terça-feira, 27 de maio de 2025

Vídeo inédito revela denúncia gravíssima: conta bancária teria sido usada como moeda de troca por declarações falsas contra o ex-governador Marconi Perillo

Por Cleuber Carlos | 12 de maio de 2025

Um vídeo obtido exclusivamente pelo Metrópoles e divulgado recentemente nas redes sociais está causando grande impacto no cenário político e jurídico de Goiás. Nele, uma testemunha da Operação Poltergeist — investigação que mirou um suposto esquema de desvios de recursos públicos na Assembleia Legislativa de Goiás (Alego) — afirma ter sido pressionada por promotores do Ministério Público Estadual (MPGO) a prestar depoimentos fraudulentos , em troca do desbloqueio de uma conta bancária bloqueada pela Justiça.

O caso voltou à tona agora, sete anos após o depoimento original, dado durante uma audiência no Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO) em 2021. O conteúdo do vídeo mostra uma testemunha afirmando que não conhecia os principais alvos da operação e teria sido abordada pelo próprio MPGO com a proposta de colaborar com as investigações mediante benefícios pessoais.


"PEDIRAM QUE EU ASSINASSE O DOCUMENTO PRONTO"

Nas imagens, a testemunha relata que foi procurada pelos promotores para confirmar informações já pré-estabelecidas.

“Pediram que eu afirmasse [o que foi mandado] e me entregaram [documento] pronto. [Em seguida,] pediram que eu assinasse [a declaração]. [Durante a ação,] as câmeras eram desligadas”, disse a testemunha durante a audiência.

O homem também relatou ter sido pressionado a fazer declarações falsas contra o ex-governador de Goiás Marconi Perillo (PSDB) . Quando se recusou, segundo ele, teria passado a ser perseguido pelo órgão com ameaças de prisão e outras medidas coercitivas.

“Eles [promotores] pediram que eu fizesse um depoimento falso contra o ex-governador de Goiás, que era o Marconi Perillo. A partir do momento em que eu disse que não faria, o MP começou a se voltar contra mim, com ameaças de prisão e de diversos segmentos. Foi quando eu procurei o MPF [Ministério Público Federal] e fiz a denúncia.”


PROCESSO TRAVADO E DESTRAVADO NO STJ E STF

A Operação Poltergeist, conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), resultou na prisão temporária de 11 pessoas em 2018, entre elas o ex-deputado estadual Daniel Messac , apontado como líder da suposta organização criminosa.

No entanto, em 2023, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) determinou o trancamento da ação penal após defesa técnica apontar irregularidades na obtenção das provas, especialmente interceptações ambientais feitas sem autorização judicial.

O caso só voltou a tramitar em 2025 após decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que reverteu a decisão anterior e reconheceu a validade das provas coletadas, liberando o prosseguimento do processo.


PROMOTORES ENVOLVIDOS

Entre os promotores que atuaram na Operação Poltergeist estão:

  • Altamir Rodrigues Vieira Junior
  • Spiridon Nicofotis Anyfantis
  • Denis Augusto Marques
  • Walter Linzmayer Otsuka
  • Vinicius Marques Vieira
  • Luís Guilherme Gimenes
  • Juan Borges de Abreu

Até o fechamento desta edição, o MPGO não havia respondido aos questionamentos sobre as acusações contidas no vídeo.


TESTEMUNHA AFIRMA TER IDO AO MPGO "AO MENOS 20 VEZES"

Durante a audiência, a testemunha surpreendeu ao dizer que esteve no Ministério Público muito mais vezes do que registrado oficialmente.

“Doutor, nessa mesma época, eu não estive lá menos de 20 vezes. [No entanto], era pedido do MP que meu nome não fosse registrado e que eu não passasse na portaria quando chegasse”, afirmou.

Essa declaração reforça a suspeita de que haveria um esforço deliberado para manter certas interações longe do registro formal.


MPF DIZ NÃO TER REGISTRO DA DENÚNCIA

Questionado sobre o caso, o Ministério Público Federal informou que “não localizou representação pública sobre o tema” e destacou que processos sigilosos podem existir, mas não são rastreáveis publicamente.


CONCLUSÃO

As revelações trazem à tona questões delicadas sobre a conduta de promotores em investigações sensíveis e colocam novamente em xeque a lisura de operações que marcaram a história política de Goiás. A utilização de testemunhas sob condições duvidosas pode comprometer a credibilidade tanto da justiça quanto das instituições envolvidas.

Enquanto o processo penal segue seu curso no Poder Judiciário, a sociedade aguarda respostas claras e transparentes sobre os fatos revelados — e se realmente houve manipulação de depoimentos em busca de condenações.

Visivelmente constrangido, o promotor disse que não fazia parte da equipe que conduziu o processo na primeira fase. A testemunha, então, se desculpou e pontuou que seria interessante ter na audiência a presença de um promotor que acompanhou a ação desde o início.

A fala da testemunha foi proferida em uma audiência ocorrida em 2021, sete anos depois de o processo que derivou da Operação Poltergeist ter início – em meados de 2014. Contudo, somente agora o vídeo veio a público.

Em 2023, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) determinou o trancamento da ação penal após a defesa do ex-deputado Daniel Messac –acusado de liderar a organização criminosa – apontar irregularidades na captação e interceptação ambiental das provas. À época, o político chegou a ser preso, mas foi solto em seguida.

Conforme declararam os advogados, a operação ocorreu no marco da antiga lei de organizações criminosas, que exigia permissão da Justiça para obtenção de provas. Segundo o advogado Gilles Gomes, defensor de Messac, o MP agiu sem decisão judicial.

Em 2025, o Supremo Tribunal Federal (STF), após recurso do MPGO, reverteu a decisão do STJ, determinou o destravamento do processo e reconheceu a validade das provas. Agora, a ação criminal pôde ser retomada.

Atuaram no caso os seguintes promotores: Altamir Rodrigues Vieira Junior, Spiridon Nicofotis Anyfantis, Denis Augusto Marques, Walter Linzmayer Otsuka, Vinicius Marques Vieira, Luís Guilherme Gimenes e Juan Borges de Abreu.

Ex-governador Marconi Perillo

Em determinado momento da audiência, um advogado de defesa questiona a testemunha sobre duas idas dela ao MPGO.

“Aí consta que eu estive só duas vezes no MP?”, perguntou o homem. “Tem um termo aqui de 3 de abril de 2013, e tem outro termo de 9 de julho de 2013. Então, foram duas oportunidades”, respondeu o advogado.

A testemunha, então, diz acreditar ter ido ao órgão ao menos 20 vezes no período. “Doutor, nessa mesma época, eu não estive lá menos de 20 vezes. [No entanto] era pedido do MP que meu nome não fosse registrado e que eu não passasse na portaria quando chegasse”, declarou.

A testemunha contou, ainda, que não quis mais colaborar com o Ministério Público após receber pedido para testemunhar contra Marconi Perillo (PSDB), ex-governador de Goiás.

“Eles [promotores] pediram que eu fizesse um depoimento falso contra o ex-governador de Goiás, que era o Marconi Perillo. A partir do momento em que eu disse que não faria, o MP começou a se voltar contra mim, com ameaças de prisão e de diversos segmentos. Foi quando eu procurei o MPF [Ministério Público Federal] e fiz a denúncia”, contou.

Veja:

De acordo com o depoimento do homem, o caso foi levado ao conhecimento do procurador Mário Lúcio Avelar. “Somente após procurar o MPF, [a ameaça sofrida por ele] cessou”, finalizou.


🔍 Fonte:

domingo, 25 de maio de 2025

Dois prefeitos na mira da Policia Federal e do GAECO: Rio Verde e Acreúna podem ter mandatos cassados por contratos milionários e compra de votos

**Por Cleuber Carlos – Investigação exclusiva**

Imagem ilustrativa gerada por IA

A política goiana pode ser abalada por um duplo terremoto jurídico e político. O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) recebeu, no último dia 23 de maio, uma representação formal que poderá culminar na **cassação de dois prefeitos em exercício** — **Claudiomar Portugal**, reeleito em Acreúna, e **Wellington Carrijo**, atual prefeito de Rio Verde — além da **quebra de sigilos fiscal e bancário** da empresa **Castro Herênio Serviços Médicos LTDA** e de seus sócios, incluindo a diretora técnica do Hospital Municipal de Acreúna, **Camila Pereira Fernandes**.



A denúncia, com farta documentação e evidências anexas, aponta **conflito de interesses**, **organização criminosa**, **abuso de autoridade**, **captação ilícita de sufrágio (compra de votos)** e até tentativas de **intimidação e armação contra jornalistas e opositores**.


### Um contrato de R\$ 3,6 milhões que virou mais de R\$ 22 milhões



O foco da denúncia gira em torno do contrato firmado entre a prefeitura de Acreúna e a empresa **Castro Herênio Serviços Médicos LTDA**, que começou em R\$ 3,6 milhões e foi aditivado **sete vezes**, alcançando a cifra impressionante de **R\$ 22 milhões**. A empresa tem como sócia a médica Camila Pereira, que, além de integrar a gestão do hospital municipal, **atua nos plantões pagos pelo mesmo contrato que ajudou a administrar** — uma afronta direta ao princípio da moralidade administrativa.


Como agravante, o atual prefeito de Rio Verde, Wellington Carrijo, **era sócio administrador da empresa à época da assinatura do contrato**, o que levanta suspeitas de **conluio entre prefeituras**. Após assumir o Executivo de Rio Verde, Carrijo viabilizou **contrato de R\$ 137 mil** para o filho do prefeito de Acreúna, Danilo Portugal — **uma possível troca de favores institucionalizada**.


### Flagrantes de compra de votos e uso indevido da rádio local



Além dos indícios de corrupção administrativa, a investigação cita **vídeos registrados em ata notarial** nos quais a procuradora de Acreúna, **Lígia Ferreira de Oliveira**, aparece **pagando cabos eleitorais em espécie dentro do comitê de campanha**, acompanhada da primeira-dama e da filha do prefeito. O uso da rádio **Canadá FM**, ligada ao grupo político, também foi considerado **instrumento de abuso de poder econômico**, tendo resultado em **condenação judicial com multa de R\$ 20 mil**, embora a cassação ainda dependa de recurso em segunda instância.


### GAECO pode pedir busca, apreensão e quebra de sigilos



A representação solicita que o **GAECO promova medidas cautelares urgentes**, como:


* **Busca e apreensão de documentos;**

* **Quebra de sigilos fiscal e bancário** da empresa Castro Herênio e seus sócios;

* **Afastamento cautelar de agentes públicos;**

* **Bloqueio de bens;**

* Investigação de **licitações fraudulentas** e **contratos emergenciais viciados**, como os da coleta de lixo em Rio Verde há mais de 8 anos.


Juridicamente, a apuração se fundamenta na:


* **Lei de Improbidade Administrativa (Lei 8.429/92);**

* **Lei dos Crimes contra a Administração Pública (arts. 299, 288, 319 do Código Penal);**

* **Lei de Conflito de Interesses (Lei 12.813/2013);**

* **Lei das Licitações (Lei 14.133/2021);**

* **Lei de Abuso de Autoridade (Lei 13.869/2019);**

* **Lei das Eleições (Lei 9.504/97, art. 41-A — compra de votos).**


### O que difere uma investigação do GAECO?


Imagem ilustrativa gerada por IA

Diferente da Polícia Civil e das Promotorias tradicionais, o **GAECO atua com foco em organizações criminosas estruturadas e crimes complexos envolvendo o poder público**, como corrupção, lavagem de dinheiro e fraudes licitatórias. Trata-se de um órgão **autônomo, especializado e com ferramentas de inteligência avançadas**, atuando de forma conjunta com forças policiais e com o Judiciário.


Enquanto uma delegacia comum apura fatos isolados, o GAECO **estrutura o mapeamento de redes criminosas e suas conexões institucionais**, permitindo uma investigação de maior profundidade e alcance.


### Próximos passos


Com o protocolo formal da representação, o GAECO deve:


1. **Abrir procedimento investigatório criminal e cível;**

2. Solicitar **relatórios ao Tribunal de Contas** e **auditorias de contratos**;

3. Determinar diligências cautelares (quebra de sigilo, bloqueios, buscas);

4. Requisitar proteção especial aos jornalistas e denunciantes ameaçados;

5. Avaliar eventual pedido de **prisão preventiva ou afastamento dos agentes públicos envolvidos**.


A depender dos desdobramentos, **duas gestões municipais poderão ser desestruturadas** — inclusive com a possibilidade de **nova eleição em Acreúna e Rio Verde**, caso os prefeitos sejam cassados e a Justiça Eleitoral considere que houve desequilíbrio no pleito e abuso de poder suficiente para comprometer a legitimidade do voto.


O Blog do Cleuber Carlos seguirá acompanhando e atualizando cada passo dessa investigação.

quarta-feira, 14 de maio de 2025

Depoimento de Virgínia Fonseca expõe a teia de influenciadores e casas de aposta: até onde vai a CPI das Bets?

A influenciadora prestou esclarecimentos à CPI que investiga a atuação das casas de apostas no Brasil. Comissão mira além da publicidade e entra no terreno da responsabilidade institucional.


Por Cleuber Carlos

O depoimento da influenciadora Virgínia Fonseca, uma das maiores personalidades digitais do país, à CPI das Apostas Esportivas (apelidada de “CPI das Bets”), realizado nesta semana, sinaliza uma nova etapa da investigação parlamentar. Mais do que avaliar a legalidade das plataformas de apostas online, os deputados agora voltam seus olhos ao poder da influência digital e ao papel omisso – ou cúmplice – do Estado brasileiro.

O que disse Virgínia Fonseca?

Virgínia foi chamada a depor após aparecer em campanhas publicitárias de plataformas de apostas esportivas, algumas delas operando sob licenças duvidosas. Em seu depoimento, afirmou que “não sabia que a empresa não tinha licença nacional” e que apenas cumpriu contratos publicitários regulares, aprovados por sua equipe jurídica.

Embora tenha evitado aprofundar o vínculo com as casas de apostas, o depoimento colocou luz sobre uma questão maior: o grau de responsabilidade dos influenciadores digitais na promoção de serviços potencialmente lesivos ao público, especialmente jovens e vulneráveis.

A mira da CPI

A Comissão Parlamentar de Inquérito já ouviu representantes de empresas de apostas, especialistas em regulação e agora volta-se para os promotores desses serviços. A CPI parece caminhar para um cenário de responsabilização direta dos influenciadores que lucraram com campanhas de apostas, sem informar devidamente o público sobre riscos e regras.

Além disso, cresce a suspeita de lavagem de dinheiro por meio dessas plataformas, muitas das quais operam com sede em paraísos fiscais. A CPI tem poder para quebrar sigilos bancários e fiscais e deve avançar sobre as contas de influenciadores e empresas de publicidade.

Até onde pode ir a CPI?

A depender da disposição política dos parlamentares, a CPI pode:

  1. Indiciar influenciadores e empresários por omissão, publicidade enganosa ou associação a práticas financeiras irregulares.

  2. Pressionar por regulamentação mais rígida, com restrições à propaganda de apostas, sobretudo nas redes sociais.

  3. Propor a criação de um marco legal claro, prevendo sanções tanto para plataformas quanto para seus promotores.

  4. Expor fragilidades institucionais, incluindo a atuação permissiva da Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda.

O papel dos influenciadores: ingênuos ou cúmplices?

Influenciadores digitais atingem milhões de pessoas, muitas vezes sem a menor preocupação com o impacto de suas recomendações. Ao promover plataformas de apostas, exercem papel semelhante ao de operadores comerciais – mas sem o mesmo grau de fiscalização. Alegar desconhecimento, como fez Virgínia Fonseca, pode não ser suficiente.

O debate ético também se impõe: qual é o limite entre a liberdade de expressão publicitária e a responsabilidade social de quem lucra influenciando decisões financeiras de adolescentes e jovens?

E o governo federal?

O governo Lula tem buscado regulamentar o setor, mas vem sendo acusado de lentidão e permissividade. Desde a legalização das apostas esportivas em 2018 (Lei 13.756/18), pouco foi feito para estruturar mecanismos de fiscalização. Só em 2023, o Ministério da Fazenda começou a esboçar regras mais rígidas.

Agora, com a CPI avançando, o governo se vê pressionado a agir. A ausência de uma regulação clara deixou um vácuo onde a indústria das bets cresceu sem controle, muitas vezes cooptando influenciadores e driblando o fisco.

Conclusão

O depoimento de Virgínia Fonseca foi mais simbólico do que revelador. Mas serviu como alerta: a CPI das Bets não é apenas sobre apostas – é sobre a fragilidade institucional frente ao poder das redes sociais e ao dinheiro fácil de um setor que cresceu à sombra da legalidade.

A depender do andamento das investigações, a CPI pode gerar um divisor de águas: influenciadores e empresas de publicidade digital terão que escolher entre responsabilidade e risco criminal.

terça-feira, 13 de maio de 2025

CPI, Polícia Federal e Ministério Público: Cerco se Fecha em Torno de Contrato com Empresa do Prefeito de Rio Verde-GO em Acreúna


Por Cleuber Carlos 

13 de maio de 2025

O que começou como uma denúncia isolada, levantada por este blog, evoluiu rapidamente para uma grave crise institucional envolvendo a Prefeitura de Acreúna-GO, a Câmara Municipal, o Ministério Público e, agora, até a Polícia Federal. O pivô do escândalo é um contrato firmado em 2022 entre a Prefeitura de Acreúna e a empresa Castro Herênio Serviços Médicos LTDA, assinado por  Wellington Soares Carrijo Filho, hoje prefeito de Rio Verde.



Nesta segunda-feira (12), a situação ganhou novo desdobramento com a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara de Acreúna. O requerimento foi protocolado por Robson Rios, ex-candidato a prefeito e um dos principais opositores da atual gestão municipal. A CPI tem como objetivo investigar a legalidade, os termos e as circunstâncias que envolveram a contratação da 
Castro Herênio Serviços Médicos LTDA, empresa privada vinculada diretamente a um agente político com mandato eletivo em município vizinho.

Contrato sob suspeita: documentos já haviam sido enviados ao Ministério Público

A primeira denúncia, noticiada com exclusividade pelo Blog do Cleuber Carlos e Félix News em um trabalho de jornalismo investigativo, no dia 20 de abril (leia aqui), já apresentava documentos robustos, incluindo:

  • A denúncia aponta um cenário preocupante: a médica Camila Pereira Fernandes, atual Diretora Técnica do Hospital Municipal de Acreúna, exerce ao mesmo tempo o cargo comissionado na administração pública e figura como sócia ativa da empresa contratada pela própria Prefeitura para prestar os serviços que ela mesma deveria fiscalizar.

    🔁 Fiscalizando a si mesma


    De acordo com documentos oficiais e registros na Junta Comercial de Goiás, Camila é sócia da Castro Herênio Serviços Médicos LTDA, empresa que presta serviços médicos diretamente no hospital onde ela é diretora. Na prática, a médica atua como contratada e fiscal de si mesma, gerenciando inclusive a escala dos plantonistas sem controle superior, segundo denúncias recebidas pela reportagem.

    Desta forma ela pode beneficiar a ela mesma, se escalando para os plantões,  afim de aumentar seu rendimento como prestadora de serviço, já que é ela que faz as escalas.


    Essa situação viola frontalmente o Estatuto dos Servidores Públicos de Acreúna, que proíbe acúmulo de funções com conflito de interesse, e pode configurar crime de prevaricação e improbidade administrativa.

    💸 Contrato de R$ 3 milhões virou mais de R$ 22 milhões

    A situação se agrava ainda mais quando se observa o histórico do contrato: o polêmico Contrato nº 059/2022, firmado entre a Prefeitura de Acreúna e a empresa Castro Herênio, saltou de R$ 3.678.012,00 para R$ 22.029.096,30, por meio de sete aditivos — um aumento de quase 500%.

A documentação foi formalmente protocolada no Ministério Público de Goiás, que confirmou o recebimento e informou que o caso está sendo analisado na fase preliminar. A depender dos elementos, poderá haver abertura de inquérito civil por improbidade administrativa.

O ponto central da denúncia reside no fato de que, ao tempo da contratação, Wellington Carrijo já ocupava o cargo público, o que levanta suspeitas de conflito de interesses, favorecimento indevido e eventual violação aos princípios da administração pública, notadamente a moralidade, a impessoalidade e a legalidade.

PF também entra no caso

A denúncia ganhou ainda mais peso com a revelação publicada por este blog em 6 de maio de 2025, de que a Polícia Federal também foi acionada formalmente para apurar o caso. A representação, assinada por cidadãos locais e respaldada por documentos já apresentados ao MP, foi encaminhada à Superintendência Regional da PF em Goiás.

Fontes da própria Polícia Federal informaram que a denúncia será inicialmente analisada pelo setor de Combate à Corrupção e Desvios de Recursos Públicos, podendo ensejar a instauração de inquérito policial, caso sejam identificados elementos típicos de crimes como fraude à licitação, tráfico de influência, ou associação criminosa.

CPI começa sob tensão na Câmara

Diante da gravidade dos fatos, Robson Rios protocolou na Câmara Municipal de Acreúna o pedido de instalação de uma CPI. A proposta foi aceita, e a comissão foi formalmente composta. Em nota, Rios declarou:

“A sociedade acreunense exige respostas. Há fortes indícios de uso político de uma empresa privada para obtenção de vantagens indevidas. A Câmara não pode se omitir.”

Nos bastidores, o clima é de tensão. Vereadores da base do atual prefeito tentam deslegitimar a CPI, classificando-a como “manobra política” da oposição. Por outro lado, vereadores independentes e lideranças civis defendem a atuação da Casa Legislativa como instrumento legítimo de fiscalização e controle.

Oposição exige explicações, base tenta blindar

Enquanto cresce a pressão por esclarecimentos, nenhum pronunciamento oficial foi feito até o momento pelo prefeito de Acreúna sobre o fato. Claudiomar Portugal usou a redes sociais para atacar adversários ao invés de esclarecer a população sobre os fatos denunciados.  A ausência de respostas públicas só reforça a necessidade de apuração independente.

Especialistas ouvidos por este blog apontam que, mesmo que o contrato tenha seguido trâmites formais, a presença de interesse político cruzado — entre municípios vizinhos e gestores aliados — configura uma grave afronta aos princípios da administração pública.

Controle social fortalecido

Este caso, que ganhou visibilidade por meio do trabalho investigativo e independente do Blog do Cleuber Carlos e Félix News, mostra como o jornalismo livre, aliado à mobilização popular e ao funcionamento das instituições, pode enfrentar os desvios de poder e exigir mais ética na gestão pública.

A investigação agora ocorre em três frentes simultâneas:

  1. Na Câmara Municipal, por meio da nova CPI;

  2. No Ministério Público de Goiás, em fase de análise preliminar;

  3. Na Polícia Federal, que já confirmou o recebimento da denúncia e avalia os documentos.

O Blog do Cleuber Carlos seguirá acompanhando todos os desdobramentos com responsabilidade, precisão e compromisso com o interesse público.


domingo, 11 de maio de 2025

Vídeo Exclusivo Mostra Compra de Votos Dentro do Comitê de Claudiomar Portugal: Escândalo Pode Levar à Cassação e Nova Eleição em Acreúna

Um novo escândalo envolvendo o prefeito eleito de Acreúna (GO), Claudiomar Portugal (PP), pode alterar drasticamente os rumos políticos da cidade. Após já ter sido condenado por abuso de poder econômico e uso indevido de meios de comunicação na campanha de 2024, agora um vídeo exclusivo obtido pelo Goiás 24 Horas 
 mostra o que parece ser um flagrante de compra de votos com dinheiro em espécie, realizado dentro do comitê eleitoral de Claudiomar, com a participação direta de uma procuradora do município.

No vídeo, é possível ver uma mulher identificada como procuradora municipal entregando dinheiro vivo a eleitores dentro do espaço oficial da campanha. O conteúdo é contundente: sussurros, acertos discretos e pagamentos em espécie, tudo gravado de forma clara e detalhada, o que pode configurar um grave crime eleitoral.

Em outro  vídeo devastador, que mostram claramente o pagamento em notas de R$ 100,00 aos eleitores,  dentro do comitê eleitoral de Claudiomar Portugal (PP), com a participação ativa de membros do alto escalão da gestão municipal.



O vídeo, gravado, conforme narra a autora da gravação,  em uma sexta-feira, durante o horário de expediente, mostra a procuradora municipal Lígia Ferreira realizando  pagamento em dinheiro, ao lado da primeira-dama de Acreúna, Adriana, e da filha dela, a advogada Ana Marcela. É possível ouvir as vozes das três mulheres, incluindo diálogos comprometendo diretamente a campanha de Claudiomar Portugal.

📝 E mais: uma ata notarial registrada em cartório confirma oficialmente o conteúdo dos vídeos como prova válida de captação ilícita de sufrágio, fortalecendo juridicamente a denúncia e preparando o terreno para ações de cassação do mandato e inelegibilidade.


Relembre: Claudiomar Já Foi Condenado por Abuso de Poder Econômico


Recentemente, o juiz da 128ª Zona Eleitoral de Acreúna, Thales Prestrêlo Valadares Leão, condenou Claudiomar Portugal ao pagamento de multa de R$ 20 mil, após comprovação de uso indevido da Rádio Canadá FM, veículo usado para promover sua candidatura de forma irregular. Embora a condenação não tenha levado à cassação imediata do mandato, a coligação adversária Inovar para Avançar, apoiada por parecer do Ministério Público Eleitoral, recorreu da decisão solicitando punição mais severa, incluindo cassação e novas eleições.


Impacto Jurídico do Novo Flagrante


A nova denúncia, agora sustentada por prova audiovisual, eleva o caso a um novo patamar. De acordo com o artigo 41-A da Lei nº 9.504/1997, a compra de votos, mediante entrega de dinheiro, bens ou vantagens a eleitores, é causa clara de cassação do registro ou diploma do candidato. A pena ainda pode incluir a declaração de inelegibilidade por oito anos, além da possibilidade de responsabilização criminal.

Segundo especialistas consultados pelo blog, o vídeo pode ser considerado prova robusta e incontestável de captação ilícita de sufrágio. A procuradora envolvida também poderá responder por ato de improbidade administrativa e até expulsão do serviço público.


Consequências Políticas: Claudiomar Pode Perder o Mandato

Caso o Tribunal Regional Eleitoral de Goiás (TRE-GO) entenda que a conduta flagrada afetou a legitimidade do pleito, a cidade de Acreúna poderá enfrentar nova eleição suplementar, como prevê o Código Eleitoral.

O cenário político também tende a mudar radicalmente. O grupo político de Claudiomar Portugal, já desgastado por condenações anteriores, pode entrar em colapso com o novo escândalo, abrindo espaço para uma reconfiguração de forças locais e até intervenção partidária estadual.


Justiça Eleitoral na Berlinda: Teste de Rigor e Transparência

A atuação da Justiça Eleitoral será posta à prova. A sociedade acreunense, que já acompanhava com atenção o processo de investigação, agora cobra ação firme e célere diante do conteúdo do vídeo. O Ministério Público deve receber a nova denúncia ainda nesta semana, junto ao material completo.

A pergunta que paira sobre Acreúna agora é: um prefeito condenado por abuso e flagrado em compra de votos pode continuar governando? A resposta pode vir em breve dos tribunais.

STJ Reconhece Pela Segunda Vez Que Prisão de Paulo César e Karine Gouveia Foi ilegal e escancara o uso abusivo do sistema penal em Goiás


Por Cleuber Carlos – 11 de maio de 2025

Na mais recente demonstração de como o sistema de Justiça pode ser instrumentalizado para fins escusos, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) reconheceu, pela segunda vez, a ilegalidade da prisão de Karine Gouveia e Paulo César Dias, influenciadores digitais e empresários do ramo estético em Goiânia.

A decisão, proferida pelo ministro Carlos Cini Marchionatti em 9 de maio, não apenas revogou novamente a ordem de prisão, como escancarou a completa ausência de justificativa legal para a reclusão do casal, decretada em afronta direta a medidas cautelares anteriormente fixadas pela ministra Daniela Teixeira, ainda em fevereiro deste ano.

Segundo a defesa, formada pelos advogados Romero Ferraz Filho, Tito Souza do Amaral e Caio Victor Lopes Tito, a prisão foi fruto de uma manobra acusatória, sem qualquer base concreta, e com nítido objetivo de constranger e silenciar Karine e Paulo.

E não é a primeira vez.

A Justiça brasileira já havia declarado ilegal a prisão do casal anteriormente, o que torna o novo episódio ainda mais grave. A reincidência da violação indica algo além de erro jurídico: aponta para um padrão persecutório e autoritário que merece ser investigado pelas instâncias superiores e, sobretudo, pela sociedade civil.

O que está em jogo aqui vai muito além da liberdade de dois cidadãos. Trata-se de um ataque às garantias constitucionais que protegem qualquer brasileiro de prisões arbitrárias. Quando o Estado prende alguém sem fundamento legal – e é desautorizado duas vezes por um tribunal superior –, não estamos diante de uma falha: estamos diante de um abuso deliberado de poder.


A prisão de Karine Gouveia e Paulo César Dias, influenciadores digitais e empresários do ramo estético em Goiânia, ocorreu na véspera do Natal de 2024, um momento que deveria ser de celebração e união familiar. Com filhos pequenos em casa, o casal foi surpreendido por uma ordem de prisão considerada posteriormente ilegal. A ausência dos pais durante as festividades natalinas deixou marcas profundas nas crianças, que não compreendiam por que seus pais não estavam presentes em uma data tão significativa.


É inadmissível que, em pleno 2025, autoridades insistam em usar o sistema penal como instrumento de intimidação, especialmente quando isso afeta diretamente a vida de crianças inocentes. O silêncio diante dessas aberrações jurídicas será conivência.


É inadmissível que, em pleno 2025, autoridades insistam em usar o sistema penal como instrumento de intimidação. Onde estão os responsáveis por essa aberração jurídica? Quem vai responder pelas prisões ilegais, pelo constrangimento indevido e pelos danos causados à imagem e à vida dos acusados?


Quando o Judiciário falha em proteger os direitos fundamentais, todos nós estamos em risco.

Diante da reincidência da ilegalidade, faz se necessário o Ministério Público a abrir uma investigação urgente para apurar a responsabilidade funcional e possível dolo dos agentes públicos envolvidos na decretação e execução dessas prisões. Prender ilegalmente é crime. Repetir esse crime, com aval institucional, é acintoso. E o silêncio diante disso será conivência. Ou quando se trata de que Crime praticado por magistrados com participação de seus próprios membros o Ministério Público vai fingir que é cego, surdo e mudo?