quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

Banco Master montou operação milionária com influenciadores para atacar o Banco Central

Banco Master e o Projeto DV: quando milhões tentam comprar a narrativa e intimidar as instituições

Contratos de até R$ 2 milhões, acordos de silêncio e influenciadores como linha auxiliar contra o Banco Central

A revelação feita pela jornalista Malu Gaspar expõe algo que vai muito além de uma simples estratégia de comunicação: trata-se de uma tentativa organizada de interferência narrativa em um processo regulatório do sistema financeiro brasileiro. No centro do caso está o Banco Master, comandado por Daniel Vorcaro, e uma operação batizada internamente de “Projeto DV”.

O nome não é detalhe. Ele revela personalização, comando e propósito.

🧠 Como funcionava a operação

  • 📌 O plano recebeu o nome interno de “Projeto DV”, referência direta às iniciais de Daniel Vorcaro
  • 📄 Influenciadores recebiam acordo de confidencialidade (NDA)
  • 🎬 A entrega exigida era de 8 vídeos por mês, durante 3 meses
  • 💰 Valores:
    • Até R$ 2 milhões para grandes perfis
    • Montantes menores para influenciadores médios

Mais grave: os conteúdos não eram livres. Havia roteiro pré-definido, com orientações explícitas:

  • Defender o TCU
  • Lançar suspeitas sobre a legalidade e a motivação do Banco Central
  • Tratar a liquidação como ato político ou abusivo

Segundo as reportagens mais recentes que investigam o caso Banco Master, as propostas milionárias a influenciadores foram feitas por uma agência descrita como Agência Mithi, registrada também como Miranda Comunicação. Os dados da reportagem indicam que:

  • A agência foi liderada por Thiago Miranda, que já foi CEO e sócio do grupo ligado ao jornalista Léo Dias, embora Léo Dias tenha negado qualquer vínculo atual com a agência ou com o portal que leva seu nome.
  • Um dos sócios majoritários apontados na agência é Flávio Carneiro, com cerca de 60% das cotas, e Thiago Miranda com o restante (ou participação relevante), conforme reportagem de veículos que citam registros e transferências bancárias.  

O método: dinheiro, silêncio e roteiro

De acordo com a apuração, influenciadores digitais receberam propostas que podiam chegar a R$ 2 milhões por apenas três meses de trabalho. Em troca, deveriam produzir oito vídeos mensais, seguindo orientações prévias e um discurso cuidadosamente encomendado.

Não era opinião.

Não era espontâneo.

Não era debate livre.

Os contratos vinham acompanhados de acordos de confidencialidade (NDAs) e de um briefing claro:

Alguns influenciadores, segundo Malu Gaspar, recusaram o acordo, exatamente por perceberem o risco jurídico e reputacional. Outros, tudo indica, não acharam problema em transformar audiência em instrumento de pressão institucional.

Quando marketing vira ataque ao Estado

É aqui que o caso deixa de ser curioso e se torna grave.

O Banco Central não é um concorrente de mercado.

O TCU não é um aliado político.

Liquidação bancária não é pauta ideológica.

Trata-se de uma decisão técnica, com impacto sistêmico, envolvendo risco financeiro, depositantes, credibilidade regulatória e estabilidade do mercado. Tentar deslegitimar o regulador por meio de campanhas digitais pagas é flertar com algo perigoso: a corrosão deliberada da confiança pública nas instituições.

Não é “defesa de imagem”.

É guerra de narrativa.


A engenharia da desinformação de luxo

O caso escancara um fenômeno moderno e ainda pouco enfrentado no Brasil:

👉 o lobby digital milionário travestido de engajamento orgânico.

Quando:

  • O discurso vem pronto
  • O silêncio é comprado
  • O influenciador vira vetor político
  • E o alvo é uma autarquia de Estado

Estamos diante de desinformação premium, financiada, roteirizada e estrategicamente distribuída.


E a pergunta que fica é incômoda:

quantas decisões públicas hoje enfrentam campanhas desse tipo sem que o cidadão perceba?

O silêncio que também fala

Até aqui, o que mais chama atenção não é apenas a existência do “Projeto DV”, mas o silêncio institucional em torno desse tipo de prática.

Não se trata de censurar influenciadores. Trata-se de responsabilizar quem tenta manipular o debate público para pressionar decisões técnicas.

Se um banco em liquidação pode mobilizar milhões para atacar o regulador, qual o limite?

Opinião

O caso Banco Master não é apenas sobre um banco, um banqueiro ou influenciadores. É sobre até onde o poder econômico está disposto a ir para reescrever a realidade quando a lei bate à porta.


Quando a narrativa vira mercadoria e a verdade vira obstáculo, o risco não é só financeiro.

É institucional.

É democrático.

É sistêmico.


E isso, definitivamente, não pode ser tratado como marketing.


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