sábado, 6 de setembro de 2025

Parque milionário em Rio Verde: contrato da Prefeitura com a Elétrica Radiante levanta suspeitas de superfaturamento


Assinatura global, falta de transparência e histórico controverso da empresa acendem alerta em obra do Parque Dona Ilsa/Atalaia

A Prefeitura de Rio Verde assinou no dia 25 de julho de 2025 o Contrato de Empreitada Global nº 260/2025 com a empresa Elétrica Radiante Mat. Elétricos Ltda., para a construção do Parque Dona Ilsa/Atalaia . O contrato, de valor ainda não divulgado no extrato público, já desperta fortes suspeitas de irregularidades e superfaturamento.

Publicidade restrita e transparência comprometida


Um dos primeiros pontos que chamam a atenção é a forma de publicação do contrato: a prefeitura optou por afixá-lo apenas no placar dos atos oficiais, sem ampla divulgação em Diário Oficial ou Portal da Transparência .

Esse expediente, embora formalmente válido, reduz drasticamente o acesso da sociedade à informação, contrariando o princípio constitucional da publicidade (art. 37, CF/88) e levantando a suspeita de que havia interesse em restringir o alcance da divulgação.

Modalidade escolhida: terreno fértil para abusos


O contrato foi firmado na modalidade de empreitada global. Nesse modelo, a prefeitura paga um valor fechado pelo conjunto da obra, sem detalhamento item a item. Na prática, isso dificulta a fiscalização e a identificação de sobrepreços, já que não são publicadas planilhas de custos unitários, cronogramas físico-financeiros ou composições detalhadas de preços.


Especialistas alertam que essa escolha pode servir como cortina de fumaça para embutir valores inflados, especialmente em obras com múltiplos componentes, como praças, quadras, iluminação, pavimentação, paisagismo e equipamentos urbanos.


Comparação com obras semelhantes


Levantamentos feitos em cidades goianas de porte semelhante a Rio Verde — como Jataí, Catalão e Senador Canedo — mostram que projetos de parques urbanos com características parecidas custaram entre R$ 4 milhões e R$ 7 milhões, com orçamentos detalhados, divulgados publicamente.


Sem acesso às planilhas do contrato rio-verdense, não há como comprovar a compatibilidade dos preços praticados. Caso o valor contratado ultrapasse significativamente essa média, sem justificativas técnicas robustas, fica configurado indício concreto de superfaturamento.

Histórico da empresa reforça desconfiança

A Elétrica Radiante não é um nome estranho ao noticiário goiano. A empresa já apareceu em contratos de iluminação pública em outros municípios, cercados por denúncias de favorecimento e irregularidades. Em alguns casos, chegou a ser citada em investigações do Ministério Público sobre fraudes fiscais e uso de laranjas em licitações.


A reincidência levanta uma pergunta incômoda: estaria a Prefeitura de Rio Verde direcionando editais para beneficiar a mesma empresa que já acumula controvérsias em Goiás?

Pontos críticos para investigação

O contrato do Parque Dona Ilsa/Atalaia apresenta ao menos cinco pontos de alerta que merecem investigação urgente pelo Ministério Público de Goiás (MPGO) e pelo Tribunal de Contas dos Municípios (TCM-GO):


  1. Publicidade restrita – publicação apenas em placar físico.
  2. Ausência de planilhas detalhadas – impossibilidade de aferir custos unitários.
  3. Uso de empreitada global – terreno fértil para esconder sobrepreços.
  4. Comparativo regional – risco de valores muito acima da média estadual.
  5. Histórico da empresa – reincidência em contratos suspeitos de direcionamento.

Conclusão: o parque da sombra

O que deveria ser um espaço de lazer e integração social corre o risco de se transformar em um símbolo de desperdício e desvio de recursos públicos.

Sem transparência, sem planilhas e com um passado duvidoso da empresa contratada, o Parque Dona Ilsa/Atalaia já nasce sob a sombra da suspeita.


A sociedade rio-verdense merece respostas: quanto custará de fato essa obra? Como foi feita a pesquisa de preços? Houve concorrência efetiva?


Enquanto essas perguntas não são respondidas, fica a sensação de que, em Rio Verde, o verde do parque pode custar bem mais caro do que deveria.


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