IFAG no centro do furacão: repasses bilionários do governo de Goiás levantam suspeitas sobre vínculos políticos e controle dos recursos
O Instituto para o Fortalecimento da Agropecuária de Goiás (IFAG), presidido por Armando Leite Rollemberg Neto, se tornou peça-chave na engrenagem financeira do governo estadual. Sob o manto da modernização da infraestrutura rural e da aplicação dos recursos do Fundeinfra, o instituto assumiu, em tempo recorde, a gestão de valores que somam mais de R$ 1,1 bilhão. O volume impressiona — e acende alertas sobre os riscos de concentração de poder, fragilidade de fiscalização e proximidade política entre dirigentes do instituto e o próprio governo de Goiás.
Do crédito especial ao caixa bilionário
Em julho, a Assembleia Legislativa de Goiás aprovou a abertura de um crédito especial de R$ 1,163 milhão para estruturar o IFAG. O discurso oficial: custear salários e despesas administrativas, preparando a instituição para gerir os repasses do Fundeinfra.
Poucos dias depois, o governo estadual anunciou um pacote de obras de R$ 1,145 bilhão, incluindo pavimentações, duplicações de rodovias e construção de pontes — tudo sob coordenação e execução gerencial do IFAG. O Termo de Colaboração nº 001/2025, assinado com a Seinfra e a Goinfra, formalizou a transferência direta de recursos ao instituto.
Vínculos políticos sob a lupa
A nomeação de Armando Leite Rollemberg Neto como presidente do IFAG não é um detalhe menor. Ex-vice-prefeito de Alexânia, ligado a quadros políticos do interior e com passagens por cargos estratégicos no governo estadual, Rollemberg Neto agora lidera a entidade que concentra a execução de uma das maiores carteiras de investimentos da atual gestão.
A coincidência temporal entre o reforço administrativo e o anúncio de contratos bilionários desperta dúvidas: trata-se de eficiência e visão administrativa — ou de um atalho político para centralizar recursos sem o crivo rigoroso de processos licitatórios tradicionais?
Fiscalização prometida, mas insuficiente
O termo de colaboração prevê prestação de contas mensal, auditorias e acompanhamento por órgãos de controle como a CGE e o TCE-GO. No entanto, a prática mostra que muitas vezes a transparência fica no papel.
Deputados da oposição já questionam a opção de transferir a gestão a uma OS (Organização Social), em vez de fortalecer a própria Goinfra. A crítica central é clara: quando o Estado terceiriza sua capacidade operacional para um ente privado, corre-se o risco de criar um “Estado paralelo”, com menos controle social e maior margem para irregularidades.
O dinheiro e o poder
O fato de os recursos do Fundeinfra — um fundo alimentado diretamente pela produção agropecuária goiana — passarem pelas mãos de um instituto com vínculos políticos e atuação recente em obras de grande impacto coloca o IFAG no olho do furacão.
Mais do que uma questão técnica, trata-se de uma disputa política e econômica: quem controla o caixa, controla as obras, e quem controla as obras, controla influência regional e eleitoral.
Conclusão: o papel da imprensa e do controle social
O caso IFAG expõe um dilema recorrente em Goiás: a pressa em “inovar” na gestão pública frequentemente atropela a transparência e a fiscalização. A pergunta que fica é se a estrutura criada foi desenhada para agilizar a aplicação dos recursos ou para blindar interesses políticos e distribuir poder em ano pré-eleitoral.
No Blog do Cleuber Carlos, reafirmo: cabe à imprensa e à sociedade civil acompanhar de perto cada repasse, cada aditivo e cada execução de obra, para que bilhões não se transformem em mais um capítulo de desperdício ou suspeita de desvio no Estado de Goiás.


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