sexta-feira, 1 de agosto de 2025

Prefeito de Palmelo Cogita Renunciar Após Rombo de R$ 5 Milhões:

A falta de bloqueio dos bens do ex-secretário de Finanças, principal acusado pelo desvio milionário, coloca em risco a gestão municipal e evidencia a inércia das autoridades na proteção do patrimônio público.

O pequeno município de Palmelo, em Goiás, está no centro de um escândalo que escancara a fragilidade do sistema de combate à corrupção no Brasil. O prefeito Renato Damásio (Podemos) declarou publicamente que estuda renunciar ao cargo diante da falta de apoio das autoridades da Justiça após o desvio de aproximadamente R$ 5 milhões dos cofres públicos, valor que teria sido transferido para contas pessoais do ex-secretário de Finanças da cidade.

Segundo o próprio prefeito, o rombo representa cerca de cinco meses da folha de pagamento do funcionalismo público municipal, comprometendo diretamente a prestação de serviços essenciais à população. “Nossa cidade tem arrecadação mensal inferior a R$ 2 milhões e uma folha de pagamento que chega quase a R$ 1 milhão. Talvez R$ 5 milhões para grandes prefeituras seja insignificante, mas para Palmelo esse valor é extremamente significativo”, afirmou Damásio.

Inércia judicial agrava crise e revolta população

Mesmo diante da gravidade do caso, até o momento não houve bloqueio de bens do ex-secretário, medida essencial para garantir a restituição dos valores desviados. A Prefeitura ingressou com ações judiciais para reaver o montante, mas nenhuma decisão favorável foi proferida.



O prefeito, visivelmente abatido, afirmou:

Me decepcionei muito com a falta de ação das autoridades competentes. Eu penso, sim, em deixar a política. É desanimador ver o dinheiro público sendo levado sem consequência alguma”.

Um retrato do Brasil que normaliza a impunidade

O episódio em Palmelo expõe um problema crônico: a lentidão e a complacência do Judiciário em casos de corrupção, especialmente quando envolvem municípios pequenos, com pouca visibilidade política e midiática. O que para cidades grandes pode ser um “rombo menor”, para Palmelo representa a sobrevivência financeira da máquina pública.


O prefeito, ao cogitar a renúncia, revela a frustração de gestores honestos que não encontram respaldo institucional para combater a corrupção. O silêncio das autoridades, a ausência de medidas efetivas como o sequestro imediato de bens, e a falta de responsabilização rápida dos envolvidos mostram que a impunidade ainda é regra, não exceção.

Opinião: se Palmelo não tem valor, quem terá?

O caso de Palmelo é simbólico. Se um prefeito de uma cidade pequena, com orçamento restrito e forte impacto social de cada real desviado, não consegue apoio para recuperar R$ 5 milhões roubados do povo, qual recado o sistema de Justiça envia à sociedade?


Enquanto autoridades se omitem, a população paga a conta, com risco de atrasos salariais, queda na qualidade dos serviços e perda de credibilidade na política local. É hora de exigir transparência, celeridade e punição exemplar. Caso contrário, o Brasil seguirá sendo o país onde o crime compensa – e a honestidade, não.


Como o esquema funcionava


  • O desvio foi praticado pelo então secretário de Finanças, identificado como Gilmar Martins Dias Júnior, que ocupou cargos-chave por cerca de 15 meses enquanto manipulava pagamentos e movimentações financeiras da prefeitura  .
  • Ele teria operacionalizado a fraude por meio de:
    • Falsificação de extratos bancários, entregues à contabilidade e ao chefe do executivo, para simular saldos equilibrados;
    • Manipulação de senhas bancárias da prefeitura, inclusive de outros secretários, para autorizar transferências sem rastreio;
    • Adulteração de relatórios contábeis, ocultando a movimentação dos valores desviados  .




💸 Transferências e destino dos recursos



  • Os valores desviados foram encaminhados diretamente:
    • Para contas pessoais do próprio secretário,
    • Para contas de uma empresa ligada à sua esposa  .

  • Ao menos R$ 4,8 milhões já foram identificados formalmente como desviados até o momento, embora o valor estimado inicialmente chegue a quase R$ 5 milhões  .

🏚️ Bens recuperados

  • A Prefeitura recuperou voluntariamente alguns bens devolvidos pelo ex-secretário após ter sido afastado, incluindo:
    • Dois veículos de luxo (BMW e outros),
    • Duas casas,
    • Um lote,

  • Tudo totalizando cerca de R$ 1,5 milhão, embora muitos bens ainda estejam em posse do ex-secretário ou em locais não rastreados  .

⚖️ Ações e respostas das autoridades

  • O prefeito Renato Damásio afirma ter acionado:
    • A Polícia Civil, em especial a Delegacia Estadual de Repressão a Crimes Contra a Administração Pública (Dercap);
    • O Ministério Público da comarca de Santa Cruz de Goiás;
    • O Judiciário local, com pedidos formais de bloqueio ou sequestro de bens  .

  • No entanto, até agora:
    • Não houve bloqueio judicial dos bens do ex-secretário;
    • O Ministério Público ainda não registrou formalmente uma notícia de fato, segundo consta, deixando a situação sem resposta imediata da Justiça  .

  • Um inquérito foi instaurado, mas ainda não houve deliberação sobre medidas efetivas que garantam a recuperação dos recursos  .

⏳ Motivações e impacto local


  • O esquema teria sido motivado por interesses pessoais, com o secretário usando o cargo para financiar um estilo de vida luxuoso—incluindo veículos de luxo como BMW, Hilux, Dodge Ram, Jeep Compass e uma Fiat Strada, além das casas adquiridas com recursos públicos  .
  • O impacto para Palmelo é crítico: com arrecadação mensal inferior a R$ 2 milhões, uma folha mensal próxima de R$ 1 milhão, os R$ 5 milhões desviados representam cerca de cinco meses de pagamentos do funcionalismo  .



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