segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Jornal Opção: Fake News Por Encomenda?

MANCHETE PLANTADA? “BASTIDOR” SEM PROVA TENTA CRIAR FATO POLÍTICO QUE NÃO EXISTE
Na minha avaliação editorial, o Jornal Opção há tempos abandonou o terreno do jornalismo político responsável e passou a atuar como veículo de publicação de narrativas frágeis, baseadas em insinuação, conjectura e “bastidores” não demonstrados.


O que vejo com frequência não é informação sustentada por prova, mas construções que, na minha opinião, se enquadram como fake news políticas por insinuação — conteúdo que não afirma diretamente, mas planta no imaginário do leitor uma realidade que não foi comprovada.


Hipótese virou manchete.

Sugestão virou atmosfera.

“Pode ser” passou a ocupar o lugar do fato.

Isso não é erro de estilo. É método.

E quando a narrativa vem antes da evidência, não estamos diante de jornalismo factual. Estamos diante de construção de cenário político sem lastro documental — algo que, sob meu juízo crítico, desinforma em vez de esclarecer.

É com essa leitura — firme, crítica e assumidamente opinativa — que analiso a publicação em questão

Publicação transforma hipótese em atmosfera de aliança, mas não apresenta um único elemento concreto que sustente a narrativa

O que foi apresentado como “bastidor político” pelo Jornal Opção não revela um movimento. Revela um método.

A chamada publicada sugere que Marconi Perillo “pode recuar”, “pode apoiar” Aava Santiago e que “pode pintar” uma aliança com o PT.

Três verbos no condicional.

Zero fatos apresentados.

Não há declaração.

Não há registro de reunião.

Não há posicionamento partidário.

Não há fonte identificável.

Há apenas a construção de um cenário hipotético apresentado com embalagem de movimentação real.

Isso não é revelação de bastidor.

É projeção política transformada em manchete.

A técnica é conhecida nos meios políticos: cria-se um enredo possível, ancora-se a narrativa em símbolos fortes (como a associação indireta ao campo político de Lula) e deixa-se o leitor com a sensação de que algo está acontecendo — mesmo quando não há um único elemento verificável que comprove a tese.

Política real deixa rastro.

Hipótese deixa suposição.

Se houvesse articulação concreta, haveria:

  • sinalização pública
  • reação de lideranças
  • movimentação interna partidária
  • registro de diálogo político

Nada disso aparece. O que aparece é apenas o clima. E clima não é fato.

Transformar “pode ser” em ambiente de “está acontecendo” não é informar. É induzir leitura política sem base documental.


PERGUNTAS QUE O JORNAL OPÇÃO NÃO RESPONDEU

  1. Recuar de quê?
    Marconi estaria recuando de qual posição objetiva? Pré-candidatura? Projeto partidário? Não foi dito.
  2. Apoio com base em qual fato?
    Houve declaração direta? Vídeo? Entrevista? Nota oficial? Nenhum elemento foi apresentado.
  3. Aliança com o PT em qual instância?
    Conversa informal? Reunião formal? Articulação institucional? A manchete sugere — mas não prova.
  4. Quem é a fonte do “bastidor”?
    É dirigente partidário? Assessor? Parlamentar? Liderança nacional? Nada é identificado.
  5. Quando isso teria ocorrido?
    Política é tempo. Se há fato, há data. Não há.
  6. Onde ocorreu a suposta articulação?
    Sem local, não há verificação possível.
  7. Qual o elemento objetivo que sustenta a manchete?
    Documento? Registro? Declaração? Prova material? Nenhum foi apresentado.

O leitor precisa entender a diferença entre análise e sugestão narrativa. Análise parte de fatos e projeta cenários. Aqui, o cenário veio primeiro. O fato não veio.

E quando o jornalismo troca evidência por atmosfera, o que se produz não é informação — é ensaio político publicado como se fosse movimentação real.

No debate público, especulação pode até existir. O que não pode é ganhar roupagem de notícia sem que se mostre o que sustenta a hipótese.

Porque quando a suposição vira manchete, a informação vira acessório. E isso diz muito mais sobre o método de publicação do que sobre a política em si.


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