Enquanto provas se acumulam contra o prefeito Claudiomar Portugal, aliados tentam transformar bajulação em moeda política — deslegitimando a verdade
A crise política em Acreúna atingiu um novo patamar de distorção da realidade. Após uma Comissão Parlamentar de Inquérito comprovar — com documentos, depoimentos e laudos técnicos — graves irregularidades na construção de casas populares e no contrato milionário com a empresa Castro Herênios, ligada à nora do prefeito, o que se esperava era um mínimo de responsabilidade pública. Mas o que se vê, em vez disso, é uma tentativa vergonhosa de transformar bajulação em escudo de impunidade.
Circulam pelas redes vídeos de empresários e apoiadores do prefeito Claudiomar Portugal elogiando sua gestão, como se não estivéssemos diante de um dos escândalos mais bem documentados da história recente da cidade. Não se trata de opinião política ou disputa eleitoral. Trata-se de fatos:
- O uso indevido de uma área pública fora da zona habitacional legal (ZEIS);
- A contratação de empresa da própria família do prefeito (a nora como sócia);
- A ausência total de critérios legais para doação das casas, com denúncias de troca por apoio político e R$ 20 mil em dinheiro;
- A falta de audiências públicas, de estudo ambiental e de autorização legislativa específica;
- E uma tentativa clara de instrumentalizar um programa social para fins eleitorais.
O relatório da CPI é extenso, técnico, minucioso. Não é panfleto político, é denúncia fundamentada. Já o que fazem os aliados do prefeito nas redes é puro teatro — e um teatro bem mal ensaiado. Enquanto as provas mostram um prefeito que violou o Plano Diretor, a Lei de Improbidade Administrativa e o Estatuto da Cidade, surgem empresários dizendo frases decoradas, gravadas em vídeos amadores, como se a população fosse incapaz de ver a manipulação.
A pergunta é: qual o preço de um elogio?
Porque, em Acreúna, há quem esteja trocando sua credibilidade por favores, contratos, proteção ou simplesmente a promessa de continuar próximo ao poder. E isso não é novo. É o velho método de tentar calar a verdade pela força da propaganda. Mas agora, a cidade mudou. A Câmara Municipal mostrou coragem ao investigar. E o povo de Acreúna está atento.
Elogiar a gestão Claudiomar, diante de tudo que foi revelado, não é apenas desonestidade intelectual. É cumplicidade. É tentar deslegitimar o papel do Legislativo, que fez o que o Ministério Público deveria estar fazendo: investigar e apontar crimes.
A verdade é simples: se há inocência, que se prove nos autos — não em vídeos de empresários sorridentes. E se há culpa, que venha a cassação. Porque Acreúna não pode mais ser governada com base em conchavos, favores e escambos eleitorais. A cidade precisa de seriedade, não de teatro.

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