quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

VOCÊ ESTÁ COM HIV”: CASO EM ACREÚNA LEVANTA DÚVIDAS SOBRE TESTES DA REDE MUNICIPAL DE SAÚDE

DIAGNÓSTICO POSITIVO, EXAMES NEGATIVOS E UMA VIDA À BEIRA DO COLAPSO: O CASO QUE EXPÕE FALHA GRAVE NA REDE DE TESTAGEM EM GOIÁS

Paciente foi notificado como HIV positivo e com sífilis em Acreúna, entrou em crise psicológica, mas exames laboratoriais em Rio Verde deram NÃO REAGENTE para todas as infecções

O que deveria ser um procedimento técnico de rotina pode ter se transformado em um episódio de enorme impacto humano e institucional. Um morador da região de Acreúna (GO) foi classificado em teste de triagem como HIV positivo e sífilis positivo, teve seu caso notificado no sistema nacional de agravos, passou a carregar o peso de um diagnóstico gravíssimo — mas, dias depois, exames laboratoriais realizados em um Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA) de referência apontaram o oposto: todos os resultados deram NÃO REAGENTE.

O episódio levanta uma pergunta que não é apenas médica, mas ética e institucional: quantos pacientes podem estar sendo rotulados com doenças graves sem a confirmação adequada?

📌 A PRIMEIRA ETAPA: O “POSITIVO” EM ACREÚNA

No atendimento inicial realizado em Acreúna, o paciente passou por testes rápidos de triagem.

O resultado registrado foi:

  • Sífilis: POSITIVO
  • HIV: POSITIVO

Além disso, foram geradas fichas de notificação no SINAN, o Sistema de Informação de Agravos de Notificação do Ministério da Saúde. Ou seja, o caso passou a existir oficialmente como agravo de saúde pública.

Na prática, isso significa:

  • O paciente passa a ser tratado como portador de IST grave
  • Sofre impacto psicológico imediato
  • Pode enfrentar estigma social
  • Pode ser encaminhado para protocolos de tratamento e acompanhamento

Mas aqui surge o ponto crítico: teste rápido de triagem NÃO fecha diagnóstico de HIV nem de sífilis por si só.

🧪 A SEGUNDA ETAPA: OS EXAMES NO CTA DE RIO VERDE

Encaminhado para o CTA de Rio Verde — unidade de referência para confirmação diagnóstica — o paciente realizou exames laboratoriais por métodos mais específicos.

Os laudos emitidos mostram:

🔬 HIV

  • Sorologia por imunensaio: NÃO REAGENTE
  • Teste rápido de segunda etapa (Bio-Manguinhos): NÃO REAGENTE

🧪 Sífilis

  • Anticorpos treponêmicos: NÃO REAGENTE
  • Conclusão do laudo:
    “Amostra não reagente para anticorpos treponêmicos.”

🦠 Hepatites B e C

  • Todos os marcadores: NÃO REAGENTES

Em termos técnicos, isso significa que os exames laboratoriais NÃO confirmaram o diagnóstico que havia sido apontado na triagem.

⚖️ O PROBLEMA: TRIAGEM NÃO É DIAGNÓSTICO

O protocolo do Ministério da Saúde é claro:

👉 Testes rápidos são instrumentos de triagem.

👉 Resultados reagentes precisam passar por fluxograma de confirmação.

Ninguém deve ser tratado como HIV positivo ou sífilis confirmada apenas com um teste rápido inicial.

Se houve:

  • Notificação como caso confirmado
  • Comunicação do diagnóstico sem confirmação
  • Falha em orientar corretamente o paciente sobre a natureza de triagem do teste

estamos diante de possível quebra de protocolo técnico-sanitário.


🚨 O FATOR HUMANO: CRISE PSICOLÓGICA E RISCO À VIDA

O caso ganha contornos ainda mais graves porque, segundo relatos, o paciente entrou em profunda crise emocional após receber o resultado inicial, a ponto de apresentar comportamento associado a tentativa de autoextermínio.

Aqui a discussão deixa de ser apenas laboratorial.

Estamos falando de:

  • Abalo psicológico extremo
  • Desespero associado a diagnóstico de doença grave
  • Risco real à vida

Se a informação foi transmitida como diagnóstico fechado, sem confirmação, o impacto emocional pode ter sido devastador.

❓ AS PERGUNTAS QUE FICAM

Este caso levanta questionamentos que precisam ser respondidos pelas autoridades de saúde:

  1. O fluxograma de confirmação foi seguido corretamente em Acreúna?
  2. O paciente foi informado de que se tratava de teste de triagem, e não diagnóstico definitivo?
  3. Por que houve notificação em sistema nacional antes da confirmação laboratorial?
  4. Quantos outros pacientes podem ter passado por situação semelhante?

📍 MAIS QUE UM ERRO TÉCNICO, UM PROBLEMA DE DIGNIDADE

Um resultado falso positivo não é apenas um número errado em um papel.

Ele pode significar:

  • Ruptura familiar
  • Estigma social
  • Colapso emocional
  • Perda de sentido de vida

Quando se trata de HIV e sífilis, a comunicação exige extremo cuidado, protocolo rígido e responsabilidade.

Se isso falhou, não é apenas um problema médico.

É uma questão de direito do paciente, responsabilidade do Estado e proteção da vida.

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