DIAGNÓSTICO POSITIVO, EXAMES NEGATIVOS E UMA VIDA À BEIRA DO COLAPSO: O CASO QUE EXPÕE FALHA GRAVE NA REDE DE TESTAGEM EM GOIÁS
Paciente foi notificado como HIV positivo e com sífilis em Acreúna, entrou em crise psicológica, mas exames laboratoriais em Rio Verde deram NÃO REAGENTE para todas as infecções
O que deveria ser um procedimento técnico de rotina pode ter se transformado em um episódio de enorme impacto humano e institucional. Um morador da região de Acreúna (GO) foi classificado em teste de triagem como HIV positivo e sífilis positivo, teve seu caso notificado no sistema nacional de agravos, passou a carregar o peso de um diagnóstico gravíssimo — mas, dias depois, exames laboratoriais realizados em um Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA) de referência apontaram o oposto: todos os resultados deram NÃO REAGENTE.
O episódio levanta uma pergunta que não é apenas médica, mas ética e institucional: quantos pacientes podem estar sendo rotulados com doenças graves sem a confirmação adequada?
📌 A PRIMEIRA ETAPA: O “POSITIVO” EM ACREÚNA
No atendimento inicial realizado em Acreúna, o paciente passou por testes rápidos de triagem.
O resultado registrado foi:
- Sífilis: POSITIVO
- HIV: POSITIVO
Além disso, foram geradas fichas de notificação no SINAN, o Sistema de Informação de Agravos de Notificação do Ministério da Saúde. Ou seja, o caso passou a existir oficialmente como agravo de saúde pública.
Na prática, isso significa:
- O paciente passa a ser tratado como portador de IST grave
- Sofre impacto psicológico imediato
- Pode enfrentar estigma social
- Pode ser encaminhado para protocolos de tratamento e acompanhamento
Mas aqui surge o ponto crítico: teste rápido de triagem NÃO fecha diagnóstico de HIV nem de sífilis por si só.
🧪 A SEGUNDA ETAPA: OS EXAMES NO CTA DE RIO VERDE
Encaminhado para o CTA de Rio Verde — unidade de referência para confirmação diagnóstica — o paciente realizou exames laboratoriais por métodos mais específicos.
Os laudos emitidos mostram:
🔬 HIV
- Sorologia por imunensaio: NÃO REAGENTE
- Teste rápido de segunda etapa (Bio-Manguinhos): NÃO REAGENTE
🧪 Sífilis
- Anticorpos treponêmicos: NÃO REAGENTE
- Conclusão do laudo:“Amostra não reagente para anticorpos treponêmicos.”
🦠 Hepatites B e C
- Todos os marcadores: NÃO REAGENTES
Em termos técnicos, isso significa que os exames laboratoriais NÃO confirmaram o diagnóstico que havia sido apontado na triagem.
⚖️ O PROBLEMA: TRIAGEM NÃO É DIAGNÓSTICO
O protocolo do Ministério da Saúde é claro:
👉 Testes rápidos são instrumentos de triagem.
👉 Resultados reagentes precisam passar por fluxograma de confirmação.
Ninguém deve ser tratado como HIV positivo ou sífilis confirmada apenas com um teste rápido inicial.
Se houve:
- Notificação como caso confirmado
- Comunicação do diagnóstico sem confirmação
- Falha em orientar corretamente o paciente sobre a natureza de triagem do teste
estamos diante de possível quebra de protocolo técnico-sanitário.
🚨 O FATOR HUMANO: CRISE PSICOLÓGICA E RISCO À VIDA
O caso ganha contornos ainda mais graves porque, segundo relatos, o paciente entrou em profunda crise emocional após receber o resultado inicial, a ponto de apresentar comportamento associado a tentativa de autoextermínio.
Aqui a discussão deixa de ser apenas laboratorial.
Estamos falando de:
- Abalo psicológico extremo
- Desespero associado a diagnóstico de doença grave
- Risco real à vida
Se a informação foi transmitida como diagnóstico fechado, sem confirmação, o impacto emocional pode ter sido devastador.
❓ AS PERGUNTAS QUE FICAM
Este caso levanta questionamentos que precisam ser respondidos pelas autoridades de saúde:
- O fluxograma de confirmação foi seguido corretamente em Acreúna?
- O paciente foi informado de que se tratava de teste de triagem, e não diagnóstico definitivo?
- Por que houve notificação em sistema nacional antes da confirmação laboratorial?
- Quantos outros pacientes podem ter passado por situação semelhante?
📍 MAIS QUE UM ERRO TÉCNICO, UM PROBLEMA DE DIGNIDADE
Um resultado falso positivo não é apenas um número errado em um papel.
Ele pode significar:
- Ruptura familiar
- Estigma social
- Colapso emocional
- Perda de sentido de vida
Quando se trata de HIV e sífilis, a comunicação exige extremo cuidado, protocolo rígido e responsabilidade.
Se isso falhou, não é apenas um problema médico.
É uma questão de direito do paciente, responsabilidade do Estado e proteção da vida.

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