domingo, 19 de abril de 2026

ESCÂNDALO EM ACREÚNA: EVENTO COM DINHEIRO PÚBLICO LEVANTA SUSPEITA DE DIRECIONAMENTO POLÍTICO

CONTRATO COM PREFEITURA E PRESENÇA DE AGENTES POLÍTICOS COLOCAM CONCURSO DA EXPO ACREÚNA SOB PRESSÃO APÓS RELATO DE EXCLUSÃO DE PATROCINADORA

Vídeo de empresária, participação de secretária municipal e vínculo formal com o município ampliam questionamentos sobre critérios adotados no evento


O que começou como um evento festivo dentro da programação da Expoacreúna 2026 agora se transforma em um caso que ultrapassa o entretenimento e entra definitivamente no campo da responsabilidade pública.

Documentos oficiais confirmam que a Prefeitura de Acreúna firmou o Contrato nº 092/2026 com a empresa Revista New Vips – AF Agronegócios e Publicidades LTDA ME, responsável pela organização do concurso Rainha do Rodeio e Rainha da Expoagro. O edital, assinado por autoridade municipal e pelo próprio prefeito, formaliza o evento como parte da estrutura institucional do município.

Na prática, isso altera completamente o enquadramento do caso.

Não se trata apenas de uma iniciativa privada com apoio simbólico. Trata-se de um evento vinculado ao poder público, com regras estabelecidas em edital e participação direta de agentes políticos — cenário que impõe, por obrigação constitucional, o respeito aos princípios da impessoalidade e da transparência.

EMPRESÁRIA RELATA BLOQUEIO POLÍTICO EM PATROCÍNIO DE EVENTO



No material obtido pela reportagem, um vídeo encaminhado pela advogada e empresária Dra. Flávia Batista acrescenta um elemento sensível ao caso. Segundo seu relato, ela foi inicialmente procurada por Adriana Azevedo, responsável pela organização do concurso, com convite para integrar o grupo de patrocinadores do evento. Flávia afirma que aceitou a proposta e, a partir disso, chegou a ser procurada por candidatas, às quais se dispôs a oferecer apoio financeiro e estrutural para participação no concurso. No entanto, ainda de acordo com seu depoimento, a própria Adriana Azevedo teria retornado posteriormente informando que não seria mais possível a participação dela como patrocinadora, sob a justificativa de que as cotas já estariam preenchidas — versão que, na leitura da advogada, não se sustentaria diante do contexto, levantando questionamentos sobre os critérios adotados na definição dos apoiadores do evento.


O caso se torna ainda mais sensível diante das imagens do próprio evento, que mostram não apenas o prefeito e o vice-prefeito, mas também a presença ativa da secretária municipal de Ação Social — esposa do vice — participando da entrega da premiação às vencedoras.

A presença institucional direta, somada ao vínculo contratual com o município, desloca o centro da discussão.

A questão deixa de ser apenas comercial.

Passa a ser administrativa.

Porque, em eventos vinculados ao poder público, a definição de patrocinadores não pode se dar por critérios subjetivos, seletivos ou opacos. Exige, no mínimo, coerência, publicidade e tratamento isonômico entre interessados.

Diante disso, as perguntas deixam de ser periféricas e passam a ser centrais:

Quem definiu os patrocinadores do evento?
Quais critérios foram utilizados?
Houve registro formal dessas decisões?
E, sobretudo, houve ou não tratamento diferenciado em razão de posicionamento político?

Sem essas respostas, o que se tem é um modelo híbrido — público na forma, privado na execução e nebuloso nos critérios.

E quando política, dinheiro e estrutura institucional se encontram no mesmo palco, o problema não é mais o evento.

O problema é o silêncio de quem deveria explicar.

A organizadora do evento, Adriana Azevedo, também foi procurada para prestar esclarecimentos formais sobre a estrutura jurídica da organização, a existência de contrato com o município e os critérios adotados na definição dos patrocinadores.

As perguntas foram encaminhadas de forma direta e objetiva. A mensagem foi recebida e houve resposta inicial por parte da organizadora. No entanto, nenhum dos questionamentos centrais foi respondido até o fechamento desta matéria.

A ausência de esclarecimento ocorre em um contexto no qual já há documentação oficial comprovando vínculo contratual com o poder público, participação direta de agentes políticos no evento e relato público de exclusão de patrocinadora por suposta motivação política.

Em situações dessa natureza, o silêncio não neutraliza o fato.

Apenas o agrava.

E quando há documento, assinatura, presença institucional e relato público — mas falta explicação — o problema deixa de ser a denúncia.

Passa a ser a ausência de resposta.

Porque, na gestão pública, quem pode explicar e escolhe não explicar…
já começou a perder o controle da narrativa.



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