CONTRATO COM PREFEITURA E PRESENÇA DE AGENTES POLÍTICOS COLOCAM CONCURSO DA EXPO ACREÚNA SOB PRESSÃO APÓS RELATO DE EXCLUSÃO DE PATROCINADORA
Vídeo de empresária, participação de secretária municipal e vínculo formal com o município ampliam questionamentos sobre critérios adotados no evento
O que começou como um evento festivo dentro da programação da Expoacreúna 2026 agora se transforma em um caso que ultrapassa o entretenimento e entra definitivamente no campo da responsabilidade pública.
Documentos oficiais confirmam que a Prefeitura de Acreúna firmou o Contrato nº 092/2026 com a empresa Revista New Vips – AF Agronegócios e Publicidades LTDA ME, responsável pela organização do concurso Rainha do Rodeio e Rainha da Expoagro. O edital, assinado por autoridade municipal e pelo próprio prefeito, formaliza o evento como parte da estrutura institucional do município.
Na prática, isso altera completamente o enquadramento do caso.
Não se trata apenas de uma iniciativa privada com apoio simbólico. Trata-se de um evento vinculado ao poder público, com regras estabelecidas em edital e participação direta de agentes políticos — cenário que impõe, por obrigação constitucional, o respeito aos princípios da impessoalidade e da transparência.
EMPRESÁRIA RELATA BLOQUEIO POLÍTICO EM PATROCÍNIO DE EVENTO
No material obtido pela reportagem, um vídeo encaminhado pela advogada e empresária Dra. Flávia Batista acrescenta um elemento sensível ao caso. Segundo seu relato, ela foi inicialmente procurada por Adriana Azevedo, responsável pela organização do concurso, com convite para integrar o grupo de patrocinadores do evento. Flávia afirma que aceitou a proposta e, a partir disso, chegou a ser procurada por candidatas, às quais se dispôs a oferecer apoio financeiro e estrutural para participação no concurso. No entanto, ainda de acordo com seu depoimento, a própria Adriana Azevedo teria retornado posteriormente informando que não seria mais possível a participação dela como patrocinadora, sob a justificativa de que as cotas já estariam preenchidas — versão que, na leitura da advogada, não se sustentaria diante do contexto, levantando questionamentos sobre os critérios adotados na definição dos apoiadores do evento.
O caso se torna ainda mais sensível diante das imagens do próprio evento, que mostram não apenas o prefeito e o vice-prefeito, mas também a presença ativa da secretária municipal de Ação Social — esposa do vice — participando da entrega da premiação às vencedoras.
A presença institucional direta, somada ao vínculo contratual com o município, desloca o centro da discussão.
A questão deixa de ser apenas comercial.
Passa a ser administrativa.
Porque, em eventos vinculados ao poder público, a definição de patrocinadores não pode se dar por critérios subjetivos, seletivos ou opacos. Exige, no mínimo, coerência, publicidade e tratamento isonômico entre interessados.
Diante disso, as perguntas deixam de ser periféricas e passam a ser centrais:
Quem definiu os patrocinadores do evento?Sem essas respostas, o que se tem é um modelo híbrido — público na forma, privado na execução e nebuloso nos critérios.
E quando política, dinheiro e estrutura institucional se encontram no mesmo palco, o problema não é mais o evento.
O problema é o silêncio de quem deveria explicar.
A organizadora do evento, Adriana Azevedo, também foi procurada para prestar esclarecimentos formais sobre a estrutura jurídica da organização, a existência de contrato com o município e os critérios adotados na definição dos patrocinadores.
As perguntas foram encaminhadas de forma direta e objetiva. A mensagem foi recebida e houve resposta inicial por parte da organizadora. No entanto, nenhum dos questionamentos centrais foi respondido até o fechamento desta matéria.
A ausência de esclarecimento ocorre em um contexto no qual já há documentação oficial comprovando vínculo contratual com o poder público, participação direta de agentes políticos no evento e relato público de exclusão de patrocinadora por suposta motivação política.
Em situações dessa natureza, o silêncio não neutraliza o fato.
Apenas o agrava.
E quando há documento, assinatura, presença institucional e relato público — mas falta explicação — o problema deixa de ser a denúncia.
Passa a ser a ausência de resposta.
Nenhum comentário:
Postar um comentário