

A coincidência temporal entre a denúncia do cartel da oncologia em Goiás e a notícia do avanço de Joesley Batista na Oncoclínicas não pode ser ignorada. Estamos diante de um setor estratégico da saúde pública brasileira sendo capturado por grandes interesses financeiros, enquanto pacientes lutam pela vida.


Cabe ao Ministério Público, ao Judiciário e à sociedade civil questionar:


  • Estamos diante de um investimento legítimo ou da consolidação de um sistema que transforma o câncer em negócio lucrativo às custas da morte de pacientes?


sábado, 23 de agosto de 2025

Ex-prefeito Paulo do Vale na teia de contratos e apadrinhamentos: o caso Delta Proto

Contrato da Prefeitura de Rio Verde com empresa de delegado investigado expõe rede de favorecimentos políticos que envolve até cargos na Secretaria de Educação de Goiás


1. O contrato que liga Prefeitura e delegado investigado


Em 2023, a Prefeitura de Rio Verde, ainda sob comando do então prefeito Paulo Faria do Vale, firmou contrato (nº 298/2023, processo nº 50644/2023) com o Instituto Delta Proto Ltda, representado pelo delegado Dannilo Ribeiro Proto Filho (PC-GO).


O objeto foi a contratação de curso de capacitação para agentes de trânsito da Guarda Civil Municipal, no valor de R$ 31.768,00, via dispensa/inexigibilidade de licitação (art. 75, II, da Lei 14.133/21).


O detalhe é que o delegado em questão figura como investigado em operações recentes do Ministério Público de Goiás (MP-GO) sobre fraudes em contratos e licitações. Ou seja, mesmo diante de suspeitas, sua empresa foi beneficiada com contrato público autorizado pela gestão de Paulo do Vale.


2. A influência política de Paulo do Vale

O contrato não é um episódio isolado. Paulo do Vale não apenas deixou a prefeitura, mas também conseguiu eleger seu sucessor Wellington Carrijo, mantendo forte influência nos rumos políticos de Rio Verde.


Além disso, há indícios de que o ex-prefeito utilizava seu capital político para abrir espaços em cargos estratégicos no governo estadual: a esposa do delegado Dannilo Proto foi nomeada para um cargo de confiança na Secretaria Estadual de Educação, por indicação de Paulo do Vale.


Esse dado reforça a tese de que havia uma rede de apadrinhamento e favorecimento mútuo, onde relações pessoais e políticas se sobrepunham ao interesse público

3. Conflito de interesses e possível improbidade

A situação suscita questionamentos jurídicos graves:

  • Conflito de interesses: um delegado de polícia, cuja função é zelar pela lei, aparece como dono de empresa contratada pelo poder público em condições de favorecimento político.
  • Improbidade administrativa: o envolvimento de Paulo do Vale em beneficiar diretamente um aliado político (delegado e sua esposa) pode configurar violação à Lei de Improbidade (Lei 8.429/92).
  • Tráfico de influência: a nomeação da esposa do delegado para cargo estratégico na educação estadual, por indicação do ex-prefeito, reforça a suspeita de uso da máquina política para sustentar alianças pessoais.

4. O que precisa ser investigado

  1. Quantos contratos a Prefeitura de Rio Verde firmou com o Instituto Delta Proto Ltda entre 2020 e 2024.
  2. Se houve aditivos ou valores superiores ao contrato já identificado.
  3. A atuação da esposa do delegado dentro da Secretaria de Educação: cargo, funções e contrapartidas políticas.
  4. O papel de Wellington Carrijo, sucessor de Paulo do Vale, na manutenção dessa rede de interesses.
  5. Se o MP-GO e o TCM-GO já têm apurações específicas sobre essa relação contratual e de nomeações.

5. O fio condutor


O que emerge é a figura de Paulo do Vale como articulador de uma teia de poder, que conecta prefeitura, sucessão municipal, contratos públicos e nomeações em secretarias estaduais. O caso do Instituto Delta Proto Ltda é apenas a ponta visível de um esquema que pode indicar captura do poder público em benefício de aliados políticos e pessoais.


Sandro Mabel Entregou o Anel Para Romário Policarpo

Sandro Mabel entrega os anéis para salvar os dedos e abre caminho para a volta de Romário Policarpo ao comando oculto da Prefeitura.

A política de Goiânia repete um enredo sombrio, conhecido por quem acompanhou o desastroso mandato do ex-prefeito Rogério Cruz. Naquele período, um dos mais caóticos da história da capital, Romário Policarpo praticamente sequestrou a Prefeitura. Presidente da Câmara, ele assumiu o controle de secretarias estratégicas, neutralizou o próprio prefeito e montou um sistema de poder paralelo, onde vereadores aliados transformaram o Paço em um verdadeiro açougue dos cofres públicos. O resultado foi a degradação administrativa, marcada por escândalos, contratos suspeitos e a sangria dos recursos da cidade.


Agora, a história ameaça se repetir. O prefeito Sandro Mabel, acuado e isolado politicamente, descobre que não governa sem a chancela de Policarpo. Para garantir a mínima governabilidade, foi obrigado a entregar os anéis para salvar os dedos: abrir espaço para o presidente da Câmara comandar pastas importantes, negociar diretamente dentro da Prefeitura e impor sua agenda política.

O fantasma de Rogério Cruz ronda o Paço

O cenário atual é inquietantemente semelhante ao que se viu sob Rogério Cruz. Policarpo, mestre em controlar o plenário, sabe usar sua força para subjugar prefeitos frágeis. Foi assim quando deixou Cruz como refém, um mero figurante, enquanto vereadores aliados — sob sua batuta — transformavam a máquina pública em balcão de privilégios e fatiavam o orçamento municipal.


Se Goiânia viveu uma “carnificina” administrativa na era Cruz, há quem tema que a chegada de Mabel ao mesmo destino seja apenas questão de tempo. Afinal, quem já provou do poder absoluto dificilmente se contenta em ser apenas coadjuvante.

A rendição de Sandro Mabel

Ao aceitar a tutela de Policarpo, Sandro Mabel se rende. Não por estratégia, mas por necessidade. Sua base fragmentada, incapaz de garantir estabilidade, o empurrou para os braços de quem domina a Câmara com mão de ferro. O cavalo brabo foi domado, e o cavaleiro é o mesmo que já transformou a Prefeitura em curral no passado recente.


Policarpo não é aliado de conveniência. É um operador de bastidores que exige poder real, cargos, contratos e influência. Ao entregá-lo novamente as chaves da administração, Mabel corre o risco de reeditar o desastre administrativo que tantos prejuízos trouxe a Goiânia.

Entre governabilidade e conluio

O dilema é cruel: sem Policarpo, Mabel não governa; com Policarpo, Mabel se arrisca a ser engolido. O que deveria ser uma aliança para a estabilidade da cidade pode se transformar em mais um ciclo de saques, acomodações e conluios, onde quem perde é o contribuinte goianiense.


👉 O alerta é simples e direto: ou Sandro Mabel encontra meios de romper essa dependência e retomar o comando do Paço, ou Goiânia será novamente submetida ao mesmo roteiro de desastre que marcou a era Rogério Cruz, com Policarpo operando nos bastidores como verdadeiro prefeito de fato.